5.1.11

O Papa está certo quando critica os anos 70


«Nos anos Setenta, teorizou-se sobre a pedofilia como sendo algo totalmente consentâneo ao homem e também à criança. Mas isto fazia parte duma perversão fundamental do conceito de vida moral. Defendia-se – mesmo no âmbito da teologia católica – que o mal em si e o bem em si não existiriam. Haveria apenas um «melhor que» e um «pior que». Nada seria em si mesmo bem ou mal; tudo dependeria das circunstâncias e do fim pretendido. Segundo os fins e as circunstâncias, tudo poderia ser bem ou então mal. A moral é substituída por um cálculo das consequências, e assim deixa de existir. Os efeitos de tais teorias são, hoje, evidentes.»

As palavras do Papa são confirmadas por um artigo que o Der Spiegel (que, para os mais distraídos, é um jornal bastante liberal de costumes) que, no passado mês de Julho publicou um artigo com o título: The Sexual Revolution and Children, How the Left Took Things Too Far.

Neste artigo, explica-se como na Alemanha, a seguir à revolução de 68, houve um movimento que procurou legalizar a pedofilia, defendendo que era totalmente consentânea com o modernismo. Hoje vivemos os frutos desse tempo. E o Papa está certo: a situação actual tem as suas raízes nesses quase longínquos anos 70.

Um Papa tímido e sem medo

Por P. António Rego

Será exagero, ou talvez não. A entrevista que Bento XVI concedeu ao jornalista Peter Seewald diz mais sobre a sua visão do mundo, da história e do hoje, que o conjunto dos seus discursos. Exprime melhor a sua fé que os seus tratados de teologia. Define melhor o homem, o padre, o cidadão e o Papa que as imagens televisivas mais próximas dos momentos solenes do Sumo Pontífice. Porquê? Porque abre o coração de Joseph Ratzinger a um olhar íntimo, não esquematizado por ele mas pelas observações e perguntas que o jornalista lhe lança, envolvendo-o sempre na sua história pessoal e não na esfinge a que muitas vezes a imagem pública o condena.

Sabendo embora que são muitas horas de diálogo, que o Papa não deixa escapar qualquer resposta impensada, que o texto foi revisto para aperfeiçoamento de algumas referências factuais, sobressai em toda a conversa um homem que nunca separa o seu pensamento da sua história pessoal. Nada parte dum laboratório irreal mas duma reflexão experimentada da vida, da Igreja, de Deus, do homem, de Jesus Cristo, da história do mundo e dele próprio. Aprofunda o que pensa, deixa soltar algumas dúvidas sobre a forma de agir, exprime a sua concepção de poder enquadrado na sua actuação como Papa, pratica a colegialidade "como trabalho de equipa", mostra a importância e a limitação da Cadeira de Pedro, conversa com todo o rigor teológico e sentido pragmático. Sucede não a soberanos mas ao Pescador. Manifesta de forma luminosa a paixão de harmonizar razão e fé, não esconde alguma timidez sem qualquer tipo de medo em afirmar a verdade como obsessão. É um tímido sem medo de ninguém que até gosta dos adversários. Conhece o sofrimento e sabe que é este que tempera a alma e a desprende do relativo.

Mas diz também que não é um homem de gabinete, que conhece e acompanha o mundo, não volta a cara aos sinais dos tempos, não se conforma com a cultura que quer viver sem Deus. Propõe vigorosamente a urgência da conversão, sem qualquer azedume para com a modernidade. E, sem qualquer tom catastrófico, admite que a Terra corre verdadeiro risco de sobrevivência sem dar por isso.

Mais afeito às análises que às sínteses consegue derramar, nas poucas palavras que profere, todos os seus compêndios, numa espécie de oceano lógico, teológico e humano que o habita. Não diz tudo o que pensa, mas dá a impressão que nada do que pensa fica por dizer. E deixa - outro recato - o espaço aberto a quem dele discorda em qualquer matéria. Com a coragem de dizer que não é infalível.

Fascinante este horizonte de homem, crente, cristão e Papa no abrir dum novo ano. Onde se não devem esconder os medos e perturbações. Mas onde prevalece a serenidade e a esperança. De quem reconhece a medida do tempo e o afronta com a eternidade.

3.1.11

Um milhão... e um silêncio ensurdecedor

Ontem, 3 de Janeiro de 2011, na Praça Colon, em Madrid, foi celebrada uma Missa, na qual participaram, segundo os meios de informação espanhóis, um milhão de pessoas. A iniciativa, que se repete pela quarta vez, teve como tema A família cristã, esperança para a Europa, e foi promovida pela Diocese de Madrid.

Repito: participaram um milhão de pessoas! (E isto, usando como fonte um jornal nada católico como o El País).

E, no entanto, nos meios de comunicação social cá do burgo, nem uma referência, nem uma palavra. Se fosse um concerto de música, ou um jogo de futebol (o último jogo entre Barcelona e Real Madrid teve apenas 90 mil espectadores ao vivo), teríamos tido direito a directos, várias reportagens ao longo de mais de um dia.

2.1.11

Humildade

«No final, o que falta é a humildade autêntica, que sabe submeter-se ao que é maior, mas também a coragem genuína, que leva a crer naquilo que é verdadeiramente grande, mesmo que se manifeste num Menino inerme. Falta a capacidade evangélica de ser criança no coração, de se admirar e de sair de si mesmo para seguir o caminho indicado pela estrela, o caminho de Deus. Porém, o Senhor tem o poder de nos tornar capazes de ver e de nos salvarmos. Então, queremos pedir-lhe que nos dê um coração sábio e inocente, que nos permita ver a estrela da sua misericórdia e seguir o seu caminho, para O encontrar e ser inundados pela grande luz e pela verdadeira alegria que Ele trouxe a este mundo.»

Bento XVI, Homilia, 2010.01.06

1.1.11

Transparência

«Exorto-vos a examinar a vossa consciência, a assumir a vossa responsabilidade dos pecados que cometestes e a expressar com humildade o vosso pesar. O arrependimento sincero abre a porta ao perdão de Deus e à graça do verdadeiro emendamento. Oferecendo orações e penitências por quantos ofendestes, deveis procurar reparar pessoalmente as vossas acções. O sacrifício redentor de Cristo tem o poder de perdoar até o pecado mais grave e de obter o bem até do mais terrível dos males. Ao mesmo tempo, a justiça de Deus exige que prestemos contas das nossas acções sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos às exigências da justiça, mas não desespereis da misericórdia de Deus.»
Bento XVI, Carta, 2010.03.19

Transparência é uma das palavras que melhor define as muitas intervenções do Papa Bento XVI no ano de 2010, nos mais variados temas. O «motu proprio» para a prevenção de actividades ilegais em assuntos financeiros e monetários é mais um exemplo.