26.12.10

Votos de um Santo Natal

«Há um caminho para todos. Para todos, o Senhor estabelece sinais adequados a cada um. Chama-nos a todos, para que nos seja possível também dizer: Levantemo-nos, «atravessemos», vamos a Belém, até junto d’Aquele Deus que veio ao nosso encontro. Sim, Deus encaminhou-Se para nós. Sozinhos, não poderíamos chegar até Ele. O caminho supera as nossas forças. Mas Deus desceu. Vem ao nosso encontro. Percorreu a parte mais longa do caminho.»

Bento XVI, Homilia, 2009.12.24

25.10.10

Presidente do Conselho Pontifício da Cultura preside a missa na igreja de Santo António dos Portugueses

A missa do dia da Padroeira de Portugal, Imaculada Conceição, que se celebra na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, vai ser presidida pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, D. Gianfranco Ravasi, refere o jornal Voz Portucalense.

D. Gianfranco Ravasi, que vai ser nomeado cardeal por Bento XVI a 20 de novembro, tinha estado na igreja de Santo António dos Portugueses a 7 de dezembro de 2008 para a bênção do novo órgão.

Na homilia que proferiu durante a missa, o prelado começou por afirmar que Lisboa "constitui certamente um dos grandes símbolos da beleza e do fascínio europeu".

"Num mundo marcado e dominado por tanta brutalidade, cheio de superficialidade e de ruído, procuramos encontrar a harmonia exterior do belo e, ao mesmo tempo, a harmonia interior que na música atinge o seu vértice", disse.

"A música – salientou – é o sinal da harmonia humana e da presença de Deus no meio de nós", pelo que "as harmonias que saírem deste novo órgão" falarão da "beleza humana e, ao mesmo tempo, da de Deus, ou seja, da beleza transcendente."

In http://www.snpcultura.org/breves_index.html

20.10.10

Colégio Cardinalício: notas históricas

O Colégio de Cardeais é uma instituição eclesiástica. Na sua origem, está o grupo de Diáconos, Presbíteros e Bispos que, durante grande parte do primeiro milénio, sob vários títulos, eram os colaboradores do Papa no governo da Diocese de Roma.

Os Diáconos, originariamente, eram sete, a cada qual correspondia uma das sete regiões eclesiásticas nas quais estava dividida a cidade de Roma, e assumiam funções litúrgicas, administrativas e de assistência social.

Os Presbíteros, que começaram por ser 25 e depois passaram a 28, assumiam o serviço nas Basílicas Maiores e noutras Igrejas de Roma, das quais estavam encarregues (incardinados: daqui nasce o nome cardeal).

Os Bispos, regiam as sete Dioceses à volta da cidade de Roma, que se chamavam suburbicárias; a partir do séc. V, a estes Bispos foram confiadas as funções litúrgicas na Basílica de S. João de Latrão, em Roma, passando, por conseguinte, a estar incardinados em Roma.

A partir de 1059, os Cardeais assumem a função exclusiva da eleição do Sumo Pontífice.

Desde 1150, os Cardeais passam a formar um Colégio, com um Decano (Cardeal-Bispo titular da Diocese de Óstia), e um Cardeal Camerlengo, que assume a função da administração dos bens. A partir desta altura, passa a haver Cardeais que residem fora da cidade de Roma.

Ao longo do tempo, o número dos Cardeais foi variando, entre os trinta e os setenta. Doi o Papa Sisto V que, em 1586, determina que os Cardeais deverão ser 70: 6 da ordem dos Cardeais-Bispos; 50 da ordem dos Cardeais-Presbíteros; 14 dos Cardeais-Diáconos.

Este número foi-se mantendo ao longo dos séculos, até que, em 1958, o Papa João XXIII alterou essa regra, abrindo a possibilidade que fossem nomeados mais do 70 Cardeais. Além disso, o mesmo João XXIII, estabeleceu, em 1962, com o Motu proprio Cum gravíssima, estabeleceu que todos os Cardeais deveriam estar revestidos da dignidade episcopal.

Paulo VI também estabeleceu algumas regras relacionadas com o Colégio Cardinalício:
a) decidiu que os Patriarcas Orientais também deveriam fazer parte do Colégio (Motu proprio Ad Purpuratorum Patrum, de 11 de Fevereiro de 1965);

b) decidiu que, ao chegar so 80 anos, os Cardeais cessam de ser Membros dos Dicastérios da Cúria Romana e de todos os Organismos Permanentes da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano;

c) decidiu que, ao atingir os 80 anos, os Cardeais perdem o direito de eleger o Sumo Pontífice
e, portanto, também o direito de participar no Conclave (Motu próprio Ingravescentem aetatem, a 21 de Novembro 1970);

d) estabeleceu que o número máximo de Cardeais eleitores será de 120 (Concistório de 1973).

O Papa João Paulo II confirmou, na Const. Apostólica Universi Dominici gregis de 22 de Fevereiro de 1996, as disposições do seu predecessor Paulo VI, dispensando, no entanto, da obrigação da eleição do Sumo Pontífice pela maioria de dois terços dos votos no caso de, após um certo número de votações, ainda não ter sido possível ter êxito nas votações.

O Santo Padre Bento XVI, a 11 de Junho de 2007, com o Motu proprio "De aliquibus mutationibus in normis de electione Romani Pontificis", confirmou as decisões dos seus Predecessores, excepto na questão da votação, voltando a impor a necessidade que o Sumo Pontífice seja eleito por dois terços dos votos em qualquer dos casos.

Também publicado AQUI

18.10.10

Quem quer tornar-se sacerdote...

Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo.

Bento XVI, Carta aos seminaristas, 2010.10.18

13.10.10

13 de Outubro



Senhora, nós Vos louvamos, P. Manuel Faria, interpretado pelo Grupo Ançã-ble, na Igreja de S. António dos Portugueses, em Roma

5.10.10

Artigo do Prof. Gabriel Magalhães

Columpios Republicanos, por Prof. Gabriel Magalhães

Columpios republicanos

2.10.10

Abertura de Ano lectivo do Instituto Superior de Teologia

Apesar de haver menos padres em Portugal, "há mais leigos conscientes", que podem assumir tarefas pastorais defende o bispo de Viseu

“A Igreja não são os padres. Há que apostar numa intercomunhão entre os elementos diversos da Igreja: padres, leigos, religiosos. Todos os batizados são Igreja”, defendeu Ilídio Leandro. O prelado falava à margem da sessão de abertura do novo ano lectivo no Instituto Superior de Teologia de Viseu.

Ali estudam 34 alunos de quatro dioceses: 10 de Viseu, cinco de Bragança, sete da Guarda e 12 de Lamego.Um número que é “muito diminuto para as necessidades”, disse à Lusa. Também o número de seminaristas é menor, e “proporcional ao que se passa na sociedade”.

No futuro, “não haverá tantos padres para irem realizar uma missão, que até agora estava quase ligada aos padres, mas há muitos leigos que são cristãos”, afirmou. O trabalho com os leigos pode proporcionar uma vivência cristã de modo a que os jovens possam sentir o apelo sacerdotal. 

16.9.10

Bento XVI e o que fazer para tornar a Igreja mais atractiva

No vôo que levou Bento XVI para o Reino Unido, foi-lhe feita a seguinte pergunta:
Pode fazer-se alguma coisa para tornar a Igreja, enquanto instituição, mais credível e atractiva para todos?

Resposta do Papa:

«Eu diria que uma Igreja que procura, acima de tudo, ser atractiva estaria a percorrer um caminho errado. Porque a Igreja não se busca a si própria, não trabalha para aumentar os próprios números, ou o próprio poder. A Igreja está ao serviço do Outro, serve, não para si própria, para ser um corpo forte, mas para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades, as grandes forças do amor, da reconciliação que se tornaram visíveis nesta figura e que dimanam da presença de Jesus Cristo.

Neste sentido, a Igreja não procura a própria atractividade, mas deve transparecer Jesus Cristo. E, na medida em que não existe para si própria, como corpo forte e poderoso no mundo, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência pela qual passa a grande figura de Cristo e as grandes verdades que Ele trouxe à humanidade: a força do amor.

A Igreja não devia pensar em si mesma, mas levar a ver o Outro, e ela própria ver e falar de Deus.»

Papa Bento XVI, Declarações feitas no avião entre Roma e Edimburgo, 2010.09.16

In Il Giornale


Tradução minha

Palace of Holyroodhouse, Meeting with state authorities, 16 September 2010, Benedict XVI

Na saudação que dirigiu à Rainha e demais autoridades civis, à sua chegada a Inglaterra, disse o Santo Padre:

"The Christian message has been an integral part of the language, thought and culture of the peoples of these islands for more than a thousand years. Your forefathers’ respect for truth and justice, for mercy and charity come to you from a faith that remains a mighty force for good in your kingdom, to the great benefit of Christians and non-Christians alike."

Palace of Holyroodhouse, Meeting with state authorities, 16 September 2010, Benedict XVI

15.9.10

Sobre a "renovada evangelização"

"Evangelizar é participar na urgência de Jesus Cristo em anunciar o Reino de Deus, expressão do seu amor salvífico. Cristo continua a ser o primeiro e o principal evangelizador5, missão que Ele continua a realizar através dos seus discípulos, que participam da sua Paixão pelo anúncio do Reino de Deus. É por isso que Paulo exclama: “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor, 9,16). Para o cristão, evangelizar é expressão do seu amor a Jesus Cristo. Ela é sempre uma expressão de amor, porque só o amor converte e brota da relação com Jesus Cristo numa comunhão de amor. Evangelizar é sempre anunciar o amor de Deus, em Jesus Cristo."

(...)

"Isto exige que todos os evangelizadores busquem a santidade, na fidelidade a Jesus Cristo, manifestada no concreto das suas vidas, do seu estado, da sua vocação concreta, das circunstâncias em que vivem. A formação que a Igreja deve proporcionar a estes evangelizadores deve procurar, sobretudo, esta busca da fidelidade cristã e não apenas uma preparação técnica e cultural para a missão evangelizadora. A “nova evangelização” exige um grande movimento de espiritualidade."

Card. D. José Policarpo, Carta Pastoral «Nova Evangelização», 2010.09.14

"Et portae inferi non praevalebunt..." (Mt 16, 18)

" E as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

Ao longo destes dias que precedem a visita do Santo Padre Bento XVI ao Reino Unido, tenho-me lembrado especialmente destas palavras. A preparação da viagem tem sido uma aventura emocionante. Os protestos que se elevam são um desafio para os crentes, pois estão a obrigar os católicos ingleses a saírem do seu comodismo e a defenderem o Papa, a Igreja, a sua fé e, no fim de contas, o próprio modo de encarar a vida e a eternidade.

O Reino Unido, pelas suas raízes e pelo seu importantíssimo papel ao longo da história, é uma nação fascinante, e com uma visibilidade acima da média. Talvez isso explique, em parte, a acesa troca de argumentos que, desde o anúncio da visita do Papa, tem acontecido. Independentemente do número de pessoas que venha a estar directamente com Bento XVI, e muito para além dos episódios concretos (venda de bilhetes, folhetos sobre a Santa Missa, etc.), a primeira batalha já está ganha: há muito mais pessoas hoje com vontade de ouvir o que o Papa vai dizer do que há algumas semanas atrás. Num país cuja indiferença para com a religião atinge máximos históricos, a barreira do indiferentismo está a ser largamente ultrapassada.

Esta viagem será histórica: por ser a primeira visita de estado de um Papa ao Reino Unido; pelos locais onde Bento XVI proferirá as suas homilias e discursos; pelo número de profissionais da comunicação social envolvidos; mas, sobretudo, porque nunca, como hoje, o Papa teve uma tão grande ressonância. Quase parece que, quanto mais o atacam, mas atenção lhe prestam.

14.9.10

Deus maiúsculo ou jornalismo minúsculo

Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada

(...)

Se a descrença do jornalista justifica o uso da minúscula no santo nome de Deus, é óbvio que se o dito não acreditar no Butão, nem no Burkina Faso, países que suponho que nunca terá visto, como nunca viu Deus, também deverá escrever com minúsculas as iniciais desses países, não menos abstractos para o seu entendimento do que a sua muito abstracta noção de Deus.

Se pega a moda de uma escrita personalizada à medida dos caprichos do freguês, os monárquicos deverão escrever em minúsculas as iniciais dos nomes dos presidentes da República; os ateus deverão fazer o mesmo com os nomes dos santos; etc., o que permitirá a milagrosa multiplicação da nossa língua: português-republicano, português-monárquico, português-cristão, português-pagão, português-comunista, português-fascista, etc.

13.9.10

Visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido

O Papa Bento XVI vai, em visita oficial, ao Reino Unido, de 16 a 19 de Setembro.

Muitos de nós não estaremos presentes. Mas podemos rezar pelos bons frutos da viagem. Aqui deixo uma oração que está a ser utilizada por muitos ingleses para a visita do Papa.

Papal Visit Prayer

11.9.10

D. Jacinto Botelho celebra hoje 75 anos

O Sr. D. Jacinto celebra hoje o seu aniversário natalício.

Impressiona-me a sua piedade mariana, a veneração com que trata a Santíssima Eucaristia e o seu delicado amor ao Magistério da Igreja e dos Sucessores de S. Pedro. Ao mesmo tempo, toca-me a sua disponibilidade em receber todos aqueles que o procuram, sejam eles sacerdotes, religiosos ou leigos.

Obrigado, Sr. Bispo, pelo seu exemplo de fidelidade e muitos parabéns.

>>Diocese de Lamego

10.9.10

Custos

Um dos aspectos com mais relevo na comunicação social sobre as visitas do Papa (onde quer que seja), tem a ver com os custos que essas viagens acarretam para os contribuintes. Mas há uma dimensão que, habitualmente, fica esquecida: esses custos trazem consigo uma receita. 

Na próxima visita papal, a questão dos custos da viagem para o contribuinte tem sido abordada muito frequentemente. Torna-se, portanto, necessário recordar que as próprias autoridades civis inglesas têm sublinhado o facto de a visita do Papa Bento XVI ser uma ocasião de atrair mais visitantes às localidades por onde ele vai passar (saíram dois artigos sobre este assunto: um sobre Birmingham, e outro sobre Edimburgo), pelo que as receitas serão largamente superiores às despesas, tornando a visita, de um ponto de vista económico, um bom investimento.

Há um outro assunto que também costuma aparecer nos meios de comunicação social, que é custo das operações de segurança que envolve a visita do Papa (hoje o Diário de Notícias faz uma breve referência a esse tema). As autoridades de segurança inglesas afirmaram ontem que a operação de segurança é de uma escala muito inferior ao Carnaval de Notting Hill, que se realiza todos os anos.

9.9.10

Bento XVI no Reino Unido

O Papa Bento XVI vai ser o primeiro sucessor de S. Pedro a ir, em visita oficial, ao Reino Unido, de 16 a 19 de Setembro. O Papa João Paulo II tinha feito, em 1982, uma visita pastoral.

Desde que foi feito o anúncio oficial, no final do ano passado, que um conjunto de personalidades e entidades começou uma campanha anti-visita muito acesa. Pelo meio, a resposta, seja por parte da Conferência Episcopal, seja por parte dos leigos católicos tem sido muito interessante. Talvez a iniciativa de maior realce, seja a Catholic Voices, que é uma associação de leigos que se dispôs a formar-se sobre o Papa e sobre a doutrina católica e a estar disponível a ir falar a todos os meios de comunicação que desejassem abordar o tema da visita papal. A iniciativa tem tido bastante sucesso, pois os cerca de 50 elementos que fazem parte da Associação têm aparecido em inúmeras ocasiões, seja na rádio, seja na televisão, não só do Reino Unido, mas também em outros países.

A campanha contra a visita papal tem usado vários argumentos: os casos de pedofilia cometido por clérigos, os custos da viagem, ataques dirigidos directamente à pessoa do Papa. No entanto, essa campanha tem trazido ao de cima um conjunto de artigos muito interessantes, de defesa do Papa e da Igreja, escritos até por não católicos. É o caso do artigo escrito no Daily Mail por Stephen Glover (que não é católico, como abertamente o diz no artigo), com o título: "Os verdadeiros intolerantes são aqueles que se opõem ao Papa". E não deixa de ter razão.

25.8.10

Conferência Episcopal Portuguesa decreta que Misericórdias são associações públicas de fiéis

Na última edição da Revista Lumen, vem publicado um Decreto Geral da Conferência Episcopal Portuguesa, com o qual são especificadas os preceitos canónicos aos quais estão sujeitas as Misericórdias portuguesas.

O Decreto começa por lembrar que "a natureza eclesial das Misericórdias Portuguesas jamais foi posta em dúvida". Por conseguinte, e uma vez que as Misericórdias se distinguem pela prática da caridade e pelo culto, o Decreto lembra: "Com a promulgação do Código de Direito Canónico em 1983, foram levantadas dúvidas quanto à natureza jurídica de algumas associações de fiéis, entre as quais as Misericórdias, dada a nova distinção entre associações públicas e associações privadas. Nesta conformidade e tendo em conta que a Autoridade Eclesiástica interveio, habitualmente, na existência e acção das Irmandades da Misericórdia através de actos jurídicos; que as Misericórdias têm, na sua maior parte, erecção canónica e Estatutos aprovados pelo Ordinário diocesano; que mantêm culto público em igrejas e capelas próprias com capelão nomeado; que continuam a dedicar-se a actividades de pastoral social de grande alcance; a Conferência Episcopal Portuguesa, considerou através de uma Declaração, em 15 de Novembro de 1989, as Misericórdias Portuguesas Associações Públicas de Fiéis."

Retomando, portanto, estas premissas, o Decreto especifica quais os preceitos jurídico-canónicos aos quais são obrigadas as Misericórdias enquanto Associações Públicas de Fiéis.

O Decreto Geral foi publicado com a recognitio da Congregação para os Bispos, Dicastério da Santa Sé competente para o efeito.

9.8.10

Faleceu o Cón. José António Marques

Faleceu ontem o cónego José António Gomes da Silva Marques, vigário judicial do Tribunal Eclesiástico de Braga desde 1995. O funeral decorrerá em Santo Estêvão de Penso, em Braga, em data ainda a anunciar.

José António Gomes da Silva Marques nasceu em Santo Estêvão de Penso a 16 de Março de 1933, tendo sido ordenado a 14 de Julho de 1957. Em Outubro desse ano foi para Roma, frequentar a Faculdade de Direito Canónico da Pontifícia Universidade Gregoriana.

De 1957 a 1959 frequentou com aproveitamento todas as cadeiras do curso de licenciatura em Direito Canónico. Em 1959 sujeitou-se às provas de licenciatura, tendo-as superado.

Durante o ano lectivo 1959/60 frequentou, na mesma Faculdade, os cursos prescritos para o doutoramento. No mesmo ano frequentou o 1.º ano do curso teórico-prático do Tribunal da Sagrada Rota, tendo superado as provas de exame.

In Diocese de Braga

Continuar a ler >>

9.7.10

Verdade e consequência

"A verdade vos tornará livres" (Jo 8, 32))

Estas palavras de Jesus mantêm toda a sua actualidade. Nem sempre é fácil reconhecer a verdade sobre nós próprios. É tão fácil confundir-nos com falsas desculpas, pretextos mais ou menos convincentes.

No entanto, o caminho do reconhecimento das próprias faltas é o primeiro passo para as corrigir, para lhes pôr o remédio. O doente que prefere evitar as dores e não procura a sua raiz mais profunda, acabará por nunca se conseguir curar.

As nossas principais dificuldades não são os outros: somos nós próprios, com a nossa miséria e os nossos pecados. Se somos honestos connosco, acabamos por concluir que, por muitas dificuldades que a vida, o ambiente e os outros nos criam, o nosso pior inimigo somos nós com as nossas misérias e faltas.

E este aspecto, que é uma realidade da vida pessoal, é também uma realidade na vida das instituições. Reconhecer as próprias culpas pessoais na nossa vida é doloroso. Mas reconhecer as culpas pessoais como causa do mal dentro de uma instituição é ainda mais doloroso, porque tornam-se factos ainda mais públicos e, por conseguinte, mais difíceis de reconhecer. 

Testemunhas da nossa própria vida, somos também espectadores solitários e únicos da maior parte das nossas misérias e falhanços. Mas quando essas misérias pessoais são sentidas a nível da instituição à qual pertencemos, tornam-se mais conhecidas e, por conseguinte, mais vergonhosas e difíceis de reconhecer: "os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja." (Bento XVI, Encontro com os jornalistas, Viagem Apostólica a Portugal, 2010.05.11)

Muitos interpretaram estas palavras do Papa como se se referisse apenas à questão da pedofilia. No entanto, são palavras muito mais amplas: são o único caminho que, na realidade, cura o mal. O reconhecimento das misérias pessoais, no cristão, leva à penitência, à confissão sacramental, à oração mais generosa. O único caminho para que a Igreja seja verdadeiramente missionária é esse reconhecimento das nossas próprias fraquezas.  
Vem isto a propósito da quantidade de notícias sobre a Igreja nos últimos tempos. "Nunca, nunca, nunca dizer mentiras", dizia o Card. Foley numa conferência sobre a comunicação na Igreja, aqui há uns anos. A verdade torna-nos realmente livres porque, quanto mais transparecem as nossas fraquezas e misérias, mais se vê que a Igreja é obra de Deus.

5.7.10

Visita do Santo Padre Bento XVI ao Reino Unido

A Sala de Imprensa da Santa Sé confirmou hoje oficialmente a viagem do Santo Padre a Inglaterra, no próximo mês de Setembro.

Ao longo das próximas semanas não vão faltar campanhas e afins. E, no final, o Papa vai a Inglaterra e, com o seu sorriso e a sua simplicidade, acaba por conquistar os corações. E não faltará a beatificação do Card. Newman.

3.7.10

A Santa Sé ultima novas normas de combate aos abusos sexuais


Nesse Guia, afirmava-se que «a CDF está a rever alguns artigos do Motu Proprio Sacramentorum sanctitatis tutela», com a finalidade de os actualizar.

Essa actualização passará por levantar o prazo de prescrição canónica do crime de abuso sexual por parte de um clérigo e por uma maior celeridade na suspensão e na concessão da dispensa penal das obrigações do estado clerical de um clérigo que tenha cometido crimes graves contra o celibato.

As normas actualizadas deverão ser promulgadas proximamente, segundo um artigo de Giacomo Galeazzi no jornal La Stampa.

Sobre o New York Times, o Papa e a pedofilia

Um excelente artigo publicado pelo National Catholic Reporter. A não perder.

This morning’s New York Times “expose” regarding then-Cardinal Ratzinger’s role in the Vatican’s response to the clergy sex abuse crisis exposes more than it intended. It exposes the fact that the authors, Laurie Goodstein and David Halbfinger, and their editors, do not understand what they are talking about and, at times, put forward such an unrelentingly tendentious report, it is difficult to attribute it to anything less than animus.

2.7.10

JMJ Madrid


Começa a contagem decrescente para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que se realizará em Madrid.

Já existe uma homepage, várias páginas em redes sociais (Facebook, Twitter, Flickr, Youtube) e uma intensa campanha de promoção do evento, em várias línguas.

A informação logística está muito completa e a preparação está a ser levada muito a sério. Torna-se, agora, necessário aproveitar esta oportunidade para chegar ao coração dos jovens e aproximá-los de Cristo e da Igreja.

1.7.10

Ainda há dúvidas?

Caro Tomás, vale a pena acreditar na doutrina da Igreja.

30.6.10

Papa nomeia novo Presidente para a Pontifícia Academia da Vida

Hoje foi tornado público que o Santo Padre nomeou como Presidente para a Pontifícia Academia para a Vida o Mons. Ignacio Carrasco de Paula.

Nasceu em Barcelona a 25 de Outubro de 1937. Doutorou-se em Medicina, na especialidade de Cirurgia, em 1962. Nesse mesmo ano, obteve o Doutoramento em Filosofia.

Em 1966, foi ordenado sacerdote para a Prelatura da Santa Cruz e Opus Dei, e exerceu vários cargos apostólicos.

Foi reitor do então Centro Académico Romano da Santa Cruz durante dez anos (1984-1994), que, mais tarde seria elevado a Pontifícia Universidade da Santa Cruz. Nessa Universidade foi Director do Departamento de Teologia Moral (1994-2002).

Até agora, era Chanceler da Pontifícia Academia para a Vida. Com a nomeação de Mons. Rino Fisichella como novo responsável máximo do novo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, o Mons. Carrasco de Paula sucede-lhe como Presidente na Academia para a Vida.

A situação na Bélgica

A Santa Sé está a enfrentar várias situações difíceis em vários países e em várias frentes. As notícias que têm vindo a público são, em muitos casos, imprecisos e, num caso ou noutro, completamente falsas.

Uma dessas situações foi o que se passou na Bélgica, na semana passada. A Bélgica é um país que está a atravessar uma gravíssima crise institucional e política, marcada por fortes divergências entre francófonos e flamengos.

Do ponto de vista religioso, a Bélgica é o país mais marcadamente anti-católico da Europa. Em Abril de 2009, o Parlamento Belga foi o único, em toda a Europa, a emitir uma nota de protesto contra as declarações que o Papa tinha feito na sua viagem a África, sobre os meios anti-conceptivos (declarações do Papa que correspondem, em parte, às recomendações da OMS em termos de conselhos para evitar a propagação da Sida).

Há vários meses, a Conferência Episcopal Belga instituiu uma Comissão independente, encarregada de recolher todas as informações sobre abusos sexuais cometidos por membros do clero belga. Esta Comissão tinha como missão acolher denúncias, investigar casos suspeitos e colaborar com as autoridades judiciais do país na condenação dos culpados e na protecção das vítimas. Entre esta Comissão havia um mútuo acordo de respeito e de colaboração.

No passado dia 24 de Junho, as autoridades judiciais belgas decidiram revistar quatro locais: a sede da Conferência Episcopal Belga, a sede da Diocese de Malines-Bruxelas (sede primacial da Bélgica), a residência do Card. Godfried Danneels e a sede da Comissão independente que investiga os abusos sexuais de menores, em Lovaina. Além disso, abriram um buraco no túmulo onde está sepultado o Cardeal Jozef-Ernest Van Roey e no túmulo do Card. Leon-Joseph Suenens, que foram arcebispos de Malines-Bruxelas.

Quando os investigadores judiciais chegaram à sede da Conferência Episcopal Belga, os Bispos estavam na sua reunião plenária, ou seja, a maioria dos Bispos (se não todos, mas não há dados que permita confirmar) estavam reunidos. Quando os investigadores chegaram, foram-lhes retirados os telemóveis, ficaram impedidos de sair do edifício durante mais de 9 horas e foram entrevistados individualmente pelas autoridades.

Em Lovaina, funcionava a Comissão independente encarregue de investigar os abusos sexuais cometidos contra menores por parte de membros do clero. Os escritórios da Comissão foram esvaziados de toda a documentação que a Comissão já tinha recolhido (475 dossiers de documentação). O Juiz instrutor da magistratura belga encarregue de investigar os casos de pedofilia achou que a Comissão era pouco independente e, portanto, decidiu romper o acordo que existia entre a Comissão e a Magistratura para que a Comissão tivesse tempo de investigar as denúncias que lhe chegavam. Desta maneira, o trabalho da Comissão fo interrompido ainda na fase de investigação, tendo deixado de haver motivo para que existisse. Por isso, o Presidente desta Comissão independente demitiu-se do seu cargo.

Ao mesmo tempo, outros investigadores chegaram à sede do espicopado de Malines-Bruxelas. Levaram todos os dossiers, computadores e documentação que quiseram e encontraram, sem se preocuparem de averiguar se a documentação era relevante ou não para a investigação da pedofilia. Por esse motivo, o normal funcionamento da Diocese ficou comprometido durante algum tempo.

Contemporaneamente, foi revistada a residência do Cardeal Godfried Daniels, Arcebispo Emérito de Malines-Bruxelas. Foram-lhe confiscados todos os dossiers que tinha em casa.

Por fim, foi feito um pequeno buraco nos túmulos de dois Cardeais: Jozef-Ernest Van Roey e Leon-Joseph Suenens. Neste caso, foi inserida uma câmara nos túmulos à procura de documentação que pudesse estar ali escondida. Os investigadores nada encontraram.

No mesmo dia, os Bispos belgas emitiram um comunicado sobre o que se tinha passado. Durante o tempo em que estiveram impedidos de comunicar com o exterior e de sair do local onde estavam foram tratados com respeito, apesar das limitações impostas pelas autoridades judiciais.

No dia 26 de Junho, o Card. Tarcisio Bertone declarou a sua admiração pelo sucedido e condenou a actuação das autoridades judiciais.

A mensagem do Papa

No dia 27 de Junho, o Papa enviou uma carta ao Arcebispo de Malines-Bruxelas. Nessa carta, o Santo Padre condena "o modo como foi levada a cabo a investigação". No documento, Bento XVI afirma ainda: "faço votos que a justiça continue o seu rumo, garantindo os direitos fundamentais das pessoas e das instituições".

Os jornais do passado dia 28 de Junho, na sua quase totalidade, afirmavam, a grandes títulos, que o Papa condenou as investigações das autoridades judiciais belgas. Pelo contrário, o Papa renovou o desejo que as autoridades judiciais prossigam as suas investigações. Limitou-se foi a condenar o modo como tudo decorreu.

Os Bispos, na Bélgica, estiveram entre os primeiros a criar uma Comissão independente para serem investigados os abusos no clero. Deram, também, orientações claras sobre a formação e, na reunião plenária de Bispos do passado dia 24 de Junho, iam ser tomadas mais medidas para prevenir futuros abusos e para pôr em marcha um plano de ajuda às vítimas. Além disso, criaram um fundo de apoio a essas mesmas vítimas.

Há motivos objectivos para tanta dureza de tratamento no modo como foram feitas as diligências judiciais no passado dia 24 de Junho?

27.6.10

"O contrário de conservadora é missionária"

"Enquanto for peregrina sobre esta terra, não tem a Igreja o direito de gloriar-se de si mesma. Este novo modo de gloriar-se poderia tornar-se mais insidioso do que tiaras e sedes gestatórias, que aliás, hoje em dia, são mais motivo de sorriso do que de orgulho."

"O lugar da Igreja, na terra, é so ao lado da cruz. (...) O Concílio [Vaticano II] queria indicar a passagem de uma atitude de conservação a uma atitude missionária. Muitos esquecem-se de que o conceito conciliar oposto a 'conservador' não é 'progressista', mas 'missionário'"

Card. Joseph Ratzinger, in Diálogos sobre a fé, Ed. Verbo, pp. 10-11.

22.6.10

Ordenações sacerdotais em Lamego

No dia 20 de Junho de 2010, a Sé de Lamego foi pequena para acolher todos aqueles que participaram na ordenação sacerdotal de André Filipe Mendes Pereira, António Jorge Gomes Girôto, Bernardo Maria Furtado de Mendonça Gago de Magalhães e José Filipe Pereira.

Estiveram presentes 3 Bispos (além do Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo da Diocese, também marcaram presença o Sr. D. António José Rafael, e D. Manuel António Santos, Bispo de S. Tomé e Príncipe, tio do André).

Éramos cerca de oitenta, os sacerdotes que estivemos presentes, além de 6 Diáconos.

Parabéns aos novos sacerdotes. Que sejam muito felizes e que, a muitos, apontem o caminho para o Céu.

16.6.10

Carta aberta aos sacerdotes de Portugal

Na edição do jornal Expresso, do passado dia 12 de Junho, fui surpreendido por uma carta aberta dirigida pela Sra. Maria Bandeira de Mello Mathias Cortez de Lobão a todos os sacerdotes de Portugal.

A carta, muito bonita, foi paga do próprio bolso dela como publicidade, para que fosse publicada no jornal.

A surpresa inicial deu lugar ao agradecimento: bem haja, Sra. Maria Lobão.

A quem desejar associar-se à iniciativa dela, pode fazê-lo por e-mail ou pelo telefone que consta na própria carta.

Texto da Carta - formato PDF


Texto da carta
cartaCATÓLICOSDEPORTUGAL

Gentilmente cedido pelo blogue Spe Deus

1.6.10

A autoridade, segundo Bento XVI

«Nos últimos decénios, utilizou-se muitas vezes o adjectivo "pastoral" quase em oposição ao conceito de "hierárquico", assim como, na mesma contraposição, foi interpretada também a ideia de "comunhão". Talvez seja este o ponto sobre o qual pode ser útil uma breve observação sobre a palavra "hierarquia", que é a designação tradicional da estrutura de autoridade sacramental na Igreja, ordenada segundo os três níveis do Sacramento da Ordem: episcopado, presbiterado, diaconado. Prevalece na opinião pública, para esta realidade "hierárquica", os elementos de subordinação e jurídico; por isso para muitos a ideia de hierarquia parece estar em contraste com a flexibilidade e com a vitalidade do sentido pastoral e também ser contrária à humildade do Evangelho. Mas este é um sentido da hierarquia compreendido mal, historicamente também causado por abusos de autoridade e por carreirismo, que são precisamente abusos e não derivam do ser próprio da realidade "hierárquica".

A opinião comum é que "hierarquia" é sempre algo relacionado com o domínio e assim não correspondente ao verdadeiro sentido da Igreja, da unidade no amor de Cristo. Mas, como eu disse, esta é uma interpretação errada, que tem origem em abusos da história, mas não corresponde ao verdadeiro significado daquilo que é a hierarquia.

Comecemos com a palavra. Geralmente, diz-se que o significado da palavra hierarquia seria "domínio sagrado", mas o verdadeiro significado não é este, é "origem sagrada", ou seja: esta autoridade não provém do próprio homem, mas tem origem no sagrado, no Sacramento; submete portanto a pessoa à vocação, ao mistério de Cristo; faz do indivíduo um servo de Cristo e só como servo de Cristo ele pode governar, guiar para Cristo e com Cristo. Por isso quem entra na Ordem sagrada do Sacramento, a "hierarquia", não é um autocrata, mas entra num vínculo novo de obediência a Cristo: está ligado a Ele em comunhão com os outros membros da Ordem sagrada, do Sacerdócio.

E também o Papa ponto de referência de todos os outros Pastores e da comunhão da Igreja não pode fazer o que quiser; ao contrário, o Papa é guardião da obediência a Cristo, à sua palavra resumida na "regula fidei", no Credo da Igreja, e deve preceder na obediência a Cristo e à sua Igreja. Hierarquia implica por conseguinte um tríplice vínculo: antes de tudo com Cristo e com a ordem dada pelo Senhor à sua Igreja; depois o vínculo com os outros Pastores na única comunhão da Igreja; e, por fim, o vínculo com os fiéis confiados a cada um, na ordem da Igreja.»

Bento XVI, Audiência, 2010.05.26

19.5.10

"O Céu não pode esperar"

"Fazei que o Céu seja sempre o horizonte da vossa vida! Disseram-vos que o Céu pode esperar, mas enganaram-vos...

A voz que vem do Céu não é como estas vozes que fazem lembrar a lendária sereia enganadora que adormecia as suas vítimas antes de as precipitar no abismo. Há dois mil anos que, partindo da Galileia, ressoa até aos confins da terra a voz definitiva do Filho de Deus que diz: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 15).

Fátima recorda-nos que o Céu não pode esperar! Por isso peçamos, com filial confiança, a Nossa Senhora que nos ensine a dar o Céu à terra."

Card. Tarcisio Bertone, Homilia, 2010.05.12

14.5.10

Visita do Papa: Impressões (I)

Já o Papa Bento XVI estava em Portugal, quando me fiz à estrada, juntamente com alguns paroquianos de Monteiras, Cujó, Pendilhe, Moura Morta e Vilar, além da Ass. de Guias e Escuteiros de Portugal, na quarta feira, dia 12 de Maio. A saída foi às 7h30 e o destino era Fátima.

Ao contrário do que estava anunciado, não houve qualquer tipo de confusão ou dificuldade para entrar em Fátima. Conseguimos estacionar no Parque n. 11, mesmo ao lado do Centro Paulo VI.

Depois de ter passado algum tempo a levantar as credenciais para os Encontros que o Santo Padre ia ter, na tarde desse dia, com os Sacerdotes, Religiosas, Seminaristas e membros dos Conselhos Económicos e da Pastoral.

Uma saudação a Nossa Senhora, na Capelinha, e depois a espera para se poder entrar na Igreja da Santíssima Trindade. Foi momento de pôr a conversa em dia com outros Sacerdotes da Diocese de Lamego e seminaristas.

Já dentro da Igreja da Santíssima Trindade, assistimos à chegada do Papa através dos ecrans que ali estavam colocados. Unimo-nos ao Papa na sua primeira saudação a Nossa Senhora, e na entrega da Rosa de Ouro ao Santuário. E foi enorme a emoção quando o Papa se dirigiu ao nosso encontro.

Ao chegar à Igreja da Santíssima Trindade, todos recebemos o Santo Padre com alegria e muita emoção. Tínhamos diante de nós o Sucessor de S. Pedro.

Nesse encontro, ouvimos palavras de encorajamento: "A todos vós que doastes a vida a Cristo, desejo nesta tarde exprimir o apreço e reconhecimento eclesial. Obrigado pelo vosso testemunho muitas vezes silencioso e nada fácil; obrigado pela vossa fidelidade ao Evangelho e à Igreja."

Mas ouvimos, também, palavras de desafio e de exigência: "A fidelidade à própria vocação exige coragem e confiança, mas o Senhor quer também que saibais unir as vossas forças; sede solícitos uns pelos outros, sustentando-vos fraternalmente. Os momentos de oração e estudo em comum, de partilha das exigências da vida e trabalho sacerdotal são uma parte necessária da vossa vida. Como é maravilhoso quando vos acolheis uns aos outros nas vossas casas, com a paz de Cristo nos vossos corações! Como é importante que vos ajudeis mutuamente por meio da oração e com conselhos e discernimentos úteis! Particular atenção vos devem merecer as situações de um certo esmorecimento dos ideais sacerdotais ou a dedicação a actividades que não concordem integralmente com o que é próprio de um ministro de Jesus Cristo." (Bento XVI, Vésperas, 2010.05.12)

O momento mais marcante aconteceu quando o Papa, num absoluto silêncio, se ajoelhou diante do Santíssimo Sacramento, que estava solenemente exposto no altar. Foram uns longos minutos, de intimidade, em que sentimos que o Santo Padre rezava e pedia por cada um de nós, e por todos os sacerdotes, seminaristas, consagrados e todos os fiéis.

Já ao início da noite, começa a chover. O recinto do Santuário estava cada vez mais cheio e nem aquela chuva, um pouco insistente, desmotivou. Era impressionante a quantidade de jovens, portugueses e estrangeiros, que enchiam o recinto. Pessoas que não se conheciam, falavam umas com as outras, trocavam expressões. Esse início de noite fez-me lembrar aqueles encontros de uma família que se reúne para estar mais perto do pai.

Entretanto, chegou a hora do terço e, subitamente, deixa de chover. O recinto, cheio de peregrinos com velas acesas, recebe o Papa no meio de muita alegria. Viam-se pessoas a chorar e dizer: "Eu nunca pensei que amava tanto o Papa".

O Santo Padre chega à Capelinha, cumprimenta a multidão, que quase não permite que Bento XVI comece a recitação do terço. Finalmente, já um pouco depois da hora prevista, começa a oração. Faz-se silêncio, entrecortado com os cânticos, com as admonições. Começa o terço, presidido pelo Papa. Apesar da multidão com velas, há um verdadeiro clima de oração. Impressiona a figura daquele homem de cabelos brancos, que se ajoelha em oração diante da imagem de Nossa Senhora. É a imagem de uma Igreja que sabe que o seu lugar não é nos holofotes deste mundo, mas sim aos pés de Nossa Senhora e de Jesus, que está no sacrário por trás daquela imagem da Nossa Mãe do céu.

Quando termina o terço, o Papa retira-se. O silêncio da oração dá lugar ao entusiasmo e à alegria de termos Bento XVI ao alcance de um olhar. O Papa rompe o protocolo, e beija uma criança. Cai em estilhaços a imagem de um alemão frio e calculista, e abre-se o nosso coração para amar um Papa bondoso e enternecido.

A longa procissão desde a Capelinha até ao altar do recinto com a imagem de Nossa Senhora inclui cerca de 800 sacerdotes, praticamente todos os Bispos portugueses, e o Card. Tarcisio Bertone, que preside à Santa Missa da Vigília. Na homilia, o Cardeal convida-nos a todos a seguir o exemplo de Jacinta, e a tornar-mo-nos simples como as crianças, diante de Deus.

Assim que termina a Missa, começa a chover. Não acredito em coincidências.

A vigília ao longo da noite inclui adoração eucarística na Igreja da Santíssima Trindade, a Via Sacra, uma Oração Mariana e a procissão eucarística.

Amanhece em Fátima e chove, por vezes, abundantemente.

Dirijo-me para o local da paramentação. São tantas as caras conhecidas. Pelo meio, um senhor, ao ver um tipo gordo e ainda meio ensonado vestido de padre, pede-me para se confessar. Vamos para um local um pouco menos confuso e ele ajoelha-se, sem olhar a respeitos humanos. Depois, continuo para onde os sacerdotes se deviam paramentar e sigo para o sítio reservado aos sacerdotes. Continua a chover.

Recebo um telefonema de D. Claudio Girlanda. Pede-me que diga umas palavras em italiano para a Telepace. Agradeço-lhe a amabilidade do convite e vou respondendo ao que me pergunta.

Assim que o Papa entra no recinto do Santuário, pára de chover. Começa a Santa Missa. Vê-se um Papa feliz, que abraça a multidão e é abraçado pela nossa alegria de o termos connosco, e de, com ele, estarmos aos pés da Virgem. Encontro-me no meio de 1400 sacerdotes. Em todos eles, renova-se o entusiasmo.

Na homilia, dizia o Papa: "Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: «Onde está Abel, teu irmão? […] A voz do sangue do teu irmão clama da terra até Mim» (Gn 4, 9). O homem pôde despoletar um ciclo de morte e terror, mas não consegue interrompê-lo… Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162). Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu." (Bento XVI, Homilia, 2010.05.13)

A Santa Missa termina com a procissão do adeus. Lenços brancos e um olhar à Virgem. Rezo pelo povo que me está confiado. Peço, de maneira especial, pelos doentes, pelos que vivem sós e por aqueles que ainda não descobriram a alegria de encontrarem Jesus. Lembro-me daqueles que ainda pensam que a fé cristã se resume à frequência dos ritos e ainda não descobriram a amizade pessoal com Jesus, que se alimenta na oração, nos sacramentos e na adoração eucarística.

Depois de um almoço frugal na companhia da minha boa mãe, preparo-me para o encontro que o Papa terá com os representantes da pastoral social. Vou à procura do estúdio que a Antena 1 montou na Igreja da Santíssima Trindade. É ali, com a Rosário Lira, que acompanho o Papa. As palmas ressoam quando o Papa, com a sua simplicidade, se refere ao aborto e à riqueza que é o matrimónio como Deus o criou e como a Igreja o defende.

Termina o encontro e esperamos que o Santo Padre discurse aos Bispos. Dou-me conta do intenso trabalho e fadiga que é, também para os jornalistas, acompanharem o Papa. Dou-lhes os parabéns pelo fantástico trabalho que fazem. O Papa fala aos Bispos da necessidade de, também eles, acolherem essa primavera da Igreja que são os novos movimentos e realidades eclesiais.

Regresso a casa e vou repetindo: Obrigado, Senhor! Obrigado, Santo Padre!

11.5.10

O Papa em Portugal


10h57: O avião da Alitalia que transporta o Santo Padre Bento XVI, na sua visita apostólica a Portugal, aterra em Lisboa.

Na sua saudação ao Presidente da Republica, o Papa fala do centenário da República, da sua viagem como peregrino a Fátima, das raízes cristãs do nosso país.

Mas foram as palavras que o Santo Padre pronunciou no avião que chamaram mais à atenção. Nas últimas semanas, várias personalidades eclesiásticas acusaram os meios de comunicação social de lançarem uma campanha contra o Papa e contra a Igreja. Hoje de manhã, aos jornalistas, o Papa manifestou a sua opinião: a crise que a Igreja atravessa deve-se aos pecados dos seus membros. O mal não vem de fora: está cá dentro.

E este é o caminho: o caminho da transparência, do reconhecimento, da verdade sobre as próprias misérias de alguns membros da Igreja. E este é o primeiro passo para se resolverem todas as crises, porque esse reconhecimento é essencial para o perdão: para o perdão de Deus, e para o perdão dos homens.

7.5.10

Onde eu me encontro com Bento XVI, por José Manuel Fernandes

Por José Manuel Fernandes

Talvez por isso mesmo eu, que não tenho fé, termine lembrando que, pouco tempo antes da morte de João Paulo II, numa conferência na Escola de Cultura Católica de Santa Croce, em Bassano, o ainda cardeal Ratzinger propôs a inversão do axioma dos iluministas de acordo com o qual era possível definir as normas morais essenciais etsi Deus non daretur, como se Deus não existisse, para passar a propor que "mesmo aqueles que não conseguem encontrar o caminho da aceitação de Deus deveriam procurar viver e orientar a sua vida veluti si Deus daretus, como se Deus existisse". Lembrou então que esse fora o conselho de Pascal aos seus amigos não-crentes, considerando que, assim, "ninguém fica limitado na sua liberdade, mas todas as nossas coisas encontram o apoio e o critério de que têm urgente necessidade".

In Público, 2010.05.07 (através de O Povo)

5.5.10

Só eu sei porque não fico em casa: porquê ver Bento XVI ao vivo?

Visita de Bento XVI a Portugal

Por P. Rodrigo Lynce de Faria

No próximo dia 11 de Maio, chegará a Lisboa o Papa Bento XVI. É a sua primeira viagem a Portugal depois de, em Abril de 2005, ter sido eleito sucessor do inesquecível Papa João Paulo II, que em três ocasiões visitou o nosso país: 1982, 1991 e 2000. Qual é o motivo desta viagem que durará quatro dias e que terá tantos eventos abertos a todos os portugueses? É evidente que não posso – nem pretendo – responder pelo Papa.

No entanto, não é difícil constatar que estas viagens possuem sempre uns objectivos primordiais: confirmar-nos na fé, renovar-nos a esperança, recordar-nos o infinito amor que Deus tem por cada um de nós. Os três objectivos – basta olhar com calma à nossa volta – são profundamente actuais. Quantos portugueses desanimados encontramos diariamente! Quanta falta de esperança! Quanta falta de alegria – uma alegria genuína – em tantos corações! Como se atrofia – infelizmente – o espírito de tantos, imerso num materialismo sufocante!

Para todos nós – de um modo especial para aqueles que somos católicos – esta viagem do Papa é um enorme presente de Deus. Se ele nos vem visitar, a primeira atitude da nossa parte deve ser muito concreta: recebê-lo bem. Fazer um esforço real por estar pessoalmente com ele. Agradecer-lhe – com a nossa presença – a sua vinda a este nosso país que tanto amamos, e que tão bem soube receber no passado outros sucessores de São Pedro: Paulo VI e João Paulo II.

Mas não será mais fácil ficar tranquilamente em casa e acompanhar comodamente a visita pela televisão? Mais fácil é. Em relação a isso, ninguém tem dúvidas. No entanto, nem sempre aquilo que é mais fácil é o que mais nos convém. É perniciosa esta tendência que temos para nos isolarmos atrás da televisão, da internet e dos múltiplos aparelhos electrónicos! É mais fácil. Ninguém nos aborrece e ninguém nos incomoda. No entanto, estamos a fomentar um individualismo que, depois, tanto gostamos de lamentar. Quantas pessoas dirão mais tarde: “Eu devia ter estado lá. Teria sido outra coisa. Que pena!”.

É evidente que haverá pessoas que por motivos sérios (doença, idade avançada, compromissos inadiáveis) estão impossibilitadas de se deslocarem. Essas pessoas também estarão – de um modo diferente – presentes nos encontros com o Papa. Podem oferecer a Deus esse desgosto de não estarem pessoalmente com Bento XVI. Pelo contrário, para todos aqueles que possamos deslocar-nos, estar ao vivo com o Papa será algo muito diferente. Que o digam os inúmeros jovens que têm participado nas Jornadas Mundiais da Juventude por este mundo fora.

Certa vez, ouvi um jovem resumir assim a oportunidade que tivera de estar pessoalmente com o Vigário de Cristo na Terra: “Estar com o Papa, mesmo cercado de milhares de pessoas, foi algo único e inesquecível na minha vida. Aproximou-me de Deus. Mudou radicalmente o meu modo de encarar o futuro. Encheu-me de alegria e de esperança. Uma alegria e uma esperança que este mundo – e tudo o que é passageiro – nunca me conseguiram dar”.

4.5.10

Card. Ratzinger sobre a Mensagem de Fátima

A visita do Santo Padre Bento XVI a Portugal é uma boa ocasião para conhecer melhor a mensagem que, em Fátima, Nossa Senhora deu a conhecer aos Pastorinhos.

No ano 2000, quando foi dada a conhecer a terceira parte do segredo de Fátima, foi também publicado um comentário teológico do então Cardeal Ratzinger no qual, entre outras coisas, afirmava: "A palavra-chave desta parte do «segredo» é o tríplice grito: « Penitência, Penitência, Penitência!»

Volta-nos ao pensamento o início do Evangelho: « Pænitemini et credite evangelio » (Mc 1, 15). Perceber os sinais do tempo significa compreender a urgência da penitência, da conversão, da fé. Tal é a resposta justa a uma época histórica caracterizada por grandes perigos, que serão delineados nas sucessivas imagens.

Deixo aqui uma recordação pessoal: num colóquio que a Irmã Lúcia teve comigo, ela disse-me que lhe parecia cada vez mais claramente que o objectivo de todas as aparições era fazer crescer sempre mais na fé, na esperança e na caridade; tudo o mais pretendia apenas levar a isso.»

Portanto, o Papa que vem como peregrino a Fátima é um profundo conhecedor dos acontecimentos e dos ensinamentos de Fátima. Como Papa e, sobretudo, como peregrino, esta visita vai enriquecer e, com certeza, iluminar os corações.

O comentário do Card. Ratzinger pode ser lido AQUI>>

29.4.10

Bento XVI aceita renúncia de D. António Montes, Bispo de Bragança-Miranda

Na manhã de hoje, D. António Montes Moreira, Bispo da Diocese de Bragança-Miranda, tornou público que o Santo Padre Bento XVI tinha aceite a sua renúncia como Bispo da Diocese. No documento de aceitação de renúncia, concede-se ao Sr. D. António Montes todas as faculdades para continuar como Administrador Apostólico da Diocese, enquanto não for nomeado um sucessor (o que deve acontecer no próximo ano).

D. António Montes Moreira nasceu em S. Tomé do Castelo, concelho de Vila Real, entrou para a Ordem Franciscana e foi ordenado sacerdote a 13 de Julho de 1958. Ordenado Bispo a 14 de Outubro de 2001, desde essa data presidiu aos destinos da Diocese de Bragança-Miranda.

Mons. Agostinho Borges sobre Bento XVI


Mons. Agostinho Borges, Reitor do Instituto de Santo António dos Portugueses, deu uma entrevista na qual fala do Santo Padre Bento XVI.

Pode ler a entrevista no Jornal I de hoje.

Já ouviu falar de Waltraud Klasnic?

Um pouco antes da Páscoa, o Card. Christoph Schönborn, de Viena e Presidente da Conferência Episcopal da Áustria, instituiu uma Comissão de Inquérito aos casos de pedofilia cometidos por sacerdotes ou que tenham acontecido em instituições da Igreja naquele país.

Foi nomeada como presidente dessa Comissão a Sra. Waltraud Klasnic, ex-governadora de uma das regiões da Áustria.

A nomeação da Sra. Klasnic gerou alguma perplexidade ao início, pois é conhecida a sua colaboração com a Diocese de Graz (Áustria), o que faria temer pela imparcialidade da comissão na análise dos factos.

Na realidade, a Sra. Klasnic acaba de nomear os restantes membros da Comissão à qual preside: Brigitte Bierlein, 51 anos, magistrada e, desde 2003, Vice-Presidente do Tribunal Constitucional austríaco; Ulla Konrad, Presidente dos psicólogos austríacos; Reinhatd Haller, psiquiatra e neurólogo, frequentemente nomeado como perito em processos judiciais; Werner Leisnering, especialista em psiquiatria juvenil e Médico na Clínia Neurológica de Linz; Caroline List, Juíza em Graz e co-fundadora do "Fórum contra os abusos sexuais"; Kurt Scholz, ex-Presidente do Conselho Escolar de Viena, premiado em 2009 pelo trabalho desenvolvido contra os abusos físicos e psicológicos cometidos nas escolas; Udo Jesionek, que já foi Presidente do Tribunal de Menores de Viena e é actualmente o Presidente do “Weißer Ring” (“Anel Branco”), uma organização que presta assistência às vítimas de crimes e às suas famílias.

Mas a grande novidade desta Comissão é a nomeação de Hubert Feichtlbauer, de 78 anos, Presidente desde 1998 da “Wir sind Kirche” (“Nós somos Igreja”).

As dúvidas sobre a possível falta de imparcialidade da Comissão, depois de tornadas públicas este conjunto de nomeações, foram totalmente dissipadas, e demonstram como, dentro da Igreja, se está a pôr em prática as indicações do Vaticano, que referem que o caminho a seguir é o da transparência e da verdade.

28.4.10

O melhor


"O melhor de Portugal não abre os noticiários, mas existe. Nas escolas, nas instituições de saúde, nas IPSS, onde há abnegações quotidianas e vontades que não esmorecem perante as dificuldades".

D. Manuel Clemente, in Jornal I, 2010.04.28, p. 8

16.4.10

"Não é nossa"

Por Pedro Arroja

O pensamento do Papa Bento XVI tem sido frequentemente mal entendido, noutras ocasiões puramente ressentido. Um dos temas centrais respeita à própria ideia de Igreja.

Existe a convicção, incluindo no mundo católico, de que a Igreja pertence a todos nós, é uma património da humanidade e que nós próprios podemos, portanto, mudar as estruturas da Igreja, emitindo opinião, associando-nos em correntes de opinião e fazendo pressão, de molde a adaptá-la aos tempos modernos. Sobre esta convicção, diz Bento XVI:

"(...) se a Igreja é a nossa Igreja, se a Igreja somos apenas nós, se as suas estruturas não são as que Cristo quis, então deixa de ser concebível a existência de uma hierarquia (...) estabelecida pelo próprio Senhor. Rejeita-se o conceito de uma autoridade querida por Deus, uma autoridade que tem a sua legitimação em Deus e não - como acontece nas estruturas políticas - no consenso da maioria dos membros da organização. Mas a Igreja de Cristo não é um partido, não é uma associação, não é um clube: a sua estrutura profunda e ineliminável não é democrática, mas sacramental, portanto hierárquica" (*).

A Igreja não é nossa. A Igreja é de Cristo. Reformar a Igreja não é adaptá-la aos desejos de qualquer maioria, mesmo que essa maioria seja formada por pessoas que se proclamam católicas. Reformar a Igreja é adaptá-la aos desejos de Cristo. Sob a autoridade de Bento XVI a Igreja nunca será popular. Como se tem visto nas últimas semanas.
(*) Cit. em Dag Tessore, Bento XVI: Pensamento Ético, Político e Religioso, Lisboa: Temas e Debates, 2007, p. 15

In Portugal Contemporâneo

Parabéns, Santo Padre!

Crise e comunicação

Numa situação de crise "é preciso evitar dois extremos: querer resolver o problema sem informar o público directamente interessado, ou então tomar decisões com a finalidade principal de serem comunicadas, e não com a finalidade de resolverem o problema".

Santiago de la Cierva, "La comunicazione di crisi nella Chiesa", Ed. EDUSC, 2008, p. 47

15.4.10

Despertar

Uma das piores tentações do cristianismo é o comodismo.

Se, com João Paulo II, a Igreja gozou de uma certa paz mediática (não esquecendo que o Papa polaco, além de ter sido um dos Papas mais amados, foi também dos mais odiados pela comunicação social), atravessamos novamente tempos de agitação.

Atacam o Papa, a Igreja, a moral católica, com pretexto e sem pretexto. É verdade que algumas pessoas com grandes responsabilidades têm dado o flanco, mas isso faz parte do processo de adaptação a uma nova realidade de tempestade comunicativa.

Estas semanas de contínuos ataques, sejam eles justificados ou não, estão a ter como inevitável consequência que os cristãos estão a acordar. Há pessoas a afastar-se de Cristo e da Igreja? Talvez. Mas mais importante, é que a adesão a Cristo e à Igreja de muitos cristãos está a tornar-se mais forte, mais generosa e mais cristalina.

Estão a tirar-nos do nosso comodismo, das nossas rotinas, e estão a obrigar-nos a dar as razões da nossa fé. É altura de, como nos primeiros tempos da Igreja, nos unirmos cada vez mais à pessoa e intenções do Papa, seguir as suas indicações e não nos desviarmos desse caminho. E, dessa maneira, esta tempestade, mais do que prejudicar a Igreja, vai tornar o amor dos cristãos a Cristo e a esta Mãe mais intenso e efectivo.

14.4.10

Nós que nos escandalizamos

Por P. Jorge Margarido Correia

Temos uma grande responsabilidade de discernimento, porque os sentimentos fortalecem a razão quando a ela se adequam, ou enfraquecem-na quando se distanciam dela.


Nós que nos escandalizamos, e com razão, com os casos de pedofilia por parte de quem devia ensinar os valores morais de que a Igreja é paladina, temos uma grande responsabilidade de discernimento.

Se essas acções são fruto desse ensino moral, então devemos abandonar esse ensino, a começar pelos 10 Mandamentos.

Mas se o que nos escandaliza é precisamente a contradição entre os valores e as acções, então temos que pôr todo o nosso empenho em defender esses valores contra o relativismo que está tão difundido, louvar a Igreja e os pastores que os defendem e prestar sincera homenagem aos santos de todos os tempos que os encarnaram.
Nós que nos escandalizamos, e com razão, pelo silêncio de alguns que poderiam ter-se erguido contra esses crimes evitando mais vítimas, temos uma grande responsabilidade de discernimento.

Se essas acções e esses silêncios são de Pastores da Igreja e em número significativo e generalizado no tempo e no espaço, então devemos atribuir à Igreja no seu todo essa responsabilidade.

Mas se, como está mais que provado, se trata de uma minoria na Igreja e a maior parte deles de há já muitos anos, e este triste fenómeno é muito mais significativo no contexto da sociedade toda, então não podemos, com o nosso silêncio, permitir que os católicos em geral e os seus pastores sejam vítimas de uma violência moral por parte dos poderosos deste mundo e de alguma comunicação social que lhes presta vassalagem.

Nós que nos escandalizamos, e com razão, perante esse exercício desviado da sexualidade de um adulto imposto a um menor, temos uma grande responsabilidade de discernimento.

Ou o mal está nesse desvio do adulto e, sabendo como se sabe que na maior parte dos casos estamos em presença de uma tendência homossexual, temos que rever essa ideia que nos querem impingir que a homossexualidade é um modo mais como outro qualquer de exercer a sexualidade.

Ou o mal está em tratar-se de menores ainda sem maturidade para esse exercício, e então temos que pensar no que acontece com os programas de educação sexual dirigidos às crianças, ensinando-lhes que tudo é natural. Se esses programas vão para a frente, a pedofilia deixará de o ser e transforma-se em aulas práticas.

Nós que nos escandalizamos, e com razão, com os crimes hediondos porque desejamos acabar com tais injustiças, temos uma grande responsabilidade de discernimento, porque os sentimentos fortalecem a razão quando a ela se adequam, ou enfraquecem-na quando se distanciam dela, e podemos correr o risco de estar a dançar ao som de uma música de uma orquestra que não é a nossa.

* Eng.º Mecânico. Doutor em Teologia

10.4.10

O caso do P. Kiesle

Em 1978, o P. Stephan Kiesle, da Diocese de Oakland, nos Estados Unidos, abusou de 6 menores, entre os 11 e os 13 anos.

Nunca é demais dizer que, um abuso cometido por um sacerdote, é demais; que as vítimas devem ser ajudadas; que o sacerdote deve ser punido e impedido de continuar a abusar de crianças.

Dito isto, sobre o presente caso há a dizer o seguinte:

Confirmados os abusos, o P. Stephan Kiesle pede a dispensa das obrigações do estado clerical e o processo começa a ser tratado, em 1981, na Diocese de Oakland.

Em 1985, o caso é transmitido à Congregação para a Doutrina da Fé que, só neste momento, tem conhecimento do caso (vd. comunicado de Jeffrey Lena, advogado da Santa Sé nos Estados Unidos).

A carta, publicada pela Associated Press, só mostra a resposta do Card. Ratzinger e manifesta o interesse em estudar a situação por parte da Congregação.

A legislação em vigor no ano de 1985 não permitia à Congregação para a Doutrina da Fé proceder penalmente contra o P. Kiesle. Essa competência, segundo o Direito Canónico vigente, pertencia ao Bispo Diocesano. Por isso, a resposta do Card. Ratzinger é coerente: "Torna-se, portanto, oportuno que esta Congregação se dedique a um exame mais rigoroso de um caso desta natureza, que tornará necessário um longo espaço de tempo." Isto porque a Congregação teria que estudar a maneira de proceder segundo uma legislação que não lhe dava qualquer competência no caso. A competência de tratar de casos de pedofilia por parte da Congregação para a Doutrina da Fé só lhe foi concedida em 2001.

Por conseguinte, não é que o Card. Ratzinger tenha querido atrasar a concessão da dispensa ao P. Kiesle: é que, mesmo querendo conceder essa dispensa, a Congregação não podia fazê-lo por não ser competente, nessa altura, para avaliar este tipo de casos. Quem tinha competência para tratar do processo era o Bispo Diocesano.

A Congregação para a Doutrina da Fé, segundo umas normas publicadas em 1980 pela Santa Sé, só podia analisar o caso depois que o P. Kiesle chegasse aos 40 anos (em 1985 só tinha 38). Por isso, neste contexto, a resposta do Card. Ratzinger é perfeitamente compreensível: por parte da Congregação, seria necessário esperar dois anos para a Congregação, segundo as normas em vigor, pudesse conceder a dispensa ao P. Kiesle.

Até nisto, o actual Papa merece um louvor: foi ele que terminou com a prática de só conceder a dispensa a sacerdotes com mais de 40 anos.

O Card. Ratzinger, na carta, é muito claro: o futuro Papa Bento XVI exorta o Bispo de Oakland a "seguir com cuidado paternal o Orador [P. Stephan Kiesle]", significando com isto que a conduta e o modo de proceder do referido sacerdote teriam que ser acompanhadas de modo especial por parte do Bispo.

O P. Kiesle acabaria por ser dispensado das obrigações do estado clerical menos de dois anos depois (em 1987).

Lendo a carta e percebendo as circunstâncias em que foi escrita, torna-se óbvio como as acusações, à primeira vista muito válidas, contra o actual Papa não passam de má informação.

A carta que anda na boca do mundo


Em seguida, apresento uma tradução minha da Carta que o então Card. Ratzinger escreveu a 19 de Novembro de 1985 ao Bispo de Oakland, John Cummins:

«Excelentíssimo Senhor,

Depois de ter recebido a tua carta do dia 13 de Setembro, a propósito da causa de dispensa de todas as obrigações sacerdotais do reverendo Stephan Miller Kiesle, dessa Diocese, é meu dever comunicar-te quanto segue.

Este Dicastério, ainda que dê a máxima importância aos argumentos feitos a favor da dispensa pedida no caso, considera necessário ter em conta o bem da Igreja universal juntamente com o bem daquele que apresentou o pedido [de dispensa] e, por esse motivo, não pode diminuir a importância dos danos que a concessão da dispensa possa provocar na comunidade dos fiéis, considerada, sobretudo, a idade jovem de quem fez o pedido.

Torna-se, portanto, oportuno que esta Congregação se dedique a um exame mais rigoroso de um caso desta natureza, que tornará necessário um longo espaço de tempo.

Enquanto isso acontece, V. Excelência não deixe de seguir com cuidado paternal o Orador [P. Stephan Kiesle], manifestando-lhe as razões do modo de proceder deste Dicastério, que costuma agir tendo em vista o bem comum.

Aproveito a ocasião para manifestar os meus fortes sentimentos de estima, mantendo-me sempre o seu

joseph Ratzinger»

30.3.10

Homenagem à Universalidade da Igreja Católica

"É sempre interessante ver os inimigos do catolicismo opinar sobre a organização interna da Igreja Católica. Acham que este Papa não serve e querem outro. Acham que a Igreja Católica devia acabar com a regra do celibato (chegam mesmo a defender a tese de que os celibatários têm mais tendência pedófilas, tese que rejeitariam em qualquer outra circunstância). Acham que as mulheres devem poder chegar a Papa. Não deixa de ser uma Homenagem à universalidade da Igreja Católica. Mesmo os que estão fora pensam como se estivessem dentro. Pensam como se a sua opinião devesse contar. Muitos já são ateus há dezenas de anos, mas continuam a respeitar e a prestar vassalagem à Igreja."

Por João Miranda, in Blasfémias (http://blasfemias.net/2010/03/30/homenagem-a-universalidade-da-igreja-catolica)

Pedofilia na Igreja: factos e números

Um interessante artigo demonstra os factos e os números sobre os casos de pedofilia na Igreja, e o modo como esses factos são depois utilizados por alguns jornais.

O artigo pode ler-se aqui: http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=7929

29.3.10

A verdadeira crise

Nestes dias, por várias vezes ouvi jornalistas a dizer que a Igreja atravessa uma das suas piores crises de sempre.

Mas, a verdadeira crise não é a campanha mediática que se levantou nestes dias. A verdadeira crise da Igreja são os abusos que se cometeram contra as crianças, porque isso pressupõe uma grave ofensa, não só ao próximo, mas a Deus, tenham esses abusos sido muitos ou apenas um.

O facto de, esses abusos, virem a público (na maioria dos casos relatados, são casos com decénios, que já tinham aparecido mais do que uma vez nos jornais) não são motivo de crise, mas sim de purificação.

Se esta tempestade levar a uma oração mais intensa, a uma penitência mais generosa e a uma maior exigência na hora de seleccionar os candidatos ao sacerdócio, então a Igreja vai sair mais forte e mais fiel àquilo que Cristo lhe pede.

Afogar o mal na abundância do bem

A Semana Santa, semana em que a Igreja celebra a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, tem, como uma das suas principais lições, a atitude de Jesus Cristo perante o sofrimento, a dor e a injustiça.

Com toda a sua vida, mas de uma maneira especial na sua Paixão e Morte, Jesus afoga toda a miséria humana com o bem do seu amor por cada homem de cada tempo.

Diante das actuais circunstâncias históricas, a atitude de cada cristão deve ser a de imitar a Cristo: afogar o mal na abundância de bem. Se assim o fizermos, a tempestade acabará por se transformar numa primavera radiosa.

28.3.10

26.3.10

NY Times, o Papa e uma parte da verdade

O NY Times do dia 24 de Março publica uma notícia com o título "Vaticano negou-se a expulsar padre que abusou de rapazes".

Em resumo, o artigo reproduz a trágica história de Lawrence C. Murphy que terá abusado de 200 rapazes surdos num Colégio na Diocese de Milwaukee, onde trabalhou entre 1950 e 1974. As primeiras acusações de abusos contra L. Murphy surgiram a partir de 1974 e todas elas foram arquivadas pelo tribunal civil.

Da documentação reproduzida pelo NY Times, fica provado que, os únicos a preocuparem-se com as vítimas foram as autoridades diocesanas, que afastaram Murphy de cargos e até o mudaram de Diocese (de Milwaukee passou à Diocese de Superior), onde o único encargo que tinha era ajudar o Pároco da zona onde passou a residir.

Desde 1974 até 1996, a Diocese de Milwaukee abriu vários expedientes processuais canónicos tendo em vista a gravidade dos acontecimentos, com a finalidade de o obrigar a obter a dispensa das obrigações do estado clerical. É no âmbito destes processos judiciais canónicos que surge um dado novo: algumas tentativas de abuso por parte de Murphy terão sido feitas durante a confissão. Uma vez que este delito está na esfera da competência da Congregação para a Doutrina da Fé, em 1996 (ou seja, 22 anos depois de Murphy ter sido afastado do trabalho com crianças e já depois das autoridades civis se terem desinteressado do seu caso, arquivando os processos de denúncia), o Bispo de Milwaukee escreve para a Congregação presidida na altura pelo Card. Ratzinger a pedir esclarecimentos sobre se a competência para julgar o P. Murphy é da Congregação para a Doutrina da Fé ou é da Diocese americana. É neste contexto que o Vaticano tem conhecimento do processo e do caso do P. Murphy.

"A Congregação para a Doutrina da Fé, considerando que os factos era de há mais de duas décadas, que o culpado se tinha arrependido, que não tinha reincidido e que o sacerdote estava moribundo (faleceu quatro meses depois), decidiu não tomar medidas canónicas contra ele pelo delito de violação da confissão, único âmbito da sua competência".

O título do NY Times rapidamente passou de "Vaticano negou-se a expulsar padre que abusou de rapazes" a "Bento XVI terá encoberto padre norte-americano". No entanto, mais uma vez, a tentativa de implicar o actual Papa no encobrimento de casos de abusos de menores torna a falir.

Mais informações:

El Papa y los abusos: la fiebre amarilla de "The New York Times", en La Iglesia en la prensa

Papa não encobriu caso Murphy, in Zenit

Prete pedofilo in Usa, ecco come è andata veramente, in Avvenire

23.3.10

Cerco de Jericó, em Lamego

“Pela fé caíram os muros de Jericó, depois de rodeados por sete dias.” Hebreus 11, 30.

O cerco de Jericó, consiste na oração incessante de Rosários, durante sete dias e seis noites, diante do Santíssimo Sacramento exposto.

Neste momento, está a decorrer um Cerco de Jericó na Casa da Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios, na cidade de Lamego. Esta semana de oração concluir-se-á na próxima sexta feira, pelas 20h15.

In www.lamego-diocese.blogspot.com

21.3.10

Dedo na ferida

Os abusos de menores por parte de uns poucos membros do clero, não se resolvem com penas canónicas. O problema de fundo, como o Santo Padre bem diz, "com frequência as práticas sacramentais e devocionais que sustentam a fé e a tornam capaz de crescer, como por exemplo a confissão frequente, a oração quotidiana e os ritos anuais, não foram atendidas." O abandono da vida espiritual, a falta de luta ascética tem como inevitável consequência uma maior tendência a uma vida longe da graça de Deus. E, onde falta habitualmente a graça de Deus, há um maior facilitismo e tolerância em relação à prática de pecados, dos mais pequenos, aos mais graves. Aqui está o problema de fundo, na questão da pedofilia.

No entanto, o Santo Padre não esconde outro aspecto, também importante: "houve uma tendência, ditada por recta intenção mas errada, a evitar abordagens penais em relação a situações canónicas irregulares."

O Direito penal, desde há várias décadas, é alvo de uma errada compreensão, dentro e fora da Igreja. As penas canónicas não servem para condenar ninguém. Servem, sim, para que uma determinada pessoa que tenha cometido um delito grave (como pode ser o abuso de uma criança) seja obrigada a reflectir e a mudar a sua conduta. E serve, sobretudo, para garantir que uma determinada pessoa que tenha cometido um delito grave fique sem a possibilidade de usar da sua posição para cometer delitos semelhantes com a mesma ou outras pessoas. É essa a finalidade das penas canónicas.

20.3.10

Carta de Bento XVI à Igreja na Irlanda

As cartas foram, desde os primeiros tempos da Igreja, o modo como S. Pedro e os seus sucessores deram instruções, encorajaram e criaram as condições para que os problemas das várias comunidades cristãs se resolvessem.

A Carta do Santo Padre Bento XVI que hoje foi publicada dirigida à Igreja da Irlanda revela a qualidade humana e espiritual deste Papa, que não esconde os problemas, que vai directo ao assunto e não tem medo de pôr o dedo na ferida, desde que isso sirva para curar a doença.

Que grande Papa que a Igreja tem!

19.3.10

A ler

Sacerdotes pedófilos: um pânico moral, por Massimo Introvigne, em Jesus Logos


Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa
, 2010.03.17, através da Agência Ecclesia

Un'aggressione al Papa e alla democrazia, de Marcello Pera, in Corriere della Sera, 2010.03.17


La noticia es que la limpieza va en serio
, Diego Contreras, in La Iglesia en la prensa

Abrir as portas

"As crises escondem oportunidades", tem sido repetido vezes sem conta nos últimos dois anos.

O recente volume de notícias sobre a existência de abusos sexuais de menores por parte de membros da Igreja, sobretudo sacerdotes, pode ser considerada uma crise que, no entanto, é também uma grande oportunidade.

Em primeiro lugar, ninguém está mais interessado no apuramento da verdade sobre possíveis abusos por parte de membros do clero do que a própria Igreja. Por isso, todas as denúncias que se provem ser verdadeiras não são um mal, mas sim um bem, porque vão permitir proteger os mais fracos. No entanto, nas notícias que têm vindo a público, parece que os jornalistas não se preocupam com as vítimas. Preocupam-se, sim, com o celibato, com o interesse em descobrir se os Bispos esconderam casos que conheciam ou quantos são as denúncias que envolvem sacerdotes (sem qualquer preocupação sobre se as denúncias são verdadeiras ou falsas, se houve condenação de alguém, ou se os processos de denúncia foram arquivados).

Em segundo lugar, como escreve Massimo Introvigne, "o problema não é o celibato (...). No mesmo período em que uma centena de sacerdotes católicos eram condenados por abusos sexuais de menores, o número de professores de educação física e de treinadores de equipas desportivas jovens, também quase todos casados, considerados culpados do mesmo delito nos tribunais americanos atingia os seis mil. Os exemplos podem multiplicar-se, e não só nos Estados Unidos. E o principal dado a ter em conta, de acordo com os relatórios periódicos do governo americano, é o de que dois terços dos abusos sexuais a menores não são feitos por estranhos, ou por educadores – incluindo os sacerdotes católicos e os pastores protestantes –, mas por membros da família: padrastos, tios, primos, irmãos e pelos próprios pais." O problema, portanto, não é o celibato, mas sim a falta dele, já que a tendência para os abusos de menores é muito maior em quem tem vida sexual activa do que em quem é celibatário.

Em terceiro lugar, continuando com Massimo Introvigne, "80% dos pedófilos são homossexuais, são homens que abusam de outros homens. E – voltando a citar Philip Jenkins – 90% dos sacerdotes católicos condenados por abusos sexuais de menores e pedofilia são homossexuais. Se a Igreja Católica tem efectivamente um problema, não é o do celibato, mas o de uma certa tolerância da homossexualidade nos seminários, que teve particular incidência nos anos 70, a época em que foi ordenada a grande maioria dos sacerdotes que foram posteriormente condenados por abusos."


A atitude do Papa Bento XVI acabará por produzir frutos: "existe uma vontade real de erradicar o problema [da pedofilia do seio da Igreja]. Dói, como quando se cura uma infecção, mas o resultado só pode ser positivo. Para as pessoas sérias, essa é a notícia".