24.2.10

A Igreja e a Democracia

Por Pedro Arroja

Aquilo que de melhor existe no protestantismo é o que ele guardou do catolicismo, escreveu Chesterton. Em poucas áreas esta afirmação é tão verdadeira como na que diz respeito à democracia. (Para outro exemplo, veja o post seguinte).
Desde os primórdios do Cristianismo que a Igreja defende, e pratica, a democracia. Os Papas sempre foram eleitos democraticamente, e no início até por um sufrágio muito vasto que, além dos clérigos, incluia também os leigos. Mais ainda, na Igreja Católica qualquer homem pode ser Papa. A única condição que se lhe exige é que seja baptizado, um sacramento que qualquer padre de paróquia lhe dispensará prontamente. Esta posição reflecte não apenas a abertura da Igreja, mas também a sua grande coerência doutrinária (era melhor que, se Cristo voltasse à Terra, ele não pudesse ser eleito Chefe da sua própria Igreja)
Muito antes dos modernos Parlamentos, já existiam Parlamentos em todo o mundo católico, quer na Inglaterra pré-Reforma quer na Península Ibérica (aqui chamados Cortes) numa altura em que a Igreja tinha uma influência determinante em toda a sociedade ocidental. Dir-se-à que não foi a Igreja Católica que inventou a Democracia, e isso é verdade. Mas não foram também seguramente os protestantes que o fizeram, como a Inglaterra ou os EUA. A democracia moderna é, em última instância, uma herança dos gregos, mas também aqui é bom que a Igreja Católica não deixe os seus créditos por mãos alheias. As ideias dos gregos, incluindo a ideia democrática, só chegaram à modernidade porque a Igreja Católica, nos seus mosteiros e nos seus conventos, as guardou e as protegeu da destruição dos bárbaros.

Texto completo em Portugal Contemporâneo

Papa vem a Portugal

O Santo Padre Bento XVI vem a Portugal.

Pode ser encontrada informação sobre a visita em http://www.bentoxviportugal.pt/

A Acção Católica e o Catolicismo português do Séc. XX

Por P. Senra Coelho
O aparecimento da Acção Católica Portuguesa (ACP) insere-se num contexto de recomposição do catolicismo português, marcado decisivamente pelo contributo que o Concilio Plenário Português (1926) trouxe à Igreja em Portugal, recentemente confrontada com o radicalismo republicano. Nesse contexto, a necessidade de união dos católicos por motivos de recuperação religiosa e de conteúdos políticos fez com que, os Bispos assumissem uma centralidade eclesial e social, capaz de lhe dar uma autoridade católica na sociedade com elevada e verdadeira expressão.

Estas realidades nacionais inseriam-se no contexto da Igreja Universal, pois as orientações de Pio XI eram definidas, desde a origem do seu pontificado (1921), a partir da vigorosa proposta de um projecto de restauração da ordem social cristã, apresentando a Acção Católica (AC) como uma nova proposta de apostolado, que de modo crescente se foi institucionalizando nos diversos países de tradição católica, como Itália (1923), Polónia (1925), Espanha (1926), Croácia, na Jugoslávia e Checoslováquia (1927) e na Áustria (1928).

Apoiando os esforços dos Bispos portugueses, Pio XI dirigiu uma carta ao Cardeal-Patriarca de Lisboa a 10 de Novembro de 1933, a qual é referência decisiva da ACP. Nesta carta, Pio XI considerava «o apostolado dos fiéis» como instrumento adequado para fermentar cristãmente a sociedade, a qual via muitas vezes a fé, como assunto privado, organizando-se sem o reconhecimento do contributo social que o catolicismo era capaz de oferecer. Para o Papa, a acção dos fiéis «sob a direcção dos seus Bispos, dão o seu concurso à Igreja de Deus e completam, de uma certa maneira, o seu ministério pastoral». O lema da ACP, «cor unum, anima una» exprimia a convicção que a eficácia desta iniciativa dependeria em larga escala da organização unitária e do comando unificado, que devia actuar em forma de corpo, na sociedade e no Estado, sobretudo nas suas pretensões hegemónicas e anti-religiosas.

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Texto completo em per Deum

Cáritas ajuda a Madeira

A Cáritas portuguesa lançou um apelo para ajuda às populações da Madeira.

Pode encontrar-se mais informação AQUI>>

11.2.10

Repensar...



Começa a ser cada vez mais frequente ouvir-se expressões como "é preciso repensar a fé", ou "é preciso repensar o sacerdócio", ou "a Igreja tem que repensar a sua moral".

A fé, o sacerdócio e a moral são um dom de Deus. Não são fruto de uma invenção humana, nem fruto do resultado especulativo da mente humana.

Por isso, podemos (e devemos) repensar o modo como comunicamos a fé, como vivemos o sacerdócio, como pomos em prática a moral que Deus nos pede para vivermos. Mas não inventaremos nada de novo.

No vídeo: A Capella Bracarensis entoa o hino "Atei os meus braços", da Liturgia das Horas, musicado pelo P. Manuel Faria.

9.2.10

Carta do P. Henri Boulad

Vários blogs, agências de notícias e colunistas referiram, nos últimos dias, uma carta aberta que o Rev. P. Henri Boulad, S.J., um sacerdote jesuíta egípcio, escreveu ao Santo Padre sobre a situação actual da Igreja.

A carta, escrita num tom filial, começa por descrever uma realidade conhecida, mas que não deixa de ser preocupante: diminuição do número de fiéis, abandono de sacerdotes, a dificuldade em fazer chegar às pessoas a mensagem do Evangelho.

Estas constatações, no entanto, omitem uma parte da realidade que hoje vivemos. Antes de mais, porque uma análise meramente numérica pode ser indicativa, mas não é definitiva. Durante a crise ariana, nos sécs. III e IV, mais de 50% dos Bispos católicos eram arianos. E, no entanto, apesar de em minoria, o Papa, em minoria, juntamente com o povo fiel e uns poucos Bispos acabaram por se manter fiéis ao que tinham recebido de Jesus, mesmo estando em claríssima minoria.

Além disso, a constatação numérica não refere que, na velha Europa, estamos a assistir a uma primavera de iniciativas laicais (com o contínuo aparecimento de movimentos, realidades eclesiais, associações de fiéis, etc.) que manifestam uma vitalidade cada vez maior, ainda que, em certos países, ainda ténues, mas com um contínuo crescimento.

Em relação às soluções apresentadas para a resolução dos problemas apontados, o P. Henri fala sobre uma reforma da teologia e da catequese (usando aquela expressão cada vez mais famosa: "é preciso repensar a fé"); a reforma da pastoral e da espiritualidade.

Sobre estas propostas, terei oportunidade de escrever nos próximos dias.

8.2.10

Crises

Estamos a atravessar uma profunda crise de valores.

Como lembra o Sr. D. Manuel Clemente, quem tem encargos públicos tem uma maior responsabilidade de transparência, de honestidade e de exemplo.

Todos os dias surgem pequenos e grandes casos de corrupção, de injustiças, de mentira e de hipocrisia.

Esta é a consequência de anos e anos de promoção de ataques, deliberados e velados, à família. Esta crise de valores é a causa mais profunda da crise económica e social que vivemos. Os males só se resolvem quando se resolvem as suas causas.

Por isso, são de louvar iniciativas como esta.