25.6.09

Eu, pecador, me confesso...


Ao longo do ano, há momentos litúrgicos fortes que levam um sacerdote a convidar com mais intensidade os fiéis a aproximarem-se do Sacramento da Reconciliação.

Admiro sinceramente os meus irmãos no sacerdócio: a sua coragem, tenacidade, generosidade. Entre os sacerdotes, há verdadeiros heróis, que consomem todas as suas forças para anunciarem o Evangelho, para estarem ao lado dos mais pobres e marginalizados, pela disponibilidade que demonstram para acolherem a todos, com os quais têm uma palavra amiga, de compreensão.

No entanto, é muito cómodo olhar a Confissão e pensar que só serve para os outros, que um sacerdote só precisa de longe a longe. Pessoalmente, olho para a minha vida e, ao lado de umas poucas coisas boas, vejo tantas misérias, tantas faltas de generosidade e de correspondência... Por isso, não tenho qualquer repugnância em dizer que todas as semanas me confesso. A confissão semanal ajuda-me a ser mais misericordioso com as faltas dos outros; ajuda-me a manter viva a minha luta pessoal por não voltar a ofender mais a Nosso Senhor, por procurar que a minha vida seja o mais transparente possível para que os outros, em mim, possam ver a luz de Cristo. Sei que voltarei a pecar, que O voltarei a ofender, não por maldade, mas por miséria e fraqueza. No entanto, desde há vários anos, que me servem de lição as palavras do Santo Cura d'Ars, referidas pelo Santo Padre Bento XVI na última carta que dirigiu aos sacerdotes: «O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e todavia perdoa-vos. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até ao ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!»

Não pretendo dar lições a quem quer que seja. Mas, se neste Ano Sacerdotal, nós, sacerdotes, redescobríssemos o valor da Confissão também para nós, estaríamos em melhores condições para ajudar todos os fiéis a amar mais a Jesus Cristo.