29.8.09

Obediência

«O homem de Igreja - prossegue de Lubac - não só é obediente como ama a obediência. Toda a actividade que merece o nome de cristã desenrola-se necessariamente sobre um fundo de passividade. Porque o Espírito donde procede é um Espírito recebido de Deus. É Deus quem Se nos dá primeiro para que possamos darmo-nos a Ele».

H. de Lubac, através do Sr. Pe. João António

24.8.09

Exorcismo

O telemóvel tocou. Uma voz aflita do outro lado: "Sr. Padre, o João está muito mal. Podia vir vê-lo".

O sacerdote já conhecia o caso. Aquele rapaz tinha feito todos os exames possíveis exames: epilepsia, convulsões, tacs... De vez em quando, assim que a avó começava a rezar o terço, ele sentia-se mal e saía. Já tinha sido acólito. Uns dias antes, a avó tinha contado o caso ao sacerdote, que se aconselhou com outro sacerdote mais velho e com mais experiência.

Naquele dia, o rapaz gritava e nada nem ninguém o conseguia acalmar. Quando o sacerdote chegou, tremia de nervoso. Abriu o ritual dos exorcismos, e começou a rezar. O João gritava ainda mais alto. Depois da litânia dos santos, o sacerdote impôs-lhe as mãos. A pouco e pouco, à medida que ia recitando as orações de exorcismo, o João foi acalmando.

Depois de terminar, o sacerdote esperou um pouco. O João não se lembra de nada. Sente-se cansado. Pede ao sacerdote para conversarem um pouco. Os outros saem.

Ainda foi preciso repetir o exorcismo várias vezes. O João voltou a ir à Missa, a rezar o terço com a avó.

Há quem tenha mais medo dos exorcismos do que do demónio. Já houve tempos em que tinha dúvidas sobre estas coisas. À semelhança daquele cura de aldeia, a constatação directa destas realidades levou-me a mudar de opinião. O demónio existe mesmo e Jesus Cristo é o único que salva. Não são os méritos (ou desméritos, no meu caso) do sacerdote que contam. A oração de libertação resulta quando se tem fé. Resulta mesmo.

Presidente da República não promulga Lei sobre as uniões de facto

Na manhã de hoje, ficou-se a saber que o Presidente da República não promulgou a Lei sobre as uniões de facto.

Na Mensagem enviada à Assembleia da República, o PR afirma que existem dois modelos sobre as uniões de facto: o primeiro, que tende a equiparar as uniões de facto ao casamento; o segundo, que considera as uniões de facto "como uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento, sem prejuízo da extensão pontual de direitos e deveres imposta pelo princípio constitucional da igualdade."

Para o PR, este diploma do Governo segue o primeiro modelo, ou seja, aproxima as uniões de facto do regime do casamento. E essa aproximação faz-se da perspectiva dos direitos (e não dos deveres entre as partes). Ora, se as pessoas que vivem em união de facto não se querem casar, por que motivo se devem aproximar os dois regimes jurídicos?

Os motivos que o PR apresenta para não promulgar a Lei são que não houve, na sociedade portuguesa, um debate alargado sobre este tema e o facto de estarmos em final de legislatura.

Via Público e site da PR

22.8.09

A preocupação do Santo Padre pela Liturgia

O modo de celebrar a liturgia é uma das principais preocupações do actual Papa. Este artigo é mais uma prova disso.

Não é por falta de indicações que a liturgia é mal celebrada. O problema começa pela necessidade de se evitar o "achismo" (Eu acho que é assim, eu acho que é assado). E isso implica ter tempo para ler, para estudar, para ir aos documentos. Tudo o que se pode fazer de mal na liturgia está documentado e tem antídoto certo. Basta ler (e uma leitura deste documento torna-se obrigatória).

O segundo factor a evitar é a sensação que, quem celebra, é dono da liturgia. Não somos donos, mas sim administradores. E quem administra, deveria administrar segundo as regras de quem decide. É verdade que o administrador tem sempre um âmbito de decisão bastante grande. Mas dentro das balizas que, quem decide, determina.

Por fim, celebrar bem exige sempre esforço: é necessário preparar, prevenir, dedicar tempo a ler as rubricas, a formar quem vem participar. Mas isso só faz sentido quando se faz por amor: por amor a Deus e por amor à Igreja.

Por isso, razão tem Andrea Tornielli: o Papa deseja que as mudanças na liturgia comecem na base. Isso só será possível se houver mudanças na formação dos candidatos ao sacerdócio, melhorando o seu conhecimento e amor à liturgia. E esse amor não se aprende nos livros. Aprende-se vivendo.

Virgem Santa Maria, Rainha

Hoje a Igreja celebra a Festa da Coroação da Virgem Santa Maria.

A festa de hoje foi instituída por Pio XII, em 1955. Antecedida pela festa da Assunção de Nossa Senhora, celebramos hoje aquela que é a Mãe de Jesus, Cabeça da Igreja, e nossa Mãe.

Pio XII assim fala de Nossa Senhora Rainha:

"Procurem, pois, acercar-se agora com maior confiança do que antes, todos quantos recorrem ao trono de graça e de misericórdia da Rainha e Mãe Nossa, para implorar auxílio nas adversidades, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto ... Há, em muitos países da terra, pessoas injustamente perseguidas por causa da sua profissão cristã, e privadas dos direitos humanos e divinos da liberdade ... A estes filhos atormentados e inocentes, volva os seus olhos misericordiosos, cuja luz serena as tempestades e dissipa as nuvens, a poderosa Senhora das coisas e dos tempos, que sabe aplacar as violências com o seu pé virginal; e à todos conceda que em breve possam gozar da merecida liberdade ... Todo aquele, pois, que honra a Senhora dos celestes e dos mortais, invoque-a como Rainha sempre presente, Medianeira de paz".

Tirado daqui >>

20.8.09

Debate sobre a liturgia

O Concílio Vaticano II promoveu várias alterações na vida da Igreja. Uma das mais importantes (e talvez das mais consensuais) foi a reforma litúrgica.

Uma leitura serena da Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium traz-nos uma visão muito bela da liturgia. No entanto, a aplicação desta Constituição e o modo de celebrar a liturgia que se assistiu em muitos sítios ao longo dos últimos 40 anos sempre foi um campo de intenso debate em vários sectores da Igreja.

O Motu próprio Summorum Pontificum do Santo Padre Bento XVI, além do seu modo de celebrar renovaram esse intenso debate, que vai acontecendo em blogs, encontros, jornais e revistas da especialidade.

Um aspecto importante deste debate, aspecto esse que ganha maior importância devido à Gripe H1N1, tem a ver com o modo de distribuir a comunhão.

A esse respeito, vale a pena uma leitura da Introdução Geral ao Missal Romano.

17.8.09

Nomeações

Os momentos que precedem e sucedem às nomeações por parte do Sr. Bispo, trazem, frequentemente, notícias destas. Houve casos mais ou menos semelhantes, em anos passados, um pouco por todo o país. O mesmo acontece lá fora.

A Igreja é um dos locais onde mais se fala de obediência. É fácil, humanamente falando, apegarmo-nos às pessoas e às instituições. Difícil é mostrarmos a essas pessoas que não nos devem seguir a nós, mas sim a Jesus.

É fácil, quando nos pedem para mudar, mostrar publicamente a nossa resistência. Difícil é sair sem fazer ondas, sem mostrar preferências, sobretudo quando as mesmas são em sentido contrário à indicação que nos dão.

É fácil olhar para um pedido de mudança com olhos de conspiração. Difícil é obedecer sem apontar culpas, sem lamentos e sem olhar para trás já tendo a mão no arado.

Não ponho em causa o trabalho meritório do sacerdote em questão. Refiro-me à facilidade de serem criadas situações destas que não ajudam nem as pessoas, nem a autoridade eclesiástica nem a salvação das almas. E é esse o trabalho sacerdotal: salvar almas e não alimentar o nosso ego.

6.8.09

Faleceu a mãe do Sr. D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro

Ao início da noite de ontem, faleceu a Sra. D. Donzelina dos Santos, mãe do Sr. António Francisco, Bispo de Aveiro.

As exèquias solenes celebram-se amanhã, sexta feira, na Sé. Catedral de Lamego, pelas 11h. O seu funeral realiza-se em Tendais, concelho de Cinfães, pelas 17h.

Ao D. António Francisco deixo os meus sinceros pêsames e a cereza das minhas orações.

4.8.09

S. João Maria Vianney

Na Carta com que convocou o Ano Sacerdotal, o Santo Padre Bento XVI colocou S. João Maria Vianney como modelo para os sacerdotes.

O seu amor pelos pobres e mais carenciados, o seu amor pela Eucaristia, a disponibilidade para atender as pessoas, a sua intensa vida de oração e o seu espírito de penitência continuam a ser, ainda hoje, o caminho privilegiado para a santidade dos sacerdotes.