30.11.08

Início do Advento


Do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos:
«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!».
(Mc 13, 33-37)

"Vigiai": Visto que não sabemos quando há-de vir o Senhor, temos de estar preparados. Vigiar é sobretudo amar. Quem ama cumpre os mandamentos e espera com ansiedade, com urgência, que Cristo volte; porque esta vida é espera, é caminho ao encontro de Cristo Senhor.

Os primeiros cristãos repetiam com frequência e com amor a jaculatória: "Vem, Senhor Jesus" (1 Cor 16,22; Apc 22,20). E, ao exercitar deste modo a fé e a caridade, aqueles cristãos encontravam a força interior e o optimismo necessários para o cumprimento dos deveres familiares e sociais, e desprendiam-se interiormente dos bens terrenos, com o senhorio que dá a esperança da vida eterna.
Comentário ao Evangelho, da Ed. de Navarra.

29.11.08

Chegou a neve


Nada anda à vontade de Deus como o tempo.

28.11.08

Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades

Um dos maiores desafios com que lidamos todos os dias é a dificuldade em fazer passar a beleza da fé, com os seus conteúdos, às novas gerações. Pelos bancos das nossas igrejas, pelas mãos das nossas catequistas, pelas nossas mãos estão a passar gerações de novos pagãos que, por muitos motivos (entre os quais se encontra também a recusa voluntária) ainda não encontraram a Cristo.

Mas, à semelhança de outros tempos, esta crise não se resolve com os meios, mas sim mais a jusante. Resolve-se na fonte. É verdade que os destinatários da mensagem parecem encontrar-se noutra onda. Mas acho que uma parte muito substancial do problema está, também, em quem transmite a mensagem.

Por isso, a crise de educação na fé que atravessamos continua a ser uma crise de testemunho ou, como dizia S. Josemaria, uma crise de santos.

27.11.08

Padre Duarte Sousa Lara na Baja Portalegre 500 (1.11.2008)

Nesta reportagem, que passou na TVI, é entrevistado o Pe. Duarte Sousa Lara, da Diocese de Lamego, que participou na prova.

26.11.08

Serão todas as religiões verdadeiras?

O seu modo de argumentar parecia ter uma certa lógica. «Eu sou daqueles que pensam que todas as religiões são verdadeiras. Pondo de parte algumas degenerações fanáticas, todas levam o homem a fazer o bem, promovem sentimentos positivos e satisfazem a necessidade de transcendência que temos dentro de nós. No fundo, acaba por ser a mesma coisa escolher uma religião ou outra. Viva a liberdade! Quem sou eu para impor a minha religião aos outros?

«Que cada um escolha a sua própria religião. Que cada um escolha aquela que melhor se adapta ao seu modo de ser. Esta é a minha opinião e não acredito que esteja errada. Sobretudo, acho que é a única que pode ser considerada verdadeiramente tolerante. Quem acredita que a sua religião é a verdadeira acaba por ser um bocado fanático. E com pessoas fanáticas não é possível dialogar».

É verdade que todas as religiões, se o são de verdade, possuem algo de positivo. No entanto, isso não é a mesma coisa que afirmar que todas as religiões são verdadeiras. Não é sério dizer que podem ser verdadeiras ao mesmo tempo religiões que afirmam coisas diferentes e contraditórias. Assim como não é sério dizer que dois mais dois são aquilo que mais estiver de acordo com os sentimentos de cada um. A resposta é só uma. Não somos nós que a inventamos. A nós compete-nos somente descobri-la.

Se só existe um Deus, não pode haver mais do que uma verdade sobre Ele. E a descoberta do caminho para chegar a Deus é a mais importante da nossa vida. Dela depende a nossa eternidade. Viver de acordo com uma religião não é algo que esteja ao mesmo nível de escolher um produto num supermercado. Não tem a mesma importância que a selecção da cor de um automóvel que pretendemos comprar.

Uma pessoa não vive de acordo com uma religião porque isso lhe dê uma satisfação maior. Porque a faça sentir-se em harmonia com o universo. Nem porque lhe permita emitir suspiros mais ou menos celestiais. Uma pessoa vive de acordo com uma religião porque acredita que é o seu caminho para chegar a Deus. O seu caminho para que a sua vida tenha sentido. Para que a sua vida não termine no cemitério. Pelo contrário, para todos aqueles que se contentam com ficar por lá, não é necessária a procura de nenhuma religião. Nem é necessário ter a “dor de cabeça” de tentar encontrar a verdadeira.

Para os cristãos esse único caminho para chegar a Deus tem um nome: Jesus Cristo. Ele não é somente um homem especial. É Deus feito homem. Deus que se fez homem e morreu na Cruz para nos salvar. Não foram os cristãos que inventaram a Cruz por ela estar mais de acordo com os seus sentimentos. Foi Deus que escolheu esse modo concreto de nos salvar. Um modo que revela o seu infinito amor por nós e nos pede uma resposta.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

25.11.08

Tradição

«A tradição consiste na atribuição do direito de voto à mais obscura de todas as classes, a classe dos nossos antepassados. A tradição é a democracia dos mortos.

A tradição recusa submeter-se à pequena e arrogante oligarquia daqueles que, por acaso, ainda circulam pelas ruas. Os democratas opõem-se à exclusão das pessoas devido aos acasos do nascimento; pois a tradição opõe-se à sua exclusão devido aos acasos da morte.

A democracia sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja o criado lá de casa; pois a tradição sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja nosso pai. (...)

Os mortos devem ter assento nos nossos conselhos. Na Grécia Antiga, votava-se por meio de pedrinhas; os nossos mortos votam por meio de pedras tumulares. É um processo perfeitamente razoável e oficial, dado que a maioria das pedras tumulares, tal como a maioria dos boletins de voto, é assinalada com uma cruz.»

G. K. Chesterton, Ortodoxia, Alétheia Ed., p. 65.

24.11.08

Diocese de Lamego comemora bodas de ouro de D. Jacinto Botelho

Neste mês de Novembro, as comemorações da Diocese de Lamego das bodas de ouro de D. Jacinto Botelho incluíram um vasto conjunto de actividades.

No dia 08 de Novembro, pelas 15,00h, realizou-se uma conferência intitulada: “Bispos de Lamego: os homens e as suas obras”, que incluiu 3 painéis: “Cultos romanos e vestígios paleocristãos nos territórios da Diocese de Lamego", pelo Dr. João L. Inês Vaz; "As tensões entre a Diocese de Lamego e os Mosteiros de São João de Tarouca e de Santa Maria de Salzedas", pela Dra Amélia Albuquerque; “D. João Magalhães e Avelar, cidadão de Lamego, homem da Igreja e Bispo do Porto", pelo Prof. José António Oliveira.

Nesse mesmo dia, foi apresentado o livro “D. João António Binet Pincio, bispo de Lamego. O Homem e a Obra (1786-1821)", da autora Isolina Augusta Rodrigues Guerra. A apresentação esteve a cargo de Salvador Magalhães Mota

No dia 15 de Novembro, foi inaugurado e benzido o novo Museu Diocesano , mais conhecido por Casa do Poço, onde teve sede o antigo Seminário Maior. Pelas 15,00h realizou-se uma conferência cujo título foi: “A actualidade da Diocese de Lamego”. Dela constavam 3 painéis, expostos pelo Arquitecto Manuel Botelho; “D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho”, por D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro; a a apresentação das Exposições, pelo Dr. João Soalheiro.

Seguiu-se a inauguração da Exposição “De 1500 à actualidade – cinco séculos da História do Bispado de Lamego”, que teve a organização do Museu Diocesano de Lamego com a colaboração do Museu de Lamego.

No dia 17 de Novembro, pelas 21.00h, no Auditório do Museu Diocesano, teve lugar a Conferência “Luzes e Sombras na Igreja de Lamego”, dada pelo Pe. Dr. Joaquim Correia Duarte. Ao longo de cerca de hora e meia, o conferencista foi enumerando vários acontecimentos positivos da história da Diocese de Lamego, passando depois a relatar alguns dos momentos de maior dificuldade na História da Diocese e do Bispado, terminando com várias considerações sobre a situação actual na Diocese e no país.

No dia 18 de Novembro, no Teatro Ribeiro Conceição, Ana Telles deu um memorável concerto de piano a solo, onde interpretou várias peças de música religiosa para piano, incluindo dois pequenos de Bach adaptados por Buzoni para piano; uma peça de Listz, outra de Olivier Messiaen e também uma peça do recentemente falecido Pe. Joaquim dos Santos.

No dia 19 de Novembro, teve lugar, no Auditório do Centro Social Paroquial de Almacave, a Conferência com o título: “Ordenamento Jurídico actual em Portugal
e suas incidências na Família”, pelo Dr. Manuel Teixeira, actual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lamego. Começando por fazer um excursus histórico sobre a instituição familiar desde o tempo do Império romano, centrou depois a sua atenção na legislação familiar do Estado Português nos últimos dois séculos e, de uma maneira particular, na mais recente legislação aprovada pelo actual Governo, realçando que as actuais leis não defendem nem protegem a instituição familiar.

No dia 20 de Novembro, no Teatro Ribeiro Conceição, actuou a Orquestra Barroca VOX ANGELIS.

No dia 21 de Novembro, no Auditório do Teatro Ribeiro Conceição, realizou-se a Conferência “Lamego e a implantação da República”, brilhantemente dada por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto. Começou por situar o liberalismo em Portugal. Depois, percorrendo personagens e datas, focou a sua atenção em dois personagens ligados a Lamego: D. João Rebelo Cardoso de Meneses (1832-1890) e Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar, 2º. Conde de Samodães.

No dia 22 de Novembro, realizou-se a vigília de oração promovida pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, que congregou na Sé Catedral um considerável número de jovens que, com a sua alegria e entusiasmo, enfrentaram o frio da Sé e, na adoração eucarística, transmitiram um impressionante testemunho de fé.

No dia 23 de Novembro, Solenidade de Cristo Rei, pelas 10.00h teve início o Encontro de Colaboradores Paroquiais, no Seminário Maior de Lamego, onde foi estudado o plano pastoral da Diocese para este ano, centrado nos sacramentos do Matrimónio e da Ordem.

Pelas 15,00h, realizou-se a cerimónia de descerramento da lápide da Rua atribuída pela Câmara Municipal de Lamego, a D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho.

Pelas 16.00h teve início o Solene Pontifical na Sé Catedral de Lamego, presidido pelo Sr. Bispo, concelebrado por 10 Bispos, cerca de 140 sacerdotes, 6 diáconos e muitos fiéis. Um extraordinário Grupo Coral, orientado pelo Pe. José Abrunhosa animou muito dignamente a celebração.

Na homilia, o Sr. D. Jacinto Botelho realçou a sua intenção de não centrar as celebrações jubilares na sua pessoa com as seguintes palavras: "Desde o princípio venho dizendo que só entendo e aceito todas as realizações "como expressão de amizade, manifestação da fé dum povo crente e bom, oportunidade de formação para os cristãos desta Diocese de Lamego, e estímulo para consolidar a comunhão na Igreja diocesana, preocupação prioritária do meu ministério episcopal."

Várias autoridades civis, de uma maneira especial a Câmara Municipal, empenharam-se activamente neste Jubileu de Ouro sacerdotal do Sr. D. Jacinto e a elas se dirigiu calorosamente o Prelado, agradecido.

No final, houve um jantar na Escola de Hotelaria e Turismo de Lamego para os convidados.

Texto retirado da homepage da Diocese de Lamego.

17.11.08

O futuro da Igreja será marcado pelos Santos

Há 40 anos, o então jovem Joseph Ratzinger, afirmava:

«O futuro da Igreja, ainda hoje, não pode apoiar-se senão na força daqueles que vivem com raízes profundas e que vivem partir da pura plenitude da sua fé.

O futuro não virá daqueles que apenas se adaptam a cada momento.
O futuro não se apoiará naqueles que só prescrevem receitas.
O futuro não se apoiará naqueles que só criticam os outros, tomando-se a si mesmos como medida infalível.
E, portanto, o futuro também não virá daqueles que escolhem o caminho mais cómodo.

Aqueles que esquecem a paixão da fé consideram falso e ultrapassado, tirania e legalismo, tudo aquilo que implica exigência relativamente ao homem, tudo o que lhe custa e o obriga a abandonar-se.

Afirmemos isto de forma positiva: também desta vez, como sempre, o futuro da Igreja será marcado pelos santos. Ou seja, pelos homens que percepcionam mais do que as palavras de ordem, embora se dê o caso de elas serem modernas

São esses homens que vêem mais além do que os outros, porque a sua vida se abre a espaços mais amplos. A abnegação adquire-se somente na paciência com as pequenas renúncias quotidianas a si mesmo.

É essa paixão quotidiana que, pela primeira vez, permite ao homem experimentar de quão diversas formas o seu próprio eu o prende, é nessa paixão quotidiana e só nela que o homem se abre pouco a pouco. O homem vê na mesma medida em que tenha vivido e sofrido.

Se hoje ainda temos dificuldade em percepcionar Deus, é porque se tornou demasiado fácil evitarmo-nos a nós próprios e fugir perante a profundidade da nossa própria existência, na anestesia de qualquer comodidade. Aquilo que em nós existe de mais profundo permanece, então, inexplorado. Se é verdade que só se vê bem com o coração, quão cegos somos todos nós!»

Joseph Ratzinger, in "Que aspecto será o da Igreja no Ano 2000?", Conferência radiofónica, Emissora Radiofónica de Hessis, Natal de 1969

6.11.08

Pastoralismo

«A substituição das soluções jurídicas por soluções pretendidamente pastorais - se assim se podem chamar - é o vício do pastoralismo. Não me refiro ao facto de ser necessário de ter sentido pastoral na busca de soluções jurídicas, mas à substituição do direito pela pastoral. O pastoralismo prescinde das soluções jurídicas, ainda que aparente dá-las, substituindo-as por aquilo que acredita ser 'mais pastoral'.
Um tema no qual encontramos muito pastoralismo é o matrimónio. Por exemplo, se a convivência, num casamento, se tornou insuportável - sobretudo se um dos cônjugues tem uma relação com outra pessoa - parece que a solução pastoral é que o matrimónio seja dissolvido; como a Igreja não admite a dissolução, tende-se a distorcer as causas de nulidade, de modo a que todos os casamentos fracassados sejam considerados nulos. A 'pastoral' substituiu o direito. Com isso, o direito desaparece, mantendo apenas uma aparência.

O mais grave do pastoralismo é que atenta contra o bem das almas, transformando-se numa anti-pastoral. No caso do matrimónio, por exemplo, ao pretender que sejam nulos os casamentos que não o sejam, coloca os que contraem um novo matrimónio numa situação de pecado, pelo menos material.

De qualquer maneira, o pastoralismo introduz a arbitrariedade e a injustiça. Tudo fica à mercê da boa (ou menos boa) vontade e do critério (ou falta de critério) daquele que tem obrigação de actuar segundo o direito. Em lugar de agir segundo a justiça, age segundo a sua sabedoria e entendimento, isto é, segundo o seu arbítrio. E isso é arbitrariedade.

Por outro lado, o pastoralismo distorce a solução jurídica, que é a solução segundo a justiça, caindo no vício da injustiça.»

Javier Hervada, in «Pensamientos de un canonista en la hora presente», Eunsa, p. 15 (tradução minha)

5.11.08

Pamplona, uma semana depois

Faz amanhã uma semana que explodiu um carro armadilhado no campus da Universidade de Navarra, em Pamplona.

Desde ontem à noite que me encontro nesta cidade. Vim com alguns amigos e hoje passámos o dia na Universidade. Os vestígios da explosão só se notam nos edifícios atingidos (a zona lateral do Edifício Central e a Biblioteca). Alguns trabalhadores reconstroem o que a bomba destruiu dentro dos edifícios mas, externamente, nada se nota de anormal. Se a notícia da explosão não tivesse chegado a Portugal, não notaríamos nada de anormal.

O tema não se toca nas conversas, vêem-se estudantes normais. No parque onde explodiu a bomba, há carros estacionados como se nada de anormal tivesse acontecido. E talvez seja essa a melhor resposta ao terrorismo: não dar importância a quem não a merece.