21.11.07

Um sinal de progresso?

«O amor é eterno enquanto dura. Uma vez que termina, deixa de o ser». Pode parecer brincadeira, mas ouvi esta frase há poucos dias. Juntamente com ela, uma pessoa defendia tão ardentemente o divórcio, que acabou por considerá-lo como um “direito humano”, que devia por esse motivo ser incluído na declaração universal que os enumera.

É interessante reparar que, hoje em dia, o divórcio é considerado por muitas pessoas como uma característica da sociedade moderna. Não o admitir é visto como um absurdo tão grande, que nem merece qualquer tipo de consideração. Tal atitude é considerada como completamente intolerante e seria similar a desejar, por exemplo, a restauração da escravatura. Não se pode dialogar com as pessoas que pensam assim. Seria um retrocesso na modernização e humanização da nossa sociedade.

O próprio Código de Direito Civil não inclui a possibilidade de duas pessoas se casarem indissoluvelmente. Seria uma aberração. Tal visão do casamento está restringida a indivíduos com “sensibilidade religiosa”, sem que isto tenha nada que ver com a vida das pessoas consideradas maduras e normais.

De acordo com a mentalidade actual, o divórcio é um sinal de progresso, um passo em frente para a felicidade de uma sociedade. A indissolubilidade do matrimónio é vista por muita gente como um “capricho” da Igreja Católica, que com esta e outras atitudes parece ter perdido definitivamente o “comboio da modernização”.

Mas será que o divórcio é verdadeiramente um sinal de progresso? Será que a sua aprovação na lei civil gerou de verdade uma libertação? Gerou maior felicidade na vida das pessoas?

Sempre encontraremos algumas pessoas que dizem que sim. Parecem ser uma minoria e geralmente não possuem um conceito muito claro do que significa a felicidade. Para muitas pessoas a resposta é não. O divórcio não gerou felicidade. Gerou uma certa desistência de ser feliz, uma consciência de que tal palavra parece ser um objectivo inalcançável.

Isso porque, como diz C. Burke, a mentalidade divorcista produziu um modo comercial de encarar o casamento. Passou a tratar-se de um “negócio” com riscos, mas com a garantia de que, caso não nos sintamos satisfeitos, a nossa liberdade ser-nos-á restituída como se nada tivesse acontecido.

É a mentalidade de experimentar para ver se nos serve. Ninguém discute que esta lógica é fantástica quando se trata de comprarmos roupa. No entanto, para um casamento, ter esta mentalidade é estabelecer bases movediças que levam seguramente a um rotundo fracasso matrimonial.

Fazendo um balanço dos últimos anos, vemos como o divórcio gera cada vez mais divórcio. Estamos a chegar à conclusão de que, neste caso, o remédio é pior do que a doença. E assim como a melhor solução para uma dor de cabeça não é cortá-la (felizmente há outras soluções), a melhor solução para os problemas que surjam num casamento não é acabar com ele.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria