21.2.08

Amor à verdade

Nesta ocasião, prefiro concentrar-me acima de tudo sobre o que representa o ponto fundamental de encontro entre direito e pastoral: o amor à verdade.(...)

O critério da busca da verdade, como nos guia a compreender a dialéctica do processo [de declaração de nulidade do matrimónio], pode assim servir-nos para compreender outro aspecto da questão: o seu valor pastoral, que não pode estar separado do amor à verdade.

De facto, pode acontecer que a caridade pastoral por vezes seja contaminada por atitudes condescendentes em relação às pessoas. Estas atitudes podem parecer pastorais, mas na realidade não correspondem ao bem das pessoas e da própria comunidade eclesial; evitando o confronto com a verdade que salva, eles podem até resultar contraproducentes em relação ao encontro salvífico de cada um com Cristo.

O princípio da indissolubilidade do matrimónio pertence à integridade do mistério cristão. Infelizmente hoje podemos verificar que esta verdade por vezes é obscurecida na consciência dos cristãos e das pessoas de boa vontade. Precisamente por este motivo é enganador o serviço que se pode oferecer aos fiéis e aos cônjuges não cristãos em dificuldade fortalecendo neles, talvez apenas implicitamente, a tendência de esquecer a indissolubilidade da própria união.

Bento XVI, Discurso à Rota Romana, 2006.01.28