14.4.10

Nós que nos escandalizamos

Por P. Jorge Margarido Correia

Temos uma grande responsabilidade de discernimento, porque os sentimentos fortalecem a razão quando a ela se adequam, ou enfraquecem-na quando se distanciam dela.


Nós que nos escandalizamos, e com razão, com os casos de pedofilia por parte de quem devia ensinar os valores morais de que a Igreja é paladina, temos uma grande responsabilidade de discernimento.

Se essas acções são fruto desse ensino moral, então devemos abandonar esse ensino, a começar pelos 10 Mandamentos.

Mas se o que nos escandaliza é precisamente a contradição entre os valores e as acções, então temos que pôr todo o nosso empenho em defender esses valores contra o relativismo que está tão difundido, louvar a Igreja e os pastores que os defendem e prestar sincera homenagem aos santos de todos os tempos que os encarnaram.
Nós que nos escandalizamos, e com razão, pelo silêncio de alguns que poderiam ter-se erguido contra esses crimes evitando mais vítimas, temos uma grande responsabilidade de discernimento.

Se essas acções e esses silêncios são de Pastores da Igreja e em número significativo e generalizado no tempo e no espaço, então devemos atribuir à Igreja no seu todo essa responsabilidade.

Mas se, como está mais que provado, se trata de uma minoria na Igreja e a maior parte deles de há já muitos anos, e este triste fenómeno é muito mais significativo no contexto da sociedade toda, então não podemos, com o nosso silêncio, permitir que os católicos em geral e os seus pastores sejam vítimas de uma violência moral por parte dos poderosos deste mundo e de alguma comunicação social que lhes presta vassalagem.

Nós que nos escandalizamos, e com razão, perante esse exercício desviado da sexualidade de um adulto imposto a um menor, temos uma grande responsabilidade de discernimento.

Ou o mal está nesse desvio do adulto e, sabendo como se sabe que na maior parte dos casos estamos em presença de uma tendência homossexual, temos que rever essa ideia que nos querem impingir que a homossexualidade é um modo mais como outro qualquer de exercer a sexualidade.

Ou o mal está em tratar-se de menores ainda sem maturidade para esse exercício, e então temos que pensar no que acontece com os programas de educação sexual dirigidos às crianças, ensinando-lhes que tudo é natural. Se esses programas vão para a frente, a pedofilia deixará de o ser e transforma-se em aulas práticas.

Nós que nos escandalizamos, e com razão, com os crimes hediondos porque desejamos acabar com tais injustiças, temos uma grande responsabilidade de discernimento, porque os sentimentos fortalecem a razão quando a ela se adequam, ou enfraquecem-na quando se distanciam dela, e podemos correr o risco de estar a dançar ao som de uma música de uma orquestra que não é a nossa.

* Eng.º Mecânico. Doutor em Teologia