17.11.08

O futuro da Igreja será marcado pelos Santos

Há 40 anos, o então jovem Joseph Ratzinger, afirmava:

«O futuro da Igreja, ainda hoje, não pode apoiar-se senão na força daqueles que vivem com raízes profundas e que vivem partir da pura plenitude da sua fé.

O futuro não virá daqueles que apenas se adaptam a cada momento.
O futuro não se apoiará naqueles que só prescrevem receitas.
O futuro não se apoiará naqueles que só criticam os outros, tomando-se a si mesmos como medida infalível.
E, portanto, o futuro também não virá daqueles que escolhem o caminho mais cómodo.

Aqueles que esquecem a paixão da fé consideram falso e ultrapassado, tirania e legalismo, tudo aquilo que implica exigência relativamente ao homem, tudo o que lhe custa e o obriga a abandonar-se.

Afirmemos isto de forma positiva: também desta vez, como sempre, o futuro da Igreja será marcado pelos santos. Ou seja, pelos homens que percepcionam mais do que as palavras de ordem, embora se dê o caso de elas serem modernas

São esses homens que vêem mais além do que os outros, porque a sua vida se abre a espaços mais amplos. A abnegação adquire-se somente na paciência com as pequenas renúncias quotidianas a si mesmo.

É essa paixão quotidiana que, pela primeira vez, permite ao homem experimentar de quão diversas formas o seu próprio eu o prende, é nessa paixão quotidiana e só nela que o homem se abre pouco a pouco. O homem vê na mesma medida em que tenha vivido e sofrido.

Se hoje ainda temos dificuldade em percepcionar Deus, é porque se tornou demasiado fácil evitarmo-nos a nós próprios e fugir perante a profundidade da nossa própria existência, na anestesia de qualquer comodidade. Aquilo que em nós existe de mais profundo permanece, então, inexplorado. Se é verdade que só se vê bem com o coração, quão cegos somos todos nós!»

Joseph Ratzinger, in "Que aspecto será o da Igreja no Ano 2000?", Conferência radiofónica, Emissora Radiofónica de Hessis, Natal de 1969