30.3.10

Homenagem à Universalidade da Igreja Católica

"É sempre interessante ver os inimigos do catolicismo opinar sobre a organização interna da Igreja Católica. Acham que este Papa não serve e querem outro. Acham que a Igreja Católica devia acabar com a regra do celibato (chegam mesmo a defender a tese de que os celibatários têm mais tendência pedófilas, tese que rejeitariam em qualquer outra circunstância). Acham que as mulheres devem poder chegar a Papa. Não deixa de ser uma Homenagem à universalidade da Igreja Católica. Mesmo os que estão fora pensam como se estivessem dentro. Pensam como se a sua opinião devesse contar. Muitos já são ateus há dezenas de anos, mas continuam a respeitar e a prestar vassalagem à Igreja."

Por João Miranda, in Blasfémias (http://blasfemias.net/2010/03/30/homenagem-a-universalidade-da-igreja-catolica)

Pedofilia na Igreja: factos e números

Um interessante artigo demonstra os factos e os números sobre os casos de pedofilia na Igreja, e o modo como esses factos são depois utilizados por alguns jornais.

O artigo pode ler-se aqui: http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=7929

29.3.10

A verdadeira crise

Nestes dias, por várias vezes ouvi jornalistas a dizer que a Igreja atravessa uma das suas piores crises de sempre.

Mas, a verdadeira crise não é a campanha mediática que se levantou nestes dias. A verdadeira crise da Igreja são os abusos que se cometeram contra as crianças, porque isso pressupõe uma grave ofensa, não só ao próximo, mas a Deus, tenham esses abusos sido muitos ou apenas um.

O facto de, esses abusos, virem a público (na maioria dos casos relatados, são casos com decénios, que já tinham aparecido mais do que uma vez nos jornais) não são motivo de crise, mas sim de purificação.

Se esta tempestade levar a uma oração mais intensa, a uma penitência mais generosa e a uma maior exigência na hora de seleccionar os candidatos ao sacerdócio, então a Igreja vai sair mais forte e mais fiel àquilo que Cristo lhe pede.

Afogar o mal na abundância do bem

A Semana Santa, semana em que a Igreja celebra a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, tem, como uma das suas principais lições, a atitude de Jesus Cristo perante o sofrimento, a dor e a injustiça.

Com toda a sua vida, mas de uma maneira especial na sua Paixão e Morte, Jesus afoga toda a miséria humana com o bem do seu amor por cada homem de cada tempo.

Diante das actuais circunstâncias históricas, a atitude de cada cristão deve ser a de imitar a Cristo: afogar o mal na abundância de bem. Se assim o fizermos, a tempestade acabará por se transformar numa primavera radiosa.

28.3.10

26.3.10

NY Times, o Papa e uma parte da verdade

O NY Times do dia 24 de Março publica uma notícia com o título "Vaticano negou-se a expulsar padre que abusou de rapazes".

Em resumo, o artigo reproduz a trágica história de Lawrence C. Murphy que terá abusado de 200 rapazes surdos num Colégio na Diocese de Milwaukee, onde trabalhou entre 1950 e 1974. As primeiras acusações de abusos contra L. Murphy surgiram a partir de 1974 e todas elas foram arquivadas pelo tribunal civil.

Da documentação reproduzida pelo NY Times, fica provado que, os únicos a preocuparem-se com as vítimas foram as autoridades diocesanas, que afastaram Murphy de cargos e até o mudaram de Diocese (de Milwaukee passou à Diocese de Superior), onde o único encargo que tinha era ajudar o Pároco da zona onde passou a residir.

Desde 1974 até 1996, a Diocese de Milwaukee abriu vários expedientes processuais canónicos tendo em vista a gravidade dos acontecimentos, com a finalidade de o obrigar a obter a dispensa das obrigações do estado clerical. É no âmbito destes processos judiciais canónicos que surge um dado novo: algumas tentativas de abuso por parte de Murphy terão sido feitas durante a confissão. Uma vez que este delito está na esfera da competência da Congregação para a Doutrina da Fé, em 1996 (ou seja, 22 anos depois de Murphy ter sido afastado do trabalho com crianças e já depois das autoridades civis se terem desinteressado do seu caso, arquivando os processos de denúncia), o Bispo de Milwaukee escreve para a Congregação presidida na altura pelo Card. Ratzinger a pedir esclarecimentos sobre se a competência para julgar o P. Murphy é da Congregação para a Doutrina da Fé ou é da Diocese americana. É neste contexto que o Vaticano tem conhecimento do processo e do caso do P. Murphy.

"A Congregação para a Doutrina da Fé, considerando que os factos era de há mais de duas décadas, que o culpado se tinha arrependido, que não tinha reincidido e que o sacerdote estava moribundo (faleceu quatro meses depois), decidiu não tomar medidas canónicas contra ele pelo delito de violação da confissão, único âmbito da sua competência".

O título do NY Times rapidamente passou de "Vaticano negou-se a expulsar padre que abusou de rapazes" a "Bento XVI terá encoberto padre norte-americano". No entanto, mais uma vez, a tentativa de implicar o actual Papa no encobrimento de casos de abusos de menores torna a falir.

Mais informações:

El Papa y los abusos: la fiebre amarilla de "The New York Times", en La Iglesia en la prensa

Papa não encobriu caso Murphy, in Zenit

Prete pedofilo in Usa, ecco come è andata veramente, in Avvenire

23.3.10

Cerco de Jericó, em Lamego

“Pela fé caíram os muros de Jericó, depois de rodeados por sete dias.” Hebreus 11, 30.

O cerco de Jericó, consiste na oração incessante de Rosários, durante sete dias e seis noites, diante do Santíssimo Sacramento exposto.

Neste momento, está a decorrer um Cerco de Jericó na Casa da Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, na cidade de Lamego. Esta semana de oração concluir-se-á na próxima sexta feira, pelas 20h15.

In www.lamego-diocese.blogspot.com

21.3.10

Dedo na ferida

Os abusos de menores por parte de uns poucos membros do clero, não se resolvem com penas canónicas. O problema de fundo, como o Santo Padre bem diz, "com frequência as práticas sacramentais e devocionais que sustentam a fé e a tornam capaz de crescer, como por exemplo a confissão frequente, a oração quotidiana e os ritos anuais, não foram atendidas." O abandono da vida espiritual, a falta de luta ascética tem como inevitável consequência uma maior tendência a uma vida longe da graça de Deus. E, onde falta habitualmente a graça de Deus, há um maior facilitismo e tolerância em relação à prática de pecados, dos mais pequenos, aos mais graves. Aqui está o problema de fundo, na questão da pedofilia.

No entanto, o Santo Padre não esconde outro aspecto, também importante: "houve uma tendência, ditada por recta intenção mas errada, a evitar abordagens penais em relação a situações canónicas irregulares."

O Direito penal, desde há várias décadas, é alvo de uma errada compreensão, dentro e fora da Igreja. As penas canónicas não servem para condenar ninguém. Servem, sim, para que uma determinada pessoa que tenha cometido um delito grave (como pode ser o abuso de uma criança) seja obrigada a reflectir e a mudar a sua conduta. E serve, sobretudo, para garantir que uma determinada pessoa que tenha cometido um delito grave fique sem a possibilidade de usar da sua posição para cometer delitos semelhantes com a mesma ou outras pessoas. É essa a finalidade das penas canónicas.

20.3.10

Carta de Bento XVI à Igreja na Irlanda

As cartas foram, desde os primeiros tempos da Igreja, o modo como S. Pedro e os seus sucessores deram instruções, encorajaram e criaram as condições para que os problemas das várias comunidades cristãs se resolvessem.

A Carta do Santo Padre Bento XVI que hoje foi publicada dirigida à Igreja da Irlanda revela a qualidade humana e espiritual deste Papa, que não esconde os problemas, que vai directo ao assunto e não tem medo de pôr o dedo na ferida, desde que isso sirva para curar a doença.

Que grande Papa que a Igreja tem!

19.3.10

A ler

Sacerdotes pedófilos: um pânico moral, por Massimo Introvigne, em Jesus Logos


Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa
, 2010.03.17, através da Agência Ecclesia

Un'aggressione al Papa e alla democrazia, de Marcello Pera, in Corriere della Sera, 2010.03.17


La noticia es que la limpieza va en serio
, Diego Contreras, in La Iglesia en la prensa

Abrir as portas

"As crises escondem oportunidades", tem sido repetido vezes sem conta nos últimos dois anos.

O recente volume de notícias sobre a existência de abusos sexuais de menores por parte de membros da Igreja, sobretudo sacerdotes, pode ser considerada uma crise que, no entanto, é também uma grande oportunidade.

Em primeiro lugar, ninguém está mais interessado no apuramento da verdade sobre possíveis abusos por parte de membros do clero do que a própria Igreja. Por isso, todas as denúncias que se provem ser verdadeiras não são um mal, mas sim um bem, porque vão permitir proteger os mais fracos. No entanto, nas notícias que têm vindo a público, parece que os jornalistas não se preocupam com as vítimas. Preocupam-se, sim, com o celibato, com o interesse em descobrir se os Bispos esconderam casos que conheciam ou quantos são as denúncias que envolvem sacerdotes (sem qualquer preocupação sobre se as denúncias são verdadeiras ou falsas, se houve condenação de alguém, ou se os processos de denúncia foram arquivados).

Em segundo lugar, como escreve Massimo Introvigne, "o problema não é o celibato (...). No mesmo período em que uma centena de sacerdotes católicos eram condenados por abusos sexuais de menores, o número de professores de educação física e de treinadores de equipas desportivas jovens, também quase todos casados, considerados culpados do mesmo delito nos tribunais americanos atingia os seis mil. Os exemplos podem multiplicar-se, e não só nos Estados Unidos. E o principal dado a ter em conta, de acordo com os relatórios periódicos do governo americano, é o de que dois terços dos abusos sexuais a menores não são feitos por estranhos, ou por educadores – incluindo os sacerdotes católicos e os pastores protestantes –, mas por membros da família: padrastos, tios, primos, irmãos e pelos próprios pais." O problema, portanto, não é o celibato, mas sim a falta dele, já que a tendência para os abusos de menores é muito maior em quem tem vida sexual activa do que em quem é celibatário.

Em terceiro lugar, continuando com Massimo Introvigne, "80% dos pedófilos são homossexuais, são homens que abusam de outros homens. E – voltando a citar Philip Jenkins – 90% dos sacerdotes católicos condenados por abusos sexuais de menores e pedofilia são homossexuais. Se a Igreja Católica tem efectivamente um problema, não é o do celibato, mas o de uma certa tolerância da homossexualidade nos seminários, que teve particular incidência nos anos 70, a época em que foi ordenada a grande maioria dos sacerdotes que foram posteriormente condenados por abusos."


A atitude do Papa Bento XVI acabará por produzir frutos: "existe uma vontade real de erradicar o problema [da pedofilia do seio da Igreja]. Dói, como quando se cura uma infecção, mas o resultado só pode ser positivo. Para as pessoas sérias, essa é a notícia".

13.3.10

Pedofilia

Um só caso de pedofilia é uma tragédia. É dos actos mais repugnantes e baixos aos quais pode chegar a miséria humana. Seja quem for que cometa um acto de pedofilia, merece a mais viva condenação de todos, e deve ser impedido de estar em condições de repetir actos dessa natureza.

A Igreja, desde sempre, e cada vez mais nos últimos tempos, tem repetido aquilo que defende: que qualquer acto de abuso de uma criança é um pecado que brada aos Céus e que, portanto, nunca pode ser permitido em qualquer circunstância, seja por quem seja. Fruto disso, os crimes relativos a actos de pedofilia por parte de membros da Igreja, sejam eles clérigos, religiosos ou leigos, sempre foram punidos com penas muito severas, na consciência que os mais fracos, ou seja, as crianças, devem ser sempre protegidas e defendidas.

Em tempos não muito longínquos na vida da Igreja, dá-se agora conta que essa legislação (que sempre existiu) não foi aplicada como deveria ter sido, e isso deve-se a vários factores: por um lado, um certo receio da autoridade eclesiástica em investigar a fundo os possíveis casos de abusos entre crianças e de agir com medidas preventivas e, se os factos se comprovassem, com medidas coactivas; por outro lado, um erróneo entendimento sobre a necessidade e o valor das penas canónicas; por fim, a tentação de abafar possíveis casos de pedofilia cometidos por membros do clero pode, nalguns momentos, ter sido maior do que a absoluta necessidade de defender as crianças.