30.9.09

S. Jerónimo

Hoje, a Igreja celebra a memória litúrgica de S. Jerónimo.

Nasceu em Estridon (Dalmácia) cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi baptizado. Tendo abraçado a vida ascética, partiu para o Oriente e foi ordenado sacerdote. Regressou a Roma e foi secretário do papa Dâmaso. Nesta época começou a revisão das traduções latinas da Sagrada Escritura e promoveu a vida monástica. Mais tarde estabeleceu-se em Belém, onde continuou a tomar parte muito activa nos problemas e necessidades da Igreja. Escreveu muitas obras, principalmente comentários à Sagrada Escritura. Morreu em Belém no ano 420.

In Ecclesia.pt

29.9.09

Festa dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael


Entre «os puros espíritos que também são denominados Anjos» (Credo do Povo de Deus), sobressaem três, que têm sido especialmente honrados, através do séculos e a Liturgia une na mesma celebração. Além das funções próprias de todos os Anjos, eles aparecem-nos, na Escritura Sagrada, incumbidos de missão especial.

S. Miguel (= «Quem como Deus»?) é o príncipe dos Anjos, identificado, por vezes, como o Anjo do turíbulo de ouro de que fala o Apocalipse. É o Anjo dos supremos combates. É o melhor guia do cristão, na hora da viagem para a eternidade. É o protector da Igreja de Deus (Apoc. 12-19).

S. Gabriel (= «Deus é a minha força») é o mensageiro da Incarnação (Dan. 9, 21-22). É o enviado das grandes embaixadas divinas: anuncia a Zacarias o nascimento do Precursor e revela a Maria o mistério da divina Maternidade. Pio XII, em 12 de Janeiro de 1951, declarou este Arcanjo patrono das telecomunicações.

S. Rafael (= «Medicina de Deus») manifesta-se na Bíblia como diligente e eficaz protector duma família, que se debate para não sucumbir às provações. É conselheiro, companheiro de viagem, defensor e médico. Honrando os Anjos, cuja existência nos é abundantemente testemunhada pela Sagrada Escritura, nós exaltamos o poder de Deus, Criador do mundo visível e invisível.

In Liturgia.pt

24.9.09

Site de Direito Canónico

Fruto da colaboração com David Sanguinetti, Web Developer, nasceu um site dedicado ao Direito Canónico.

A ideia é proporcionar um conjunto de textos (a começar pelo do Código de Direito Canónico, em português, versão da CEP), que seja útil aos fiéis na formação neste importante saber da vida da Igreja.

O site pode ser consultado em www.direito-canonico.info

21.9.09

Comunhão de joelhos e na boca

O Cardeal de Lima, no Perú, animou os fiéis que frequentam a Sé Catedral daquela cidade a receber a Sagrada Eucaristia de joelhos e na boca.

"O modo de receber a Eucaristia com mais respeito é de joelhos e na boca. É necessário recuperar o respeito e a reverência que merece a Eucaristia, porque o amor a Jesus é o centro da nossa vida cristã", disse o Cardeal Juan Luis Cipriani na homilia de ontem, domingo, 20 de Setembro, na sua Catedral.

No actual momento, este gesto é contrário à tendência de um grande número de sacerdotes que promovem que os fiéis comunguem na mão. O próprio exemplo do Santo Padre é muito esclarecedor, já que também ele pede aos fiéis a quem distribui a comunhão que se ajoelhem e comunguem na boca.

Será que em Roma e em Lima não há Gripe A?

Nota pessoal: ao longo de 15 dias procurei estar mais atento na distribuição da comunhão para contabilizar com que frequência, ao distribuir o Sagrado Corpo de Nosso Senhor, tocava nas mãos ou na língua dos fiéis. Cheguei à conclusão que, com muito mais frequência, toco nas mãos das pessoas que, com toda a liberdade, recebem a Sagrada Comunhão na mão. Pelo contrário, procurando dar a comunhão com calma e em clima de adoração, é muito raro tocar com os dedos na língua dos fiéis.

Ora, sabendo que o vírus se propaga quando as mãos entram em contacto com superfícies onde pessoas infectadas tocaram (daí a preocupação em procurar que as pessoas lavem as mãos muitas vezes), e sabendo que, as mãos são o principal meio com que tocamos e pegamos nas coisas, não seria mais prudente promover a comunhão na boca (e não na mão)?

Pessoalmente, procuro que os fiéis que me estão confiados escolham com toda a liberdade o modo de comungar. Quando toco estes temas (em homilias ou no contacto com as pessoas) procuro formar e deixar que cada um proceda segundo o que achar mais correcto, dentro das possibilidades que a Igreja prevê para a distribuição da Sagrada Comunhão.

19.9.09

A liturgia celeste

"As nossas liturgias terrenas, inteiramente voltadas a celebrar este único acto da história, nunca alcançarão exprimir totalmente a sua infinita densidade. A Beleza dos ritos não será nunca demasiado investigada, ou demasiado cuidada, demasiado elaborada,já que nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita... as liturgias terrestres não poderão ser mais do que um pálido reflexo da Liturgia, que se celebra na Jerusalém celeste, ponto de chegada da nossa peregrinação sobre a terra; é preciso realizar todo o esforço para nos aproximarmos o mais possível da liturgia celeste e fazê-la saborear".

Bento XVI, 2008.09.12, em Paris

Sínodo de Bispos do Médio Oriente

O Santo Padre Bento XVI acaba de convocar um Sínodo de Bispos do Médio Oriente, que se realizará de 10 a 24 de Outubro de 2010.

In Avvenire

Dever cívico

A Igreja Católica incentiva os fiéis a cumprir o seu dever cívico de eleitores, mas recorda-lhes os valores cristãos para que o "voto seja exercido em liberdade esclarecida", numa "atitude inspiradora e não paternalista".

"Votar com esclarecimento não é dirigismo: pedimos aos cristãos que se esclareçam sobre as questões, que vejam se os princípios defendidos estão de acordo com a fé, com o Evangelho", sublinhou à Lusa o padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Na altura de votar, "o cristão não pode contrariar a sua fé, no Evangelho", acrescentou, fazendo uma analogia desportiva: "se sou do Sporting não posso ir para os jogos do meu clube gritar pela equipa adversária".

In Público, 2009.09.18

17.9.09

Bento XVI: os padres devem permanecer afastados de um envolvimento pessoal na política

é necessário evitar a *secularização dos sacerdotes* e a *clericalização
dos leigos*.

Nessa perspectiva, portanto, os fiéis leigos devem empenhar-se em exprimir
na realidade, inclusive através do empenho político, a visão antropológica
cristã e a doutrina social da Igreja.

Diversamente, *os sacerdotes devem permanecer afastados de um envolvimento
pessoal na política*, a fim de favorecerem a unidade e a comunhão de todos
os fiéis e assim poderem ser uma referência para todos.

É importante fazer crescer esta consciência nos sacerdotes, religiosos e
fiéis leigos, encorajando e vigiando para que cada um possa sentir-se
motivado a agir segundo o seu próprio estado.


O aprofundamento harmónico, correcto e claro da relação entre sacerdócio
comum e ministerial constitui actualmente um dos pontos mais delicados do
ser e da vida da Igreja.

É que o número exíguo de presbíteros poderia levar as comunidades a
resignarem-se a esta carência, talvez consolando-se com o facto de a mesma
evidenciar melhor o papel dos fiéis leigos. Mas, não é a falta de
presbíteros que justifica uma participação mais activa e numerosa dos leigos.


Na realidade, quanto mais os fiéis se tornam conscientes das suas
responsabilidades na Igreja, tanto mais sobressaem a identidade específica e
o papel insubstituível do sacerdote como pastor do conjunto da comunidade,
como testemunha da autenticidade da fé e dispensador, em nome de
Cristo-Cabeça, dos mistérios da salvação. (...)

Por isso, a função do presbítero é essencial e insubstituível para o anúncio
da Palavra e a celebração dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia, memorial
do Sacrifício supremo de Cristo, que dá o seu Corpo e o seu Sangue. Por isso
urge pedir ao Senhor que envie operários à sua Messe; além disso, é preciso
que os sacerdotes manifestem a alegria da fidelidade à própria identidade
com o entusiasmo da missão.


Bento XVI aos bispos brasileiros - 17 de Setembro de 2009
Fonte:
http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/24338.php?index=24338〈=po

Através do Carteiro

15.9.09

Memória de Nossa Senhora das Dores

Nota Histórica
Presente junto da Cruz, Maria vive e sente os sofrimentos de Seu filho. Por isso a liturgia lhe dedica hoje especial atenção, depois de ter celebrado ontem a Exaltação da Santa Cruz. As dores da Virgem, unidas aos sofrimentos de Cristo foram redentoras, indicando-nos o caminho da nossa dor.

Evangelho segundo S. João (19,25-27)
Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena.
Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!»
Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.

Comentário
A FESTA DE HOJE convida-nos a aceitar os sofrimentos e contrariedades da vida para purificarmos o coração e corredimirmos com Cristo. A Virgem ensina-nos a não nos queixarmos dos nossos males, pois Ela nunca o fez; anima-nos a uni-los à Cruz redentora do seu Filho e a convertê-los num bem para a nossa família, para a Igreja, para toda a humanidade.

A dor que teremos de santificar consistirá freqüentemente numa soma de pequenas contrariedades diárias: esperas que se prolongam, mudanças de planos, projetos que não se realizam... Noutras ocasiões, apresentar-se-á sob a forma de pobreza, de perda progressiva do nível de vida a que se estava acostumado, e quantas vezes até de falta do necessário. E essa pobreza será um grande meio para nos unirmos mais a Cristo, para imitá-lo no seu desprendimento absoluto das coisas, mesmo das mais imprescindíveis. Olharemos então para a Virgem no Calvário, no momento em que despojam o seu Filho daquela túnica que Ela tecera com as suas mãos, e acharemos consolo e forças para prosseguirmos a nossa caminhada com paz e serenidade.

Pode sobrevir-nos também a doença, e pediremos a graça de aceitá-la como um tesouro, como uma carícia de Deus, e de mostrar-nos agradecidos pelo tempo em que talvez não tenhamos sabido apreciar plenamente o dom da saúde. A doença, em qualquer das suas formas – mesmo psíquica –, pode ser a “pedra de toque” que comprove a solidez do nosso amor ao Senhor e da nossa confiança nEle. Enquanto estamos doentes, podemos crescer mais rapidamente nas virtudes, principalmente nas teologais: na fé, pois aprendemos a ver nesse estado a mão providente do nosso Pai-Deus; na esperança, pois sempre estamos nas mãos do Senhor, especialmente quando nos sentimos mais fracos e necessitados; na caridade, oferecendo a dor, sendo exemplares na alegria com que amamos essa situação que Deus quer ou permite para nosso bem.

Freqüentemente, o lado mais difícil da doença é a forma em que se apresenta: “a sua inusitada duração, a impotência a que nos reduz, a dependência a que nos obriga, o mal-estar que provém da solidão, a impossibilidade de cumprirmos os deveres de estado... Todas essas situações são duras e angustiantes para a nossa natureza. Apesar de tudo, e depois de termos empregado todos os meios que a prudência aconselha para recuperarmos a saúde, temos de repetir com os santos: «Ó meu Deus! Aceito todas essas modalidades: o que quiseres, quando quiseres e como quiseres»”. Pediremos a Deus mais amor e dir-lhe-emos devagar, com um completo abandono: “Tu o queres, Senhor?... Eu também o quero!”

Sempre que o fardo nos pareça excessivamente pesado para as nossas poucas forças, recorreremos a Santa Maria pedindo-lhe auxílio e consolo, “pois Ela continua a ser a amorosa consoladora de tantas dores físicas ou morais que afligem e atormentam a humanidade. Ela conhece bem as nossas dores e as nossas penas, pois também sofreu desde Belém até o Calvário: uma espada trespassará o teu coração. Maria é a nossa Mãe espiritual, e uma mãe sempre compreende os seus filhos e os consola nas suas necessidades.

“Por outro lado, Ela recebeu de Jesus na Cruz a missão específica de amar-nos, de só e sempre amar-nos para nos salvar. Maria consola-nos sobretudo mostrando-nos o crucifixo e o paraíso [...].

“Ó Mãe Consoladora, consolai-nos, fazei que todos compreendamos que a chave da felicidade está na bondade e no seguimento fiel do vosso Filho Jesus”.

In Liturgia.pt, Evangelhoquotidiano.org e Franciscofcarvajal.org

14.9.09

Exaltação da Santa Cruz

Hoje a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Nota Histórica
Foi na Cruz que Jesus Cristo ofereceu ao Pai o Seu Sacrifício, em expiação dos pecados de todos os homens. Por isso, é justo que veneremos o sinal e o instrumento da nossa libertação.
Objecto de desprezo, patíbulo de infâmia, até ao momento em que Jesus «obediente até à morte» nela foi suspenso, a Cruz tornou-se, desde então, motivo de glória, pólo de atracção para todos os homens.
Ao celebrarmos esta festa, nós queremos proclamar que é da cruz, «sinal do amor universal de Deus, fonte de toda a graça» (N.A., 4) que deriva toda a vida de Igreja. Queremos também manifestar o nosso desejo de colaborar com Cristo na salvação dos homens, aceitando a Cruz, que a carne e o mundo fizeram pesar sobre nós (G.S. 38).

Do Evangelho segundo S. João 3,13-17.
Pois ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem.
Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto,
a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.
De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.

Comentário
«Ele entregou-Se a si mesmo à morte e, pela ressurreição, destruiu a morte e renovou a vida» (Oração eucarística IV)

No Credo proclamamos, a propósito do caminho de Cristo: «Desceu à mansão dos mortos». [...] A liturgia aplica à descida de Jesus à noite da morte as palavras do salmo 24 (23): «Ó portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos!» A porta da morte está fechada: ninguém pode passar através dela. Não há chave para essa porta de ferro. No entanto, Cristo tem a chave. A Sua cruz abre de par em par todas as portas invioláveis da morte, que deixaram de ser inexpugnáveis. A Sua cruz, a radicalidade do Seu amor, é a chave que abre essa porta. O amor Daquele que, sendo Deus, Se fez homem para poder morrer tem força para abrir a porta. É um amor mais forte do que a morte.

Os ícones pascais da Igreja do Oriente mostram como Cristo entra no mundo dos mortos. As Suas vestes são luminosas, porque Deus é luz. «A noite seria, para Ti, brilhante como o dia» (Sl 139 (138), 12). Jesus entra no mundo dos mortos com os estigmas; as Suas chagas, os Seus sofrimentos tornaram-se poderosos: são amor capaz de vencer a morte. Jesus encontra Adão e todos os homens que esperam nas sombras da morte. Vendo-os, quase podemos ouvir a oração de Jonas: «Clamei a Ti do meio da morada dos mortos e Tu ouviste a minha voz» (Jn 2, 3).

Pela encarnação, o Filho de Deus fez-Se um com os seres humanos, com Adão. Mas só quando realizou o supremo acto de amor, descendo da noite da morte, levou a bom termo o caminho da encarnação. Pela Sua morte, tomou pela mão Adão e toda a humanidade expectante e guiou-os para a luz.

Papa Bento XVI, in Homilia para a Vigília pascal, 07/04/2007

In Evangelhoquotidiano.org e liturgia.pt

11.9.09

Jornadas das Comunicações Sociais, em Fátima


Por motivos vários, participo nas Jornadas das Comunicações Sociais, promovidas pela Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

Prelúdio das Jornadas, foi a conferência de imprensa concedida por Pe. Federico Lombardi aos jornalistas que iam participar no Encontro. Neste encontro com os jornalistas, o porta voz do Gabinete de Imprensa da Santa Sé foi muito afável, extremamente claro e, além dos aspectos positivos que referiu, não escondeu as dificuldades que a Igreja ainda tem em comunicar.

Os trabalhos podem ser seguidos pela reportagem ao minuto feita pela Agência Ecclesia. Gostaria de destacar duas ideias fundamentais:

1) Os problemas de comunicação (em concreto, as dificuldades da Igreja em comunicar) não se resolvem com truques tecnológicos. Resolvem-se procurando ter, com quem tem a missão de comunicar (jornalistas, etc.) uma relação humana, leal e honesta, procurando evitar as meias verdades. O silêncio, na maioria das vezes, não é a melhor maneira de enfrentar uma crise ou um problema.

2) A criação de um Gabinete de Imprensa, que esteja disponível para os jornalistas, que seja profissional no seu modo de trabalhar, que seja capaz de usar os meios técnicos adequados é, cada vez mais, para a Igreja, uma necessidade. Refiro-me à Igreja enquanto realidade presente no país e nas Dioceses. A Igreja tem uma mensagem a difundir, ou melhor, tem A mensagem, que é uma Pessoa, Jesus Cristo. Hoje não e possível transmitir quem é Jesus Cristo, (seja na transmissão do Evangelho, seja numa outra dimensão que é a comunicação institucional) prescindindo do profissionalismo dos jornalistas. E, nesse aspecto, um Gabinete de Imprensa diocesano pode ser um instrumento útil.

9.9.09

A Igreja e a política

Sempre que nos aproximamos de eleições, levantam-se vozes (sobretudo dentro da Igreja), pedindo que a hierarquia eclesiástica tome posição sobre a situação política do país.

A esse propósito, o seguinte texto do Concílio Vaticano II é muito esclarecedor:

«O Concílio exorta os cristãos, cidadãos de ambas as cidades, a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que vamos em demanda da futura (13), pensam que podem por isso descuidar os seus deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé ainda os obriga mais a cumpri-los, segundo a vocação própria de cada um (14). Mas não menos erram os que, pelo contrário, opinam poder entregar-se às ocupações terrenas, como se estas fossem inteiramente alheias à vida religiosa, a qual pensam consistir apenas no cumprimento dos actos de culto e de certos deveres morais. Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo. Já no Antigo Testamento os profetas denunciam este escândalo (15); no Novo, Cristo ameaçou-o ainda mais veementemente com graves castigos (...)

As tarefas e actividades seculares competem como próprias, embora não exclusivamente, aos leigos. Por esta razão, sempre que, sós ou associados, actuam como cidadãos do mundo, não só devem respeitar as leis próprias de cada domínio, mas procurarão alcançar neles uma real competência. Cooperarão de boa vontade com os homens que prosseguem os mesmos fins. Reconhecendo quais são as exigências da fé, e por ela robustecidos, não hesitem, quando for oportuno, em idear novas iniciativas e levá-las a realização. Compete à sua consciência prèviamente bem formada, imprimir a lei divina na vida da cidade terrestre. Dos sacerdotes, esperem os leigos a luz e força espiritual.

Mas não pensem que os seus pastores estão sempre de tal modo preparados que tenham uma solução pronta para qualquer questão, mesmo grave, que surja, ou que tal é a sua missão. Antes, esclarecidos pela sabedoria cristã, e atendendo à doutrina do magistério (17), tomem por si mesmos as próprias responsabilidades.

Muitas vezes, a concepção cristã da vida incliná-los-á para determinada solução, em certas circunstâncias concretas. Outros fiéis, porém, com não menos sinceridade, pensarão diferentemente acerca do mesmo assunto, como tantas vezes acontece, e legitimamente. Embora as soluções propostas por uma e outra parte, mesmo independentemente da sua intenção, sejam por muitos fàcilmente vinculadas à mensagem evangélica, devem, no entanto, lembrar-se de que a ninguém é permitido, em tais casos, invocar exclusivamente a favor da própria opinião a autoridade da Igreja. Mas procurem sempre esclarecer-se mutuamente, num diálogo sincero, salvaguardando a caridade recíproca e atendendo, antes de mais, ao bem comum.

Os leigos, que devem tomar parte activa em toda a vida da Igreja, não devem apenas impregnar o mundo com o espírito cristão, mas são também chamados a serem testemunhas de Cristo, em todas as circunstâncias, no seio da comunidade humana.

Const. Gaudium et spes, n. 43

Conclusões do VI Simpósio do Clero

1.- O clero de Portugal deu uma resposta muito positiva ao convite para participar no VI Simpósio do clero. Mais de 800 inscrições são o melhor testemunho de uma forte adesão, alegre e agradecida, também por coincidir em pleno Ano Sacerdotal e sob o olhar da figura exemplar de sacerdote que foi São João Maria Vianey.

2.- Conferencistas prestigiados e de renome internacional garantiram a elevada qualidade da reflexão e a pertinência dos desafios lançados.

3.- O Simpósio foi, em si mesmo, um belo exercício de fraternidade e de comunhão entre bispos, sacerdotes, diáconos e seminaristas.

4.- Todos os oradores glosaram, em registos vários, mas consonantes, o tema-lema do Simpósio: «Reaviva o dom que há em ti».

5.- Anselmo Grün e Amadeo Cencini, com a sua autoridade de psicólogos, recordaram-nos que a espiritualidade não é redutível à psicologia, mas que uma espiritualidade não assente em correctas bases psicológicas, facilmente se transforma em moralismo vazio e autoritário.

6.- As pessoas não se seduzem nem se cativam verdadeiramente com a acomodação do Evangelho aos seus desejos e gostos pessoais. Só quando o sacerdote se deixou, primeiro, seduzir no encontro pessoal com Cristo, poderá falar de tal maneira que as pessoas o descobrem possuído de uma luz e beleza que ele mesmo desconhece. Como Moisés, depois de falar com Deus.

7.- O sacerdote não é um anjo. Junto com qualidades e luzes, tem defeitos e sombras. Só reconhecendo humildemente também as sombras se poderá abrir ao Amor que o plenifica, transforma e transfigura.

8.- A formação sacerdotal ou é permanente ou não é verdadeira formação sacerdotal.

O Senhor é fiel. Ao chamar sempre aquele que escolheu, não pára de o chamar todos os dias da sua vida. A Formação Permanente é a experiência de vocação permanente, como resposta agradecida e repleta de fidelidade ao Deus que ama e chama.

9.- Esta autêntica mudança de paradigma na concepção de formação permanente implica que se crie uma cultura de formação permanente na Igreja, pois ainda não existe.

A nossa vida, ou é formação permanente, ou é frustração permanente, repetitividade, desleixo geral, inércia, apatia, perda de credibilidade, ineficácia apostólica.

10.- A Formação Permanente é essencialmente psicológico-espiritual; um processo de conformação-assimilação aos sentimentos do Filho obediente, do Servo sofredor, do Cordeiro inocente.

11.- Não se trata tanto de criar novas estruturas, mas de uma nova mentalidade, uma cultura de Formação Permanente.

12.-A Formação Permanente é a disponibilidade contínua e inteligente, activa e passiva, para aprender da vida, durante toda a vida. Até ao último dia.

13.- Como nos disse o cardeal Cláudio Hummes: «a espiritualidade do presbítero deve ser nutrida cada dia. Os grandes meios são: manter um contacto assíduo com a Palavra de Deus; amar a Deus e deixar-se amar por Ele; viver uma vida de oração autêntica que inclui a Liturgia das Horas e a devoção mariana; celebrar diariamente a Eucaristia, como centro da vida ministerial; recorrer regularmente ao Sacramento da Confissão; viver a comunhão eclesial, principalmente com o Papa, o bispo e o presbitério; doar-se total e incansavelmente ao ministério pastoral, ao empenho missionário e evangelizador; ser o homem da caridade, da fraternidade e da bondade, do perdão, da misericórdia para com todos; ser solidário com os pobres, sendo seu defensor e amigo, vendo neles os preferidos de Deus».

14.- Uma atenção cuidada aos vários programas de formação dos seminários levar-nos-á à opção pelo modelo de integração, polarizado no dinamismo da Cruz como ícone do Mistério Pascal, onde o amor entregado nos convida incessantemente, iluminando-nos e aquecendo-nos, a recebermos agradecidos o dom que a vida sacerdotal é, e a oferecermo-la alegremente como dom.

15.- Este Modelo de Integração fará que nos sintamos abençoados por Deus e ajudar-nos-á a tornarmo-nos uma feliz bênção para os outros.

Uma vida espiritual intensa, iluminada pelo guia fiável que é o Vaticano II, permitirá ao sacerdote entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias, mesmo difíceis e obscuras. (SC, 89)

16.- Os caminhos a percorrer para a Igreja responder aos novos desafios do mundo de hoje não estão ainda bem definidos e traçados. Temos de utilizar a lucidez na análise do que se apresenta, e a paciência misericordiosa para enfrentar as incompreensões.

17.- Foi bom ouvir que a Igreja ama os seus sacerdotes, os admira e reconhece a sua insubstituível e incansável participação pastoral na missão e na vida eclesiais.

18.- E que, à semelhança de São Francisco, encontrando no caminho um sacerdote e um anjo, saudaria primeiro o sacerdote, mesmo se fosse grande pecador, porque o sacerdote é quem nos dá o pão eucarístico.

19.- O Santo Cura D’Ars reconforta-nos ainda mais ao afirmar: «Deus obedece-lhes. Depois de Deus, o sacerdote é tudo».

Ser padre é viver todos os dias a Consagração: consagrando as espécies eucarísticas e consagrando-se aos irmãos, outra forma de dizer, já há mais de 150 anos, a urgência do que hoje chamamos Formação Permanente.

20.- Os padres das várias dioceses reuniram com os seus bispos e manifestaram a alegria de participar no Simpósio, mutuamente se incentivando para encontrar formas de cultivo da fraternidade nos presbitérios.

21.- Como bem recorda Bento XVI: «É preciso sempre partir de Cristo. Mas isso supõe tê-lo encontrado, ter-se deixado por Ele transformar inteiramente, ou seja, ter-se tornado seu discípulo fiel. Tudo começa ali. Encontrar-se com Cristo e deixar-se por ele transformar»

Só assim reavivaremos continuamente o dom que há em nós, e responderemos gozosamente ao desafio incessantemente renovado de o oferecer aos outros, porque do povo de Deus vimos e só para o servir existimos.

Fátima, 4 de Setembro de 2009

In Paróquias.org

Oração pelos Sacerdotes


Meu Senhor Jesus Cristo dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

Autor desconhecido

Com autorização eclesiástica

Recebido por mail

7.9.09

O que os jovens procuram

Nos decênios sucessivos ao Concílio Vaticano II, alguns interpretaram a abertura ao mundo, não como uma exigência do ardor missionário do Coração de Cristo, mas como uma passagem à secularização, vislumbrando nesta alguns valores de grande densidade cristã como igualdade, liberdade, solidariedade, mostrando-se disponíveis a fazer concessões e descobrir campos de cooperação. Assistiu-se assim a intervenções de alguns responsáveis eclesiais em debates éticos, correspondendo às expectativas da opinião pública, mas deixou-se de falar de certas verdades fundamentais da fé, como do pecado, da graça, da vida teologal e dos novíssimos. Insensivelmente caiu-se na auto-secularização de muitas comunidades eclesiais; estas, esperando agradar aos que não vinham, viram partir, defraudados e desiludidos, muitos daqueles que tinham: os nossos contemporâneos, quando vêm ter conosco, querem ver aquilo que não vêem em parte alguma, ou seja, a alegria e a esperança que brotam do fato de estarmos com o Senhor ressuscitado.

Atualmente há uma nova geração já nascida neste ambiente eclesial secularizado que, em vez de registrar abertura e consensos, vê na sociedade o fosso das diferenças e contraposições ao Magistério da Igreja, sobretudo em campo ético, alargar-se cada vez mais. Neste deserto de Deus, a nova geração sente uma grande sede de transcendência.

São os jovens desta nova geração que batem hoje à porta do Seminário e que necessitam encontrar formadores que sejam verdadeiros homens de Deus, sacerdotes totalmente dedicados à formação, que testemunhem o dom de si à Igreja, através do celibato e da vida austera, segundo o modelo do Cristo Bom Pastor. Assim esses jovens aprenderão a ser sensíveis ao encontro com o Senhor, na participação diária da Eucaristia, amando o silêncio e a oração, procurando, em primeiro lugar, a glória de Deus e a salvação das almas.

Bento XVI, Discurso aos Bispos do Brasil em visita ad limina, 2009.09.07

5.9.09

A fé explicada...

... em português >>

Preparação para o Matrimónio

A preparação para o Matrimónio é, nos dias de hoje, uma necessidade incontornável para aqueles que seguem esse caminho divino e humano.

No entanto, torna-se, por vezes, complexo e difícil ter orientações claras sobre o que dizer aos noivos que se preparam para o casamento.

ESTE documento do Pontifício Conselho da Família pode ser útil para todos aqueles que empreendem a árdua tarefa de preparar o Matrimónio.

4.9.09

A educação sexual e D. Afonso Henriques

Por Pe. Doutor Gonçalo Portocarrero de Almada

A questão pode parecer peregrina, mas não é. Com efeito, foi precisamente neste ano, em que se festejam os novecentos anos do primeiro rei de Portugal, que se implementou no nosso país a educação sexual obrigatória. Uma tão feliz coincidência não pode ser mero acaso, pelo que parece ser pertinente questionar a relação entre aquela efeméride e esta nova vertente da educação em Portugal.

É certo e sabido que D. Afonso Henriques não teve qualquer tipo de educação sexual, muito embora uma tal carência não tenha significado para o nosso primeiro monarca nenhuma especial inaptidão, pois não só foi pai da nação como, também, de onze filhos! Mais ainda: todos os seus contemporâneos que geraram descendentes, fossem eles nobres, burgueses ou filhos do povo, todos, sem excepção, fizeram-no sem que lhes tivesse sido dada nenhuma educação sexual. É incrível, mas é verdade.

E, não obstante esta ignorância sexual generalizada, o país não se extinguiu! É caso para dizer: milagre! Era de esperar que os portugueses tivessem desaparecido do mapa, por desconhecimento da ciência da reprodução, acintosamente omitida pela Igreja e pelo Estado, nos seus respectivos estabelecimentos de ensino. Mas não! De forma absolutamente prodigiosa, os portugueses, sabe-se lá a que custo, lograram trazer filhos ao mundo! Filhos das trevas e da falta da educação sexual! Filhos da iliteracia sexual que o nosso país sofreu durante oito séculos!

Temo que seja esta a ancestral razão pela qual muito se gaba, e com razão, a proverbial capacidade lusitana de improvisar: não havia aulas, os homens e as mulheres não sabiam educação sexual e, contudo, apareciam filhos, tantos filhos que se espalharam pelas sete partidas do mundo! Se a ignorância sexual foi tão prolífica para Portugal, será que a educação sexual esterilizará o nosso país? Será que o que se pretende, com a nova disciplina curricular, é que os portugueses mirrem e se extingam, em vez de se expandirem e multiplicarem?!

Seja como for, a verdade é que o Governo entendeu por bem pôr termo a esta atávica falta de educação sexual nacional. Mas, se pega a moda do Estado pretender ensinar o que é óbvio e natural, em vez do que é elevado e racional, é de esperar que a reforma educativa não se fique pela sexualidade. Falta, por exemplo, uma disciplina de educação respiratória, porque há quem não saiba inspirar e expirar em condições. O mesmo se diga da educação digestiva e de todas as outras expressões das mais básicas necessidades do nosso organismo. Em suma: a introdução da educação sexual não é uma simples alteração cosmética da política educativa, mas o início de uma nova era, a vanguarda de uma autêntica revolução. Abaixo o Português e a Matemática e viva a Educação Sexual! Abaixo a cultura e viva a educação animal! Abaixo a educação humanista e viva a educação "bestial"!

A propósito, não será por falta de educação sexual que o lince-ibérico está em vias de se extinção?! Se os homens, que em princípio são animais racionais, têm necessidade, no sábio e prudente entendimento dos nossos governantes, de uma aprendizagem que assegure a sua reprodução, com mais razão os animais irracionais precisam de uma formação específica que os ensine a procriar. Crie-se, pois, sem mais demora, a Escola C+S da Malcata e imponha-se aos linces a frequência obrigatória das respectivas aulas de educação sexual: é a única solução capaz de impedir o seu dramático desaparecimento. Licenciado em Direito e doutorado em Filosofia. Vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF).

In Publico, 2009.08.30

Funcionalismo

O Prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes, afirmou esta manhã (4 de Setembro) em Fátima que alguns padres fizeram um encontro "insuficiente e superficial" com Jesus Cristo e converteram o ministério ordenado recebido "numa espécie de profissão eclesiástica, que desenvolvem como funcionários que aprenderam a fazer a função"

In Agência Ecclesia

3.9.09

Para servir, servir

Este texto que o Sr. D. José Policarpo proferiu em Fátima é impressionante.

«Esta total disponibilidade para o serviço define o ministério sacerdotal. O sacerdote é chamado a pôr-se totalmente ao serviço da edificação da Igreja, com tudo o que é e tudo o que tem. Esta radicalidade do serviço é a mais bela realização da liberdade; é a dimensão em que o sacerdote se humaniza, exercendo o seu ministério, porque viver a vida como um dom, a Deus e aos irmãos, é a mais perfeita realização do ideal humano, num mundo retalhado de egoísmos e busca dos próprios interesses.

Olhando para os padres de hoje, este desafio do serviço é a chave da nossa fidelidade e autenticidade. Temos de procurar a sua radicalidade e o seu sentido profundo, a sua autenticidade. Antes de mais a sua radicalidade: pôr ao serviço tudo o que somos, sabemos e temos.»

Card. D. José Policarpo, Conferência no Simpósio do Clero, 2009.09.02