16.9.10

Bento XVI e o que fazer para tornar a Igreja mais atractiva

No vôo que levou Bento XVI para o Reino Unido, foi-lhe feita a seguinte pergunta:
Pode fazer-se alguma coisa para tornar a Igreja, enquanto instituição, mais credível e atractiva para todos?

Resposta do Papa:

«Eu diria que uma Igreja que procura, acima de tudo, ser atractiva estaria a percorrer um caminho errado. Porque a Igreja não se busca a si própria, não trabalha para aumentar os próprios números, ou o próprio poder. A Igreja está ao serviço do Outro, serve, não para si própria, para ser um corpo forte, mas para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades, as grandes forças do amor, da reconciliação que se tornaram visíveis nesta figura e que dimanam da presença de Jesus Cristo.

Neste sentido, a Igreja não procura a própria atractividade, mas deve transparecer Jesus Cristo. E, na medida em que não existe para si própria, como corpo forte e poderoso no mundo, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência pela qual passa a grande figura de Cristo e as grandes verdades que Ele trouxe à humanidade: a força do amor.

A Igreja não devia pensar em si mesma, mas levar a ver o Outro, e ela própria ver e falar de Deus.»

Papa Bento XVI, Declarações feitas no avião entre Roma e Edimburgo, 2010.09.16

In Il Giornale


Tradução minha

Palace of Holyroodhouse, Meeting with state authorities, 16 September 2010, Benedict XVI

Na saudação que dirigiu à Rainha e demais autoridades civis, à sua chegada a Inglaterra, disse o Santo Padre:

"The Christian message has been an integral part of the language, thought and culture of the peoples of these islands for more than a thousand years. Your forefathers’ respect for truth and justice, for mercy and charity come to you from a faith that remains a mighty force for good in your kingdom, to the great benefit of Christians and non-Christians alike."

Palace of Holyroodhouse, Meeting with state authorities, 16 September 2010, Benedict XVI

15.9.10

Sobre a "renovada evangelização"

"Evangelizar é participar na urgência de Jesus Cristo em anunciar o Reino de Deus, expressão do seu amor salvífico. Cristo continua a ser o primeiro e o principal evangelizador5, missão que Ele continua a realizar através dos seus discípulos, que participam da sua Paixão pelo anúncio do Reino de Deus. É por isso que Paulo exclama: “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor, 9,16). Para o cristão, evangelizar é expressão do seu amor a Jesus Cristo. Ela é sempre uma expressão de amor, porque só o amor converte e brota da relação com Jesus Cristo numa comunhão de amor. Evangelizar é sempre anunciar o amor de Deus, em Jesus Cristo."

(...)

"Isto exige que todos os evangelizadores busquem a santidade, na fidelidade a Jesus Cristo, manifestada no concreto das suas vidas, do seu estado, da sua vocação concreta, das circunstâncias em que vivem. A formação que a Igreja deve proporcionar a estes evangelizadores deve procurar, sobretudo, esta busca da fidelidade cristã e não apenas uma preparação técnica e cultural para a missão evangelizadora. A “nova evangelização” exige um grande movimento de espiritualidade."

Card. D. José Policarpo, Carta Pastoral «Nova Evangelização», 2010.09.14

"Et portae inferi non praevalebunt..." (Mt 16, 18)

" E as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

Ao longo destes dias que precedem a visita do Santo Padre Bento XVI ao Reino Unido, tenho-me lembrado especialmente destas palavras. A preparação da viagem tem sido uma aventura emocionante. Os protestos que se elevam são um desafio para os crentes, pois estão a obrigar os católicos ingleses a saírem do seu comodismo e a defenderem o Papa, a Igreja, a sua fé e, no fim de contas, o próprio modo de encarar a vida e a eternidade.

O Reino Unido, pelas suas raízes e pelo seu importantíssimo papel ao longo da história, é uma nação fascinante, e com uma visibilidade acima da média. Talvez isso explique, em parte, a acesa troca de argumentos que, desde o anúncio da visita do Papa, tem acontecido. Independentemente do número de pessoas que venha a estar directamente com Bento XVI, e muito para além dos episódios concretos (venda de bilhetes, folhetos sobre a Santa Missa, etc.), a primeira batalha já está ganha: há muito mais pessoas hoje com vontade de ouvir o que o Papa vai dizer do que há algumas semanas atrás. Num país cuja indiferença para com a religião atinge máximos históricos, a barreira do indiferentismo está a ser largamente ultrapassada.

Esta viagem será histórica: por ser a primeira visita de estado de um Papa ao Reino Unido; pelos locais onde Bento XVI proferirá as suas homilias e discursos; pelo número de profissionais da comunicação social envolvidos; mas, sobretudo, porque nunca, como hoje, o Papa teve uma tão grande ressonância. Quase parece que, quanto mais o atacam, mas atenção lhe prestam.

14.9.10

Deus maiúsculo ou jornalismo minúsculo

Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada

(...)

Se a descrença do jornalista justifica o uso da minúscula no santo nome de Deus, é óbvio que se o dito não acreditar no Butão, nem no Burkina Faso, países que suponho que nunca terá visto, como nunca viu Deus, também deverá escrever com minúsculas as iniciais desses países, não menos abstractos para o seu entendimento do que a sua muito abstracta noção de Deus.

Se pega a moda de uma escrita personalizada à medida dos caprichos do freguês, os monárquicos deverão escrever em minúsculas as iniciais dos nomes dos presidentes da República; os ateus deverão fazer o mesmo com os nomes dos santos; etc., o que permitirá a milagrosa multiplicação da nossa língua: português-republicano, português-monárquico, português-cristão, português-pagão, português-comunista, português-fascista, etc.

13.9.10

Visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido

O Papa Bento XVI vai, em visita oficial, ao Reino Unido, de 16 a 19 de Setembro.

Muitos de nós não estaremos presentes. Mas podemos rezar pelos bons frutos da viagem. Aqui deixo uma oração que está a ser utilizada por muitos ingleses para a visita do Papa.

Papal Visit Prayer

11.9.10

D. Jacinto Botelho celebra hoje 75 anos

O Sr. D. Jacinto celebra hoje o seu aniversário natalício.

Impressiona-me a sua piedade mariana, a veneração com que trata a Santíssima Eucaristia e o seu delicado amor ao Magistério da Igreja e dos Sucessores de S. Pedro. Ao mesmo tempo, toca-me a sua disponibilidade em receber todos aqueles que o procuram, sejam eles sacerdotes, religiosos ou leigos.

Obrigado, Sr. Bispo, pelo seu exemplo de fidelidade e muitos parabéns.

>>Diocese de Lamego

10.9.10

Custos

Um dos aspectos com mais relevo na comunicação social sobre as visitas do Papa (onde quer que seja), tem a ver com os custos que essas viagens acarretam para os contribuintes. Mas há uma dimensão que, habitualmente, fica esquecida: esses custos trazem consigo uma receita. 

Na próxima visita papal, a questão dos custos da viagem para o contribuinte tem sido abordada muito frequentemente. Torna-se, portanto, necessário recordar que as próprias autoridades civis inglesas têm sublinhado o facto de a visita do Papa Bento XVI ser uma ocasião de atrair mais visitantes às localidades por onde ele vai passar (saíram dois artigos sobre este assunto: um sobre Birmingham, e outro sobre Edimburgo), pelo que as receitas serão largamente superiores às despesas, tornando a visita, de um ponto de vista económico, um bom investimento.

Há um outro assunto que também costuma aparecer nos meios de comunicação social, que é custo das operações de segurança que envolve a visita do Papa (hoje o Diário de Notícias faz uma breve referência a esse tema). As autoridades de segurança inglesas afirmaram ontem que a operação de segurança é de uma escala muito inferior ao Carnaval de Notting Hill, que se realiza todos os anos.

9.9.10

Bento XVI no Reino Unido

O Papa Bento XVI vai ser o primeiro sucessor de S. Pedro a ir, em visita oficial, ao Reino Unido, de 16 a 19 de Setembro. O Papa João Paulo II tinha feito, em 1982, uma visita pastoral.

Desde que foi feito o anúncio oficial, no final do ano passado, que um conjunto de personalidades e entidades começou uma campanha anti-visita muito acesa. Pelo meio, a resposta, seja por parte da Conferência Episcopal, seja por parte dos leigos católicos tem sido muito interessante. Talvez a iniciativa de maior realce, seja a Catholic Voices, que é uma associação de leigos que se dispôs a formar-se sobre o Papa e sobre a doutrina católica e a estar disponível a ir falar a todos os meios de comunicação que desejassem abordar o tema da visita papal. A iniciativa tem tido bastante sucesso, pois os cerca de 50 elementos que fazem parte da Associação têm aparecido em inúmeras ocasiões, seja na rádio, seja na televisão, não só do Reino Unido, mas também em outros países.

A campanha contra a visita papal tem usado vários argumentos: os casos de pedofilia cometido por clérigos, os custos da viagem, ataques dirigidos directamente à pessoa do Papa. No entanto, essa campanha tem trazido ao de cima um conjunto de artigos muito interessantes, de defesa do Papa e da Igreja, escritos até por não católicos. É o caso do artigo escrito no Daily Mail por Stephen Glover (que não é católico, como abertamente o diz no artigo), com o título: "Os verdadeiros intolerantes são aqueles que se opõem ao Papa". E não deixa de ter razão.