9.2.10

Carta do P. Henri Boulad

Vários blogs, agências de notícias e colunistas referiram, nos últimos dias, uma carta aberta que o Rev. P. Henri Boulad, S.J., um sacerdote jesuíta egípcio, escreveu ao Santo Padre sobre a situação actual da Igreja.

A carta, escrita num tom filial, começa por descrever uma realidade conhecida, mas que não deixa de ser preocupante: diminuição do número de fiéis, abandono de sacerdotes, a dificuldade em fazer chegar às pessoas a mensagem do Evangelho.

Estas constatações, no entanto, omitem uma parte da realidade que hoje vivemos. Antes de mais, porque uma análise meramente numérica pode ser indicativa, mas não é definitiva. Durante a crise ariana, nos sécs. III e IV, mais de 50% dos Bispos católicos eram arianos. E, no entanto, apesar de em minoria, o Papa, em minoria, juntamente com o povo fiel e uns poucos Bispos acabaram por se manter fiéis ao que tinham recebido de Jesus, mesmo estando em claríssima minoria.

Além disso, a constatação numérica não refere que, na velha Europa, estamos a assistir a uma primavera de iniciativas laicais (com o contínuo aparecimento de movimentos, realidades eclesiais, associações de fiéis, etc.) que manifestam uma vitalidade cada vez maior, ainda que, em certos países, ainda ténues, mas com um contínuo crescimento.

Em relação às soluções apresentadas para a resolução dos problemas apontados, o P. Henri fala sobre uma reforma da teologia e da catequese (usando aquela expressão cada vez mais famosa: "é preciso repensar a fé"); a reforma da pastoral e da espiritualidade.

Sobre estas propostas, terei oportunidade de escrever nos próximos dias.