1.6.09

«Não há católicos progressistas... Há católicos.»


Cada vez que surge um tema fracturante na sociedade (aborto, eutanásia, utilização de meios contraceptivos, educação sexual, casamento homossexuais, etc.) surgem logo na praça pública uma série de católicos auto-intitulados de “progressistas”, julgando e contraditando as opiniões dos bafientos católicos conservadores. As ideias por si defendidas − objectivamente contrárias à doutrina da Igreja – surgem com uma áurea de atractivo modernismo, criando uma imagem (falsa) progressista dos seus protagonistas.

A comunicação social, sedenta de controvérsia e de alvoroço, oferece habitualmente uma enorme projecção mediática a este tipo de declarações. É frequente ouvirem-se tolices como: “Eu sou católico, mas sou a favor da despenalização do aborto”. “ Eu sou católica, mas entendo que o casamento até ao fim da vida é coisa do passado”. “ A Igreja católica tem de mudar as suas posições relativamente à homossexualidade, caso contrário não consegue captar os mais jovens”. Os exemplos seriam infindáveis. Infelizmente, na maioria dos casos, os protagonistas destas declarações são figuras públicas, respeitadas e ouvidas pelos seus doutos conhecimentos em outras áreas do saber, o que torna mais grave o seu comportamento.

Vivemos em democracia, por conseguinte, todos são livres de dizer o que pensam (ainda que sejam disparates). Mas afinal quais são as consequências destas declarações públicas? Confusão. As pessoas ficam confundidas sobre estas matérias, achando que se trata de uma questão de teimosia, de uma atitude retrógrada e que o pensamento moderno obriga a que a Igreja adopte novas ideias, mais consentâneas com a realidade actual. Deste modo, a doutrina da Igreja é reduzida a um conjunto de pensamentos voláteis, passíveis de serem contraditados, negando-se que neles exista a Verdade de Deus.

Em síntese, é preciso afirmar com clareza de que não há católicos conservadores e católicos progressistas, há católicos. E esses católicos devem não apenas respeitar, como procurar ser coerentes com a doutrina da Igreja. De outro modo, é inadequado e abusivo auto-intitularem-se como “católicos”, gerando confusão nas pessoas menos esclarecidas.

Miguel Alvim, in O Inimputável (texto completo aqui>>)