17.4.09

Legalismos & Companhia

Um dos aspectos mais marcantes na vida de Jesus Cristo é a sua obediência: "obedecendo até à morte e morte de cruz" (Fil 2, 8).
Mas a que obedeceu Cristo: a uma lei? Não, a uma Pessoa: ao Pai.

O próprio Jesus Cristo, sendo Deus, quis submeter-se à obediência dos homens: "Tudo o que ligares na terra, será ligado no Céu e tudo o que desligares na terra, sera desligado no Céu." (Mt 16, 19).

Por isso, a nossa obediência, como membros da Igreja, não é a uma lei, mas sim a uma autoridade, à autoridade que promulga uma certa lei.

Um exemplo concreto é o Código de Direito Canónico: a autoridade que o promulgou foi o Santo Padre, com um acto solene: "Confiando, pois, no auxílio da graça divina, sustentados pela autoridade dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, com plena
ciência e acolhendo os votos dos Bispos de todo o mundo, que com afecto colegial nos prestaram colaboração, com a suprema autoridade de que estamos revestidos, por esta constituição a vigorar para o futuro, promulgamos o presente Código..." (João Paulo II, Sacrae disciplinae legis, 1983.01.25).

O legalismo é um perigo, um extremo, no qual qualquer um pode cair e que deve ser evitado a todo o custo. A obediência, ou é por amor, ou é inútil e nociva. Mas tem-se tornado um hábito rotular alguém como legalista só porque segue as indicações do magistério e procura ser fiel àquilo que a Igreja pede aos seus membros.

O perigo oposto ao legalismo, é o arbítrio. Numa sociedade onde não há leis e onde se torna frequente a crítica, o desrespeito e a ignorância das leis que a regulam, torna-se lei o arbítrio. Quando se ignora a lei estabelecida, o administrador corre o risco de se tornar também legislador.

É verdade que não é a lei que nos salva: é a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos chega através dos sacramentos. Mas se foi o próprio Jesus Cristo que quis obedecer aos homens, torna-se ainda mais urgente pensar porque é que os homens não obedecem a Deus.