20.11.09

O que pensa a Igreja sobre o casamento homossexual?


A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.

Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, n. 11

Vale a pena ler este Documento na íntegra. Apresenta uma exposição objectiva sobre o que a Igreja pensa sobre o tema da homossexualidade e da união entre pessoas do mesmo sexo.

19.11.09

O Magistério é a luz da Teologia

«O Magistério não é um entrave à Teologia. Pelo contrário, é o seu aliado, o seu interlocutor e, por assim dizer, a sua luz.

A Teologia é um serviço fundamental na Igreja, mas ela própria sabe que o carisma da interpretação válida da Revelação foi confiado a Pedro e aos Apóstolos em união com Pedro.

Em causa não está, pois, o poder ou a influência. Em causa está a fé. É aqui, aliás, que Joseph Ratzinger encontra a distinção entre Ciência da Religião e Teologia. Enquanto aquela se norteia prioritariamente pela razão, esta guia-se sempre pela fé.

E é na fé que encontramos explicação para tudo. Especialmente para o que desponta como (humanamente) inexplicável.»

Cón. Doutor João António Pinheiro, in Douro Hoje, 2009.11.19

Alegações em defesa do matrimónio natural

Estamos em pleno debate sobre o "casamento" homossexual. É mais uma oportunidade para formar as pessoas sobre o verdadeiro significado do matrimónio.

Nesse sentido, esta conferência do P. Doutor Gonçalo Portocarrero de Almada pode ser muito esclarecedora.

(Via Logos)

16.11.09

Requiem - Algumas dicas para o meu funeral

«Reverendíssimo Senhor Padre

Fico-lhe muito grato por celebrar as minhas exéquias e peço-lhe desde já que me desculpe pelo facto de não me levantar para o cumprimentar, mas a rigidez do meu cadáver não me consente essa deferência para com V. Revª. Quero crer que, depois da ressurreição dos mortos, o possa fazer, retribuindo então a gentileza desta celebração exequial.

Como sabe, não foi escolhido por ser o meu mais estimado irmão no sacerdócio mas, pelo contrário, por ser aquele que menos me apreciava e por isso também o que melhor me conhecia e aquele com quem eu mais concordava. Quis assim evitar a tolice, hoje muito em voga, do elogio fúnebre que, para além de vã, é idolátrica, na medida em que transfere para a criatura o louvor que é devido ao Criador. Não permita pois, Senhor Padre, que se profane a celebração litúrgica com evocações de familiares e amigos. Esse «culto dos mortos» é uma reminiscência pagã que não tem cabimento numa liturgia cristã, que é única e exclusivamente a celebração do Deus vivo. Peça-lhes antes que me perdoem as minhas muitas faltas e que sufraguem a minha alma, sobretudo mandando celebrar o Santo Sacrifício do Altar por todas as almas do purgatório.

Ao contrário dos que presumem a entrada imediata no Céu e, por isso, dispensam as orações pelos fiéis defuntos, tenho consciência de que só pela misericórdia de Deus me poderá ser concedida a graça de uma posterior purificação, que poderá ser abreviada com as orações, sacrifícios e indulgências de quem tiver por bem rezar pela minha alma. Bem hajam!

Não quero outras flores que as que ornamentem o Sacrário ou as que se coloquem aos pés de Nossa Senhora. Não quero luto, nem lágrimas, não quero gravatas pretas nem vestes sombrias, porque sei que não me aguarda um Juiz impiedoso, mas um Pai pródigo em amor e rico em misericórdia. É n’Ele que eu espero e é para Ele que, pela sua graça, eu vou, com a antecipada alegria de um encontro ardentemente desejado.

Queria ainda pedir-lhe um favor: não fale da morte porque, como sabe melhor do que eu, a morte não existe para um cristão. Fale da vida e da Vida: da etapa terrena da existência humana e da sua dimensão definitiva, na eternidade de Deus. Sim, fale sobretudo de Deus: quanto tempo se perde a falar do que não é nada e que pouco o tempo para pregar Aquele que é tudo!

Permita-me ainda uma última recomendação: se alguém lhe perguntar de quem é o corpo a que se vai dar cristã sepultura, até que seja chegado o momento do juízo final e da ressurreição da carne, em que firmemente creio, diga apenas que este meu corpo que aí jaz mais não é do que a mortalha de um pobre pecador, de um padre qualquer que amava apaixonadamente Cristo e a sua Igreja e que pede a esse seu irmão na fé a esmola de uma oração.

Pela mesma razão já acima invocada, ainda não é desta que beijo a mão de Vossa Reverência, de quem sou, muito grato e obrigado,

P. Gonçalo Portocarrero de Almada»

Via Infovitae

9.11.09

Constituição Apostólica sobre Grupos Anglicanos

Foi hoje publicada a Constituição Apostólica "Anglicanorum coetibus", com as normas relativas à admissão, na Igreja Católica, das comunidades anglicanas que desejarem entrar em plena comunhão com o Sucessor de S. Pedro.

Esta constituição não é o fim, mas sim o início de um percurso de fé e de esperança; é o culminar de um processo de conversações, mas é o princípio de um caminho que trará de volta a casa um elevado número de fiéis que reconhecem, na Igreja católica, a sua verdadeira casa.

Além da constituição, foram também publicadas umas Normas complementares sobre o funcionamento dos Ordinariatos pessoais, que são a figura jurídica escolhida pelo Santo Padre para acolher aqueles que desejam voltar à comunhão com a Igreja Católica.

27.10.09

Santa Sé abre a porta a anglicanos

Nos últimos anos, grupos de fiéis anglicanos, descontentes com a evolução doutrinal da sua igreja, têm-se aproximado do catolicismo. Respondendo aos seus pedidos, a Santa Sé anunciou a criação de novas estruturas eclesiásticas nas quais poderão integrar-se colectivamente os que desejam ser católicos, conservando o seu património espiritual específico e com clero próprio.

O anúncio foi feito em conferência de imprensa pelo cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e pelo arcebispo Augustine di Noia, secretário da Congregação para o Culto Divino. A moldura jurídica deste plano será exposta numa Constituição Apostólica que Bento XVI publicará em breve.

Segundo a nota informativa publicada pelo Vaticano, nesta Constituição o Papa cria a estrutura canónica de "Ordinariatos pessoais, que permitirão aos fiéis que tenham sido anglicanos entrar em plena comunhão com a Igreja católica, conservando ao mesmo tempo elementos do património espiritual e litúrgico característicos dos anglicanos". As suas estruturas serão de "algum modo semelhantes às dos Ordinariatos militares, que foram erigidos em tantos países para o atendimento pastoral dos membros das forças armadas e das suas famílias".
Trata-se, pois, de estruturas equivalentes a dioceses não territoriais, para integrar grupo de fiéis ex-anglicanos que partilham algumas tradições litúrgicas e espirituais e que desejam uma "comunhão plena e visível com o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro", segundo explicou Levada.
À frente de cada Ordinariato haverá um bispo, que "normalmente será nomeado entre o clero que tenha sido anglicano". Os fiéis do Ordinariato dependerão do seu prelado e não do bispo diocesano.

No actual Código do Direito Canónico prevê-se outro tipo de entidade não territorial, as prelaturas pessoais, existindo actualmente só uma: o Opus Dei. Mas neste caso, os seus fiéis dependem do bispo do lugar do mesmo modo que os outros fiéis, e só dependem do seu Prelado para os fins apostólicos peculiares da Prelatura.

Poderá haver padres casados

O plano prevê a possibilidade de os padres casados provenientes do anglicanismo serem ordenados como sacerdotes católicos. Esta dispensa do celibato já se aplicou em outras ocasiões para os ex-pastores anglicanos, assim como também existem sacerdotes casados entre católicos de ritos orientais. Contudo, o bispo que esteja à frente de um destes Ordinariatos não poderá ser casado. Segundo explica a nota, "razões históricas e ecuménicas não permitem a ordenação como bispos de homens casados nem na Igreja Católica nem na Ortodoxa".

Para conseguir um equilíbrio entre a conservação do património anglicano e a incorporação destes grupos na Igreja católica, prevê-se que os seminaristas do Ordinariato sejam formados junto com os outros seminaristas católicos, se bem que possa ser aberto um centro de formação que responda às suas necessidades de formação específica.

A Constituição Apostólica que será publicada em breve prevê para receber estes antigos fiéis anglicanos "um único modelo canónico para a Igreja universal, adaptável às situações locais". A nota diz que os ordinariatos serão criados onde forem necessários, consultando os bispos locais.

A pedido de muitos anglicanos

O cardeal Levada quis deixar claro que a criação destas novas estruturas responde ao pedido de vários grupos de anglicanos provenientes de diferentes partes do mundo. "Eles declararam que partilham a fé católica comum, tal como vem no Catecismo da Igreja Católica, e que aceitam o ministério petrino como um elemento querido por Cristo para a Igreja. Para eles chegou o tempo de exprimir tal união implícita numa forma visível de plena comunhão".

A nota recorda que nos últimos tempos algumas igrejas anglicanas romperam com as tradições cristãs comuns ordenando mulheres, mudando o ensino bíblico sobre a sexualidade, ordenado padres declaradamente homossexuais e abençoando as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Ao mesmo tempo, muitos anglicanos entraram na Igreja católica, individualmente e às vezes em grupo, conservando certa estrutura corporativa. A Igreja católica não podia deixar sem resposta estes pedidos.

O diálogo ecuménico vai continuar

Para reafirmar que esta decisão do Vaticano é compatível com a manutenção do diálogo ecuménico com os anglicanos, o arcebispo católico de Westmister, Vicent Nichols, e o arcebispo anglicano de Canterbury, Rowan Williams, assinaram uma declaração comum. Neste gesto pouco habitual explicam que com esta medida se põe fim a um período de incertezas para os anglicanos que queriam abraçar a fé católica. Consideram que a anunciada Constituição Apostólica "é um posterior reconhecimento da coincidência fundamental em fé, doutrina e espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição anglicana". A nota afirma também que este passo teria sido impossível sem o diálogo ecuménico desenvolvido nos últimos quarenta anos, diálogo que vai continuar.

Veremos agora o que se passará com os grupos de anglicanos que, descontentes com a evolução doutrinal dos seus correligionários, se separaram deles. Nos Estados Unidos os episcopalianos tradicionais criaram uma igreja paralela. E em 2008 ocorreu de facto um cisma na Comunhão Anglicana, com a criação da Fellowship of Confessing Anglicans que representa metade da comunhão anglicana (uns 36 milhões de fiéis) e um terço dos bispos, que querem defender a doutrina tradicional.

In Aceprensa

20.10.09

Deixai falar o pobre Saramago

Um pouco de Bíblia, retalhada, cosida e interpretada ao gosto popular, uma pitada de teoria da conspiração, mais a Inquisição, inveja a Roma, anti-papismo primário, insinuações pornográficas, umas manchas de incesto e parricídio, mais histórias de seminário e crimes do Padre Amaro e eis que temos sucesso editorial garantido, de Dan Brown a Saramago. A receita vence desde o século XVIII. As pessoas gostam do sórdido, escaldam de entusiasmo com grandes mentiras, inebriam-se com o apedrejamento de tudo quanto inspire ordem, hierarquia e autoridade.

Espanta-me que muitos ainda se alvorocem com um sub-género que nunca reuniu predicados elementares de integridade, que se repete e daí não sai. Espanta-me também que Saramago, em vez de Caim, não escolhesse a figura de Onan, mais conforme a expectativa de quem o lê.

Tanta indignação contra Saramago e tanta invectiva e desabafo acabam, como pedem as regras do mercado, por atrair clientes. Ora, tenho a certeza absoluta que nove em dez daqueles que compraram o Evangelho segundo Jesus Cristo o não leram e aqueles restantes que o fizeram não compreenderam coisa alguma. A obra é ilegível e deixa de ter piada a partir da segunda página, pois da abolição das regras de pontuação nascem o caos intelectivo, enunciativo e dialógico, que juntos, permitem a fruição de um texto, literário ou não. Mutatis mutandis, escrevam uma receita culinária sem virgulas, pontos finais e parágrafos e provocarão grandes indisposições que terminarão numa consulta de gastroenterologia. Assim é a obra de Saramago, sem tirar.

Depois, Saramago sofre de monomania religiosa, de doença da santidade invertida. Se literariamente é hoje um zero, também não possuiu qualquer autoridade em "Ciências da Bíblia". É um amador e como todos os amadores possui atevimento proporcional à ignorância. Tenho a absoluta certeza que o homem não sabe uma palavra em latim, nunca leu um tratado de apologética e desconhece coisa tão elementar como a Enciclopédia Católica. Depois, por tudo o que vai dizendo - deixai falar um ignorante, pois nunca devemos impedir um tolo de se enredar nas suas próprias palavras - parece confundir Teologia, Bíblia e História Eclesiástica. Se, em vez de o atacarem, o confrontassem com o seu [des]conhecimento, melhor serviço fariam. Infelizmente, parece haver uma lei de ouro nestas lutas sem interesse e sem consequência.

Saramago vai voltar a escrever sobre o tema. Está a queimar inutilmente os últimos dias da sua passagem por esta vida escrevendo coisas votadas ao esquecimento. É uma pena, pois se o Memorial tinha o seu quê de curioso e o Levantados do Chão ecoava o que de humano havia no Neorealejo, estas coisas são, como o foram os panfletos de Oitocentos, mero lixo doméstico.

In Combustões (com a devida vénia ao Autor do texto)

11.10.09

Uma nova missão

A partir de hoje, assumo a paroquialidade de Cujó, no concelho de Castro Daire. Agradeço a Deus mais este dom e ao meu Bispo a confiança que deposita em mim.

A Nossa Senhora da Conceição confio o trabalho ministerial que hoje inicio, implorando ao Seu Filho todas as graças necessárias ao desempenho desta missão.

8.10.09

Comunicação institucional

Por vários motivos, tenho andado a ler artigos sobre a comunicação institucional na Igreja.

Quase por acaso, encontrei uma comunicação do Card. John Foley, Presidente emérito do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, num Congresso organizado pela Pontificia Universidade da Santa Cruz, em Roma.

Na sua intervenção, o Card. Foley afirma que "o primeiro princípio de qualquer comunicação, mas sobretudo da comunicação na Igreja, é nunca, nunca, nunca dizer uma falsidade". E continua: "quando se diz a verdade, não é necessário depois esconder-se; não é necessário de inventar mais mentiras que sejam compatíveis com a anterior. De facto, a verdade torna-nos livres".

A Igreja, continua o Prelado, "tem o dever de ter a certeza que aquilo que diz corresponde à verdade, e de formular os nossos discursos de modo a reflectir com precisão a verdade, evitando a tentação de transmitir rumores ou meras opiniões".

E termina, dizendo, que "o hábito de dizer a verdade é libertador. Quando uma pessoa possui a reputação de dizer a verdade, toda a verdade, e não apenas aquela que lhe convém, quando lhe convém e do modo que convém, cria-se uma maravilhosa atmosfera de confiança, e as pessoas tornam-se mais disponíveis para ouvir o que se lhe comunica, porque têm a certeza que não serão enganadas".

4.10.09

Ordenações diaconais

Hoje, a Igreja fica enriquecida com mais 5 diáconos, que se incardinam na Diocese de Lamego.

Ao André Pereira, ao António Giroto, ao Bernardo Magalhães, ao José Filipe Pereira e ao Tiago Cardoso desejo as maiores felicidades.

Festa de S. Francisco

Hoje a Igreja celebra a Festa de S. Francisco de Assis

São Francisco de Assis, nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, no ano de 1182, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone, gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Sonhou com as glórias militares, procurando desta maneira alcançar o "status" que sua condição exigia, e aos vinte anos, alistou-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo, e em 1206 , aos 24 anos de idade para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa.

Já inteiramente mudado de coração, e a ponto de mudar de vida, passou um dia pela igreja de São Damião, abandonada e quase em ruínas. Levado pelo Espírito, entrou para rezar e se ajoelhou devotamente diante do crucifixo. Tocado por uma sensação insólita, sentiu-se todo transformado. Pouco depois, coisa inaudita, a imagem do Crucificado mexeu os lábios e falou com ele. Chamando-o pelo nome, disse: "Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está em ruinas".

Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos, cuja ordem foi aprovada pelo Papa Inocêncio III. Santa Clara, sua dilecta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Em 1221, sob a inspiração de seu estilo de vida nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados. Neste capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, frequentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de Paz e Bem. Em 1220, voltou a Assis após ter-se aventurado a viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egipto, redigindo a segunda Regra, aprovada pelo Papa Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de setembro de 1224.

In EvangelhoQuotidiano.org

2.10.09

Anjos da Guarda

A Igreja, hoje, celebra a Festa dos Anjos da Guarda.

Os Anjos são antes de tudo os mediadores das mensagens da verdade Divina, iluminam o espírito com a luz interior da palavra. São também guardiões das almas dos homens, sugerindo-lhes as directivas Divinas; invisíveis testemunhas dos seus pensamentos mais escondidos e das suas acções boas ou más, claras ou ocultas, assistem os homens para o bem e para a salvação. São Grégorio Magno diz, que quase cada página da Revelação escrita, atesta a existência dos Anjos. No Novo Testamento aparecem no Evangelho da infância, na narração das tentações do deserto e da consolação de Cristo no Getsemani. São testemunhas da Ressurreição, assistem a Igreja que nasce, ajudam os Apóstolos e transmitem a vontade Divina. Os Anjos preparam o juízo final e executarão a sentença, separando os bons dos maus e formarão uma coroa ao Cristo triunfante. Eles os Anjos,são mencionados mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. Além de todas essas referências bíblicas, que por si só justificam o culto especial que os cristãos reservam aos anjos desde os primeiros tempos, é a natureza destes "espíritos puros" que estimula nossa admiração e nossa devoção.

Dizia Bozzuet : "Os Anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer diante de Deus os nossos pensamentos... Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos." Fundamentando a verdade de fé, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do baptismo, é confiado ao seu próprio Anjo, que tem a incumbência de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirando bons sentimentos, proporcionando a livre escolha que tem como meta Deus, Supremo Bem. A liturgia do dia 29 de setembro, que celebramos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, lembra ao mesmo tempo todos os coros angélicos: os Anjos, os arcanjos, os Tronos, as Dominações que adoram, as Potestades que tremem de respeito diante da Majestade Divina, os céus, as virtudes, os bem-aventurados serafins e os querubins.

In EvangelhoQuotidiano.org

30.9.09

S. Jerónimo

Hoje, a Igreja celebra a memória litúrgica de S. Jerónimo.

Nasceu em Estridon (Dalmácia) cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi baptizado. Tendo abraçado a vida ascética, partiu para o Oriente e foi ordenado sacerdote. Regressou a Roma e foi secretário do papa Dâmaso. Nesta época começou a revisão das traduções latinas da Sagrada Escritura e promoveu a vida monástica. Mais tarde estabeleceu-se em Belém, onde continuou a tomar parte muito activa nos problemas e necessidades da Igreja. Escreveu muitas obras, principalmente comentários à Sagrada Escritura. Morreu em Belém no ano 420.

In Ecclesia.pt

29.9.09

Festa dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael


Entre «os puros espíritos que também são denominados Anjos» (Credo do Povo de Deus), sobressaem três, que têm sido especialmente honrados, através do séculos e a Liturgia une na mesma celebração. Além das funções próprias de todos os Anjos, eles aparecem-nos, na Escritura Sagrada, incumbidos de missão especial.

S. Miguel (= «Quem como Deus»?) é o príncipe dos Anjos, identificado, por vezes, como o Anjo do turíbulo de ouro de que fala o Apocalipse. É o Anjo dos supremos combates. É o melhor guia do cristão, na hora da viagem para a eternidade. É o protector da Igreja de Deus (Apoc. 12-19).

S. Gabriel (= «Deus é a minha força») é o mensageiro da Incarnação (Dan. 9, 21-22). É o enviado das grandes embaixadas divinas: anuncia a Zacarias o nascimento do Precursor e revela a Maria o mistério da divina Maternidade. Pio XII, em 12 de Janeiro de 1951, declarou este Arcanjo patrono das telecomunicações.

S. Rafael (= «Medicina de Deus») manifesta-se na Bíblia como diligente e eficaz protector duma família, que se debate para não sucumbir às provações. É conselheiro, companheiro de viagem, defensor e médico. Honrando os Anjos, cuja existência nos é abundantemente testemunhada pela Sagrada Escritura, nós exaltamos o poder de Deus, Criador do mundo visível e invisível.

In Liturgia.pt

24.9.09

Site de Direito Canónico

Fruto da colaboração com David Sanguinetti, Web Developer, nasceu um site dedicado ao Direito Canónico.

A ideia é proporcionar um conjunto de textos (a começar pelo do Código de Direito Canónico, em português, versão da CEP), que seja útil aos fiéis na formação neste importante saber da vida da Igreja.

O site pode ser consultado em www.direito-canonico.info

21.9.09

Comunhão de joelhos e na boca

O Cardeal de Lima, no Perú, animou os fiéis que frequentam a Sé Catedral daquela cidade a receber a Sagrada Eucaristia de joelhos e na boca.

"O modo de receber a Eucaristia com mais respeito é de joelhos e na boca. É necessário recuperar o respeito e a reverência que merece a Eucaristia, porque o amor a Jesus é o centro da nossa vida cristã", disse o Cardeal Juan Luis Cipriani na homilia de ontem, domingo, 20 de Setembro, na sua Catedral.

No actual momento, este gesto é contrário à tendência de um grande número de sacerdotes que promovem que os fiéis comunguem na mão. O próprio exemplo do Santo Padre é muito esclarecedor, já que também ele pede aos fiéis a quem distribui a comunhão que se ajoelhem e comunguem na boca.

Será que em Roma e em Lima não há Gripe A?

Nota pessoal: ao longo de 15 dias procurei estar mais atento na distribuição da comunhão para contabilizar com que frequência, ao distribuir o Sagrado Corpo de Nosso Senhor, tocava nas mãos ou na língua dos fiéis. Cheguei à conclusão que, com muito mais frequência, toco nas mãos das pessoas que, com toda a liberdade, recebem a Sagrada Comunhão na mão. Pelo contrário, procurando dar a comunhão com calma e em clima de adoração, é muito raro tocar com os dedos na língua dos fiéis.

Ora, sabendo que o vírus se propaga quando as mãos entram em contacto com superfícies onde pessoas infectadas tocaram (daí a preocupação em procurar que as pessoas lavem as mãos muitas vezes), e sabendo que, as mãos são o principal meio com que tocamos e pegamos nas coisas, não seria mais prudente promover a comunhão na boca (e não na mão)?

Pessoalmente, procuro que os fiéis que me estão confiados escolham com toda a liberdade o modo de comungar. Quando toco estes temas (em homilias ou no contacto com as pessoas) procuro formar e deixar que cada um proceda segundo o que achar mais correcto, dentro das possibilidades que a Igreja prevê para a distribuição da Sagrada Comunhão.

19.9.09

A liturgia celeste

"As nossas liturgias terrenas, inteiramente voltadas a celebrar este único acto da história, nunca alcançarão exprimir totalmente a sua infinita densidade. A Beleza dos ritos não será nunca demasiado investigada, ou demasiado cuidada, demasiado elaborada,já que nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita... as liturgias terrestres não poderão ser mais do que um pálido reflexo da Liturgia, que se celebra na Jerusalém celeste, ponto de chegada da nossa peregrinação sobre a terra; é preciso realizar todo o esforço para nos aproximarmos o mais possível da liturgia celeste e fazê-la saborear".

Bento XVI, 2008.09.12, em Paris

Sínodo de Bispos do Médio Oriente

O Santo Padre Bento XVI acaba de convocar um Sínodo de Bispos do Médio Oriente, que se realizará de 10 a 24 de Outubro de 2010.

In Avvenire

Dever cívico

A Igreja Católica incentiva os fiéis a cumprir o seu dever cívico de eleitores, mas recorda-lhes os valores cristãos para que o "voto seja exercido em liberdade esclarecida", numa "atitude inspiradora e não paternalista".

"Votar com esclarecimento não é dirigismo: pedimos aos cristãos que se esclareçam sobre as questões, que vejam se os princípios defendidos estão de acordo com a fé, com o Evangelho", sublinhou à Lusa o padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Na altura de votar, "o cristão não pode contrariar a sua fé, no Evangelho", acrescentou, fazendo uma analogia desportiva: "se sou do Sporting não posso ir para os jogos do meu clube gritar pela equipa adversária".

In Público, 2009.09.18

17.9.09

Bento XVI: os padres devem permanecer afastados de um envolvimento pessoal na política

é necessário evitar a *secularização dos sacerdotes* e a *clericalização
dos leigos*.

Nessa perspectiva, portanto, os fiéis leigos devem empenhar-se em exprimir
na realidade, inclusive através do empenho político, a visão antropológica
cristã e a doutrina social da Igreja.

Diversamente, *os sacerdotes devem permanecer afastados de um envolvimento
pessoal na política*, a fim de favorecerem a unidade e a comunhão de todos
os fiéis e assim poderem ser uma referência para todos.

É importante fazer crescer esta consciência nos sacerdotes, religiosos e
fiéis leigos, encorajando e vigiando para que cada um possa sentir-se
motivado a agir segundo o seu próprio estado.


O aprofundamento harmónico, correcto e claro da relação entre sacerdócio
comum e ministerial constitui actualmente um dos pontos mais delicados do
ser e da vida da Igreja.

É que o número exíguo de presbíteros poderia levar as comunidades a
resignarem-se a esta carência, talvez consolando-se com o facto de a mesma
evidenciar melhor o papel dos fiéis leigos. Mas, não é a falta de
presbíteros que justifica uma participação mais activa e numerosa dos leigos.


Na realidade, quanto mais os fiéis se tornam conscientes das suas
responsabilidades na Igreja, tanto mais sobressaem a identidade específica e
o papel insubstituível do sacerdote como pastor do conjunto da comunidade,
como testemunha da autenticidade da fé e dispensador, em nome de
Cristo-Cabeça, dos mistérios da salvação. (...)

Por isso, a função do presbítero é essencial e insubstituível para o anúncio
da Palavra e a celebração dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia, memorial
do Sacrifício supremo de Cristo, que dá o seu Corpo e o seu Sangue. Por isso
urge pedir ao Senhor que envie operários à sua Messe; além disso, é preciso
que os sacerdotes manifestem a alegria da fidelidade à própria identidade
com o entusiasmo da missão.


Bento XVI aos bispos brasileiros - 17 de Setembro de 2009
Fonte:
http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/24338.php?index=24338〈=po

Através do Carteiro

15.9.09

Memória de Nossa Senhora das Dores

Nota Histórica
Presente junto da Cruz, Maria vive e sente os sofrimentos de Seu filho. Por isso a liturgia lhe dedica hoje especial atenção, depois de ter celebrado ontem a Exaltação da Santa Cruz. As dores da Virgem, unidas aos sofrimentos de Cristo foram redentoras, indicando-nos o caminho da nossa dor.

Evangelho segundo S. João (19,25-27)
Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena.
Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!»
Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.

Comentário
A FESTA DE HOJE convida-nos a aceitar os sofrimentos e contrariedades da vida para purificarmos o coração e corredimirmos com Cristo. A Virgem ensina-nos a não nos queixarmos dos nossos males, pois Ela nunca o fez; anima-nos a uni-los à Cruz redentora do seu Filho e a convertê-los num bem para a nossa família, para a Igreja, para toda a humanidade.

A dor que teremos de santificar consistirá freqüentemente numa soma de pequenas contrariedades diárias: esperas que se prolongam, mudanças de planos, projetos que não se realizam... Noutras ocasiões, apresentar-se-á sob a forma de pobreza, de perda progressiva do nível de vida a que se estava acostumado, e quantas vezes até de falta do necessário. E essa pobreza será um grande meio para nos unirmos mais a Cristo, para imitá-lo no seu desprendimento absoluto das coisas, mesmo das mais imprescindíveis. Olharemos então para a Virgem no Calvário, no momento em que despojam o seu Filho daquela túnica que Ela tecera com as suas mãos, e acharemos consolo e forças para prosseguirmos a nossa caminhada com paz e serenidade.

Pode sobrevir-nos também a doença, e pediremos a graça de aceitá-la como um tesouro, como uma carícia de Deus, e de mostrar-nos agradecidos pelo tempo em que talvez não tenhamos sabido apreciar plenamente o dom da saúde. A doença, em qualquer das suas formas – mesmo psíquica –, pode ser a “pedra de toque” que comprove a solidez do nosso amor ao Senhor e da nossa confiança nEle. Enquanto estamos doentes, podemos crescer mais rapidamente nas virtudes, principalmente nas teologais: na fé, pois aprendemos a ver nesse estado a mão providente do nosso Pai-Deus; na esperança, pois sempre estamos nas mãos do Senhor, especialmente quando nos sentimos mais fracos e necessitados; na caridade, oferecendo a dor, sendo exemplares na alegria com que amamos essa situação que Deus quer ou permite para nosso bem.

Freqüentemente, o lado mais difícil da doença é a forma em que se apresenta: “a sua inusitada duração, a impotência a que nos reduz, a dependência a que nos obriga, o mal-estar que provém da solidão, a impossibilidade de cumprirmos os deveres de estado... Todas essas situações são duras e angustiantes para a nossa natureza. Apesar de tudo, e depois de termos empregado todos os meios que a prudência aconselha para recuperarmos a saúde, temos de repetir com os santos: «Ó meu Deus! Aceito todas essas modalidades: o que quiseres, quando quiseres e como quiseres»”. Pediremos a Deus mais amor e dir-lhe-emos devagar, com um completo abandono: “Tu o queres, Senhor?... Eu também o quero!”

Sempre que o fardo nos pareça excessivamente pesado para as nossas poucas forças, recorreremos a Santa Maria pedindo-lhe auxílio e consolo, “pois Ela continua a ser a amorosa consoladora de tantas dores físicas ou morais que afligem e atormentam a humanidade. Ela conhece bem as nossas dores e as nossas penas, pois também sofreu desde Belém até o Calvário: uma espada trespassará o teu coração. Maria é a nossa Mãe espiritual, e uma mãe sempre compreende os seus filhos e os consola nas suas necessidades.

“Por outro lado, Ela recebeu de Jesus na Cruz a missão específica de amar-nos, de só e sempre amar-nos para nos salvar. Maria consola-nos sobretudo mostrando-nos o crucifixo e o paraíso [...].

“Ó Mãe Consoladora, consolai-nos, fazei que todos compreendamos que a chave da felicidade está na bondade e no seguimento fiel do vosso Filho Jesus”.

In Liturgia.pt, Evangelhoquotidiano.org e Franciscofcarvajal.org

14.9.09

Exaltação da Santa Cruz

Hoje a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Nota Histórica
Foi na Cruz que Jesus Cristo ofereceu ao Pai o Seu Sacrifício, em expiação dos pecados de todos os homens. Por isso, é justo que veneremos o sinal e o instrumento da nossa libertação.
Objecto de desprezo, patíbulo de infâmia, até ao momento em que Jesus «obediente até à morte» nela foi suspenso, a Cruz tornou-se, desde então, motivo de glória, pólo de atracção para todos os homens.
Ao celebrarmos esta festa, nós queremos proclamar que é da cruz, «sinal do amor universal de Deus, fonte de toda a graça» (N.A., 4) que deriva toda a vida de Igreja. Queremos também manifestar o nosso desejo de colaborar com Cristo na salvação dos homens, aceitando a Cruz, que a carne e o mundo fizeram pesar sobre nós (G.S. 38).

Do Evangelho segundo S. João 3,13-17.
Pois ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem.
Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto,
a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.
De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.

Comentário
«Ele entregou-Se a si mesmo à morte e, pela ressurreição, destruiu a morte e renovou a vida» (Oração eucarística IV)

No Credo proclamamos, a propósito do caminho de Cristo: «Desceu à mansão dos mortos». [...] A liturgia aplica à descida de Jesus à noite da morte as palavras do salmo 24 (23): «Ó portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos!» A porta da morte está fechada: ninguém pode passar através dela. Não há chave para essa porta de ferro. No entanto, Cristo tem a chave. A Sua cruz abre de par em par todas as portas invioláveis da morte, que deixaram de ser inexpugnáveis. A Sua cruz, a radicalidade do Seu amor, é a chave que abre essa porta. O amor Daquele que, sendo Deus, Se fez homem para poder morrer tem força para abrir a porta. É um amor mais forte do que a morte.

Os ícones pascais da Igreja do Oriente mostram como Cristo entra no mundo dos mortos. As Suas vestes são luminosas, porque Deus é luz. «A noite seria, para Ti, brilhante como o dia» (Sl 139 (138), 12). Jesus entra no mundo dos mortos com os estigmas; as Suas chagas, os Seus sofrimentos tornaram-se poderosos: são amor capaz de vencer a morte. Jesus encontra Adão e todos os homens que esperam nas sombras da morte. Vendo-os, quase podemos ouvir a oração de Jonas: «Clamei a Ti do meio da morada dos mortos e Tu ouviste a minha voz» (Jn 2, 3).

Pela encarnação, o Filho de Deus fez-Se um com os seres humanos, com Adão. Mas só quando realizou o supremo acto de amor, descendo da noite da morte, levou a bom termo o caminho da encarnação. Pela Sua morte, tomou pela mão Adão e toda a humanidade expectante e guiou-os para a luz.

Papa Bento XVI, in Homilia para a Vigília pascal, 07/04/2007

In Evangelhoquotidiano.org e liturgia.pt

11.9.09

Jornadas das Comunicações Sociais, em Fátima


Por motivos vários, participo nas Jornadas das Comunicações Sociais, promovidas pela Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

Prelúdio das Jornadas, foi a conferência de imprensa concedida por Pe. Federico Lombardi aos jornalistas que iam participar no Encontro. Neste encontro com os jornalistas, o porta voz do Gabinete de Imprensa da Santa Sé foi muito afável, extremamente claro e, além dos aspectos positivos que referiu, não escondeu as dificuldades que a Igreja ainda tem em comunicar.

Os trabalhos podem ser seguidos pela reportagem ao minuto feita pela Agência Ecclesia. Gostaria de destacar duas ideias fundamentais:

1) Os problemas de comunicação (em concreto, as dificuldades da Igreja em comunicar) não se resolvem com truques tecnológicos. Resolvem-se procurando ter, com quem tem a missão de comunicar (jornalistas, etc.) uma relação humana, leal e honesta, procurando evitar as meias verdades. O silêncio, na maioria das vezes, não é a melhor maneira de enfrentar uma crise ou um problema.

2) A criação de um Gabinete de Imprensa, que esteja disponível para os jornalistas, que seja profissional no seu modo de trabalhar, que seja capaz de usar os meios técnicos adequados é, cada vez mais, para a Igreja, uma necessidade. Refiro-me à Igreja enquanto realidade presente no país e nas Dioceses. A Igreja tem uma mensagem a difundir, ou melhor, tem A mensagem, que é uma Pessoa, Jesus Cristo. Hoje não e possível transmitir quem é Jesus Cristo, (seja na transmissão do Evangelho, seja numa outra dimensão que é a comunicação institucional) prescindindo do profissionalismo dos jornalistas. E, nesse aspecto, um Gabinete de Imprensa diocesano pode ser um instrumento útil.

9.9.09

A Igreja e a política

Sempre que nos aproximamos de eleições, levantam-se vozes (sobretudo dentro da Igreja), pedindo que a hierarquia eclesiástica tome posição sobre a situação política do país.

A esse propósito, o seguinte texto do Concílio Vaticano II é muito esclarecedor:

«O Concílio exorta os cristãos, cidadãos de ambas as cidades, a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que vamos em demanda da futura (13), pensam que podem por isso descuidar os seus deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé ainda os obriga mais a cumpri-los, segundo a vocação própria de cada um (14). Mas não menos erram os que, pelo contrário, opinam poder entregar-se às ocupações terrenas, como se estas fossem inteiramente alheias à vida religiosa, a qual pensam consistir apenas no cumprimento dos actos de culto e de certos deveres morais. Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo. Já no Antigo Testamento os profetas denunciam este escândalo (15); no Novo, Cristo ameaçou-o ainda mais veementemente com graves castigos (...)

As tarefas e actividades seculares competem como próprias, embora não exclusivamente, aos leigos. Por esta razão, sempre que, sós ou associados, actuam como cidadãos do mundo, não só devem respeitar as leis próprias de cada domínio, mas procurarão alcançar neles uma real competência. Cooperarão de boa vontade com os homens que prosseguem os mesmos fins. Reconhecendo quais são as exigências da fé, e por ela robustecidos, não hesitem, quando for oportuno, em idear novas iniciativas e levá-las a realização. Compete à sua consciência prèviamente bem formada, imprimir a lei divina na vida da cidade terrestre. Dos sacerdotes, esperem os leigos a luz e força espiritual.

Mas não pensem que os seus pastores estão sempre de tal modo preparados que tenham uma solução pronta para qualquer questão, mesmo grave, que surja, ou que tal é a sua missão. Antes, esclarecidos pela sabedoria cristã, e atendendo à doutrina do magistério (17), tomem por si mesmos as próprias responsabilidades.

Muitas vezes, a concepção cristã da vida incliná-los-á para determinada solução, em certas circunstâncias concretas. Outros fiéis, porém, com não menos sinceridade, pensarão diferentemente acerca do mesmo assunto, como tantas vezes acontece, e legitimamente. Embora as soluções propostas por uma e outra parte, mesmo independentemente da sua intenção, sejam por muitos fàcilmente vinculadas à mensagem evangélica, devem, no entanto, lembrar-se de que a ninguém é permitido, em tais casos, invocar exclusivamente a favor da própria opinião a autoridade da Igreja. Mas procurem sempre esclarecer-se mutuamente, num diálogo sincero, salvaguardando a caridade recíproca e atendendo, antes de mais, ao bem comum.

Os leigos, que devem tomar parte activa em toda a vida da Igreja, não devem apenas impregnar o mundo com o espírito cristão, mas são também chamados a serem testemunhas de Cristo, em todas as circunstâncias, no seio da comunidade humana.

Const. Gaudium et spes, n. 43

Conclusões do VI Simpósio do Clero

1.- O clero de Portugal deu uma resposta muito positiva ao convite para participar no VI Simpósio do clero. Mais de 800 inscrições são o melhor testemunho de uma forte adesão, alegre e agradecida, também por coincidir em pleno Ano Sacerdotal e sob o olhar da figura exemplar de sacerdote que foi São João Maria Vianey.

2.- Conferencistas prestigiados e de renome internacional garantiram a elevada qualidade da reflexão e a pertinência dos desafios lançados.

3.- O Simpósio foi, em si mesmo, um belo exercício de fraternidade e de comunhão entre bispos, sacerdotes, diáconos e seminaristas.

4.- Todos os oradores glosaram, em registos vários, mas consonantes, o tema-lema do Simpósio: «Reaviva o dom que há em ti».

5.- Anselmo Grün e Amadeo Cencini, com a sua autoridade de psicólogos, recordaram-nos que a espiritualidade não é redutível à psicologia, mas que uma espiritualidade não assente em correctas bases psicológicas, facilmente se transforma em moralismo vazio e autoritário.

6.- As pessoas não se seduzem nem se cativam verdadeiramente com a acomodação do Evangelho aos seus desejos e gostos pessoais. Só quando o sacerdote se deixou, primeiro, seduzir no encontro pessoal com Cristo, poderá falar de tal maneira que as pessoas o descobrem possuído de uma luz e beleza que ele mesmo desconhece. Como Moisés, depois de falar com Deus.

7.- O sacerdote não é um anjo. Junto com qualidades e luzes, tem defeitos e sombras. Só reconhecendo humildemente também as sombras se poderá abrir ao Amor que o plenifica, transforma e transfigura.

8.- A formação sacerdotal ou é permanente ou não é verdadeira formação sacerdotal.

O Senhor é fiel. Ao chamar sempre aquele que escolheu, não pára de o chamar todos os dias da sua vida. A Formação Permanente é a experiência de vocação permanente, como resposta agradecida e repleta de fidelidade ao Deus que ama e chama.

9.- Esta autêntica mudança de paradigma na concepção de formação permanente implica que se crie uma cultura de formação permanente na Igreja, pois ainda não existe.

A nossa vida, ou é formação permanente, ou é frustração permanente, repetitividade, desleixo geral, inércia, apatia, perda de credibilidade, ineficácia apostólica.

10.- A Formação Permanente é essencialmente psicológico-espiritual; um processo de conformação-assimilação aos sentimentos do Filho obediente, do Servo sofredor, do Cordeiro inocente.

11.- Não se trata tanto de criar novas estruturas, mas de uma nova mentalidade, uma cultura de Formação Permanente.

12.-A Formação Permanente é a disponibilidade contínua e inteligente, activa e passiva, para aprender da vida, durante toda a vida. Até ao último dia.

13.- Como nos disse o cardeal Cláudio Hummes: «a espiritualidade do presbítero deve ser nutrida cada dia. Os grandes meios são: manter um contacto assíduo com a Palavra de Deus; amar a Deus e deixar-se amar por Ele; viver uma vida de oração autêntica que inclui a Liturgia das Horas e a devoção mariana; celebrar diariamente a Eucaristia, como centro da vida ministerial; recorrer regularmente ao Sacramento da Confissão; viver a comunhão eclesial, principalmente com o Papa, o bispo e o presbitério; doar-se total e incansavelmente ao ministério pastoral, ao empenho missionário e evangelizador; ser o homem da caridade, da fraternidade e da bondade, do perdão, da misericórdia para com todos; ser solidário com os pobres, sendo seu defensor e amigo, vendo neles os preferidos de Deus».

14.- Uma atenção cuidada aos vários programas de formação dos seminários levar-nos-á à opção pelo modelo de integração, polarizado no dinamismo da Cruz como ícone do Mistério Pascal, onde o amor entregado nos convida incessantemente, iluminando-nos e aquecendo-nos, a recebermos agradecidos o dom que a vida sacerdotal é, e a oferecermo-la alegremente como dom.

15.- Este Modelo de Integração fará que nos sintamos abençoados por Deus e ajudar-nos-á a tornarmo-nos uma feliz bênção para os outros.

Uma vida espiritual intensa, iluminada pelo guia fiável que é o Vaticano II, permitirá ao sacerdote entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias, mesmo difíceis e obscuras. (SC, 89)

16.- Os caminhos a percorrer para a Igreja responder aos novos desafios do mundo de hoje não estão ainda bem definidos e traçados. Temos de utilizar a lucidez na análise do que se apresenta, e a paciência misericordiosa para enfrentar as incompreensões.

17.- Foi bom ouvir que a Igreja ama os seus sacerdotes, os admira e reconhece a sua insubstituível e incansável participação pastoral na missão e na vida eclesiais.

18.- E que, à semelhança de São Francisco, encontrando no caminho um sacerdote e um anjo, saudaria primeiro o sacerdote, mesmo se fosse grande pecador, porque o sacerdote é quem nos dá o pão eucarístico.

19.- O Santo Cura D’Ars reconforta-nos ainda mais ao afirmar: «Deus obedece-lhes. Depois de Deus, o sacerdote é tudo».

Ser padre é viver todos os dias a Consagração: consagrando as espécies eucarísticas e consagrando-se aos irmãos, outra forma de dizer, já há mais de 150 anos, a urgência do que hoje chamamos Formação Permanente.

20.- Os padres das várias dioceses reuniram com os seus bispos e manifestaram a alegria de participar no Simpósio, mutuamente se incentivando para encontrar formas de cultivo da fraternidade nos presbitérios.

21.- Como bem recorda Bento XVI: «É preciso sempre partir de Cristo. Mas isso supõe tê-lo encontrado, ter-se deixado por Ele transformar inteiramente, ou seja, ter-se tornado seu discípulo fiel. Tudo começa ali. Encontrar-se com Cristo e deixar-se por ele transformar»

Só assim reavivaremos continuamente o dom que há em nós, e responderemos gozosamente ao desafio incessantemente renovado de o oferecer aos outros, porque do povo de Deus vimos e só para o servir existimos.

Fátima, 4 de Setembro de 2009

In Paróquias.org

Oração pelos Sacerdotes


Meu Senhor Jesus Cristo dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

Autor desconhecido

Com autorização eclesiástica

Recebido por mail

7.9.09

O que os jovens procuram

Nos decênios sucessivos ao Concílio Vaticano II, alguns interpretaram a abertura ao mundo, não como uma exigência do ardor missionário do Coração de Cristo, mas como uma passagem à secularização, vislumbrando nesta alguns valores de grande densidade cristã como igualdade, liberdade, solidariedade, mostrando-se disponíveis a fazer concessões e descobrir campos de cooperação. Assistiu-se assim a intervenções de alguns responsáveis eclesiais em debates éticos, correspondendo às expectativas da opinião pública, mas deixou-se de falar de certas verdades fundamentais da fé, como do pecado, da graça, da vida teologal e dos novíssimos. Insensivelmente caiu-se na auto-secularização de muitas comunidades eclesiais; estas, esperando agradar aos que não vinham, viram partir, defraudados e desiludidos, muitos daqueles que tinham: os nossos contemporâneos, quando vêm ter conosco, querem ver aquilo que não vêem em parte alguma, ou seja, a alegria e a esperança que brotam do fato de estarmos com o Senhor ressuscitado.

Atualmente há uma nova geração já nascida neste ambiente eclesial secularizado que, em vez de registrar abertura e consensos, vê na sociedade o fosso das diferenças e contraposições ao Magistério da Igreja, sobretudo em campo ético, alargar-se cada vez mais. Neste deserto de Deus, a nova geração sente uma grande sede de transcendência.

São os jovens desta nova geração que batem hoje à porta do Seminário e que necessitam encontrar formadores que sejam verdadeiros homens de Deus, sacerdotes totalmente dedicados à formação, que testemunhem o dom de si à Igreja, através do celibato e da vida austera, segundo o modelo do Cristo Bom Pastor. Assim esses jovens aprenderão a ser sensíveis ao encontro com o Senhor, na participação diária da Eucaristia, amando o silêncio e a oração, procurando, em primeiro lugar, a glória de Deus e a salvação das almas.

Bento XVI, Discurso aos Bispos do Brasil em visita ad limina, 2009.09.07

5.9.09

A fé explicada...

... em português >>

Preparação para o Matrimónio

A preparação para o Matrimónio é, nos dias de hoje, uma necessidade incontornável para aqueles que seguem esse caminho divino e humano.

No entanto, torna-se, por vezes, complexo e difícil ter orientações claras sobre o que dizer aos noivos que se preparam para o casamento.

ESTE documento do Pontifício Conselho da Família pode ser útil para todos aqueles que empreendem a árdua tarefa de preparar o Matrimónio.

4.9.09

A educação sexual e D. Afonso Henriques

Por Pe. Doutor Gonçalo Portocarrero de Almada

A questão pode parecer peregrina, mas não é. Com efeito, foi precisamente neste ano, em que se festejam os novecentos anos do primeiro rei de Portugal, que se implementou no nosso país a educação sexual obrigatória. Uma tão feliz coincidência não pode ser mero acaso, pelo que parece ser pertinente questionar a relação entre aquela efeméride e esta nova vertente da educação em Portugal.

É certo e sabido que D. Afonso Henriques não teve qualquer tipo de educação sexual, muito embora uma tal carência não tenha significado para o nosso primeiro monarca nenhuma especial inaptidão, pois não só foi pai da nação como, também, de onze filhos! Mais ainda: todos os seus contemporâneos que geraram descendentes, fossem eles nobres, burgueses ou filhos do povo, todos, sem excepção, fizeram-no sem que lhes tivesse sido dada nenhuma educação sexual. É incrível, mas é verdade.

E, não obstante esta ignorância sexual generalizada, o país não se extinguiu! É caso para dizer: milagre! Era de esperar que os portugueses tivessem desaparecido do mapa, por desconhecimento da ciência da reprodução, acintosamente omitida pela Igreja e pelo Estado, nos seus respectivos estabelecimentos de ensino. Mas não! De forma absolutamente prodigiosa, os portugueses, sabe-se lá a que custo, lograram trazer filhos ao mundo! Filhos das trevas e da falta da educação sexual! Filhos da iliteracia sexual que o nosso país sofreu durante oito séculos!

Temo que seja esta a ancestral razão pela qual muito se gaba, e com razão, a proverbial capacidade lusitana de improvisar: não havia aulas, os homens e as mulheres não sabiam educação sexual e, contudo, apareciam filhos, tantos filhos que se espalharam pelas sete partidas do mundo! Se a ignorância sexual foi tão prolífica para Portugal, será que a educação sexual esterilizará o nosso país? Será que o que se pretende, com a nova disciplina curricular, é que os portugueses mirrem e se extingam, em vez de se expandirem e multiplicarem?!

Seja como for, a verdade é que o Governo entendeu por bem pôr termo a esta atávica falta de educação sexual nacional. Mas, se pega a moda do Estado pretender ensinar o que é óbvio e natural, em vez do que é elevado e racional, é de esperar que a reforma educativa não se fique pela sexualidade. Falta, por exemplo, uma disciplina de educação respiratória, porque há quem não saiba inspirar e expirar em condições. O mesmo se diga da educação digestiva e de todas as outras expressões das mais básicas necessidades do nosso organismo. Em suma: a introdução da educação sexual não é uma simples alteração cosmética da política educativa, mas o início de uma nova era, a vanguarda de uma autêntica revolução. Abaixo o Português e a Matemática e viva a Educação Sexual! Abaixo a cultura e viva a educação animal! Abaixo a educação humanista e viva a educação "bestial"!

A propósito, não será por falta de educação sexual que o lince-ibérico está em vias de se extinção?! Se os homens, que em princípio são animais racionais, têm necessidade, no sábio e prudente entendimento dos nossos governantes, de uma aprendizagem que assegure a sua reprodução, com mais razão os animais irracionais precisam de uma formação específica que os ensine a procriar. Crie-se, pois, sem mais demora, a Escola C+S da Malcata e imponha-se aos linces a frequência obrigatória das respectivas aulas de educação sexual: é a única solução capaz de impedir o seu dramático desaparecimento. Licenciado em Direito e doutorado em Filosofia. Vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF).

In Publico, 2009.08.30

Funcionalismo

O Prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes, afirmou esta manhã (4 de Setembro) em Fátima que alguns padres fizeram um encontro "insuficiente e superficial" com Jesus Cristo e converteram o ministério ordenado recebido "numa espécie de profissão eclesiástica, que desenvolvem como funcionários que aprenderam a fazer a função"

In Agência Ecclesia

3.9.09

Para servir, servir

Este texto que o Sr. D. José Policarpo proferiu em Fátima é impressionante.

«Esta total disponibilidade para o serviço define o ministério sacerdotal. O sacerdote é chamado a pôr-se totalmente ao serviço da edificação da Igreja, com tudo o que é e tudo o que tem. Esta radicalidade do serviço é a mais bela realização da liberdade; é a dimensão em que o sacerdote se humaniza, exercendo o seu ministério, porque viver a vida como um dom, a Deus e aos irmãos, é a mais perfeita realização do ideal humano, num mundo retalhado de egoísmos e busca dos próprios interesses.

Olhando para os padres de hoje, este desafio do serviço é a chave da nossa fidelidade e autenticidade. Temos de procurar a sua radicalidade e o seu sentido profundo, a sua autenticidade. Antes de mais a sua radicalidade: pôr ao serviço tudo o que somos, sabemos e temos.»

Card. D. José Policarpo, Conferência no Simpósio do Clero, 2009.09.02

29.8.09

Obediência

«O homem de Igreja - prossegue de Lubac - não só é obediente como ama a obediência. Toda a actividade que merece o nome de cristã desenrola-se necessariamente sobre um fundo de passividade. Porque o Espírito donde procede é um Espírito recebido de Deus. É Deus quem Se nos dá primeiro para que possamos darmo-nos a Ele».

H. de Lubac, através do Sr. Pe. João António

24.8.09

Exorcismo

O telemóvel tocou. Uma voz aflita do outro lado: "Sr. Padre, o João está muito mal. Podia vir vê-lo".

O sacerdote já conhecia o caso. Aquele rapaz tinha feito todos os exames possíveis exames: epilepsia, convulsões, tacs... De vez em quando, assim que a avó começava a rezar o terço, ele sentia-se mal e saía. Já tinha sido acólito. Uns dias antes, a avó tinha contado o caso ao sacerdote, que se aconselhou com outro sacerdote mais velho e com mais experiência.

Naquele dia, o rapaz gritava e nada nem ninguém o conseguia acalmar. Quando o sacerdote chegou, tremia de nervoso. Abriu o ritual dos exorcismos, e começou a rezar. O João gritava ainda mais alto. Depois da litânia dos santos, o sacerdote impôs-lhe as mãos. A pouco e pouco, à medida que ia recitando as orações de exorcismo, o João foi acalmando.

Depois de terminar, o sacerdote esperou um pouco. O João não se lembra de nada. Sente-se cansado. Pede ao sacerdote para conversarem um pouco. Os outros saem.

Ainda foi preciso repetir o exorcismo várias vezes. O João voltou a ir à Missa, a rezar o terço com a avó.

Há quem tenha mais medo dos exorcismos do que do demónio. Já houve tempos em que tinha dúvidas sobre estas coisas. À semelhança daquele cura de aldeia, a constatação directa destas realidades levou-me a mudar de opinião. O demónio existe mesmo e Jesus Cristo é o único que salva. Não são os méritos (ou desméritos, no meu caso) do sacerdote que contam. A oração de libertação resulta quando se tem fé. Resulta mesmo.

Presidente da República não promulga Lei sobre as uniões de facto

Na manhã de hoje, ficou-se a saber que o Presidente da República não promulgou a Lei sobre as uniões de facto.

Na Mensagem enviada à Assembleia da República, o PR afirma que existem dois modelos sobre as uniões de facto: o primeiro, que tende a equiparar as uniões de facto ao casamento; o segundo, que considera as uniões de facto "como uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento, sem prejuízo da extensão pontual de direitos e deveres imposta pelo princípio constitucional da igualdade."

Para o PR, este diploma do Governo segue o primeiro modelo, ou seja, aproxima as uniões de facto do regime do casamento. E essa aproximação faz-se da perspectiva dos direitos (e não dos deveres entre as partes). Ora, se as pessoas que vivem em união de facto não se querem casar, por que motivo se devem aproximar os dois regimes jurídicos?

Os motivos que o PR apresenta para não promulgar a Lei são que não houve, na sociedade portuguesa, um debate alargado sobre este tema e o facto de estarmos em final de legislatura.

Via Público e site da PR

22.8.09

A preocupação do Santo Padre pela Liturgia

O modo de celebrar a liturgia é uma das principais preocupações do actual Papa. Este artigo é mais uma prova disso.

Não é por falta de indicações que a liturgia é mal celebrada. O problema começa pela necessidade de se evitar o "achismo" (Eu acho que é assim, eu acho que é assado). E isso implica ter tempo para ler, para estudar, para ir aos documentos. Tudo o que se pode fazer de mal na liturgia está documentado e tem antídoto certo. Basta ler (e uma leitura deste documento torna-se obrigatória).

O segundo factor a evitar é a sensação que, quem celebra, é dono da liturgia. Não somos donos, mas sim administradores. E quem administra, deveria administrar segundo as regras de quem decide. É verdade que o administrador tem sempre um âmbito de decisão bastante grande. Mas dentro das balizas que, quem decide, determina.

Por fim, celebrar bem exige sempre esforço: é necessário preparar, prevenir, dedicar tempo a ler as rubricas, a formar quem vem participar. Mas isso só faz sentido quando se faz por amor: por amor a Deus e por amor à Igreja.

Por isso, razão tem Andrea Tornielli: o Papa deseja que as mudanças na liturgia comecem na base. Isso só será possível se houver mudanças na formação dos candidatos ao sacerdócio, melhorando o seu conhecimento e amor à liturgia. E esse amor não se aprende nos livros. Aprende-se vivendo.

Virgem Santa Maria, Rainha

Hoje a Igreja celebra a Festa da Coroação da Virgem Santa Maria.

A festa de hoje foi instituída por Pio XII, em 1955. Antecedida pela festa da Assunção de Nossa Senhora, celebramos hoje aquela que é a Mãe de Jesus, Cabeça da Igreja, e nossa Mãe.

Pio XII assim fala de Nossa Senhora Rainha:

"Procurem, pois, acercar-se agora com maior confiança do que antes, todos quantos recorrem ao trono de graça e de misericórdia da Rainha e Mãe Nossa, para implorar auxílio nas adversidades, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto ... Há, em muitos países da terra, pessoas injustamente perseguidas por causa da sua profissão cristã, e privadas dos direitos humanos e divinos da liberdade ... A estes filhos atormentados e inocentes, volva os seus olhos misericordiosos, cuja luz serena as tempestades e dissipa as nuvens, a poderosa Senhora das coisas e dos tempos, que sabe aplacar as violências com o seu pé virginal; e à todos conceda que em breve possam gozar da merecida liberdade ... Todo aquele, pois, que honra a Senhora dos celestes e dos mortais, invoque-a como Rainha sempre presente, Medianeira de paz".

Tirado daqui >>

20.8.09

Debate sobre a liturgia

O Concílio Vaticano II promoveu várias alterações na vida da Igreja. Uma das mais importantes (e talvez das mais consensuais) foi a reforma litúrgica.

Uma leitura serena da Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium traz-nos uma visão muito bela da liturgia. No entanto, a aplicação desta Constituição e o modo de celebrar a liturgia que se assistiu em muitos sítios ao longo dos últimos 40 anos sempre foi um campo de intenso debate em vários sectores da Igreja.

O Motu próprio Summorum Pontificum do Santo Padre Bento XVI, além do seu modo de celebrar renovaram esse intenso debate, que vai acontecendo em blogs, encontros, jornais e revistas da especialidade.

Um aspecto importante deste debate, aspecto esse que ganha maior importância devido à Gripe H1N1, tem a ver com o modo de distribuir a comunhão.

A esse respeito, vale a pena uma leitura da Introdução Geral ao Missal Romano.

17.8.09

Nomeações

Os momentos que precedem e sucedem às nomeações por parte do Sr. Bispo, trazem, frequentemente, notícias destas. Houve casos mais ou menos semelhantes, em anos passados, um pouco por todo o país. O mesmo acontece lá fora.

A Igreja é um dos locais onde mais se fala de obediência. É fácil, humanamente falando, apegarmo-nos às pessoas e às instituições. Difícil é mostrarmos a essas pessoas que não nos devem seguir a nós, mas sim a Jesus.

É fácil, quando nos pedem para mudar, mostrar publicamente a nossa resistência. Difícil é sair sem fazer ondas, sem mostrar preferências, sobretudo quando as mesmas são em sentido contrário à indicação que nos dão.

É fácil olhar para um pedido de mudança com olhos de conspiração. Difícil é obedecer sem apontar culpas, sem lamentos e sem olhar para trás já tendo a mão no arado.

Não ponho em causa o trabalho meritório do sacerdote em questão. Refiro-me à facilidade de serem criadas situações destas que não ajudam nem as pessoas, nem a autoridade eclesiástica nem a salvação das almas. E é esse o trabalho sacerdotal: salvar almas e não alimentar o nosso ego.

6.8.09

Faleceu a mãe do Sr. D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro

Ao início da noite de ontem, faleceu a Sra. D. Donzelina dos Santos, mãe do Sr. António Francisco, Bispo de Aveiro.

As exèquias solenes celebram-se amanhã, sexta feira, na Sé. Catedral de Lamego, pelas 11h. O seu funeral realiza-se em Tendais, concelho de Cinfães, pelas 17h.

Ao D. António Francisco deixo os meus sinceros pêsames e a cereza das minhas orações.

4.8.09

S. João Maria Vianney

Na Carta com que convocou o Ano Sacerdotal, o Santo Padre Bento XVI colocou S. João Maria Vianney como modelo para os sacerdotes.

O seu amor pelos pobres e mais carenciados, o seu amor pela Eucaristia, a disponibilidade para atender as pessoas, a sua intensa vida de oração e o seu espírito de penitência continuam a ser, ainda hoje, o caminho privilegiado para a santidade dos sacerdotes.

31.7.09

O virus da Gripe A é anticlerical

Por Pe. Gonçalo Portocarrero Almada (Via Pe. João António, Mansidão)

A nota pastoral relativa aos cuidados a ter nas celebrações litúrgicas, por causa do vírus da gripe A, deu-me que pensar. Não sendo um documento de natureza científica, nunca supus que pudesse revelar a natureza do terrível vírus H1N1, mas a verdade é que esse texto esclarece definitivamente a sua maléfica estirpe.
É significativo que não se desaconselham determinados comportamentos em geral, mas apenas nas celebrações litúrgicas. Tendo em conta que a moderna concepção da caridade cristã pugna sobretudo pela imunidade pessoal e, só depois, pelo amor ao próximo, era de esperar que os pais católicos fossem impedidos de beijar os seus filhos, mas nenhum zeloso pastor veio ainda proibir que os imprudentes progenitores osculem a sua extremosa prole, a não ser que o façam na Missa.

Também seria de supor que os noivos fossem impedidos de se beijarem, mas também não consta que nenhum pároco tenha, até à data, imposto este higiénico impedimento matrimonial, excepto durante a Eucaristia. Mesmo em lugares muito frequentados, como pode ser o caso das estâncias balneares, das discotecas ou dos centros comerciais, os católicos, ao que parece, não correm qualquer perigo de contágio pois, em caso contrário, tais ambientes teriam sido desaconselhados pela sua ASAE confessional.
Estes exemplos bastam para que se possa retirar uma importante conclusão científica: o vírus da gripe A só exerce a sua perniciosa acção nas igrejas. Ou seja, é um vírus tipicamente anticlerical: daí o A que o distingue de todas as outras gripes, que são menos beatas, na medida em que também frequentam ambientes laicais; mais ecuménicas, porque também atacam fiéis de outras crenças; e até mesmo mais politicamente correctas porque, contagiando também ateus e agnósticos, provam que não discriminam as suas vítimas por razões religiosas.
Assim sendo, temo que o vírus H1N1 não seja apenas anticlerical, mas demoníaco, talvez até a expressão viral do Anticristo (que, por estranha coincidência, também tem por inicial a primeira letra do alfabeto…). De facto, este vírus não incomoda os cristãos que não se benzem com água benta, nem os que não dão o abraço da paz aos seus irmãos, nem comungam, mas apenas aqueles que, por serem mais piedosos e caridosos, humedecem os dedos com que fazem o sinal da Cruz, expressam com o ósculo a autenticidade da sua caridade e, porque estão na graça de Deus, estão aptos para receberem a sagrada comunhão. Portanto, não só é um vírus que age nas igrejas como preferencialmente atinge os fiéis que mais rezam e frequentam os sacramentos! Se isto não é diabólico, confesso que não sei o que é!
Sendo esta a natureza do nefando vírus, há que concluir que o princípio activo susceptível de o debelar não é nenhum Tamiflu farmacêutico, mas um exorcismo, que é a resposta eclesial contra as investidas do maligno. Sendo pastoral a nota que o anatematiza, era de esperar que se recomendassem meios espirituais e não apenas medidas da mais prosaica higiene, em que a Igreja Católica não parece particularmente competente, visto que já o seu Mestre não só foi acusado pelos seus contemporâneos de omitir as abluções rituais que os fariseus, pelo contrário, não dispensavam, como também tocava em leprosos e outros doentes, sem depois proceder à conveniente desinfecção.
Importa ainda expressar a mais profunda indignação pelo facto do Papa Bento XVI, não satisfeito com a sua gritante insensibilidade na questão do preservativo, insistir em promover comportamentos de risco, pois, como é sabido, só dá a comunhão aos fiéis que, ajoelhados, a recebam na boca. É caso para lamentar que a Santa Sé não esteja sujeita à pastoral da saúde da nossa terrinha. Mentes mais afoitas na teoria da conspiração, talvez não desdenhem a hipótese de algum acordo secreto entre o Vaticano e as funerárias, pois só assim se explicaria a inconsciência de um tão criminoso procedimento litúrgico que, como é óbvio, atenta contra a vida e a saúde de milhões de fiéis.
Gonçalo Portocarrero de Almada

30.7.09

200 por 1


Faz hoje 4 anos que fui ordenado sacerdote. Um dom imenso de Deus!

Obrigado, Senhor, porque não fui eu que te escolhi: foste Tu que me escolheste, apesar das minhas misérias e pecados.

Ao longo da minha vida, já recebi 200 por 1. E novamente Te repito: "Vultum tuum, Domine, requiram", o Teu rosto, Senhor, eu procuro.

29.7.09

150 anos do nascimento do Pe. Cruz


Faz hoje 150 anos que nasceu o Rev. Sr. Pe. Cruz.

«Francisco Rodigues da Cruz, quarto filho de Manuel da Cruz e de D. Catarina de Oliveira Cruz, nasceu em Alcochete, no dia 29 de Julho de 1859, dia em que a liturgia festeja Santa Marta, que Francisco imitará no zelo incansável da sua vida activa ao serviço do Senhor, embora imite também Maria, na vida de amor e união com Deus. O Pe. Francisco Cruz nasceu uma semana antes da morte de S. João Maria Vianney, falecido a 4 de Agosto mas que fica de cama a 29 de Julho precisamente.
Deus não quis apagar uma luz sem deixar outra acesa.
Se S. João Maria Vianney foi portador de luz no pós revolução francêsa, o Pe. Cruz foi portador de luz nos tempos conturbados da perseguição repúblicana em Portugal.
Se S. João Maria Vianney prepara a França para as aparições de Nossa Senhora de Lourdes, o Pe. Cruz prepara e «confirma» as aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Dois sacerdotes apaixonados por Jesus, com profundo amor aos pobres, aos mais pequenos, incansaveis na pregação, zelosos na salvação das almas, em continua oração. Em cujas vidas a graça de Deus toca cada coração com quem se encontram.
Se em França milhares de peregrinos vão até Ars, paróquia de S. João Maria Vianney, em Portugal o Pe. Cruz vai ao encontro de milhares de pessoas fazendo-se peregrino.»

(Recebido por mail)

21.7.09

A Igreja e a Gripe A

A Pastoral da Saúde dirigiu a todos os sacerdotes um ofício com Orientações para as Comunidades Cristãs. O ofício, com recomendações específicas, não só em matéria de higiene, mas também em matéria litúrgica, tem uma versão original (datada de 15 de Julho), à qual foi acrescentado uma Nota.

Esta Nota que foi acrescentada deve-se ao comunicado contundente do Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, publicado a 17 de Julho, no site do Patriarcado e, posteriormente, reproduzido na Agência Ecclesia e demais órgãos de informação.

O que está em causa não é quem é a autoridade competente para dar normas litúrgicas, mas sim que todos devemos colaborar para que a gripe A, já de per si, altamente contagiosa, não assuma proporções maiores do que aquelas que inevitavelmente vai ter.

É, por outro lado, necessário ter em conta que, a Pastoral da Saúde emite as Orientações dentro de um contexto muito diferente daquele que vive o interior. Em Lisboa, a realidade da Gripe A aparece muito mais dramática do que no interior. Por isso, em concreto nos meios rurais, não se torna imperativo pedir às pessoas que comunguem na mão, ou abolir o rito da paz (algo que, vários sacerdotes, até já faziam antes deste surto de gripe).

Se a comunhão é dada sem pressas, com dignidade e com o cuidado necessário (usando, por exemplo, hóstias um pouco maiores), não há um maior risco de contágio se a comunhão for dada na mão ou na boca. Aliás, o exemplo do Papa, que dá a comunhão aos fiéis estando estes de joelhos leva a que a comunhão seja dada com menos pressa e numa posição mais cómoda ao celebrante.

Além disso, torna-se necessário referir que, as assembleias de culto são locais muito menos perigosos do que outros tipos de reunião de pessoas (como possam ser as festas populares, eventos desportivos, etc.) para a propagação da doença. Pelo que, é consequente que, quem apoia estas orientações da Pastoral da Saúde também recomende aos namorados e casados que não se beijem, aos jovens que tenham uma conduta de respeito pela virtude da pureza e que sejam evitados todos os comportamentos de infidelidade conjugal.

7.7.09

Justiça e caridade

«Ubi societas, ibi ius: cada sociedade elabora um sistema próprio de justiça. A caridade supera a justiça, porque amar é dar, oferecer ao outro do que é « meu »; mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro o que é « dele », o que lhe pertence em razão do seu ser e do seu agir. Não posso « dar » ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça. Quem ama os outros com caridade é, antes de mais nada, justo para com eles. A justiça não só não é alheia à caridade, não só não é um caminho alternativo ou paralelo à caridade, mas é « inseparável da caridade »[1], é-lhe intrínseca. A justiça é o primeiro caminho da caridade ou, como chegou a dizer Paulo VI, « a medida mínima » dela[2], parte integrante daquele amor « por acções e em verdade » (1 Jo 3, 18) a que nos exorta o apóstolo João. Por um lado, a caridade exige a justiça: o reconhecimento e o respeito dos legítimos direitos dos indivíduos e dos povos. Aquela empenha-se na construção da « cidade do homem » segundo o direito e a justiça. Por outro, a caridade supera a justiça e completa-a com a lógica do dom e do perdão[3]. A « cidade do homem » não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo.»

Bento XVI, Caritas in veritate, 2009.06.29, n. 6

27.6.09

Pe. Manuel Rodrigues Linda nomeado Bispo Auxiliar de Braga


É tornada hoje pública a nomeação do Rev. Sr. Pe. Manuel Rodrigues Linda para Bispo auxiliar da Arquidiocese de Braga. Actualmente, é Reitor do Seminário Maior de Vila Real.

«O sacerdote tem 53 anos de idade e é natural de Paus, freguesia do concelho de Resende, distrito de Viseu e diocese de Lamego. É padre desde 1981. Estudou na Faculdade de Filosofia de Braga, onde terminou a Licenciatura em Humanidades, e também em Roma e Madrid, onde recebeu o grau de Doutor em Teologia Moral. Desde 1982 faz parte do Conselho Presbiteral da diocese de Vila Real. Em 2001 foi nomeado Vigário Episcopal para a Cultura e membro do Colégio de Consultores, cargos que ainda ocupa.»

In Diário do Minho

Ao novo Bispo desejo as maiores felicidades no novo ministério que lhe é confiado.

26.6.09

Duas qualidades importantes

Por Huston Smith

"Aqueles que primeiro ouviram os discípulos de Jesus proclamar a Boa Nova [da sua Ressurreição] ficaram impressionados tanto por aquilo que viam como por aquilo que ouviam. Viram vidas transformadas - homens e mulheres vulgares, excepto no facto de que pareciam ter encontrado o segredo de viver. Emanavam uma tranquilidade, simplicidade e alegria nunca vistas. Aqui estavam pessoas que tinham sucesso numa empresa na qual todos gostariam de ter sucesso - a da própria vida.

Especificamente, duas qualidades pareciam abundar nelas. A primeira era o respeito mútuo. Uma das primeiras observações acerca dos cristão registada por um observador independente foi "Vejam como estes cristãos se amam mutuamente". Como parte deste respeito mútuo, existia uma ausência total de barreiras sociais entre eles; era "uma comunidade de iguais", como escreveu um estudioso do Novo Testamento. Aqui estavam homens e mulheres que não apenas diziam que todos eram iguais aos olhos de Deus, como viviam de acordo com o que diziam. As barreiras convencionais de raça, género, e estatuto não significavam nada para eles, porque em Cristo não havia nem judeu nem gentio, masculino ou feminino, escravo ou homem livre. Em consequencia, a despeito de diferenças nas funções ou posições sociais, a sua união era caracterizada por um sentimento de genuína igualdade."

In The World´s Religions, S. Francisco: Harper, 1961, pp. 331-332

Via Pedro Arroja, in Portugal Contemporâneo

25.6.09

Eu, pecador, me confesso...


Ao longo do ano, há momentos litúrgicos fortes que levam um sacerdote a convidar com mais intensidade os fiéis a aproximarem-se do Sacramento da Reconciliação.

Admiro sinceramente os meus irmãos no sacerdócio: a sua coragem, tenacidade, generosidade. Entre os sacerdotes, há verdadeiros heróis, que consomem todas as suas forças para anunciarem o Evangelho, para estarem ao lado dos mais pobres e marginalizados, pela disponibilidade que demonstram para acolherem a todos, com os quais têm uma palavra amiga, de compreensão.

No entanto, é muito cómodo olhar a Confissão e pensar que só serve para os outros, que um sacerdote só precisa de longe a longe. Pessoalmente, olho para a minha vida e, ao lado de umas poucas coisas boas, vejo tantas misérias, tantas faltas de generosidade e de correspondência... Por isso, não tenho qualquer repugnância em dizer que todas as semanas me confesso. A confissão semanal ajuda-me a ser mais misericordioso com as faltas dos outros; ajuda-me a manter viva a minha luta pessoal por não voltar a ofender mais a Nosso Senhor, por procurar que a minha vida seja o mais transparente possível para que os outros, em mim, possam ver a luz de Cristo. Sei que voltarei a pecar, que O voltarei a ofender, não por maldade, mas por miséria e fraqueza. No entanto, desde há vários anos, que me servem de lição as palavras do Santo Cura d'Ars, referidas pelo Santo Padre Bento XVI na última carta que dirigiu aos sacerdotes: «O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e todavia perdoa-vos. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até ao ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!»

Não pretendo dar lições a quem quer que seja. Mas, se neste Ano Sacerdotal, nós, sacerdotes, redescobríssemos o valor da Confissão também para nós, estaríamos em melhores condições para ajudar todos os fiéis a amar mais a Jesus Cristo.

23.6.09

"Eu assumo"

1. Peço que me desculpem os leitores mais conservadores, a quem esta minha confissão pública possa chocar.

Peço que se acolha esta minha declaração com tolerância, que é a virtude cívica que se define como indiferença ante o bem e o mal, e que, por isso, proíbe terminantemente qualquer imposição ou condenação em termos morais.

Peço para mim e para todos os que sentem na pele o estigma de uma excepção que nos foi imposta pela natureza, à revelia da nossa vontade, uma plena integração social, pondo assim termo à injusta discriminação a que fomos expostos e que continuamos a padecer.

Peço e exijo que, em nome da igualdade, se nos aceite como somos: iguais na diferença e diferentes na igualdade.

2. Desde que tive consciência desta minha particularidade de género, experimentei a segregação a que todos os que partilhamos esta condição somos, por regra, expostos. Com efeito, qualquer tímida manifestação desta nossa anormalidade – que o é, convenhamos, em termos estatísticos – é logo censurada por severos olhares que, não obstante a sua mudez, nos gritam o drama da nossa reprimida singularidade genética.

Mas hoje, finalmente, graças à abertura e compreensão dos nossos governantes, que parecem não ter outra preocupação que não seja a de pôr termo a estas injustiças atávicas, tomei a decisão de me assumir publicamente: sim, sou canhoto! Afirmo-o pela primeira vez sem complexos, diria que com orgulho até, disposto mesmo a desfilar numa triunfal canhotos’ pride parade!

3. Cônscio de que a democracia está incompleta enquanto não nos forem dados os mesmos direitos que já usufruem os dextros, não posso deixar de fazer algumas reivindicações. A saber:
Exijo que o Estado financie as operações de mudanças de braços e mãos, pernas e pés, de todos os canhotos que queiram mudar de género!

Exijo que todas as cadeiras dos anfiteatros tenham igualmente amplos os apoios dos dois braços, e não apenas o direito, como pretende a maioria fascizante dos dextros!

Exijo que nós, os canhotos, tenhamos direito a carros com o travão de mão à esquerda e os pedais invertidos (com perdão!), pondo assim termo à imposição, por parte da indústria automóvel, de um único modelo comportamental!

Exijo que as autarquias reconheçam o nosso inalienável direito a circular pela esquerda, criando um itinerário alternativo canhoto (IAC)!

Exijo que seja despenalizada, para os canhotos, a condução em contra-mão e que sejam imediatamente amnistiados todos os esquerdinos que, por este motivo, já foram hipocritamente condenados por tribunais dominados pelos dextros!

Exijo que o trecho bíblico que coloca à esquerda de Deus os condenados e à sua direita os bem-aventurados, seja alterado, de modo que se não possa associar aos esquerdinos nenhuma humilhante inferioridade de género.

Exijo que a expressão «cruzes, canhoto!» e outras análogas sejam criminalizadas, pelo seu evidente cunho canhotofóbico.

E, claro, exijo também o direito à adopção de crianças dextras por casais esquerdinos!

4. Graças ao carácter fracturante desta minha proposta, que suponho também assumida por todos os outros cidadãos da mesma condição, quero crer que será acolhida favoravelmente por todos os partidos políticos que têm pugnado pela igualdade de género. Afinal de contas nós, os canhotos, também somos de esquerda, não é?

P. Gonçalo Portocarrero de Almada, in Jornal Voz da Verdade

17.6.09

Indulgências para o Ano Sacerdotal


A Congregação para o Clero emitiu uma Nota com a concessão de especiais indulgências para o Ano Sacerdotal, não só para os Sacerdotes mas também para todos os outros fiéis.

Pode consultar o texto AQUI ou AQUI.

10.6.09

Peregrinação ao Santuário da Lapa

Desde há uns anos a esta parte que, no dia 10 de Junho, muitas Paróquias da Diocese rumam ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa, em Quintela da Lapa, concelho de Sernancelhe. É um dos Santuários mais antigos do país dedicado a Nossa Senhora.

Neste dia, a partir das 10h00, as cruzes paroquiais vão em procissão desde o cruzeiro até ao Santuário, enquanto se reza ou canta a Ladaínha de todos os Santos, ou outras orações.

Hoje não foi excepção. A Santa Missa, presidida pelo Sr. Bispo, está marcada para o meio dia. Apesar de uma chuva insistente e de um vento frio, impressiona a quantidade de pessoas que hoje veio à Lapa. Impressiona-me a piedade sincera e o modo filial de recorrerem à Santa Mãe do Céu.

E, com o pensamento nas actividades paroquiais do Verão, pela pessoa e intenções do Santo Padre e do nosso Bispo, pelos nossos Seminários, também eu rezo: Senhora da Lapa, rogai por nós!

8.6.09

Correspondência de João Paulo II


Há várias semanas que ecoam, em vários meios de comunicação, informações que o processo de beatificação de João Paulo II está a ser mais moroso devido à publicação da correspondência que o Pontífice manteve com a Sra. Wanda Poltawska, psiquiatra polaca. Os próprios títulos das notícias deixam uma certa dúvida sobre os factos.

No entanto, depois de ser possível aceder a todas as informações, torna-se claro que não há nada nesse epistolário que seja menos positivo de João Paulo II. Pelo contrário, nessas cartas manifesta-se uma amizade pura e muito sacerdotal por parte do Santo Padre.

Esta publicação mereceu alguns reparos por parte do antigo Secretário pessoal de João Paulo II, Card. Stanislaw Dziwisz, não pelo seu conteúdo, mas sim porque, no parecer do actual Cardeal de Cracóvia, é correspondência particular que não deveria ser publicada sem o consentimento mútuo de ambas as partes.

O problema para o processo de beatificação está no facto de a Dra. Poltawska recomendar ao Santo Padre que não nomeasse como Bispos alguns sacerdotes que ela, como psiquiatra, sabia terem problemas não resolvidos (na esfera afectiva e sexual). Alguns desses nomes foram propostos ao Santo Padre para serem nomeados como Bispos de várias dioceses da Polónia.

Como se constata, por vezes os títulos sensacionalistas podem induzir o leitor em erro.

6.6.09

Congregação para o Clero com novas faculdades

Informações pouco precisas
Ao longo dos últimos dias, várias agências informativas referem que o Santo Padre concedeu à Congregação para o Clero novas faculdades para agilizar a concessão da dispensa das obrigações sacerdotais e do celibato a sacerdotes que tenham abandonado o ministério sacerdotal.

No entanto, as informações vindas a público são um pouco confusas. Além de não ser possível, até à data, ter acesso ao documento original com o qual o Santo Padre concede as novas faculdades à Congregação, os vários órgãos de informação referem a possibilidade dos Bispos e a Congregação concederem tal dispensa administrativamente, sem um processo judicial (tal como está previsto no Código).

O tema é sensível. Em primeiro lugar, pela importância do Sacramento da Ordem. O carácter que imprime, à semelhança do Baptismo, é indelével. O sacerdote, depois de ordenado, é sacerdote para a eternidade.

Em segundo lugar, ninguém tem a perseverança assegurada. Ao lado de uma imensa maioria de sacerdotes fiéis, há um pequeno número que abandonou o ministério pelos mais variados motivos. Neste segundo grupo, há sacerdotes que constituíram família e criaram laços de justiça que são permanentemente impeditivos de regressarem ao exercício do ministério. E é, precisamente, para tomar decisões em relação a estes sacerdotes que a Congregação tem novas competências.

As novas faculdades da Congregação
Hoje, Mons. Mauro Piacenza, Secretário da Congregação do Clero, explica quais são, em concreto, as novas faculdades da Congregação para o Clero.

Em primeiro lugar, afirma que as novas faculdades da Congregação foram concedidas expressamente pelo Santo Padre no passado dia 30 de Janeiro.

Em segundo lugar, o princípio fundamental que guia a concessão destas faculdades por parte do Santo Padre é a salus animarum, a salvação das almas.

Em terceiro lugar, as novas faculdades da Congregação para o Clero, são:
a) a faculdade de proceder à demissão do estado clerical in penam, ou seja, dispensando das obrigações derivadas da ordenação sacerdotal dos clérigos que tenham realizado casamento civil. Se, depois de admoestados, continuarem com uma conduta irregular à luz da lei da Igreja, os sacerdotes culpados de graves pecados externos contra o sexto mandamento, terão, como pena, a demissão do estado clerical.

b)a possibilidade de proceder à demissão do estado clerical em casos gravíssimos e cujo escândalo cause grave dano às almas, não por via judicial (como actualmente prevê o Código), mas sim por via administrativa, salvaguardando o direito de defesa, que deve ser sempre assegurado (mesmo procedendo por via administrativa).

c) a faculdade de declarar a perda do estado clerical daqueles sacerdotes que tenham abandonado o ministério há cinco anos consecutivos e que persistam na ausência voluntária e ilícita do ministério.

Fonte: Radio Vaticana