31.7.09

O virus da Gripe A é anticlerical

Por Pe. Gonçalo Portocarrero Almada (Via Pe. João António, Mansidão)

A nota pastoral relativa aos cuidados a ter nas celebrações litúrgicas, por causa do vírus da gripe A, deu-me que pensar. Não sendo um documento de natureza científica, nunca supus que pudesse revelar a natureza do terrível vírus H1N1, mas a verdade é que esse texto esclarece definitivamente a sua maléfica estirpe.
É significativo que não se desaconselham determinados comportamentos em geral, mas apenas nas celebrações litúrgicas. Tendo em conta que a moderna concepção da caridade cristã pugna sobretudo pela imunidade pessoal e, só depois, pelo amor ao próximo, era de esperar que os pais católicos fossem impedidos de beijar os seus filhos, mas nenhum zeloso pastor veio ainda proibir que os imprudentes progenitores osculem a sua extremosa prole, a não ser que o façam na Missa.

Também seria de supor que os noivos fossem impedidos de se beijarem, mas também não consta que nenhum pároco tenha, até à data, imposto este higiénico impedimento matrimonial, excepto durante a Eucaristia. Mesmo em lugares muito frequentados, como pode ser o caso das estâncias balneares, das discotecas ou dos centros comerciais, os católicos, ao que parece, não correm qualquer perigo de contágio pois, em caso contrário, tais ambientes teriam sido desaconselhados pela sua ASAE confessional.
Estes exemplos bastam para que se possa retirar uma importante conclusão científica: o vírus da gripe A só exerce a sua perniciosa acção nas igrejas. Ou seja, é um vírus tipicamente anticlerical: daí o A que o distingue de todas as outras gripes, que são menos beatas, na medida em que também frequentam ambientes laicais; mais ecuménicas, porque também atacam fiéis de outras crenças; e até mesmo mais politicamente correctas porque, contagiando também ateus e agnósticos, provam que não discriminam as suas vítimas por razões religiosas.
Assim sendo, temo que o vírus H1N1 não seja apenas anticlerical, mas demoníaco, talvez até a expressão viral do Anticristo (que, por estranha coincidência, também tem por inicial a primeira letra do alfabeto…). De facto, este vírus não incomoda os cristãos que não se benzem com água benta, nem os que não dão o abraço da paz aos seus irmãos, nem comungam, mas apenas aqueles que, por serem mais piedosos e caridosos, humedecem os dedos com que fazem o sinal da Cruz, expressam com o ósculo a autenticidade da sua caridade e, porque estão na graça de Deus, estão aptos para receberem a sagrada comunhão. Portanto, não só é um vírus que age nas igrejas como preferencialmente atinge os fiéis que mais rezam e frequentam os sacramentos! Se isto não é diabólico, confesso que não sei o que é!
Sendo esta a natureza do nefando vírus, há que concluir que o princípio activo susceptível de o debelar não é nenhum Tamiflu farmacêutico, mas um exorcismo, que é a resposta eclesial contra as investidas do maligno. Sendo pastoral a nota que o anatematiza, era de esperar que se recomendassem meios espirituais e não apenas medidas da mais prosaica higiene, em que a Igreja Católica não parece particularmente competente, visto que já o seu Mestre não só foi acusado pelos seus contemporâneos de omitir as abluções rituais que os fariseus, pelo contrário, não dispensavam, como também tocava em leprosos e outros doentes, sem depois proceder à conveniente desinfecção.
Importa ainda expressar a mais profunda indignação pelo facto do Papa Bento XVI, não satisfeito com a sua gritante insensibilidade na questão do preservativo, insistir em promover comportamentos de risco, pois, como é sabido, só dá a comunhão aos fiéis que, ajoelhados, a recebam na boca. É caso para lamentar que a Santa Sé não esteja sujeita à pastoral da saúde da nossa terrinha. Mentes mais afoitas na teoria da conspiração, talvez não desdenhem a hipótese de algum acordo secreto entre o Vaticano e as funerárias, pois só assim se explicaria a inconsciência de um tão criminoso procedimento litúrgico que, como é óbvio, atenta contra a vida e a saúde de milhões de fiéis.
Gonçalo Portocarrero de Almada

30.7.09

200 por 1


Faz hoje 4 anos que fui ordenado sacerdote. Um dom imenso de Deus!

Obrigado, Senhor, porque não fui eu que te escolhi: foste Tu que me escolheste, apesar das minhas misérias e pecados.

Ao longo da minha vida, já recebi 200 por 1. E novamente Te repito: "Vultum tuum, Domine, requiram", o Teu rosto, Senhor, eu procuro.

29.7.09

150 anos do nascimento do Pe. Cruz


Faz hoje 150 anos que nasceu o Rev. Sr. Pe. Cruz.

«Francisco Rodigues da Cruz, quarto filho de Manuel da Cruz e de D. Catarina de Oliveira Cruz, nasceu em Alcochete, no dia 29 de Julho de 1859, dia em que a liturgia festeja Santa Marta, que Francisco imitará no zelo incansável da sua vida activa ao serviço do Senhor, embora imite também Maria, na vida de amor e união com Deus. O Pe. Francisco Cruz nasceu uma semana antes da morte de S. João Maria Vianney, falecido a 4 de Agosto mas que fica de cama a 29 de Julho precisamente.
Deus não quis apagar uma luz sem deixar outra acesa.
Se S. João Maria Vianney foi portador de luz no pós revolução francêsa, o Pe. Cruz foi portador de luz nos tempos conturbados da perseguição repúblicana em Portugal.
Se S. João Maria Vianney prepara a França para as aparições de Nossa Senhora de Lourdes, o Pe. Cruz prepara e «confirma» as aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Dois sacerdotes apaixonados por Jesus, com profundo amor aos pobres, aos mais pequenos, incansaveis na pregação, zelosos na salvação das almas, em continua oração. Em cujas vidas a graça de Deus toca cada coração com quem se encontram.
Se em França milhares de peregrinos vão até Ars, paróquia de S. João Maria Vianney, em Portugal o Pe. Cruz vai ao encontro de milhares de pessoas fazendo-se peregrino.»

(Recebido por mail)

21.7.09

A Igreja e a Gripe A

A Pastoral da Saúde dirigiu a todos os sacerdotes um ofício com Orientações para as Comunidades Cristãs. O ofício, com recomendações específicas, não só em matéria de higiene, mas também em matéria litúrgica, tem uma versão original (datada de 15 de Julho), à qual foi acrescentado uma Nota.

Esta Nota que foi acrescentada deve-se ao comunicado contundente do Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, publicado a 17 de Julho, no site do Patriarcado e, posteriormente, reproduzido na Agência Ecclesia e demais órgãos de informação.

O que está em causa não é quem é a autoridade competente para dar normas litúrgicas, mas sim que todos devemos colaborar para que a gripe A, já de per si, altamente contagiosa, não assuma proporções maiores do que aquelas que inevitavelmente vai ter.

É, por outro lado, necessário ter em conta que, a Pastoral da Saúde emite as Orientações dentro de um contexto muito diferente daquele que vive o interior. Em Lisboa, a realidade da Gripe A aparece muito mais dramática do que no interior. Por isso, em concreto nos meios rurais, não se torna imperativo pedir às pessoas que comunguem na mão, ou abolir o rito da paz (algo que, vários sacerdotes, até já faziam antes deste surto de gripe).

Se a comunhão é dada sem pressas, com dignidade e com o cuidado necessário (usando, por exemplo, hóstias um pouco maiores), não há um maior risco de contágio se a comunhão for dada na mão ou na boca. Aliás, o exemplo do Papa, que dá a comunhão aos fiéis estando estes de joelhos leva a que a comunhão seja dada com menos pressa e numa posição mais cómoda ao celebrante.

Além disso, torna-se necessário referir que, as assembleias de culto são locais muito menos perigosos do que outros tipos de reunião de pessoas (como possam ser as festas populares, eventos desportivos, etc.) para a propagação da doença. Pelo que, é consequente que, quem apoia estas orientações da Pastoral da Saúde também recomende aos namorados e casados que não se beijem, aos jovens que tenham uma conduta de respeito pela virtude da pureza e que sejam evitados todos os comportamentos de infidelidade conjugal.

7.7.09

Justiça e caridade

«Ubi societas, ibi ius: cada sociedade elabora um sistema próprio de justiça. A caridade supera a justiça, porque amar é dar, oferecer ao outro do que é « meu »; mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro o que é « dele », o que lhe pertence em razão do seu ser e do seu agir. Não posso « dar » ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça. Quem ama os outros com caridade é, antes de mais nada, justo para com eles. A justiça não só não é alheia à caridade, não só não é um caminho alternativo ou paralelo à caridade, mas é « inseparável da caridade »[1], é-lhe intrínseca. A justiça é o primeiro caminho da caridade ou, como chegou a dizer Paulo VI, « a medida mínima » dela[2], parte integrante daquele amor « por acções e em verdade » (1 Jo 3, 18) a que nos exorta o apóstolo João. Por um lado, a caridade exige a justiça: o reconhecimento e o respeito dos legítimos direitos dos indivíduos e dos povos. Aquela empenha-se na construção da « cidade do homem » segundo o direito e a justiça. Por outro, a caridade supera a justiça e completa-a com a lógica do dom e do perdão[3]. A « cidade do homem » não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo.»

Bento XVI, Caritas in veritate, 2009.06.29, n. 6