30.6.10

Papa nomeia novo Presidente para a Pontifícia Academia da Vida

Hoje foi tornado público que o Santo Padre nomeou como Presidente para a Pontifícia Academia para a Vida o Mons. Ignacio Carrasco de Paula.

Nasceu em Barcelona a 25 de Outubro de 1937. Doutorou-se em Medicina, na especialidade de Cirurgia, em 1962. Nesse mesmo ano, obteve o Doutoramento em Filosofia.

Em 1966, foi ordenado sacerdote para a Prelatura da Santa Cruz e Opus Dei, e exerceu vários cargos apostólicos.

Foi reitor do então Centro Académico Romano da Santa Cruz durante dez anos (1984-1994), que, mais tarde seria elevado a Pontifícia Universidade da Santa Cruz. Nessa Universidade foi Director do Departamento de Teologia Moral (1994-2002).

Até agora, era Chanceler da Pontifícia Academia para a Vida. Com a nomeação de Mons. Rino Fisichella como novo responsável máximo do novo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, o Mons. Carrasco de Paula sucede-lhe como Presidente na Academia para a Vida.

A situação na Bélgica

A Santa Sé está a enfrentar várias situações difíceis em vários países e em várias frentes. As notícias que têm vindo a público são, em muitos casos, imprecisos e, num caso ou noutro, completamente falsas.

Uma dessas situações foi o que se passou na Bélgica, na semana passada. A Bélgica é um país que está a atravessar uma gravíssima crise institucional e política, marcada por fortes divergências entre francófonos e flamengos.

Do ponto de vista religioso, a Bélgica é o país mais marcadamente anti-católico da Europa. Em Abril de 2009, o Parlamento Belga foi o único, em toda a Europa, a emitir uma nota de protesto contra as declarações que o Papa tinha feito na sua viagem a África, sobre os meios anti-conceptivos (declarações do Papa que correspondem, em parte, às recomendações da OMS em termos de conselhos para evitar a propagação da Sida).

Há vários meses, a Conferência Episcopal Belga instituiu uma Comissão independente, encarregada de recolher todas as informações sobre abusos sexuais cometidos por membros do clero belga. Esta Comissão tinha como missão acolher denúncias, investigar casos suspeitos e colaborar com as autoridades judiciais do país na condenação dos culpados e na protecção das vítimas. Entre esta Comissão havia um mútuo acordo de respeito e de colaboração.

No passado dia 24 de Junho, as autoridades judiciais belgas decidiram revistar quatro locais: a sede da Conferência Episcopal Belga, a sede da Diocese de Malines-Bruxelas (sede primacial da Bélgica), a residência do Card. Godfried Danneels e a sede da Comissão independente que investiga os abusos sexuais de menores, em Lovaina. Além disso, abriram um buraco no túmulo onde está sepultado o Cardeal Jozef-Ernest Van Roey e no túmulo do Card. Leon-Joseph Suenens, que foram arcebispos de Malines-Bruxelas.

Quando os investigadores judiciais chegaram à sede da Conferência Episcopal Belga, os Bispos estavam na sua reunião plenária, ou seja, a maioria dos Bispos (se não todos, mas não há dados que permita confirmar) estavam reunidos. Quando os investigadores chegaram, foram-lhes retirados os telemóveis, ficaram impedidos de sair do edifício durante mais de 9 horas e foram entrevistados individualmente pelas autoridades.

Em Lovaina, funcionava a Comissão independente encarregue de investigar os abusos sexuais cometidos contra menores por parte de membros do clero. Os escritórios da Comissão foram esvaziados de toda a documentação que a Comissão já tinha recolhido (475 dossiers de documentação). O Juiz instrutor da magistratura belga encarregue de investigar os casos de pedofilia achou que a Comissão era pouco independente e, portanto, decidiu romper o acordo que existia entre a Comissão e a Magistratura para que a Comissão tivesse tempo de investigar as denúncias que lhe chegavam. Desta maneira, o trabalho da Comissão fo interrompido ainda na fase de investigação, tendo deixado de haver motivo para que existisse. Por isso, o Presidente desta Comissão independente demitiu-se do seu cargo.

Ao mesmo tempo, outros investigadores chegaram à sede do espicopado de Malines-Bruxelas. Levaram todos os dossiers, computadores e documentação que quiseram e encontraram, sem se preocuparem de averiguar se a documentação era relevante ou não para a investigação da pedofilia. Por esse motivo, o normal funcionamento da Diocese ficou comprometido durante algum tempo.

Contemporaneamente, foi revistada a residência do Cardeal Godfried Daniels, Arcebispo Emérito de Malines-Bruxelas. Foram-lhe confiscados todos os dossiers que tinha em casa.

Por fim, foi feito um pequeno buraco nos túmulos de dois Cardeais: Jozef-Ernest Van Roey e Leon-Joseph Suenens. Neste caso, foi inserida uma câmara nos túmulos à procura de documentação que pudesse estar ali escondida. Os investigadores nada encontraram.

No mesmo dia, os Bispos belgas emitiram um comunicado sobre o que se tinha passado. Durante o tempo em que estiveram impedidos de comunicar com o exterior e de sair do local onde estavam foram tratados com respeito, apesar das limitações impostas pelas autoridades judiciais.

No dia 26 de Junho, o Card. Tarcisio Bertone declarou a sua admiração pelo sucedido e condenou a actuação das autoridades judiciais.

A mensagem do Papa

No dia 27 de Junho, o Papa enviou uma carta ao Arcebispo de Malines-Bruxelas. Nessa carta, o Santo Padre condena "o modo como foi levada a cabo a investigação". No documento, Bento XVI afirma ainda: "faço votos que a justiça continue o seu rumo, garantindo os direitos fundamentais das pessoas e das instituições".

Os jornais do passado dia 28 de Junho, na sua quase totalidade, afirmavam, a grandes títulos, que o Papa condenou as investigações das autoridades judiciais belgas. Pelo contrário, o Papa renovou o desejo que as autoridades judiciais prossigam as suas investigações. Limitou-se foi a condenar o modo como tudo decorreu.

Os Bispos, na Bélgica, estiveram entre os primeiros a criar uma Comissão independente para serem investigados os abusos no clero. Deram, também, orientações claras sobre a formação e, na reunião plenária de Bispos do passado dia 24 de Junho, iam ser tomadas mais medidas para prevenir futuros abusos e para pôr em marcha um plano de ajuda às vítimas. Além disso, criaram um fundo de apoio a essas mesmas vítimas.

Há motivos objectivos para tanta dureza de tratamento no modo como foram feitas as diligências judiciais no passado dia 24 de Junho?

27.6.10

"O contrário de conservadora é missionária"

"Enquanto for peregrina sobre esta terra, não tem a Igreja o direito de gloriar-se de si mesma. Este novo modo de gloriar-se poderia tornar-se mais insidioso do que tiaras e sedes gestatórias, que aliás, hoje em dia, são mais motivo de sorriso do que de orgulho."

"O lugar da Igreja, na terra, é so ao lado da cruz. (...) O Concílio [Vaticano II] queria indicar a passagem de uma atitude de conservação a uma atitude missionária. Muitos esquecem-se de que o conceito conciliar oposto a 'conservador' não é 'progressista', mas 'missionário'"

Card. Joseph Ratzinger, in Diálogos sobre a fé, Ed. Verbo, pp. 10-11.

22.6.10

Ordenações sacerdotais em Lamego

No dia 20 de Junho de 2010, a Sé de Lamego foi pequena para acolher todos aqueles que participaram na ordenação sacerdotal de André Filipe Mendes Pereira, António Jorge Gomes Girôto, Bernardo Maria Furtado de Mendonça Gago de Magalhães e José Filipe Pereira.

Estiveram presentes 3 Bispos (além do Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo da Diocese, também marcaram presença o Sr. D. António José Rafael, e D. Manuel António Santos, Bispo de S. Tomé e Príncipe, tio do André).

Éramos cerca de oitenta, os sacerdotes que estivemos presentes, além de 6 Diáconos.

Parabéns aos novos sacerdotes. Que sejam muito felizes e que, a muitos, apontem o caminho para o Céu.

16.6.10

Carta aberta aos sacerdotes de Portugal

Na edição do jornal Expresso, do passado dia 12 de Junho, fui surpreendido por uma carta aberta dirigida pela Sra. Maria Bandeira de Mello Mathias Cortez de Lobão a todos os sacerdotes de Portugal.

A carta, muito bonita, foi paga do próprio bolso dela como publicidade, para que fosse publicada no jornal.

A surpresa inicial deu lugar ao agradecimento: bem haja, Sra. Maria Lobão.

A quem desejar associar-se à iniciativa dela, pode fazê-lo por e-mail ou pelo telefone que consta na própria carta.

Texto da Carta - formato PDF


Texto da carta
cartaCATÓLICOSDEPORTUGAL

Gentilmente cedido pelo blogue Spe Deus

1.6.10

A autoridade, segundo Bento XVI

«Nos últimos decénios, utilizou-se muitas vezes o adjectivo "pastoral" quase em oposição ao conceito de "hierárquico", assim como, na mesma contraposição, foi interpretada também a ideia de "comunhão". Talvez seja este o ponto sobre o qual pode ser útil uma breve observação sobre a palavra "hierarquia", que é a designação tradicional da estrutura de autoridade sacramental na Igreja, ordenada segundo os três níveis do Sacramento da Ordem: episcopado, presbiterado, diaconado. Prevalece na opinião pública, para esta realidade "hierárquica", os elementos de subordinação e jurídico; por isso para muitos a ideia de hierarquia parece estar em contraste com a flexibilidade e com a vitalidade do sentido pastoral e também ser contrária à humildade do Evangelho. Mas este é um sentido da hierarquia compreendido mal, historicamente também causado por abusos de autoridade e por carreirismo, que são precisamente abusos e não derivam do ser próprio da realidade "hierárquica".

A opinião comum é que "hierarquia" é sempre algo relacionado com o domínio e assim não correspondente ao verdadeiro sentido da Igreja, da unidade no amor de Cristo. Mas, como eu disse, esta é uma interpretação errada, que tem origem em abusos da história, mas não corresponde ao verdadeiro significado daquilo que é a hierarquia.

Comecemos com a palavra. Geralmente, diz-se que o significado da palavra hierarquia seria "domínio sagrado", mas o verdadeiro significado não é este, é "origem sagrada", ou seja: esta autoridade não provém do próprio homem, mas tem origem no sagrado, no Sacramento; submete portanto a pessoa à vocação, ao mistério de Cristo; faz do indivíduo um servo de Cristo e só como servo de Cristo ele pode governar, guiar para Cristo e com Cristo. Por isso quem entra na Ordem sagrada do Sacramento, a "hierarquia", não é um autocrata, mas entra num vínculo novo de obediência a Cristo: está ligado a Ele em comunhão com os outros membros da Ordem sagrada, do Sacerdócio.

E também o Papa ponto de referência de todos os outros Pastores e da comunhão da Igreja não pode fazer o que quiser; ao contrário, o Papa é guardião da obediência a Cristo, à sua palavra resumida na "regula fidei", no Credo da Igreja, e deve preceder na obediência a Cristo e à sua Igreja. Hierarquia implica por conseguinte um tríplice vínculo: antes de tudo com Cristo e com a ordem dada pelo Senhor à sua Igreja; depois o vínculo com os outros Pastores na única comunhão da Igreja; e, por fim, o vínculo com os fiéis confiados a cada um, na ordem da Igreja.»

Bento XVI, Audiência, 2010.05.26