18.12.08

O desafio de Cristo


Uma das atitudes que mais me impressiona em Jesus Cristo é o modo como Ele exige naquilo que considera essencial e a liberdade que Ele outorga aos discípulos (e a todos) naquilo que é acessório.

Jesus não transige na indissolubilidade do matrimónio, no perdão, no amor aos inimigos. E dá a Sua vida pelos homens, depois de horríveis sofrimentos físicos e das maiores humilhações.

No entanto, olhamos à nossa volta e vemos tantos e tantas a fazer exactamente o contrário: exigem naquilo que Cristo não exigiu. E, naquilo que Nosso Senhor foi tão claro, baixa-se o nível de exigência, diz-se que as coisas não são bem como Nosso Senhor diz e que os tempos mudam. Um dos casos mais frequentes é o tema da indissolubilidade do matrimónio.

O desafio que Nosso Senhor nos coloca está em dar a importância àquilo que Ele considerou, na sua pregação e no seu exemplo, como valores inegociáveis.

O privilégio de Maria


No seu artigo "A Imaculada Conceição", Anselmo Borges afirma que esta festa "está infestada com equívocos", mas é o seu texto que está repleto de imprecisões e equívocos. Vejamos alguns.

Começa por citar Santo Agostinho, a quem apresenta como autor da doutrina do pecado original, "transmitido a todos, por herança, no acto sexual". Seria importante dizer, no entanto, que a Igreja Católica nunca ratificou este ponto de vista nos seus documentos oficiais.

Mas Anselmo Borges não o faz e, em vez disso, sem mudar de parágrafo, na mesma linha, acrescenta: "Houve uma excepção: Maria foi concebida sem a mancha do pecado original".

Desafio Anselmo Borges a citar um único texto, entre as centenas de obras de Santo Agostinho, em que esta afirmação, ou qualquer outra semelhante, apareça.

Mas desde já lhe sugiro que se poupe a este trabalho, porque seria inútil. Santo Agostinho nunca diz, em momento nenhum, que Maria foi concebida sem pecado.

O mesmo acontece com outros grandes nomes do pensamento cristão, como S. Bernardo, Santo Anselmo, S. Boaventura e S. Tomás de Aquino.

Anselmo Borges parece desconhecê-lo, mas nenhum destes grandes teólogos aceitou a Imaculada Conceição de Maria.

O povo aceitava-a e celebrava-a, pelo menos desde os séculos VII e VIII. Mas os teólogos, apesar da sua grande devoção por Maria, opunham-se, porque não a conseguiam justificar teologicamente, isto é, racionalmente.

Qual era o problema? O problema era que tomavam a sério o que diz S. Paulo na Epístola aos Romanos, capítulo 5, versículo 12: "Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte".

Tomando a sério este texto, todos acreditavam que no início da história da humanidade tinha havido um acto de desobediência a Deus, que marcou a história futura.
Foi um acto que isolou os homens de Deus. O egoísmo isola. Devíamos ser canais da vida de Deus para os outros e já não somos.

E por isso nascemos mais pobres, mais fragilizados.

Vimos ao mundo com esta dignidade espantosa de sermos homens e mulheres, mas nascemos sem a vida de Deus, a que se chama "graça", e que só depois poderemos recuperar, como fruto da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo.

É esta a doutrina cristã do "pecado original". Não tem nada a ver com sexo, ao contrário do que Anselmo Borges se esforça por fazer crer. Não tem nem nunca teve nada a ver com virgindade física, ou com o seu contrário, como Anselmo Borges insinua sem nenhum fundamento.

É uma limitação puramente espiritual. Desequilibra a vida em muitos aspectos. Mas a sua sede é o "espírito" ou o "coração" humano.

Todos os grandes autores que citei, acreditavam que Maria também começou a existir privada dessa dotação espiritual, que é a vida de Deus. Só num momento posterior é que Deus lhe concedeu a "graça", e assim a santificou e a tornou digna de vir a ser um dia a Mãe de Jesus. E por isso não admitem que tivesse sido "imaculada" desde que foi concebida.

Mas houve um outro teólogo medieval, chamado João Duns Escoto, falecido há setecentos anos, em 1308, que compreendeu que Deus tinha uma outra maneira de santificar Maria: era não a deixar ser "apanhada" por esta situação de privação em que todos começamos a existir. Era envolvê-la com a sua graça desde o primeiro momento.

Quando da união dos seus pais, resultou um novo ser humano, que se viria a chamar Maria, a "onda" do amor de Deus chegou até ela. A "mancha" desse antigo egoísmo que já vem de longe não a afectou. Foi "imaculada" desde a concepção. Foi "cheia de graça", como lhe chamou o Anjo, em S. Lucas.

Em 8 de Dezembro de 1854, Pio IX definiu este dogma, e, inspirando-se em Duns Escoto, afirmou que Maria, "desde o primeiro instante da sua concepção (…) foi preservada de toda a manchado pecado original".

O efeito deste "privilégio" foi que Maria, habitada pela presença de Deus desde o momento primordial da sua vida, foi uma mulher mais livre, mais aberta a Deus, mais atenta aos outros. Quando o projecto de Deus a desafiou a jogar a vida, não hesitou. Com alegria, pôs a sua vida ao serviço dos outros.

Ao contrário do que diz Anselmo Borges, a Imaculada Conceição de Maria não envergonha nem humilha as outras mulheres, nem os outros homens. Ver alguém muito melhor do que nós é um estímulo, não é uma humilhação.

Ver alguém como Maria, a quem o egoísmo e a auto-suficiência não dominam, só pode ser para os homens e mulheres normais causa de alegria e fonte de esperança, até porque nos estimula a ser um pouco mais parecidos com ela.

Cón. José Manuel dos Santos Ferreira, em Paróquia de Santa Maria de Belém (trazido pelo Carteiro)

9.12.08

Primavera da Igreja


No dia da Imaculada Conceição, rainha de Portugal, é bom considerar a situação da Igreja Católica. Estranhamente, mesmo entre fiéis mantém-se consensual a sensação de decadência da Fé face aos séculos passados. Mas a experiência histórica aponta precisamente no sentido oposto: vivemos um dos melhores períodos dos 2000 anos de vida cristã.

A evolução histórica da Igreja de Jesus Cristo é uma longa sequência de terríveis problemas. O que apenas confirma a profecia do Fundador, que nunca prometeu facilidades mas sofrimentos e perseguições. Logo os primeiros séculos foram de martírio. A "paz de Constantino" trouxe, não a calma, mas o ataque pior do Arianismo e demais heresias. Assim que a hierarquia se organizou na estrutura do Império, este ruiu nas invasões. Coube à Igreja a lenta e difícil reconstrução da Europa, civilizando os bárbaros. A Cristandade, nascida desse esforço multissecular, permanece o ideal mítico de onde dizemos decair.

O ideal foi real. A decisiva influência medieval da Igreja gerou o dinamismo da modernidade. Mas o período foi tudo menos pacífico. Além da dolorosa clivagem com o Oriente ortodoxo e da invasão turca que forçou as cruzadas, o envolvimento político do clero foi sempre ambíguo e doloroso. A "querela das investiduras" e os conflitos feudais conduziram ao "cativeiro da Babilónia" e ao grande cisma. Por fim, quando a Igreja se globalizava nas caravelas, a suprema ruptura da reforma protestante gerou 200 anos de guerras religiosas. Os 200 anos seguintes de ataques maçons e perseguição ateia conduziram ao nosso tempo.

Nesta intensa história, o presente surge como uma das melhores épocas, interna e externamente. No interior vive-se paz doutrinal e vigor apostólico. Governada há décadas por papas santos na unidade do colégio episcopal, a renovação conciliar e a multidão de movimentos e carismas trouxeram vitalidade espiritual. Externamente, apesar do martírio, o mundo contemporâneo permitiu uma das convivências mais pacíficas. Ao longo dos séculos o poder político saltitou entre duas estratégias opostas limitativas da liberdade religiosa. A primeira persegue, ataca e despedaça a Igreja. Pode-se chamar a isto a atitude de Pilatos, que prende, tortura e mata Cristo. A outra posição acarinha, abafa e controla a religião para finalidades profanas. Esta é a atitude de Herodes, que na Paixão quis entreter a corte com milagres de Jesus. Como o Mestre, a Igreja passou dois mil anos de Herodes para Pilatos. Hoje, apesar dos conflitos, abusos, manipulações, até do martírio, a inserção da Igreja na sociedade democrática é das mais saudáveis e sólidas. Mas não serão reais os sinais de decadência da Fé? Que dizer da crise de vocações, redução do culto, perda de influência religiosa? Esse problema reside, não na Igreja, mas na Europa. A Igreja vive no mundo como sempre. Foi o velho continente que abandonou as suas referências culturais e se debate na triste desorientação civilizacional.

Não é novidade. A atitude da sociedade contemporânea face à Igreja retoma velhas profecias, repetindo a apostasia do povo eleito no Antigo Testamento: "Os filhos de Israel abandonaram a Tua aliança, derrubaram os Teus altares e mataram os Teus profetas." (1Rs 19, 14). Pio IX, João Paulo II e Bento XVI enfrentam aquilo que testemunharam Moisés, Elias e Jeremias. Quem conhece a história da salvação não se admira do que vê à nossa volta. Já S. Agostinho, no estertor do Império face aos vândalos, afirmou: "Muitos queixam-se do seu tempo, como se tivessem sido melhores os tempos antigos. Porventura não murmurariam igualmente se pudessem voltar aos tempos dos antepassados? Sempre julgas melhor o tempo passado, simplesmente porque não é o teu" (Sermão Caillau-Saint-Ives 2, 92).

Hoje vivemos "a nova Primavera de vida cristã que deverá ser revelada pelo Grande Jubileu, se os cristãos forem dóceis à acção do Espírito Santo" (João Paulo II, Tertio Millennio Adveniente, 1994). Não admira: celebramos a festa da Imaculada Conceição, Primavera da Redenção.

João César das Neves, DN, 2008.12.08

30.11.08

Início do Advento


Do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos:
«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!».
(Mc 13, 33-37)

"Vigiai": Visto que não sabemos quando há-de vir o Senhor, temos de estar preparados. Vigiar é sobretudo amar. Quem ama cumpre os mandamentos e espera com ansiedade, com urgência, que Cristo volte; porque esta vida é espera, é caminho ao encontro de Cristo Senhor.

Os primeiros cristãos repetiam com frequência e com amor a jaculatória: "Vem, Senhor Jesus" (1 Cor 16,22; Apc 22,20). E, ao exercitar deste modo a fé e a caridade, aqueles cristãos encontravam a força interior e o optimismo necessários para o cumprimento dos deveres familiares e sociais, e desprendiam-se interiormente dos bens terrenos, com o senhorio que dá a esperança da vida eterna.
Comentário ao Evangelho, da Ed. de Navarra.

29.11.08

Chegou a neve


Nada anda à vontade de Deus como o tempo.

28.11.08

Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades

Um dos maiores desafios com que lidamos todos os dias é a dificuldade em fazer passar a beleza da fé, com os seus conteúdos, às novas gerações. Pelos bancos das nossas igrejas, pelas mãos das nossas catequistas, pelas nossas mãos estão a passar gerações de novos pagãos que, por muitos motivos (entre os quais se encontra também a recusa voluntária) ainda não encontraram a Cristo.

Mas, à semelhança de outros tempos, esta crise não se resolve com os meios, mas sim mais a jusante. Resolve-se na fonte. É verdade que os destinatários da mensagem parecem encontrar-se noutra onda. Mas acho que uma parte muito substancial do problema está, também, em quem transmite a mensagem.

Por isso, a crise de educação na fé que atravessamos continua a ser uma crise de testemunho ou, como dizia S. Josemaria, uma crise de santos.

27.11.08

Padre Duarte Sousa Lara na Baja Portalegre 500 (1.11.2008)

Nesta reportagem, que passou na TVI, é entrevistado o Pe. Duarte Sousa Lara, da Diocese de Lamego, que participou na prova.

26.11.08

Serão todas as religiões verdadeiras?

O seu modo de argumentar parecia ter uma certa lógica. «Eu sou daqueles que pensam que todas as religiões são verdadeiras. Pondo de parte algumas degenerações fanáticas, todas levam o homem a fazer o bem, promovem sentimentos positivos e satisfazem a necessidade de transcendência que temos dentro de nós. No fundo, acaba por ser a mesma coisa escolher uma religião ou outra. Viva a liberdade! Quem sou eu para impor a minha religião aos outros?

«Que cada um escolha a sua própria religião. Que cada um escolha aquela que melhor se adapta ao seu modo de ser. Esta é a minha opinião e não acredito que esteja errada. Sobretudo, acho que é a única que pode ser considerada verdadeiramente tolerante. Quem acredita que a sua religião é a verdadeira acaba por ser um bocado fanático. E com pessoas fanáticas não é possível dialogar».

É verdade que todas as religiões, se o são de verdade, possuem algo de positivo. No entanto, isso não é a mesma coisa que afirmar que todas as religiões são verdadeiras. Não é sério dizer que podem ser verdadeiras ao mesmo tempo religiões que afirmam coisas diferentes e contraditórias. Assim como não é sério dizer que dois mais dois são aquilo que mais estiver de acordo com os sentimentos de cada um. A resposta é só uma. Não somos nós que a inventamos. A nós compete-nos somente descobri-la.

Se só existe um Deus, não pode haver mais do que uma verdade sobre Ele. E a descoberta do caminho para chegar a Deus é a mais importante da nossa vida. Dela depende a nossa eternidade. Viver de acordo com uma religião não é algo que esteja ao mesmo nível de escolher um produto num supermercado. Não tem a mesma importância que a selecção da cor de um automóvel que pretendemos comprar.

Uma pessoa não vive de acordo com uma religião porque isso lhe dê uma satisfação maior. Porque a faça sentir-se em harmonia com o universo. Nem porque lhe permita emitir suspiros mais ou menos celestiais. Uma pessoa vive de acordo com uma religião porque acredita que é o seu caminho para chegar a Deus. O seu caminho para que a sua vida tenha sentido. Para que a sua vida não termine no cemitério. Pelo contrário, para todos aqueles que se contentam com ficar por lá, não é necessária a procura de nenhuma religião. Nem é necessário ter a “dor de cabeça” de tentar encontrar a verdadeira.

Para os cristãos esse único caminho para chegar a Deus tem um nome: Jesus Cristo. Ele não é somente um homem especial. É Deus feito homem. Deus que se fez homem e morreu na Cruz para nos salvar. Não foram os cristãos que inventaram a Cruz por ela estar mais de acordo com os seus sentimentos. Foi Deus que escolheu esse modo concreto de nos salvar. Um modo que revela o seu infinito amor por nós e nos pede uma resposta.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

25.11.08

Tradição

«A tradição consiste na atribuição do direito de voto à mais obscura de todas as classes, a classe dos nossos antepassados. A tradição é a democracia dos mortos.

A tradição recusa submeter-se à pequena e arrogante oligarquia daqueles que, por acaso, ainda circulam pelas ruas. Os democratas opõem-se à exclusão das pessoas devido aos acasos do nascimento; pois a tradição opõe-se à sua exclusão devido aos acasos da morte.

A democracia sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja o criado lá de casa; pois a tradição sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja nosso pai. (...)

Os mortos devem ter assento nos nossos conselhos. Na Grécia Antiga, votava-se por meio de pedrinhas; os nossos mortos votam por meio de pedras tumulares. É um processo perfeitamente razoável e oficial, dado que a maioria das pedras tumulares, tal como a maioria dos boletins de voto, é assinalada com uma cruz.»

G. K. Chesterton, Ortodoxia, Alétheia Ed., p. 65.

24.11.08

Diocese de Lamego comemora bodas de ouro de D. Jacinto Botelho

Neste mês de Novembro, as comemorações da Diocese de Lamego das bodas de ouro de D. Jacinto Botelho incluíram um vasto conjunto de actividades.

No dia 08 de Novembro, pelas 15,00h, realizou-se uma conferência intitulada: “Bispos de Lamego: os homens e as suas obras”, que incluiu 3 painéis: “Cultos romanos e vestígios paleocristãos nos territórios da Diocese de Lamego", pelo Dr. João L. Inês Vaz; "As tensões entre a Diocese de Lamego e os Mosteiros de São João de Tarouca e de Santa Maria de Salzedas", pela Dra Amélia Albuquerque; “D. João Magalhães e Avelar, cidadão de Lamego, homem da Igreja e Bispo do Porto", pelo Prof. José António Oliveira.

Nesse mesmo dia, foi apresentado o livro “D. João António Binet Pincio, bispo de Lamego. O Homem e a Obra (1786-1821)", da autora Isolina Augusta Rodrigues Guerra. A apresentação esteve a cargo de Salvador Magalhães Mota

No dia 15 de Novembro, foi inaugurado e benzido o novo Museu Diocesano , mais conhecido por Casa do Poço, onde teve sede o antigo Seminário Maior. Pelas 15,00h realizou-se uma conferência cujo título foi: “A actualidade da Diocese de Lamego”. Dela constavam 3 painéis, expostos pelo Arquitecto Manuel Botelho; “D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho”, por D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro; a a apresentação das Exposições, pelo Dr. João Soalheiro.

Seguiu-se a inauguração da Exposição “De 1500 à actualidade – cinco séculos da História do Bispado de Lamego”, que teve a organização do Museu Diocesano de Lamego com a colaboração do Museu de Lamego.

No dia 17 de Novembro, pelas 21.00h, no Auditório do Museu Diocesano, teve lugar a Conferência “Luzes e Sombras na Igreja de Lamego”, dada pelo Pe. Dr. Joaquim Correia Duarte. Ao longo de cerca de hora e meia, o conferencista foi enumerando vários acontecimentos positivos da história da Diocese de Lamego, passando depois a relatar alguns dos momentos de maior dificuldade na História da Diocese e do Bispado, terminando com várias considerações sobre a situação actual na Diocese e no país.

No dia 18 de Novembro, no Teatro Ribeiro Conceição, Ana Telles deu um memorável concerto de piano a solo, onde interpretou várias peças de música religiosa para piano, incluindo dois pequenos de Bach adaptados por Buzoni para piano; uma peça de Listz, outra de Olivier Messiaen e também uma peça do recentemente falecido Pe. Joaquim dos Santos.

No dia 19 de Novembro, teve lugar, no Auditório do Centro Social Paroquial de Almacave, a Conferência com o título: “Ordenamento Jurídico actual em Portugal
e suas incidências na Família”, pelo Dr. Manuel Teixeira, actual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lamego. Começando por fazer um excursus histórico sobre a instituição familiar desde o tempo do Império romano, centrou depois a sua atenção na legislação familiar do Estado Português nos últimos dois séculos e, de uma maneira particular, na mais recente legislação aprovada pelo actual Governo, realçando que as actuais leis não defendem nem protegem a instituição familiar.

No dia 20 de Novembro, no Teatro Ribeiro Conceição, actuou a Orquestra Barroca VOX ANGELIS.

No dia 21 de Novembro, no Auditório do Teatro Ribeiro Conceição, realizou-se a Conferência “Lamego e a implantação da República”, brilhantemente dada por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto. Começou por situar o liberalismo em Portugal. Depois, percorrendo personagens e datas, focou a sua atenção em dois personagens ligados a Lamego: D. João Rebelo Cardoso de Meneses (1832-1890) e Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar, 2º. Conde de Samodães.

No dia 22 de Novembro, realizou-se a vigília de oração promovida pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, que congregou na Sé Catedral um considerável número de jovens que, com a sua alegria e entusiasmo, enfrentaram o frio da Sé e, na adoração eucarística, transmitiram um impressionante testemunho de fé.

No dia 23 de Novembro, Solenidade de Cristo Rei, pelas 10.00h teve início o Encontro de Colaboradores Paroquiais, no Seminário Maior de Lamego, onde foi estudado o plano pastoral da Diocese para este ano, centrado nos sacramentos do Matrimónio e da Ordem.

Pelas 15,00h, realizou-se a cerimónia de descerramento da lápide da Rua atribuída pela Câmara Municipal de Lamego, a D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho.

Pelas 16.00h teve início o Solene Pontifical na Sé Catedral de Lamego, presidido pelo Sr. Bispo, concelebrado por 10 Bispos, cerca de 140 sacerdotes, 6 diáconos e muitos fiéis. Um extraordinário Grupo Coral, orientado pelo Pe. José Abrunhosa animou muito dignamente a celebração.

Na homilia, o Sr. D. Jacinto Botelho realçou a sua intenção de não centrar as celebrações jubilares na sua pessoa com as seguintes palavras: "Desde o princípio venho dizendo que só entendo e aceito todas as realizações "como expressão de amizade, manifestação da fé dum povo crente e bom, oportunidade de formação para os cristãos desta Diocese de Lamego, e estímulo para consolidar a comunhão na Igreja diocesana, preocupação prioritária do meu ministério episcopal."

Várias autoridades civis, de uma maneira especial a Câmara Municipal, empenharam-se activamente neste Jubileu de Ouro sacerdotal do Sr. D. Jacinto e a elas se dirigiu calorosamente o Prelado, agradecido.

No final, houve um jantar na Escola de Hotelaria e Turismo de Lamego para os convidados.

Texto retirado da homepage da Diocese de Lamego.

17.11.08

O futuro da Igreja será marcado pelos Santos

Há 40 anos, o então jovem Joseph Ratzinger, afirmava:

«O futuro da Igreja, ainda hoje, não pode apoiar-se senão na força daqueles que vivem com raízes profundas e que vivem partir da pura plenitude da sua fé.

O futuro não virá daqueles que apenas se adaptam a cada momento.
O futuro não se apoiará naqueles que só prescrevem receitas.
O futuro não se apoiará naqueles que só criticam os outros, tomando-se a si mesmos como medida infalível.
E, portanto, o futuro também não virá daqueles que escolhem o caminho mais cómodo.

Aqueles que esquecem a paixão da fé consideram falso e ultrapassado, tirania e legalismo, tudo aquilo que implica exigência relativamente ao homem, tudo o que lhe custa e o obriga a abandonar-se.

Afirmemos isto de forma positiva: também desta vez, como sempre, o futuro da Igreja será marcado pelos santos. Ou seja, pelos homens que percepcionam mais do que as palavras de ordem, embora se dê o caso de elas serem modernas

São esses homens que vêem mais além do que os outros, porque a sua vida se abre a espaços mais amplos. A abnegação adquire-se somente na paciência com as pequenas renúncias quotidianas a si mesmo.

É essa paixão quotidiana que, pela primeira vez, permite ao homem experimentar de quão diversas formas o seu próprio eu o prende, é nessa paixão quotidiana e só nela que o homem se abre pouco a pouco. O homem vê na mesma medida em que tenha vivido e sofrido.

Se hoje ainda temos dificuldade em percepcionar Deus, é porque se tornou demasiado fácil evitarmo-nos a nós próprios e fugir perante a profundidade da nossa própria existência, na anestesia de qualquer comodidade. Aquilo que em nós existe de mais profundo permanece, então, inexplorado. Se é verdade que só se vê bem com o coração, quão cegos somos todos nós!»

Joseph Ratzinger, in "Que aspecto será o da Igreja no Ano 2000?", Conferência radiofónica, Emissora Radiofónica de Hessis, Natal de 1969

6.11.08

Pastoralismo

«A substituição das soluções jurídicas por soluções pretendidamente pastorais - se assim se podem chamar - é o vício do pastoralismo. Não me refiro ao facto de ser necessário de ter sentido pastoral na busca de soluções jurídicas, mas à substituição do direito pela pastoral. O pastoralismo prescinde das soluções jurídicas, ainda que aparente dá-las, substituindo-as por aquilo que acredita ser 'mais pastoral'.
Um tema no qual encontramos muito pastoralismo é o matrimónio. Por exemplo, se a convivência, num casamento, se tornou insuportável - sobretudo se um dos cônjugues tem uma relação com outra pessoa - parece que a solução pastoral é que o matrimónio seja dissolvido; como a Igreja não admite a dissolução, tende-se a distorcer as causas de nulidade, de modo a que todos os casamentos fracassados sejam considerados nulos. A 'pastoral' substituiu o direito. Com isso, o direito desaparece, mantendo apenas uma aparência.

O mais grave do pastoralismo é que atenta contra o bem das almas, transformando-se numa anti-pastoral. No caso do matrimónio, por exemplo, ao pretender que sejam nulos os casamentos que não o sejam, coloca os que contraem um novo matrimónio numa situação de pecado, pelo menos material.

De qualquer maneira, o pastoralismo introduz a arbitrariedade e a injustiça. Tudo fica à mercê da boa (ou menos boa) vontade e do critério (ou falta de critério) daquele que tem obrigação de actuar segundo o direito. Em lugar de agir segundo a justiça, age segundo a sua sabedoria e entendimento, isto é, segundo o seu arbítrio. E isso é arbitrariedade.

Por outro lado, o pastoralismo distorce a solução jurídica, que é a solução segundo a justiça, caindo no vício da injustiça.»

Javier Hervada, in «Pensamientos de un canonista en la hora presente», Eunsa, p. 15 (tradução minha)

5.11.08

Pamplona, uma semana depois

Faz amanhã uma semana que explodiu um carro armadilhado no campus da Universidade de Navarra, em Pamplona.

Desde ontem à noite que me encontro nesta cidade. Vim com alguns amigos e hoje passámos o dia na Universidade. Os vestígios da explosão só se notam nos edifícios atingidos (a zona lateral do Edifício Central e a Biblioteca). Alguns trabalhadores reconstroem o que a bomba destruiu dentro dos edifícios mas, externamente, nada se nota de anormal. Se a notícia da explosão não tivesse chegado a Portugal, não notaríamos nada de anormal.

O tema não se toca nas conversas, vêem-se estudantes normais. No parque onde explodiu a bomba, há carros estacionados como se nada de anormal tivesse acontecido. E talvez seja essa a melhor resposta ao terrorismo: não dar importância a quem não a merece.

30.10.08

A civilização da imagem


Em certo país, existia um quartel militar perto de uma aldeia. No meio do pátio desse quartel estava um banco de madeira. Era um banco simples, branco e sem nada de especial. E junto desse banco estava um soldado de guarda. Fazia guarda de dia e de noite. Ninguém no quartel sabia porque se fazia guarda junto a esse banco. Mas fazia-se. Os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém duvidava. Ninguém perguntava. Era assim.

Até que um dia foi trabalhar para aquele quartel um oficial que era diferente. Tinha o mau costume de perguntar o que ninguém perguntava. Perguntou porque se fazia guarda junto a esse banco. Responderam-lhe que era algo que sempre se tinha feito assim. Era uma ordem que se cumpria há muito tempo e funcionava. Logo, não podia estar errada. O oficial pediu então para ver a ordem escrita. Foi necessária uma pesquisa profunda nos arquivos do quartel, que já estavam cheios de pó. Por fim, alguém conseguiu encontrá-la. Dezoito anos, três meses e cinco dias atrás, um coronel tinha mandado que ficasse um soldado de guarda junto a esse banco. Aí estava a ordem. O motivo, escrito em baixo com letra pequena, era que o banco estava recém-pintado e havia o perigo de alguém se sentar.

Esta história pode ajudar-nos a reflectir sobre a importância da actividade de pensar. A importância de não actuarmos com o argumento de que sempre se fez assim. Porque pensar é útil. Pensar é necessário. E pensar com calma revela-se, com frequência, algo profundamente eficaz. Algo que evita a perda de muito tempo. Quantas vezes temos a sensação de que uma coisa correu mal porque não pensámos bem antes de actuar? Porque não actuámos com ponderação? Porque nos deixámos levar pelo imediato?

Este frenesi está muito relacionado com a civilização da imagem na qual vivemos. É um facto que muitas pessoas vêem muitas imagens e lêem pouco ou quase nada. Não porque sejam analfabetas, mas porque parece mais fácil adquirir conhecimentos assim. Assusta conhecer pessoas que passam horas diante da televisão e nem consideram a possibilidade de abrir um livro. «Se uma imagem vale por mil palavras, qual é a utilidade da leitura? Se já vi o filme, para que é que vou ler o livro?».

E esta importância excessiva dada à imagem em detrimento da palavra explica em parte o pensamento débil de muitos. Porque a actividade de pensar articula-se com palavras. Palavras que chegam ao fundo do espírito, que convidam à reflexão e despertam a inteligência. Uma das características mais habituais daqueles que lêem pouco é a pobreza de vocabulário. E isso produz uma pobreza de pensamento. Uma facilidade para actuar como todos. Uma propensão para deixar-se manipular por slogans simplistas. Uma dificuldade para transmitir o próprio pensamento com palavras adequadas. E quem não sabe transmitir aquilo que pensa, o mais provável é que não pense bem.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

29.10.08

O Cordeiro e a Santa Missa


«Na Missa, os primeiros cristãos encontrariam forças no meio das perseguições. A ajuda e a salvação da Igreja vinham do único e perpétuo Sacrifício de Jesus Cristo.

Na Missa, os primeiros cristãos uniram as suas forças às dos Anjos e dos Santos para prestarem culto a Deus, como nos mostra o livro do Apocalipse.

Na Missa, a Igreja recebeu o "maná escondido" como sustento em tempos de tribulação (cf. Ap 2, 17).

Na Missa, as orações dos santos da Terra elevaram-se como incenso para se unirem às orações dos Anjos no Céu - e foram estas orações que alteraram o rumo das batalhas e o curso da História. Esse é o plano de combate do Apocalipse. Foi assim que o cristianismo prevaleceu sobre inimigos aparentemente imbatíveis, em Jerusalém e em Roma.

Mesmo depois da queda de Jerusalém, outros adversários se levantariam para perseguir a Igreja de Deus. Em todas as épocas, a Igreja enfrenta fortes perseguidores, que contam com exércitos e armas cada vez mais poderosos.

Mas todas as armas, legiões e estratégias falharão. Grandes generais acabam por cair feridos de morte. Quando o Cordeiro entra no combate, "os reis da terra, os grandes ricos, os chefes militares, os poderosos, todos os escravos e todos os homens livres se escondem nas cavernas e nos rochedos das montanhas e dizem os montes aos rochedos: 'Caí sobre nós e escondei-nos do rosto d'Aquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da sua ira. Quem poderá subsistir?" (cf. Ap 6, 15-17).

A Igreja é o exército do Cordeiro, as forças de Sião salvas da destruição de Jerusalém. O exército do Cordeiro tira a sua força do banquete do Céu.»

Scott Hahn, A festa do Cordeiro, DIEL, p. 97-98

Fala-se muito de pobreza, de fome e de crise. Mas, tudo isso, tem as suas raízes na falta de fé. É dramático que as gerações mais velhas não consigam transmitir às gerações mais novas a riqueza, beleza e profundidade da fé em Jesus Cristo.

No entanto, estou convencido que a resposta para tudo isso (para a transmissão da fé, e, no fundo, para a solução da fome, da pobreza e da crise) está onde sempre esteve: na Santa Missa.

Numa recente reunião de sacerdotes, falou-se muito em novas técnicas de comunicação, na necessidade de encontrar novas maneiras de testemunho, de formação e de evangelizar. Alguns irmãos no sacerdócio até referiram o facto de ser necessário formar as pessoas para que não venham só pedir uma "missinha"...

E pergunto-me: "Uma missinha?!" Mas a Santa Missa é tudo. Não vale a pena cair na tentação de pensar que o mais importante se resolve com técnicas, programações ou estratégias (que não deixam de ser importantes).

Se celebrarmos bem a Santa Missa, seguindo, com amor filial, as rubricas, formando as pessoas para participarem bem, respeitando os momentos de silêncio, pronunciando com calma as palavras da consagração, dedicando alguns minutos, depois da Santa Missa à adoração e se formarmos os mais novos para o que é e Quem está na Eucaristia, teremos, certamente, a batalha da evangelização ganha.

17.10.08

O que significa Halloween?

Significado
Halloween significa "All hallow's eve", palavra que provém do inglês antigo, e que significa "véspera de todos os santos", já que se refere à noite de 31 de outubro, véspera da Festa de Todos os Santos.
Entretanto, um antigo costume anglo-saxão roubou-lhe o seu estrito sentido religioso para celebrar em seu lugar a noite do terror, das bruxas e dos fantasmas. Halloween marca um regresso ao antigo paganismo.

Festa de todos os Santos
Para os crentes, é a festa de todos os Santos a que verdadeiramente tem relevância e reflecte a fé no futuro para quem espera e vive segundo o Evangelho pregado por Jesus. O respeito aos restos mortais de quem morreu na fé e a sua lembrança, inscreve-se na veneração de quem foi "templo do Espírito Santo".

A festa de Todos os Fiéis Defuntos foi instituída por São Odilon, monge beneditino e quinto Abade de Cluny na França em 31 de outubro do ano 998. Ao cumprir o milenário desta festividade, o Papa João Paulo II recordou que "São Odilon desejou exortar a seus monges a rezar de modo especial pelos defuntos. A partir do Abade de Cluny começou a estender-se o costume de interceder solenemente pelos defuntos, e chegou a converter-se no que São Odilon chamou de Festa dos Mortos, prática ainda hoje em vigor na Igreja universal".
Mais informação em ACI Digital

Fonte ACI Digital, recebido por mail pelo "Carteiro"

8.10.08

Ortodoxia, de Chesterton, em português

«É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil permitir que o século leve a sua avante; o difícil é resistir-lhe.

É sempre fácil ser moderno; como é fácil ser pretensioso. Teria sido realmente muito simples cair em qualquer das armadilhas simples do erro e do exagero que moda após moda e seita após seita montaram no caminho do cristianismo.

Cair é sempre simples; a pessoa pode cair num número infinito de posições, mas só pode permanecer de pé numa posição. A coisa mais óbvia, a atitude mais domesticada, teria sido efectivamente deixar-se levar por qualquer desses caprichos, desde o gnosticismo até ao cientismo cristão.

Tê-los evitado é que foi uma espantosa aventura; na visão que eu tenho dos factos, o carro dos céus avança estrepitosamente pelos tempos fora, as domesticadas heresias vão cedendo e prostrando-se, a selvagem verdade progride titubeando, mas sem nunca cair.»

G. K. Chesterton, Ortodoxia

Através de Pedro Picoito, soube que a Aletheia vai reeditar a obra "Ortodoxia", de Chesterton. Finalmente vai ser possível ler esta obra em português.

6.10.08

"Crê naquilo que lês, ensina o que crês, vive o que ensinas"


São estas as palavras que o Pontifical da Ordenação dos Diáconos põe na boca do Bispo ao terminar o Rito da Ordenação. Foram estas as palavras que ontem, 05 de Outubro, ecoaram na Sé de Lamego, proferidas pelo Sr. D. Jacinto Botelho, na ordenação de Miguel dos Santos Patrício Peixoto e Ponciano Joaquim Batista dos Santos.

Aos dois neo-ordenados faço votos de abundantes frutos apostólicos.

3.10.08

Mensagem do Papa nos 40 anos da Humanae Vitae

Bento XVI reafirmou a oposição da Igreja Católica a métodos artificiais de contracepção, defendendo que “uma acção destinada a impedir a procriação significa negar a verdade íntima do amor conjugal”.

In Agência Ecclesia

O Magistério tem insistido bastante na validade da doutrina contida nesta Encíclica de Paulo VI. Não me admira que, quem não pertence à Igreja, critique o conteúdo. Afinal, a doutrina de Cristo vai contra a mentalidade reinante actualmente e que já estava muito presente quando o Papa Montini a escreveu.

De um modo especial, João Paulo II referiu muitas vezes a actualidade e a normatividade do conteúdo da Humanae Vitae. Agora, o Papa Bento XVI volta a fazer o mesmo. Dá que pensar, pelo facto de muitos criticarem o conteúdo deste documento pontifício.

Uma leitura atenta desta Encíclica, há distância de 40 anos, faz perceber que o tempo veio a dar razão ao Papa: o mundo ocidental está a entrar num "inverno demográfico".

É, por isso, uma óptima oportunidade para ler o documento com calma e serenidade.

Enc. Humanae Vitae>>

25.9.08

Fazer ressurgir o Douro

"As potencialidades da terra não podem limitar-se a beneficiar apenas alguns, a ser monopólio de poucos, acentuando assimetrias e desigualdades, com frequência, à custa do esforço dos que não auferem quaisquer vantagens, nem vislumbram uma réstia de esperança para a crise cada vez mais angustiante que experimentam. Oxalá estratégias de renovação que são apresentadas, sérias e reflectidas, façam ressurgir o Douro e erguê-lo dum declínio quase agonizante. Toda a programação, todos os projectos, todas as políticas têm de assentar em sólidos princípios de justiça e equidade, e proporcionar a todos, solidariamente, prosperidade, alegria e paz."

D. Jacinto Botelho, Homilia, 2008.09.21

Muito obrigado, Senhor


Senhor, muito obrigado por tudo. Apesar das minhas misérias, dos meus defeitos e das minhas faltas, continuas a ser Tu a fazeres tudo. Eu, tantas vezes, sou um estorvo para Ti.
Que todos aqueles que me encontrem, encontrem a Ti.
Que todos aqueles que me escutem, te escutem a Ti.
Que todos aqueles que precisem de mim, encontrem a Tua graça.
Obrigado, Senhor.

24.9.08

"Casamentos"

Nas últimas semanas, os meios de comunicação social, nomeadamente o Público, têm promovido uma série de notícias sobre a questão da união civil de pessoas do mesmo sexo.

No fundo, a estratégia é a mesma daquela que preparou a legalização do aborto. Durante vários meses, vai-se promovendo um conjunto de notícias, que promovem depois artigos de opinião, debates em fóruns, posts em blogs (como este), e o assunto vai começando a tornar-se natural.

O timing é perfeito: falta um ano para as eleições. O primeiro ministro, hoje, no Parlamento, afirma que "o assunto não está na agenda, nem do PS, nem do Governo". No entanto, nos próximos meses vamos ouvir falar tanto do assunto que acabará por constar no programa político dos dois maiores partidos em Portugal com que se apresentarão às próximas eleições. No início da próxima legislatura, o tema será apreciado pela Assembleia da República e, com o terreno preparado pela comunicação social, veremos o resultado.

O debate que se avizinha é, antes de mais, uma óptima oportunidade. Oportunidade de esclarecer as consciências, de dar formação, de redescobrir o que a Igreja ensina (e não o que a comunicação social diz que a Igreja defende). Mesmo que a batalha venha a ser perdida, muito bem pode advir deste debate.

A fé dos cristãos não nasce de um mito


Graças ao clima, de novo suave em Roma, a audiência geral desta quarta feira decorreu ao ar livre na Praça de São Pedro onde se encontravam cerca de 15 mil peregrinos e turistas.

Bento XVI que se deslocou ao Vaticano de helicóptero , proveniente de Castelgandolfo, apresentou uma ampla catequese sobre a figura de São Paulo, começando por salientar que o cristianismo não nasce de um mito mas do encontro com a pessoa de Jesus de Nazaré, Cristo ressuscitado.

Quanto mais procurarmos reencontrar as pegadas de Jesus de Nazaré nas estradas da Galileia - disse o Papa – tanto mais poderemos compreender que ele carregou sobre si a nossa humanidade, partilhando-a totalmente, excluindo o pecado.

Esta é uma convicção experimentada pessoalmente e testemunhada pelo próprio Apostolo Paulo, na importância que ele atribuía á tradição viva da Igreja.

Nesta perspectiva, esclareceu Bento XVI- é errada a visão de quem
atribui a Paulo a invenção do cristianismo: antes de evangelizar , encontrou Cristo no caminho de Damasco e frequentou na Igreja, observando-o na vida dos doze e naqueles que o seguiram nas estradas da Galileia.

Ilustrando a figura do Apostolo Paulo Bento XVI descreveu a concluir a sua maneira de relacionar-se com os Doze Apóstolos.
“ As relações tinham a chancela do profundo respeito e da franqueza que caracterizava São Paulo no anúncio do Evangelho”.

In Radio Vaticana

Nomeações

O Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego, fez várias nomeações. Aos sacerdotes que receberam novos encargos pastorais desejo as maiores felicidades na nova missão que lhes é confiada.

Nomeações>>

13.9.08

"Quaerere Deum"


"Procurar Deus", esse grande Desconhecido.

Num magistral discurso perante cerca de 700 pessoas ligadas ao mundo da cultura, entre as quais se encontravam Giscard d'Estaing e Jacques Chirac, o Santo Padre, com a sua simplicidade, falou sobre as raízes cristãs da Europa e da necessidade de o mundo ocidental voltar a redescobrir esse Deus desconhecido, que Paulo anunciou aos gregos, em Atenas.

"“Uma cultura unicamente positivista, que remetesse para o domínio puramente subjectivo, como não científica, a questão sobre Deus, seria a capitulação da razão, a renúncia às suas mais elevadas possibilidades e portanto o malogro do humanismo, cujas consequências poderiam ser graves.
O que fundou a cultura da Europa, a busca de Deus e a disponibilidade para O escutar, permanece ainda hoje em dia o fundamento de toda a verdadeira cultura”

26.8.08

Veto presidencial à lei do divórcio

O Sr. Presidente da República vetou o novo regime jurídico dos divórcios, lei aprovada na Assembleia da República.
Logo se levantaram as vozes de alegria e regozijo daqueles que defendem a família e o casamento. Houve comunicados, mensagens e congratulações.
No entanto, este veto é só meia vitória. O diploma volta à Assembleia da República e pode ser novamente aprovado sem alterações e o Sr. Presidente da República será obrigado a promulgá-lo.

A lei é má, muito má. E chegará o dia em que as pessoas voltarão a dar valor a um compromisso estável e duradouro. O Governo pode mudar as leis, mas não pode mudar os corações. O amor necessita da estabilidade que nasce da doação esponsal. Até lá, é preciso apostar em conquistar as almas uma a uma. Aproveitar a confissão para formar, para propôr sem medo aos jovens o caminho do amor que nasce do Amor. O ambiente não ajuda, mas não é impossível.

4.8.08

S. João Maria Vianney


Conta-se que, ao aproximar-se a sua ordenação, o Vigário Geral de Lyon, reunido com alguns padres, ponderaram a inconveniência em conceder a S. João Maria Vianney o sacramento da Ordem, porque “era muito burro”, conforme comentaram entre si num momento de reunião, não com maldade, mas com a sinceridade de quem estava convencido da incapacidade intelectual de quem iria assumir tão elevado cargo.

Nesse momento, João Baptista estava a chegar e ouviu ainda, na ante-sala o constrangedor comentário. Aguardou a saída dos padres, e foi ter com o Vigário. Antes de iniciar a conversa, o Santo pediu licença para falar e disse: “Padre, se com uma fisga feita da mandíbula de um burro, David conseguiu derrubar Golias, imagine o que o Senhor poderá fazer tendo nas mãos um burro inteiro!”

Estas palavras foram suficientes para revogar a intenção do vigário que, logo de seguida, o enviaria para a comunidade de Ars.

“Por onde passam os Santos, Deus com eles passa”.

Biografia de S. João Maria Vianney

1.8.08

Moratória contra o Aborto

«O aborto deveria ser, para muitos partidários da sua liberalização, "legal, seguro e raro" ("legal, safe and rare"). Não ouvimos repetir este slogan tantas vezes no referendo de há cerca de um ano? Do carácter falsamente "seguro" do aborto, falam os dados cada vez mais consistentes sobre as suas sequelas psíquicas para a mulher. Mas o aborto também está muito longe de ser "raro". O texto da referida carta evoca a crueza irrefutável dos números. "Nos últimos trinta anos, foram praticados mais de mil milhões de abortos, com uma média anual de cinquenta milhões." Poderia recordar-se o exemplo da Rússia, onde o número de abortos chegou a superar, durante vários anos, o número de nascimentos (mas também na "avançada" e "exemplar" Suécia o número de abortos é de mais de um quarto dos nascimentos) e onde, por razões demográficas, se procura, agora, introduzir limitações legais ao aborto. São números que deveriam arrepiar, pelo menos, tanto como os (também arrepiantes) 9,7 milhões de mortes anuais de crianças nascidas (segundo o recente relatório da Unicef).»

Pedro Vaz Patto, in Público, 2008.07.27

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Enamorar-se

Enamorar-se de Cristo está muito ligado à adoração, ao tempo efectivo que passamos junto do Sacrário.

É verdade que as actividades que temos entre mãos são muitas e prementes. Mas, sem um tempo marcado e concreto em que a nossa prioridade é estar junto do Sacrário, tudo o resto começa a perder o seu sentido último.

Neste tempo de Verão, em que tantos emigrantes regressam à Pátria para passarem um tempo de férias, torna-se ainda mais necessário esse tempo pessoal de companhia a Nosso Senhor. Quanto mais coisas temos para fazer, mais necessitamos de rezar.

30.7.08

Agimus tibi gratias!


Três anos de sacerdócio! Quantas graças, Senhor, tenho a agradecer-Te. Sou consciente que todos os milagres aos quais assisto são obra Tua. Da minha parte, apenas tantas resistências à Tua graça, tanta falta de fé e tantas misérias.

Mas assim é para que fique claro que és Tu que actuas, que a glória é Tua. E vou repetindo: 'Non nobis, Domine, non nobis, sed nomine tuo da gloriam'.

E dou-me conta, com renovado vigor, que a missão do sacerdote é astare coram te et tibi ministrare. Por isso, nós 'Vos damos graças porque nos admitistes à vossa presença para Vos servir nestes santos mistérios'.

28.7.08

A 'questão' de Deus


«Muitas vezes, porém, encontramo-nos imersos num mundo que quereria pôr Deus «de parte». Em nome da liberdade e autonomia humanas, o nome de Deus é passado em silêncio, a religião fica reduzida a devoção pessoal e a fé é banida da praça pública. Por vezes uma semelhante mentalidade, tão radicalmente contrária à essência do Evangelho, pode mesmo ofuscar a nossa própria compreensão da Igreja e da sua missão. Também nós podemos ser tentados a reduzir a vida de fé a uma questão de mero sentimento, enfraquecendo assim o seu poder de inspirar uma visão coerente do mundo e um diálogo rigoroso com tantas outras perspectivas que lutam por conquistar as mentes e os corações dos nossos contemporâneos.

E todavia a história, incluindo a do nosso tempo, demonstra-nos que a questão de Deus não pode jamais ser silenciada, e também que a indiferença face à dimensão religiosa da existência humana em última análise diminui e atraiçoa o próprio homem. A fé ensina-nos que em Jesus Cristo, Palavra encarnada, chegamos a compreender a grandeza da nossa própria humanidade, o mistério da nossa vida sobre a terra e o sublime destino que nos espera no céu (cf. Gaudium et spes, 24).»

Bento XVI, Homilia, 2008.07.19

26.7.08

Humanae vitae, 40 anos


«Passaram 40 anos sobre este Documento do Magistério da Igreja. Como é sabido o Papa Paulo VI agradece no texto o contributo da Comissão constituída em Março de 1963, por João XXIII, bem como os contributos dos Bispos mas reservou para si a última palavra. "Porque tinham aflorado alguns critérios de soluções que se afastavam da doutrina moral sobre o Matrimónio, proposta, com firmeza constante, pelo Magistério da Igreja."
Para orientação dos seus membros, baptizados, escreve esta Encíclica.

A referida doutrina moral da Igreja assenta, basicamente, em 4 vectores:

- O amor conjugal é um amor plenamente humano, isto é, sensível e espiritual.

- O amor conjugal é total, é dádiva mútua

- O amor conjugal é fiel, exclusivo, até à morte

- E é fecundo, está ordenado para a procriação e a educação dos filhos.


No ensinamento do Magistério da Igreja, o matrimónio é, simultaneamente, unitivo dos esposos e procriador como consequência da união.

Ao proclamar e reiterar este ensinamento o Magistério exclui quaisquer considerações médico-biológicas ou sociológicas.

A "Humanae Vitae" considera, contudo, que os esposos podem usar para as suas uniões corporais os períodos infecundos naturais "e, deste modo, regular a natalidade sem ofender os princípios morais" que a Humanae Vitae recorda e reitera.

Portanto, o casal católico, "quando existam motivos sérios para distanciar os nascimentos" a Igreja permite que os esposos realizem a finalidade unitiva do matrimónio, mesmo escolhendo dias nos quais o carácter procriativo estará ausente.»

In Agência Ecclesia

Há poucos documentos pontifícios tão claramente contestados como esta encíclica do Papa Paulo VI. Por isso, vale a pena reler, meditar e, talvez, dar a conhecer.

Encíclia Humanae Vitae, de Paulo VI

19.7.08

Vigília de Oração das Jornadas Mundiais da Juventude


«Nesta noite, fixamos a nossa atenção sobre «como» tornar-se testemunhas. Precisamos de conhecer a pessoa do Espírito Santo e a sua presença vivificante na nossa vida. Não é fácil! Com efeito, a variedade de imagens que encontramos na Escritura relativas ao Espírito Santo – vento, fogo, sopro – são sinal da nossa dificuldade em exprimir uma noção articulada sobre Ele. E todavia sabemos que é o Espírito Santo, silencioso e invisível, quem proporciona orientação e definição ao nosso testemunho sobre Jesus Cristo.»

Na noite da Vigília das Jornadas Mundiais da Juventude, em Sydney, na presença de cerca de 200 mil jovens, o Santo Padre falou da importância do Espírito Santo na vida do cristão.

Foram várias as coreografias feitas no palco antes do Santo Padre chegar ao recinto.

Depois de ele chegar, deu-se início à oração da Vigília. Foram lidos vários testemunhos de jovens de várias partes do mundo e foram apresentados aqueles que, na Santa Missa que conclui as Jornadas Mundiais da Juventude, irão receber o Sacramento da Confirmação.

Depois do discurso do Santo Padre aos jovens, foi o momento da adoração eucaristica, com o Santíssimo Sacramento exposto.

Discurso do Santo Padre aos jovens>>

Vigília de Oração


Este sábado, pelas 19.00h na Austrália (10.00h em Portugal), o Santo Padre participa na vigília de oração que prepara o último dia das Jornadas Mundiais da Juventude.

O Papa, neste momento, faz o seu discurso aos jovens, depois das orações iniciais.

18.7.08

Santo Padre dedica o novo altar da St. Mary's Cathedral


O Santo Padre Bento XVI, na Santa Missa que celebrou na Catedral de Santa Maria, em Sydney, nesta sexta feira, dedicou o novo altar da Catedral.

Perante uma Catedral totalmente repleta com seminaristas e consagrados(as), o Santo Padre não teve medo em pedir desculpa pelos abusos sexuais cometidos contra menores por parte de alguns sacerdotes australianos, nas décadas passadas.

Além disso, animou todos os presentes a uma fidelidade a Cristo e à sua doutrina, num compromisso radical, para toda a vida.

Santo Padre encontra jovens de uma comunidade de recuperação

Bento XVI manteve esta sexta-feira um encontro com jovens que integram uma comunidade de recuperação e os convidou a serem testemunhas de esperança para outros jovens em situações difíceis.

O Papa compartilhou, na igreja da Universidade Notre Dame, em Sydney, alguns momentos com este grupo de rapazes e moças que, apesar de suas jovens vidas, já atravessaram duras experiências.

Escutou dois testemunhos deles: vidas marcadas pelo álcool, as drogas ou pela tentação do suicídio.

Samantha Gerdes, de origem filipina, descobriu após a morte de seus pais que tinha sido adoptada. Ao regressar a sua família biológica, sofreu abusos de seus irmãos e maus-tratos de sua mãe.

Seguindo para a Austrália, em plena solidão, sentiu a tentação do suicídio. Foi salva graças ao encontro com a Igreja e o ingresso na comunidade. Como ela revelaria depois aos jornalistas, o Papa lhe dirigiu algumas palavras pessoais para alentá-la em seu novo caminho.

O outro jovem que tomou a palavra foi Andrew Holmes, que deixou para trás uma vida arruinada pelo álcool e as drogas. “Mas hoje tudo mudou”, afirmou, ao contar sua breve biografia.

Os jovens formam parte do programa de reabilitação “Alive”, gerenciado pela Agência de Serviços Sociais da arquidiocese de Sydney. O Papa queria com este encontro mostrar que a JMJ é também para jovens em dificuldades e escolheu como momento mais adequado a tarde de sexta-feira, dia em que os peregrinos recordaram com a Via-Sacra a memória da paixão e morte de Jesus.

Em suas palavras aos jovens, o Santo Padre constatou que seguramente hoje eles se arrependem de ter tomado decisões que, ainda que no passado se apresentavam como muito atraentes, os levaram “apenas para um estado ainda mais profundo de miséria e solidão”. “A decisão de abusar de droga ou álcool, de entrar em atividades criminosas ou autolesivas pôde então aparecer como um caminho para sair duma situação de dificuldade ou de confusão”, reconheceu. “Agora sabeis que, em vez de trazer a vida, levou à morte.” Por isso, suas palavras se converteram em um reconhecimento da “coragem demonstrada quando decidistes regressar ao caminho da vida”.

O pontífice assegurou que os vê como “embaixadores de esperança para quantos se encontram em idênticas situações”. “Podeis convencê-los da necessidade de optar pelo caminho da vida e fugir do caminho da morte, porque falais com base na experiência”, afirmou, apresentando-lhes o seguimento de Jesus como opção de vida. Jesus “acolhe-vos de braços totalmente abertos --sublinhou. Oferece-vos o seu amor incondicional: e é na profunda amizade com Ele que se encontra a plenitude da vida”. Este caminho, segundo o Papa, é um “programa consolidado no íntimo de cada pessoa”. Implica “estar dispostos a renunciar às nossas preferências para nos colocarmos ao serviço dos outros, dar a nossa vida pelo bem dos outros e, em primeiro lugar, por Jesus que nos amou e deu a sua vida por nós”. “Isto é o que os homens são chamados a cumprir; é o que significa estar realmente «vivo».” O bispo de Roma concluiu sintetizando suas palavras com a mesma mensagem que Moisés formulou há tantos anos: «Escolhe a vida, para que possas, tu e a tua posteridade, viver amando o Senhor teu Deus».

In Zenit

Via Sacra em Sydney



Bento XVI começou a tarde de hoje com uma oração, para dar início à representação das estações da Via Sacra por parte de aproximadamente 100 atores em Sydney, onde ele preside a Jornada Mundial da Juventude, que reúne cerca de 225 mil jovens peregrinos do mundo inteiro.

Os actores representavam a Última Ceia, sentados nos degraus da catedral de Santa Maria, quando o Papa saiu pela porta do templo para pronunciar a breve oração.

O pontífice acompanhou as outras estações pela televisão, na cripta da catedral. Quatro mulheres indígenas choraram por Jesus de Nazaré, em outro momento da Via Dolorosa.

Através dos numerosos ecrans que retransmitiram o espetáculo em parques e praças de Sydney, o Papa havia visto a ùltima Ceia na catedral de Santa Maria, na qual Alfio Stutio, um ator australiano de 27 anos, representou Jesus, partindo o pão para partilhá-lo com os apóstolos. A 7ª estação da Via Sacra continuava no telão, e os presos romanos, entre eles Simão, estavam representados, assim como as mulheres de Jerusalém, por indígenas australianos. Os atores usaram peles de cangurus e pintaram o rosto e a pele com cinzas, um sinal de luto na tradição indígena; e enquanto esperavam a chegada de Jesus ao cais, fizeram uma dança tradicional do norte da Austrália.

In Zenit

Doze jovens almoçam com o Santo Padre

O almoço que Bento XVI ofereceu nesta sexta-feira a doze jovens, de todos os continentes, serviu para confirmar algo que já sabia: em alguns países, ser jovem é muito difícil. Durante a refeição, que ocorreu na sala de visitas da residência da catedral de Sydney, dez dos jovens representavam os cinco continentes. Os outros dois representavam a Austrália, país anfitrião das Jornadas Mundiais da Juventude.

Fidel Mateos Rodríguez, leigo, de 25 anos, da diocese de Salamanca (Espanha), explicou depois que durante o almoço, cada um dos convidados pôde falar de sua situação pessoal em seus países. O Papa, em especial, «mostrou muito interesse pelos testemunhos dos jovens asiáticos e africanos», dois continentes nos quais é difícil viver a fé católica. A outra representante do continente europeu, a francesa Marie-Bénédicte Esnault, de 22 anos, reconhece que escutando a seus companheiros de mesa pensou que eles, «que vivem em países de antiga tradição cristã são muito afortunados». Jean Fabien Muaka Baloza, da República Democrática do Congo, de 29 anos, considera que a sua «conversa foi como com um pai de família». «Escutou e nos deu sua bênção», contou. Jean Fabien convidou o Papa a visitar a África para que «se dê conta de certas realidades educativas. Temos necessidade de sua influência», continuou.

Craig Ashby, australiano e representante do povo aborígene, narrou ao Santo Padre a discriminação que seu povo ainda vive. O Papa respondeu que a chave para resolver isso está na educação. Gabriel Nagile, de Papua Nova Guiné, conta que também falou dos jovens de seu país e da necessidade urgente de que possam descobrir uma vida espiritual que lhes liberte dos graves perigos que correm. Helena de Souza, do Timor Leste, de 25 anos, falou com o pontífice da violência em seu país. O Papa se interessou por sua situação, recordando que em janeiro deste ano recebeu seu presidente, José Ramos-Horta.

Ao final do encontro, o Papa presenteou a cada jovem com um rosário e uma medalha comemorativa da Jornada Mundial da Juventude. Cada jovem lhe trouxe um presente, como é o caso do norte-americano Armando Cervantes, de origem mexicana, que deu ao Papa um boné com orelhas de Mickey Mouse. Representando o Brasil esteve presente Jorgiana Aldren Lima de Santana, de 26 anos. Outros países representados foram a Nova Zelândia, a Nigéria e a Coréia do Sul. «Sem dúvida foi uma vivência inesquecível que reafirma minha fé em Deus e na Igreja, e me serve como reconhecimento do trabalho que realizo junto aos jovens durante todos estes anos», conlui Fidel Mateos.

In Zenit

Encontro Ecuménico do Santo Padre


Bento XVI deixou hoje na Austrália um apelo ao diálogo entre religiões, num encontro mantido com vários líderes das comunidades religiosas neste país, aos quais se apresentou como “um embaixador da paz”.

“Queridos amigos, vim à Austrália como embaixador de paz. Por isso, sinto-me feliz por me encontrar convosco, que de igual modo partilhais este anseio e conjuntamente o desejo de ajudar o mundo a conseguir a paz”, afirmou.

“Num mundo ameaçado por sinistras e indiscriminadas formas de violência, a voz unida daqueles que possuem espírito religioso incita as nações e as comunidades a resolverem os conflitos através de instrumentos pacíficos no pleno respeito da dignidade humana”, disse ainda.

O Papa assegurou que “é com paixão que a Igreja procura toda a oportunidade para prestar ouvidos às experiências espirituais das outras religiões. Poderemos afirmar que todas as religiões visam penetrar no significado profundo da existência humana, remetendo para uma origem ou princípio externo a elas mesmas”.

Falando na sala capitular da Catedral de Saint Mary, Sidney, o Papa saudou os presentes e agradeceu as palavras de boas-vindas do Rabino Jeremy Lawrence e do Xeque Femhi Naji El-Imam.

Bento XVI sublinhou que a Austrália é um país que “tem em grande consideração a liberdade de religião”.

In Agência Ecclesia

Discurso do Santo Padre no encontro ecuménico>>

17.7.08

Santo Padre recebido em Sydney


Bento XVI foi recebido esta Quinta-feira num ambiente de festa pelas muitas dezenas de milhares de jovens que se encontram em Sidney para celebrar a Jornada Mundial de Juventude 2008.

Num longo discurso, o Papa aproveitou este contacto inicial para deixar desafios aos presentes, sobretudo em relação à dignidade humana, à violência e à defesa da natureza.

Disse o Santo Padre: "Há quase dois mil anos, os Apóstolos, reunidos na sala superior da casa juntamente com Maria (cf. Act 1, 14) e algumas mulheres fiéis, ficaram cheios de Espírito Santo (cf. Act 2, 4). Naquele momento extraordinário que marcou o nascimento da Igreja, a confusão e o medo, que se tinham apoderado dos discípulos de Cristo, transformaram-se numa convicção vigorosa e na certeza de um objectivo. Sentiram-se impelidos a falar do seu encontro com Jesus ressuscitado, que afectuosamente já tratavam por Senhor. Na sua diversidade, os Apóstolos eram pessoas comuns. Nenhum podia afirmar que fosse o discípulo perfeito. Não tinham conseguido reconhecer Cristo (cf. Lc 24, 13-32), deveriam envergonhar-se da sua ambição (cf. Lc 22, 24-27), tinham-No até negado (cf. Lc 22, 54-62). E todavia, quando ficaram cheios de Espírito Santo, sentiram-se trespassados pela verdade do Evangelho de Cristo e inspirados a proclamá-lo sem medo."

In Agência Ecclesia

Discurso do Santo Padre aos jovens>>

Santo Padre no Government House

Na quinta feira de manhã, o Santo Padre foi recebido pelas autoridades civis no Government House.

Na sua intervenção, o Santo Padre disse: "Alguém poder-se-ia perguntar pela razão que impele milhares de jovens a empreenderem uma viagem – para muitos deles – longa e cansativa, a fim de poderem participar num acontecimento deste género. Desde a primeira Jornada Mundial da Juventude, em 1986, ficou patente que um grande número de jovens aprecia a oportunidade de se encontrar para juntos aprofundarem a própria fé em Cristo e partilharem uns com os outros uma jubilosa experiência de comunhão na sua Igreja. Anelam por ouvir a palavra de Deus e aumentar os conhecimentos a respeito da sua fé cristã. Anseiam por tomar parte num acontecimento que ressalta os grandes ideais que os inspiram, e voltam depois para suas casas repletos de esperança, com uma renovada decisão de construir um mundo melhor. Para mim, é uma alegria estar com eles, rezar com eles e celebrar a Eucaristia juntamente com eles. A Jornada Mundial da Juventude enche-me de confiança no futuro da Igreja e no futuro do mundo de todos nós."

Depois, o Santo Padre encontrou-se ainda com o Governador Geral na Admiralty House e com o Primeiro-Ministro.

Discurso do Santo Padre >>

16.7.08

O Santo Padre já chegou à St. Mary's Cathedral House


Bento XVI partiu hoje do Kenthurst Study Center de Sidney, residência do Opus Dei onde se encontrava a descansar desde a sua chegada à Austrália, no passado Domingo.

A Santa Sé anunciou que o Papa se transferiu para a Cathedral House da cidade australiana, que será a residência papal desta segunda parte da viagem apostólica, que se inicia Quinta-feira com a cerimónia de boas-vindas na Government House (09h00 locais, 23h00 de Quarta-feira em Lisboa).

Horas depois, o Papa chegará de barco ao porto de Barangaroo East Darling, entre danças e cantos tradicionais. A festa de acolhimento dos jovens acontece às 05h30 de Lisboa.

Em Sidney começa a repetir-se a expressão "Super Thursday", a super Quinta-feira que se espera na "estreia" de Bento XVI na Jornada Mundial da Juventude 2008, inaugurada na passada Terça-feira pelo Cardeal Pell, Arcebispo local, com quase 150 mil jovens. Ao longo da semana continuarão a chegar peregrinos de cerca de 200 países de todo o mundo.

In Agência Ecclesia

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Galeria Fotográfica da Missa Inaugural das JMJ

Últimas horas de repouso antes de entrar em cena


O Santo Padre entrou na fase final do seu repouso antes de tomar parte activa nas Jornadas Mundiais da Juventude.

O segundo dia no Kenthurst Study Center foi de descanso, de oração e estudo, além de ter servido para resolver alguns assuntos relacionados com a vida da Igreja.

Durante a manhã, o Santo Padre enviou mais um sms aos jovens presentes em Sydney: "O Espírito Santo deu aos Apóstolos e dá-te a ti o poder de proclamares que Jesus Cristo ressuscitou", BXVI.

Um dos momentos mais caricatos do dia, foi quando apresentaram ao Papa um koala de pescoço vermelho, o que muito divertiu o Pontífice.

Pelas 17.30h (hora local da Austrália, 08.30h de Portugal), o Santo Padre será levado, de carro, para a St. Mary's House, no centro de Sydney, residência do Cardeal G. Pell, onde ficará hospedado até ao final da sua estadia na Austrália.

O programa de amanhã será o seguinte:

7.30 Missa privada na Capela da St. Mary’s Cathedral House

9.00 Cerimónia de boas-vindas na Government House. Discurso

9.30 Percurso de carro

9.45 Visita de Oração ao "Mary MacKillop Memorial"

10.00 Percurso de carro

10.05 Visita de cortesia ao Governador Geral na Admiralty House. Encontro com o Primeiro-Ministro

11.05 Percurso de carro

11.30 Chegada à St. Mary’s Cathedral House

14.20 Cais de Rose Bay. Breve recepção com danças e cantos tradicionais por parte de aborígenes

14.45 Embarque no barco "Sydney 2000"

15.30 Chegada ao cais de Barangaroo East Darling Harbour. Festa de acolhimento dos jovens. Discurso

16.45 Percurso de carro panorâmico

17.30 Chegada à St. Mary’s Cathedral House

Santa Missa inaugural das JMJ

15.7.08

Cardeal G. Pell celebra a Santa Missa inaugural das JMJ


O Card. George Pell, Arcebispo de Sydney, celebrou a Santa Missa com a qual teve o seu ínicio oficial as Jornadas Mundiais da Juventude.

Perante uma assistência de milhares de jovens no porto de Sydney, onde se incluía o primeiro ministro australiano, Kevin Rudd, o Cardeal Pell «partiu da imagem evangélica do “Bom pastor” e da “ovelha perdida”, frisando que a mensagem de Cristo se dirige a todos, “em especial aos que não têm religião”.

O Arcebispo de Sidney convidou os presentes a estarem “sempre abertos” ao Espírito Santo, na linha do que tem sido a preparação para a JMJ 2008, sempre dedicada à reflexão sobre a terceira pessoa da Trindade.

D. George Pell pediu aos jovens para não se deixarem dominar pelo conformismo: “Não passeis a vida sem tomar posição, pensando que é melhor não escolher, porque é dando atenção aos compromissos assumidos que podereis viver em plenitude”.»

Após a Missa, iniciam-se os eventos do Festival da Juventude, um pouco por toda a cidade. Mais de 165 concertos ao ar livre terão lugar durante a próxima semana, incluindo os mais variados géneros: Heavy metal, acid jazz, reggae, rap, Gospel e Gregoriano.

Além de figuras como Damien Leith, Guy Sebastian, Paulini, Tap Dogs, Diesel, Vanessa Amorosi e Joseph Gateau, os palcos contarão com alguns dos artistas cristãos mais importantes do momento.

In Agência Ecclesia

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Vídeo da Santa Missa

14.7.08

O primeiro dia do Santo Padre na Austrália


O Pe. Frederico Lombardi, porta voz do Vaticano, contou aos jornalistas como foi o primeiro dia que o Santo Padre passou no Kenthurst Study Center.

A intervenção do Pe. Lombardi surgiu na sequência de um vídeo, mostrado aos jornalistas, com um resumo do primeiro dia do Papa na Austrália.

"As imagens que vêm da Austrália são serenas. O Santo Padre é tranquilo e repousou. Ainda que alguém tenha levantado dúvidas sobre o estado de saúde do Papa, devo assegurar que não há qualquer tipo de problemas".

"Ontem, o Papa chegou a Kenthurst por volta das 16.00h. Pelas 18.00h, celebrou a Santa Missa e depois jantou e repousou. Esta manhã, celebrou a Santa Missa com o pessoal que o acompanha, cerca de 10 pessoas. Concelebraram o Secretário e dois sacerdotes do Opus Dei. Depois do pequeno almoço, deu um primeiro passeio e retirou-se depois, como é costume todas as manhãs.

Pouco depois das 13h, chegaram o Cardeal G. Pell e o Bispo A. Fisher, que almoçaram com o Papa, e falaram sobre os últimos preparativos. Depois do almoço, o Santo Padre realizou o já habitual passeio, que todos os dias faz com os seus secretários. Depois, mais um período de trabalho. Pelas 16h, um encontro um pouco mais longo com o Card. Pell.

No recinto, há um pequeno lago e uma pequena capela, onde o Santo Padre ficou a rezar o terço. às 17h houve um concerto, com a presença do Bispo de Sydney e do Bispo Auxiliar, D. Fisher. Foram tocadas músicas de Schumann, Mozart e Schubert. O concerto terminou por volta das 18h e, uma hora depois, a ceia."

Inscrições aumentam a cada hora

O Bispo Auxiliar de Sydney, D. Anthony Fischer deu uma conferência de imprensa há poucas horas dizendo que os números de jovens que estão a chegar à Austrália superam em muito os números previstos. "Continuam a chegar jovens de todos os lados em tal número que é imprevisível saber até onde chegaremos. A todas as horas há jovens a bater às portas das Igrejas, nos locais de acolhimento e nos sítios de inscrição dos quais não havia qualquer registo e que querem participar nas Jornadas", disse este responsável pelas JMJ.

Mensagem do Santo Padre aos australianos


"Há muitos jovens sem esperança. Sentem-se perplexos perante as questões cada vez mais insistentes que se apresentam. Não sabem a quem dirigir-se para obter as respostas. Não sabem como responder a quem nega a existência de Deus. Vêem os grande danos que a avidez humana provoca no meio ambiente e lutam para encontrar caminhos que lhes permitam viver em maior harmonia com a natureza e com os outros”.

Este é uma parte do conteúdo de uma mensagem que o Santo Padre enviou aos autralianos que esperam por vê-lo. Na sequência da sua última encíclica, o Papa convida os jovens à esperança.

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A cruz das JMJ foi recebida em Sydney


A cruz que acompanha as JMJ foi recebida em Sydney, transportada num barco que deu entrada no porto daquela cidade.

Uma das novidades desta JMJ é que o Santo Padre enviará, todos os dias, uma mensagem de texto para os telemóveis dos participantes nas Jornadas.

O Santo Padre celebrará a Santa Missa na capela da residência onde descansa da viagem.

O Card. George Pell, Arcebispo de Sydney, deu uma conferência de imprensa na qual falou sobre a importância da presença de Deus na sociedade e a responsabilidade civil de todos os cristãos.

13.7.08

Santo Padre concede entrevista

O Santo Padre concedeu uma entrevista aos jornalistas enquanto efectuava a viagem até à Austrália.

Respondendo às perguntas que lhe foram colocadas, o Papa Bento XVI assinalou que a Jornada Mundial da Juventude 2008 será uma festa de alegria "entre jovens reunidos pelo desejo de Deus".

Respondendo a cinco jornalistas, durante uma conferência de imprensa iniciada apenas meia hora depois de partir de Roma, o Pontífice assinalou que olhava o futuro da Igreja na Austrália com muito optimismo e confiança no futuro.

Em relação à JMJ, o Pontífice assinalou que "assim como Colônia, também Sydney será uma festa de fé, um encontro humano em Cristo que abre as fronteiras e cria união entre as culturas. Uma festa que gera alegria entre os jovens unidos pelo desejo de Deus"

Respondendo logo a uma pergunta sobre a questão ambiental, o Pontífice antecipou que a temática ecológica "estará muito presente nesta viagem".

In ACI Digital

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Santo Padre chegou a Sidney


O Santo Padre aterrou em Sidney por volta das 15.00h portuguesas.

Como habitualmente, o Santo Padre tinha enviado uma vídeo mensagem aos jovens australianos, nos quais lhes dizia que "muitos jovens não têm esperança. Permanecem perplexos diante das questões que lhes são apresentadas de modo cada vez mais urgente neste mundo que os confunde. Muitas vezes, ficam na dúvida, não sabem a quem se dirigir para encontrar respostas. São desafiados pelos argumentos daqueles que negam a existência de Deus e se desnorteiam, não sabem como responder. Vêem os grandes estragos causados pela avidez humana ao meio ambiente, e lutam para encontrar um modo de viver em harmonia com a natureza e com os outros. Aonde podem procurar as respostas? É o espírito que os orienta para o caminho que conduz à vida, ao amor e à verdade". Eles são chamados a ser instrumentos de renovação, comunicando a seus coetâneos a alegria que sentem em conhecer e seguir Cristo, e compartilhar com os outros o amor que o Espírito derrama em seus corações, de forma que eles também se inundem de esperança e gratidão por todo o bem que se recebe de Deus, nosso Pai".

Nesta viagem, a nona de Bento XVI ao estrangeiro, o Papa é acompanhado pelos Cardeais Angelo Sodano (Decano do Colégio Cardinalício), Tarcisio Bertone (Secretário de Estado do Vaticano) e Agostino Vallini (Vigário para a cidade de Roma).

Como anunciado, até à próxima Quinta-feira o Papa ficará no Kenthurst Study, Centro de retiros e formação do Opus Dei.

A JMJ será inaugurada, sem a presença do Papa, pelo Cardeal Pell, Arcebispo de Sidney, na Terça-feira, 15 de Julho.

Quinta-feira, 17, o Papa será recebido no Government House pelo primeiro-ministro australiano. Depois, como está previsto, seguirá para o Mary Mackillop Memorial (dedicado à primeira beata australiana), e de lá para Rose Bay, onde está previsto que seja acolhido por um grupo de jovens indígenas, antes de entrar na embarcação Sidney 2000, até Bangaroo.

A Santa Sé destacou, entre os diversos encontros previstos, os de 18 de Julho na catedral de Santa Maria com representantes de outras religiões e com membros de outras comunidades cristãs não-católicas.

No fim-de-semana de 19 e 20 de Junho, a JMJ-2008 atinge o seu auge com vigília e a Missa no Hipódromo de Randwick, onde são esperados centenas de milhares de jovens. Antes do regresso, a 21 de Junho, o Papa irá encontrar-se com os benfeitores e os voluntários da JMJ.

Segundo o comité organizador central das Jornadas de Sidney, há já 225 mil inscritos, 125 mil dos quais não são australianos; 8 mil voluntários, 2 mil sacerdotes e 700 Cardeais e Bispos.

In Canção Nova e Agência Ecclesia

Programa da viagem do Santo Padre
Uma centena de portugueses na Austrália

Próximas JMJ em Madrid

Segundo rumores cada vez mais insistentes, as próximas Jornadas Mundiais da Juventude poderão ser em Madrid. O Santo Padre revelará o destino no último dia da sua permanência na Austrália.

Santo Padre já chegou à Austrália

O avião chegou no horário previsto a Darwin, onde faz uma paragem para reabastecer antes de continuar viagem até ao Richmond Air Base, onde o Santo Padre será recebido pelas autoridades oficiais e eclesiásticas da Austrália. Depois, seguirá viagem até ao Kenthrust Center, onde ficará alojado até ao dia 17 de Julho.


Vista da casa onde o Santo Padre descansará nos próximos dias, o Kenthurst Study Center, uma casa de retiros e de formação da Prelatura do Opus Dei.

Hino das JMJ 2008 em Sidney

Jornadas Mundiais da Juventude


O Santo Padre Bento XVI chega hoje a Sydney para as Jornadas Mundiais da Juventude, que terão lugar naquela cidade.

"É fundamental que cada um de vós, jovens, na comunidade e com os educadores, possa reflectir sobre este Protagonista da história da salvação, que é o Espírito Santo ou Espírito de Jesus, para alcançar estas altas finalidades: reconhecer a verdadeira identidade do Espírito, em primeiro lugar ouvindo a Palavra de Deus na Revelação da Bíblia; tomar uma consciência límpida da sua presença contínua e activa na vida da Igreja, em particular redescobrindo que o Espírito Santo se põe como "alma", sopro vital da própria vida cristã, graças aos sacramentos da iniciação cristã Baptismo, Confirmação e Eucaristia; tornar-se assim capaz de amadurecer uma compreensão de Jesus cada vez mais profunda e alegre e, contemporaneamente, de realizar uma prática eficaz do Evangelho no alvorecer do terceiro milénio."

Bento XVI, Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude

Esta será mais uma visita multitudinária. Mas isso não é o mais importante. A meu ver, o fundamental é a resposta que tantos jovens continuam a dar ao convite do Santo Padre.

Enquanto João Paulo II foi vivo, os meios de comunicação diziam, frequentemente, que a ligação do Papa com os jovens era fruto das suas experiências no teatro. O Papa sabia estar com os jovens.

No entanto, com Bento XVI, o número de pessoas, nomeadamente jovens, que procuram estar com o Papa não só não diminuiu como, inclusivamente, aumentou. E este Papa nunca fez teatro na sua juventude. É sinal que as pessoas e, sobretudo os jovens, procuram o Papa por ele falar de Cristo e indicar caminhos seguros para uma felicidade mais autentica e verdadeira.

30.6.08

O reduto da esperança


É nos momentos de crise, que o engenho humano se torna mais apurado. É verdade, estamos numa crise que tem vários lados: crise económica, crise social, crise de valores.

Mas é, precisamente, nestes momentos, que é necessário ir beber da esperança que Jesus Cristo nos oferece.

A crise económica, mais do que um momento de lamentações, é uma oportunidade a usarmos melhor os poucos meios económicos que temos; é uma oportunidade para sermos mais solidários; e, sobretudo, é uma oportunidade de abraçarmos, mais uma vez, com generosidade, a cruz de Cristo que implicam algumas privações.

É hora de olharmos olhos nos olhos para Jesus e escutar novamente aquelas palavras profundamente actuais: "Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça de Deus e tudo mais vos será dado por acréscimo" (Mt 6, 33).

Nesta hora de crise, Jesus aparece como o reduto da esperança que nos deve tornar mais solidários com os mais necessitados e mais exigentes connosco próprios.

18.6.08

Um verdadeiro tempo de descanso


Os discípulos colocaram a Jesus o problema do stress e do descanso.

Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta.

Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco.

Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!

Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é.

A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo-nos.

Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.

Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.

O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir.

Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.

Desejaria mencionar um pequeno acontecimento que João Paulo II contou durante o retiro que pregou para Paulo VI, quando ainda era Cardeal. Falou duma conversa que teve com um cientista, um extraordinário investigador e um excelente homem, que lhe dizia: "Do ponto de vista da ciência, sou um ateu...". Mas o mesmo homem escrevia-lhe depois: "Cada vez que me encontro com a majestade da natureza, com as montanhas, sinto que Ele existe".

Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.

Card. J. Ratzinger "Esplendor da Glória de Deus" Editorial Franciscana, 2007, pág. 161.

13.4.08

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