16.1.10

Nota do Porta Voz da Santa Sé sobre a situação no Haiti

O mundo está certamente abalado pela tragédia do povo do Haiti, pelas milhares de vítimas, pelo imenso número de feridos, pela dificuldade na organização do socorro em uma situação de confusão geral, pela dor incomensurável de um povo inteiro, que já era contado entre os mais pobres da Terra.

Também a Igreja, que vive com seu povo, foi direta e dolorosamente atingida pela morte de tantos de seus membros, a começar pelo próprio arcebispo da capital, e pela destruição de várias atividades suas.

O papa imediatamente ergueu sua voz com palavras vibrantes de participação espiritual e de apelo à solidariedade, e à sua se juntaram tantas outras, de todos os países, particularmente os mais próximos no continente americano, de forma que podemos esperar também desta vez – como já frequentemente no passado – que a gravidade da tragédia se torne ocasião para uma longa disputa de solidariedade e de amor.

E este amor generoso e genuíno é talvez o único verdadeiro consolo, a única grande resposta a este mar de dor, como o amor de Cristo que morre na cruz é a única e verdadeira resposta ao sofrimento do homem. Um sacerdote nos disse: “Nós haitianos estamos acostumados às catástrofes: quando não são as naturais, são as políticas ou de outro tipo, que sempre abalam o país; mas o povo a cada vez volta a esperar, e esta é uma esperança cristã. Para os haitianos o amor é mais forte”.

Tantos agentes sociais e de pastoral, testemunhas da solidariedade, já morreram nestes dias – diga-se de passagem, “por amor” – com os haitianos, como a brasileira Zilda Arns, fundadora da maravilhosa “Pastoral da Criança”.

Temos que continuar a acompanhar, através da solidariedade e do amor, o ressurgir – mais uma vez – da esperança e do amor dos haitianos, dos pobres e dos sofredores do mundo.

P. Frederico Lombardi, 2010.01.15, in Rádio Vaticana

Ajuda ao Haiti

O Haiti transformou-se no centro do mundo, no centro de todas as atenções. Aquela é uma tragédia que as palavras não conseguem exprimir. É inimaginável a dor e o sofrimento que aquele povo está a passar.

As ajudas e as promessas de auxílio sucedem-se. De entre as muitas possibilidades, sugiro a Cáritas.

15.1.10

Fraude (I)

A questão do casamento não é uma questão de direita ou de esquerda. É uma questão que, pela sua importância, no presente e no futuro, está colocada no centro da vida da maioria das pessoas, não só de hoje, mas como uma constante na história de todas as culturas e de todas as sociedades.

Nas últimas semanas, muitas pessoas, incluindo deputados e pessoas com responsabilidades de governação, discutiram a possibilidade de permitir que duas pessoas do mesmo sexo pudessem casar.

E essa é a primeira fraude: duas pessoas do mesmo sexo nunca casam, mesmo que a lei o permita, porque o matrimónio implica a união estável de duas pessoas com uma abertura natural à procriação. E esta definição do matrimónio nem sequer nasceu com o cristianismo, como pode constatar qualquer pessoa que tenha umas noções básicas de história.

Mesmo que a lei civil chame casamento à união entre duas pessoas do mesmo sexo, a designação não corresponde à realidade da união. O facto de aplicar um determinado nome a uma realidade que lhe corresponde, não altera a natureza dessa mesma realidade. E a experiência demonstra que a natureza ganha sempre quando lhe põem um nome que não lhe corresponde.

11.1.10

O referendo e a democracia em Portugal

«A forma como os partidos políticos portugueses rejeitaram a iniciativa popular que propunha um referendo sobre o casamento de homossexuais inviabilizou qualquer outra iniciativa popular que no futuro nasça da sociedade civil.

Isto significa que a democracia directa será usada em Portugal apenas para causas convenientes. Quando se quiser fazer avançar certas agendas, realiza-se um referendo, repetindo-o até as pessoas aceitarem o que se pretende; quando se quiser proteger um direito, toma-se a decisão de cima para baixo, travando qualquer iniciativa contrária, dizendo que não faz sentido referendar.»

Luís Naves, em Albergue Espanhol