Foi esta a expressão que Bento XVI usou num Discurso aos Bispos Portugueses quando estes se dirigiram a Roma para a última visita ad limina: É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma
Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a
função do clero e do laicado, tendo em conta que todos somos um, desde quando
fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos
corresponsáveis pelo crescimento da Igreja."
Com base nestas declarações do Santo Padre, alguns apressaram-se a apontar o dedo a estruturas e a pessoas, pensando que a mudança reside nos outros, e não em nós.
Por seu lado, a Conferência Episcopal começou um processo, que chamou de Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal, que tem sido o pretexto para reuniões, encontros, para a produção de textos... É um processo que ainda não terminou, pelo que, ainda é cedo, para haver frutos.
O Santo Padre, na sua recente visita à Alemanha, deu a entender o que entende por mudança. É verdade que o contexto é outro, no entanto, as perguntas são as mesmas: "Assistimos, há decénios, a uma diminuição da prática religiosa, constatamos o
crescente afastamento duma parte notável de baptizados da vida da Igreja. Surge
a pergunta: Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus
serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às
pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?"
E o Papa continua: "Uma vez alguém instou a Beata Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a
primeira coisa a mudar na Igreja. A sua reposta foi: tu e eu!
Este pequeno episódio evidencia-nos duas coisas: por um lado, a Religiosa
pretendeu dizer ao seu interlocutor que a Igreja não são apenas os outros, não é
apenas a hierarquia, o Papa e os Bispos; a Igreja somos nós todos, os
baptizados. Por outro lado, Madre Teresa parte efectivamente do pressuposto de
que há motivos para uma mudança. Há uma necessidade de mudança. Cada cristão e a
comunidade dos crentes no seu todo são chamados a uma contínua conversão."
A mudança que a Igreja precisa está, em primeiro lugar, em nós próprios, na nossa própria conversão a uma vida mais unida a Cristo, de mais amor à Igreja e de aumentarmos a nossa preocupação pela salvação das almas. As estruturas, as reuniões, as tácticas e estratégias pastorais ou têm essa finalidade, ou então tornam-se uma perda de tempo e de energias.
