12.2.11

Uma questão de fé ou falta dela

"Nunca fui uma pessoa particularmente ligada à igreja ou à religião. Baptizada, filha de católicos mais ou menos praticantes, fui para a catequese por vontade própria. Mais para estar com os meus amigos do que para estar perto de Deus, confessemos. No início era giro, era novidade, depois veio a rotina, a chatice, a obrigação. Primeira comunhão, profissão de fé, idas ocasionais e cada vez mais espaçadas à missa de domingo, e pronto. Era isso. Depois foi piorando. Fui-me afastando cada vez mais. Por alguma descrença, por incompatibilidades pessoais com a minha própria fé e por não conseguir dizer ámen a tudo o que a Igreja profetizava. Até que me casei. Mesmo estando tão afastada, sabia que tinha de ser pela Igreja. Fazia-me mais sentido assim, sabia que queria e que precisava daquele reconforto de alma. Mas depois de casada, depois de voltar da lua-de-mel, dei por mim a pensar que não podia ser só aquilo. Que não era só dizer em frente a toda a gente, no altar, que me comprometia com Deus, e depois virar costas novamente. E voltar a desligar-me por mais não sei quantos mil anos. Recomecei a ir à missa, muito por causa do padre que me casou (Arsénio Isidoro) que, claramente, sabe como cativar e aproximar. Porque não acha que cai o Carmo e a Trindade se disser uma piada, se contar uma anedota (no meu casamento disse qualquer coisa como “isto de casar só custam os primeiros 50 anos, depois é fácil”), se usar uma linguagem acessível que toca a todos."

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