22.3.09

Viagem do Santo Padre a África


Na viagem de Itália para os Camarões, na habitual conversa com os jornalistas, foi feita uma pergunta ao Papa sobre os métodos de combate à Sida. O Santo Padre responde:

"Penso que a realidade mais eficiente, mais presente, mais forte na luta contra a SIDA seja justamente a Igreja Católica, com os seus movimentos, com as suas diversas realidades. Penso na Comunidade de Santo Egídio, que faz muito – visivelmente e também invisivelmente – na luta contra a SIDA, nos Camilianos, em todas as freiras que estão à disposição dos doentes…

Diria que não se pode superar este problema da SIDA somente com o dinheiro. Ele é necessário, mas se não há alma que o saiba aplicar, não ajuda; não se pode superar com a distribuição de preservativos: pelo contrário, aumentam o problema.
A solução é dúplice: a primeira, uma humanização da sexualidade, ou seja, uma renovação espiritual e humana que traga consigo um novo modo de comportar-se um com o outro; a segunda, uma verdadeira amizade, sobretudo, com as pessoas sofredoras, uma disponibilidade, também com sacrifícios, com renúncias pessoais, para estar com os sofredores. E estes são os factores que ajudam e que trazem consigo verdadeiros e visíveis progressos.

Por isso, diria que esta nossa dúplice força de renovar o homem interiormente, de dar-lhe força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os sofredores, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me a resposta justa, e a Igreja faz isso e, assim, oferece uma grande e importante contribuição. Agradecemos a todos aqueles que o fazem."

Bento XVI

A comunicação social pegou numa parte das palavras do Papa e distorceu-as. Houve as mais variadas reacções contrárias às reacções do Santo Padre.

No entanto, houve também muita gente a apoiar o Papa. Gostava de salientar duas:

"O mais preocupante é ver a insuspeita quantidade de especialistas em teologia e história eclesial que logo se ergue nas rádios e nos jornais, como se fossem católicos de ir à missa e se importassem muito com os pobres que morrem de sida. O ideal, para estes cavalheiros, seria um Papa que defendesse o aborto, o sexo com animais e a distribuição de preservativos nas escolas. Isso sim, seria moderno, fracturante e capaz de chamar fiéis. Fiéis – não se sabe a quê."
Francisco José Viegas, aqui>>


"Claro que o preservativo não é uma solução eficaz para lidar com o problema da sida, e só o agrava. A única solução eficaz é a abstinência sexual envolvendo pessoas com sida, ou suspeitas de a ter. Não existe outra. O preservativo pode evitar o contágio numa relação sexual - e o Papa não nega isso -, mas encorajando e promovendo uma cultura de promiscuidade sexual, a prazo vai contribuir para aumentar a sida, não para a diminuir.
Pedro Arroja, aqui>>