30.4.09

Vocações

Vocação de S. Mateus, de Caravaggio

29.4.09

O jardim da nossa alma

Ele não podia deixar escapar esta oportunidade. Finalmente tinha encontrado o que procurara com tanto empenho. O preço era fantástico e a casa estava em boas condições. O jardim abandonado fê-lo sonhar com um trabalho que muito o repousava. Tinha aprendido, desde pequeno, que cuidar das plantas era o mesmo que descansar. Sempre desejara viver numa casa com jardim, por muito pequeno que ele fosse. Logo que pôde, começou a trabalhar. Transformou aquele monte de mato, de pedras e de espinhos num pequeno “oásis”. Que gosto lhe deu esse trabalho! É verdade que tinha demorado o seu tempo. Mas também é verdade que tudo o que vale a pena nesta vida só se consegue com uma generosa dedicação de esforço e de tempo.

Certo dia, enquanto trabalhava na manutenção do seu jardim, passou pela rua uma senhora. Parou e pôs-se a olhar atentamente para as diversas plantas. Enquanto olhava, saiu-lhe um comentário como um suspiro: «Que maravilha! Que coisas tão bonitas faz Deus!». Ao ouvir isto, o “jardineiro” não conteve uma observação que, naquele momento, lhe pareceu muito oportuna: «A senhora devia ter visto o aspecto do jardim quando era Ele quem cuidava disto sozinho».

É verdade que Deus faz coisas maravilhosas na nossa vida. Mas também é verdade que Ele conta com a nossa colaboração. Ele deseja que o jardim da nossa alma esteja sempre belo e limpo, e dá-nos todas as ajudas necessárias para que isso seja possível. Mas se nós não colaborarmos, respeita a nossa decisão. Se fizesse o contrário, passaria por cima de um dom que foi Ele próprio quem nos deu: a liberdade. Por isso, se o jardim da nossa alma está sujo e desleixado, não podemos dizer que a culpa é de Deus. Nem podemos dizer que, ao contrário das outras pessoas, nós não temos jeito para cuidar dele.

Nos dias de hoje, existe um paradoxo muito grande em relação ao modo como se entende a liberdade. Por um lado, exalta-se este dom como se fosse algo absoluto e sem limites. Algo que permite ao homem fazer tudo aquilo que lhe apetece sem que ninguém o possa limitar. Por outro lado, custa a muitas pessoas aceitar a verdade evidente de que, porque somos livres, somos também responsáveis. Somos donos do nosso destino, tanto para o bem como para o mal. É verdade que a liberdade não é absoluta e está condicionada por muitos factores. Mas também é verdade que ela continua a ser uma liberdade real.

Por isso, negar a existência de dois destinos eternos diferentes – em nome da Bondade infinita de Deus – é, na prática, negar a existência da liberdade. É verdade que Deus quer que todos os homens se salvem – mas Deus criou o homem livre e responsável. Portanto, é o próprio homem quem, com plena autonomia, se exclui voluntariamente da salvação de Deus. Se persistir assim até ao fim, Deus respeitará a sua decisão.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

27.4.09

Jornadas sobre questões pastorais em Enxomil

No dia de hoje, realizaram-se as XIII Jornadas sobre questões pastorais, no Centro de Convívios de Enxomil, em Arcozelo, Vila Nova de Gaia, sobre o tema: "A expressão social da fé cristã".

O primeiro orador foi o Sr. D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que proferiu uma brilhante conferência cujo tema era: “Relações Igreja-Estado: Lições do passado e desafios do presente”. Começando pelos fundamentos bíblicos da atitude dos cristãos perante as autoridades civis, D. Manuel Clemente frisou as ideias chaves das relações Igreja Estado ao longo da bimilenar história da Igreja.

Na parte da tarde, a segunda conferência esteve a cargo do Dr. Raul Diniz, Presidente da AESE, que falou sobre "Cristãos na sociedade". Fazendo referências à actual crise financeira, o conferencista referiu-se à iminente encíclica sobre temas sociais que o Santa Padre Bento XVI irá publicar. Foi ainda muito marcante ouvir como a doutrina social da Igreja, sem indicar soluções concretas para a actual crise económica, pode ajudar a formar as pessoas para aquela ética que é necessária nas relações económicas e sociais.

No Centro de Convívios de Enxomil realizam-se há mais de 50 anos, sob a orientação espiritual da Prelatura do Opus Dei, convívios, retiros e encontros pastorais para todo o tipo de pessoas. Estas Jornadas de Questões Pastorais oferecem aos sacerdotes uma oportunidade de convívio e diálogo interdiocesano para confronto e enriquecimento das próprias experiências

26.4.09

Nota da Conferência Episcopal Portuguesa sobre as próximas eleições

Em todas as eleições, como na acção política normal, o critério fundamental deve ser a pessoa humana concreta, servida e respeitada na sua dignidade e direitos. Assim poderá satisfazer também os seus deveres. É este respeito e cuidado que permite realizar a humanização da sociedade.

Ninguém deve esperar que um programa político seja uma espécie de catecismo do seu credo, mas um modo de compromisso para a solução dos problemas do país. Neste sentido, enumeramos alguns critérios que consideramos importantes para escolher quem possa melhor contribuir para a dignificação da pessoa e a realização do bem comum:

– promoção dos Direitos Humanos;

– defesa e protecção da instituição familiar, fundada na complementaridade homem mulher;

– respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas e a protecção dos mais débeis;

– procura de solução para as situações sociais mais graves: direito ao trabalho, protecção dos desempregados, futuro dos jovens, igualdade de direitos e melhor acesso aos mesmos por parte das zonas mais depauperadas do interior, segurança das pessoas e bens, situação dos imigrantes e das minorias;

– combate à corrupção, ao inquinamento de pessoas e ambientes, por via de alguma comunicação social;

– atenção às carências no campo da saúde e ao exercício da justiça;

– respeito pelo princípio da subsidiariedade e apreço pela iniciativa pessoal e privada e pelo trabalho das instituições emanadas da sociedade civil, nomeadamente quando actuam no campo da educação e da solidariedade…

O eleitor cristão não pode trair a sua consciência no acto de votar. Os valores morais radicados na fé não podem separar se da vida familiar, social e política, mas devem encarnar se em todas as dimensões da vida humana. As opções políticas dos católicos devem ser tomadas de harmonia com os valores do Evangelho, sendo coerentes com a sua fé vivida na comunidade da Igreja, tanto quando elegem como quando são eleitos.

Conferência Episcopal Portuguesa, 2009.04.23

Texto completo aqui>>

Os Leigos (II)

«Os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e activa naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra (112). Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7).

Além deste apostolado, que diz respeito a todos os fiéis, os leigos podem ainda ser chamados, por diversos modos, a uma colaboração mais imediata no apostolado da Hierarquia 3, à semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o apóstolo Paulo no Evangelho, trabalhando muito no Senhor (cfr. Fil. 4,3; Rom. 16,3 ss.). Têm ainda a capacidade de ser chamados pela Hierarquia a exercer certos cargos eclesiásticos, com finalidade espiritual.»


Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, n. 33

É interessante notar que o texto do Concílio, ao referir-se aos leigos, diz, em primeiro lugar, que eles têm como missão serem evangelizadores naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles a Igreja pode ser sal da terra.

Por isso, a primeira e principal missão de todos os leigos não é serem leitores, acólitos ou diáconos permanentes. A missão de todos é santificarem o mundo do trabalho, das relações sociais, da família e do lazer com o seu testemunho de vida coerente.

Além disso, alguns leigos terão, concerteza, apetência, gosto e o carisma de colaborarem em tarefas eminentemente eclesiais: na administração das paróquias, das dioceses, de outros entes eclesiais; no assumir tarefas litúrgicas e de condução de comunidades, etc.

Os Leigos

As últimas Jornadas promovidas pelo Instituto Superior de Direito Canónico tiveram como tema: "Os leigos e a corresponsabilidade na Igreja".

Houve conferências realmente interessantes. Entre os dados mais salientes, destaca-se a conclusão que já há muitos leigos a colaborar em Tribunais Eclesiásticos, seja como oficiais do Tribunal (Juízes, Defensores do Vínculo, Promotores de Justiça e Notários), seja como advogados.

Além disso, foi muito enriquecedor constatar o interesse de tantos leigos pelas temáticas do Direito Canónico.

Parabéns ao Instituto Superior de Direito Canónico por mais esta iniciativa.

24.4.09

"O fiel-cristão leigo...

... é o homem da Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja".

(Autor brasileiro do qual desconheço o nome)

23.4.09

Jornadas de Direito Canónico

De hoje a sábado decorrem, na Casa de N. S. das Dores, em Fátima, mais umas Jornadas de Direito Canónico, prmovidas pelo Instituto Superior de Direito Canónico da Universidade Católica Portuguesa.

As Jornadas deste ano têm, como tema, "Os leigos e a corresponsabilidade na Igreja". Entre os conferencistas, destacam-se o D. António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro, que fará a conferência de abertura, e o Prof. Doutor João César das Neves, que tratará o tema "A intervenção cultural e social dos leigos em Portugal".

20.4.09

Vencedores do VI Festival Jovem Diocesano da Canção Religiosa

A Associação de Guias e Escuteiros da Europa, da qual fazem parte os escuteiros e as guias de Pendilhe, ganhou o primeiro lugar no VI Festival Jovem Diocesano da Canção Religiosa, que se realizou no sábado passado em Lamego, no Teatro Ribeiro da Conceição.

A música vencedora tinha letra de Dulce Santos e música de Marcos Mendes, e o título: "Quando acreditares".

Além do primeiro prémio, também ganharam o prémio para a melhor música.

Parabéns à Associação!

Imagem gentilmente enviada por Dulce Santos

19.4.09

S. Nuno de Santa Maria


Biografia do Santo Condestável>>

Pontificado de Bento XVI


Na sua primeira mensagem aos Cardeais que o elegeram, o Papa Bento XVI referia: "A Igreja de hoje deve reavivar em si mesma a consciência da tarefa de repropor ao mundo a voz d'Aquele que disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8, 12). Ao empreender o seu ministério o novo Papa sabe que a sua tarefa é fazer resplandecer aos olhos dos homens e das mulheres de hoje a luz de Cristo: não a sua, mas a verdadeira luz do próprio Cristo." (Aqui>>)

Ao longo destes quatro anos, tem sido essa a sua constante. Penso que um dos aspectos mais eloquentes deste Pontificado sejam as homilias. O Papa, à maneira dos Padres da Igreja, tem a enorme capacidade de explicar as realidades mais profundas com palavras simples.

A comunicação social, ao longo do dia de hoje, não consegue sair dos temas do costume, e não conseguem, nem descobrir, nem mostrar, a grande riqueza deste Pontificado. O Papa é a grande prova que a eficácia não provém da notoriedade, mas sim da fidelidade a Cristo.

17.4.09

S. Nuno de Santa Maria


Aproxima-se a canonização do Santo Condestável. A sua é uma vida heróica e é reconhecida pela extensão da sua intercessão a toda a Igreja.

O grupo contestatário do costume fez ouvir a sua voz, amplificada por uma parte da comunicação social, ridicularizando o milagre, empobrecendo a figura do Santo e ofendendo a Igreja.

D. Carlos Azevedo responde a essas críticas num jornal de hoje. O artigo pode encontrar-se AQUI>>

Legalismos & Companhia

Um dos aspectos mais marcantes na vida de Jesus Cristo é a sua obediência: "obedecendo até à morte e morte de cruz" (Fil 2, 8).
Mas a que obedeceu Cristo: a uma lei? Não, a uma Pessoa: ao Pai.

O próprio Jesus Cristo, sendo Deus, quis submeter-se à obediência dos homens: "Tudo o que ligares na terra, será ligado no Céu e tudo o que desligares na terra, sera desligado no Céu." (Mt 16, 19).

Por isso, a nossa obediência, como membros da Igreja, não é a uma lei, mas sim a uma autoridade, à autoridade que promulga uma certa lei.

Um exemplo concreto é o Código de Direito Canónico: a autoridade que o promulgou foi o Santo Padre, com um acto solene: "Confiando, pois, no auxílio da graça divina, sustentados pela autoridade dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, com plena
ciência e acolhendo os votos dos Bispos de todo o mundo, que com afecto colegial nos prestaram colaboração, com a suprema autoridade de que estamos revestidos, por esta constituição a vigorar para o futuro, promulgamos o presente Código..." (João Paulo II, Sacrae disciplinae legis, 1983.01.25).

O legalismo é um perigo, um extremo, no qual qualquer um pode cair e que deve ser evitado a todo o custo. A obediência, ou é por amor, ou é inútil e nociva. Mas tem-se tornado um hábito rotular alguém como legalista só porque segue as indicações do magistério e procura ser fiel àquilo que a Igreja pede aos seus membros.

O perigo oposto ao legalismo, é o arbítrio. Numa sociedade onde não há leis e onde se torna frequente a crítica, o desrespeito e a ignorância das leis que a regulam, torna-se lei o arbítrio. Quando se ignora a lei estabelecida, o administrador corre o risco de se tornar também legislador.

É verdade que não é a lei que nos salva: é a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos chega através dos sacramentos. Mas se foi o próprio Jesus Cristo que quis obedecer aos homens, torna-se ainda mais urgente pensar porque é que os homens não obedecem a Deus.

16.4.09

Parabéns, Santo Padre


No dia 16 de Abril, o Santo Padre celebra o seu aniversário. Parabéns, Santo Padre!

14.4.09

Solidão


«O Papa não é secretário-geral ou presidente de um partido e, muito menos, um inspirador de facção. Ratzinger não foi propriamente escolhido para "agradar" ao mundo. Como Jesus, ao Papa compete pregar o óbvio, isto é, a Palavra do Ressuscitado: «tende confiança, eu venci o mundo.»

Ninguém esteve tão sozinho no dia da Paixão - naquela sexta-feira em que se consumou o escândalo da Cruz - como o Filho do Homem. Ninguém foi tão desprezado e humilhado publicamente e ninguém, como Ele, uniu, naquele inexplicável momento de dor e redenção, a sua esperança desesperada ao desespero da humanidade vazia.»

João Gonçalves, in Portugal dos Pequeninos, 2009.10.04

13.4.09

Cristo ressuscitou


O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Cristo está vivo e pode ser encontrado na sua Igreja, na Eucaristia, na caridade dos cristãos.

O sepulcro está vazio para sempre. Cristo ressuscitou.