30.10.08

A civilização da imagem


Em certo país, existia um quartel militar perto de uma aldeia. No meio do pátio desse quartel estava um banco de madeira. Era um banco simples, branco e sem nada de especial. E junto desse banco estava um soldado de guarda. Fazia guarda de dia e de noite. Ninguém no quartel sabia porque se fazia guarda junto a esse banco. Mas fazia-se. Os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém duvidava. Ninguém perguntava. Era assim.

Até que um dia foi trabalhar para aquele quartel um oficial que era diferente. Tinha o mau costume de perguntar o que ninguém perguntava. Perguntou porque se fazia guarda junto a esse banco. Responderam-lhe que era algo que sempre se tinha feito assim. Era uma ordem que se cumpria há muito tempo e funcionava. Logo, não podia estar errada. O oficial pediu então para ver a ordem escrita. Foi necessária uma pesquisa profunda nos arquivos do quartel, que já estavam cheios de pó. Por fim, alguém conseguiu encontrá-la. Dezoito anos, três meses e cinco dias atrás, um coronel tinha mandado que ficasse um soldado de guarda junto a esse banco. Aí estava a ordem. O motivo, escrito em baixo com letra pequena, era que o banco estava recém-pintado e havia o perigo de alguém se sentar.

Esta história pode ajudar-nos a reflectir sobre a importância da actividade de pensar. A importância de não actuarmos com o argumento de que sempre se fez assim. Porque pensar é útil. Pensar é necessário. E pensar com calma revela-se, com frequência, algo profundamente eficaz. Algo que evita a perda de muito tempo. Quantas vezes temos a sensação de que uma coisa correu mal porque não pensámos bem antes de actuar? Porque não actuámos com ponderação? Porque nos deixámos levar pelo imediato?

Este frenesi está muito relacionado com a civilização da imagem na qual vivemos. É um facto que muitas pessoas vêem muitas imagens e lêem pouco ou quase nada. Não porque sejam analfabetas, mas porque parece mais fácil adquirir conhecimentos assim. Assusta conhecer pessoas que passam horas diante da televisão e nem consideram a possibilidade de abrir um livro. «Se uma imagem vale por mil palavras, qual é a utilidade da leitura? Se já vi o filme, para que é que vou ler o livro?».

E esta importância excessiva dada à imagem em detrimento da palavra explica em parte o pensamento débil de muitos. Porque a actividade de pensar articula-se com palavras. Palavras que chegam ao fundo do espírito, que convidam à reflexão e despertam a inteligência. Uma das características mais habituais daqueles que lêem pouco é a pobreza de vocabulário. E isso produz uma pobreza de pensamento. Uma facilidade para actuar como todos. Uma propensão para deixar-se manipular por slogans simplistas. Uma dificuldade para transmitir o próprio pensamento com palavras adequadas. E quem não sabe transmitir aquilo que pensa, o mais provável é que não pense bem.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

29.10.08

O Cordeiro e a Santa Missa


«Na Missa, os primeiros cristãos encontrariam forças no meio das perseguições. A ajuda e a salvação da Igreja vinham do único e perpétuo Sacrifício de Jesus Cristo.

Na Missa, os primeiros cristãos uniram as suas forças às dos Anjos e dos Santos para prestarem culto a Deus, como nos mostra o livro do Apocalipse.

Na Missa, a Igreja recebeu o "maná escondido" como sustento em tempos de tribulação (cf. Ap 2, 17).

Na Missa, as orações dos santos da Terra elevaram-se como incenso para se unirem às orações dos Anjos no Céu - e foram estas orações que alteraram o rumo das batalhas e o curso da História. Esse é o plano de combate do Apocalipse. Foi assim que o cristianismo prevaleceu sobre inimigos aparentemente imbatíveis, em Jerusalém e em Roma.

Mesmo depois da queda de Jerusalém, outros adversários se levantariam para perseguir a Igreja de Deus. Em todas as épocas, a Igreja enfrenta fortes perseguidores, que contam com exércitos e armas cada vez mais poderosos.

Mas todas as armas, legiões e estratégias falharão. Grandes generais acabam por cair feridos de morte. Quando o Cordeiro entra no combate, "os reis da terra, os grandes ricos, os chefes militares, os poderosos, todos os escravos e todos os homens livres se escondem nas cavernas e nos rochedos das montanhas e dizem os montes aos rochedos: 'Caí sobre nós e escondei-nos do rosto d'Aquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da sua ira. Quem poderá subsistir?" (cf. Ap 6, 15-17).

A Igreja é o exército do Cordeiro, as forças de Sião salvas da destruição de Jerusalém. O exército do Cordeiro tira a sua força do banquete do Céu.»

Scott Hahn, A festa do Cordeiro, DIEL, p. 97-98

Fala-se muito de pobreza, de fome e de crise. Mas, tudo isso, tem as suas raízes na falta de fé. É dramático que as gerações mais velhas não consigam transmitir às gerações mais novas a riqueza, beleza e profundidade da fé em Jesus Cristo.

No entanto, estou convencido que a resposta para tudo isso (para a transmissão da fé, e, no fundo, para a solução da fome, da pobreza e da crise) está onde sempre esteve: na Santa Missa.

Numa recente reunião de sacerdotes, falou-se muito em novas técnicas de comunicação, na necessidade de encontrar novas maneiras de testemunho, de formação e de evangelizar. Alguns irmãos no sacerdócio até referiram o facto de ser necessário formar as pessoas para que não venham só pedir uma "missinha"...

E pergunto-me: "Uma missinha?!" Mas a Santa Missa é tudo. Não vale a pena cair na tentação de pensar que o mais importante se resolve com técnicas, programações ou estratégias (que não deixam de ser importantes).

Se celebrarmos bem a Santa Missa, seguindo, com amor filial, as rubricas, formando as pessoas para participarem bem, respeitando os momentos de silêncio, pronunciando com calma as palavras da consagração, dedicando alguns minutos, depois da Santa Missa à adoração e se formarmos os mais novos para o que é e Quem está na Eucaristia, teremos, certamente, a batalha da evangelização ganha.

17.10.08

O que significa Halloween?

Significado
Halloween significa "All hallow's eve", palavra que provém do inglês antigo, e que significa "véspera de todos os santos", já que se refere à noite de 31 de outubro, véspera da Festa de Todos os Santos.
Entretanto, um antigo costume anglo-saxão roubou-lhe o seu estrito sentido religioso para celebrar em seu lugar a noite do terror, das bruxas e dos fantasmas. Halloween marca um regresso ao antigo paganismo.

Festa de todos os Santos
Para os crentes, é a festa de todos os Santos a que verdadeiramente tem relevância e reflecte a fé no futuro para quem espera e vive segundo o Evangelho pregado por Jesus. O respeito aos restos mortais de quem morreu na fé e a sua lembrança, inscreve-se na veneração de quem foi "templo do Espírito Santo".

A festa de Todos os Fiéis Defuntos foi instituída por São Odilon, monge beneditino e quinto Abade de Cluny na França em 31 de outubro do ano 998. Ao cumprir o milenário desta festividade, o Papa João Paulo II recordou que "São Odilon desejou exortar a seus monges a rezar de modo especial pelos defuntos. A partir do Abade de Cluny começou a estender-se o costume de interceder solenemente pelos defuntos, e chegou a converter-se no que São Odilon chamou de Festa dos Mortos, prática ainda hoje em vigor na Igreja universal".
Mais informação em ACI Digital

Fonte ACI Digital, recebido por mail pelo "Carteiro"

8.10.08

Ortodoxia, de Chesterton, em português

«É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil permitir que o século leve a sua avante; o difícil é resistir-lhe.

É sempre fácil ser moderno; como é fácil ser pretensioso. Teria sido realmente muito simples cair em qualquer das armadilhas simples do erro e do exagero que moda após moda e seita após seita montaram no caminho do cristianismo.

Cair é sempre simples; a pessoa pode cair num número infinito de posições, mas só pode permanecer de pé numa posição. A coisa mais óbvia, a atitude mais domesticada, teria sido efectivamente deixar-se levar por qualquer desses caprichos, desde o gnosticismo até ao cientismo cristão.

Tê-los evitado é que foi uma espantosa aventura; na visão que eu tenho dos factos, o carro dos céus avança estrepitosamente pelos tempos fora, as domesticadas heresias vão cedendo e prostrando-se, a selvagem verdade progride titubeando, mas sem nunca cair.»

G. K. Chesterton, Ortodoxia

Através de Pedro Picoito, soube que a Aletheia vai reeditar a obra "Ortodoxia", de Chesterton. Finalmente vai ser possível ler esta obra em português.

6.10.08

"Crê naquilo que lês, ensina o que crês, vive o que ensinas"


São estas as palavras que o Pontifical da Ordenação dos Diáconos põe na boca do Bispo ao terminar o Rito da Ordenação. Foram estas as palavras que ontem, 05 de Outubro, ecoaram na Sé de Lamego, proferidas pelo Sr. D. Jacinto Botelho, na ordenação de Miguel dos Santos Patrício Peixoto e Ponciano Joaquim Batista dos Santos.

Aos dois neo-ordenados faço votos de abundantes frutos apostólicos.

3.10.08

Mensagem do Papa nos 40 anos da Humanae Vitae

Bento XVI reafirmou a oposição da Igreja Católica a métodos artificiais de contracepção, defendendo que “uma acção destinada a impedir a procriação significa negar a verdade íntima do amor conjugal”.

In Agência Ecclesia

O Magistério tem insistido bastante na validade da doutrina contida nesta Encíclica de Paulo VI. Não me admira que, quem não pertence à Igreja, critique o conteúdo. Afinal, a doutrina de Cristo vai contra a mentalidade reinante actualmente e que já estava muito presente quando o Papa Montini a escreveu.

De um modo especial, João Paulo II referiu muitas vezes a actualidade e a normatividade do conteúdo da Humanae Vitae. Agora, o Papa Bento XVI volta a fazer o mesmo. Dá que pensar, pelo facto de muitos criticarem o conteúdo deste documento pontifício.

Uma leitura atenta desta Encíclica, há distância de 40 anos, faz perceber que o tempo veio a dar razão ao Papa: o mundo ocidental está a entrar num "inverno demográfico".

É, por isso, uma óptima oportunidade para ler o documento com calma e serenidade.

Enc. Humanae Vitae>>