29.10.07

Duc in altum!


«Mulher, estás livre da tua enfermidade»; e impôs-lhe as mãos. Ela endireitou-se logo e começou a dar glória a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado por Jesus ter feito uma cura ao sábado.»
(Lc 13, 12-14)

“Quem está encurvado olha sempre para a terra, e quem olha para baixo não se lembra do preço pelo qual foi redimido”
São Gregório Magno, Homilias sobre os Evangelhos, 31, 8

26.10.07

Cristo que passa


«Hipócritas, se sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente? Porque não julgais por vós mesmos o que é justo?».
(Lc 12, 56)

O Senhor continua a passar pelas nossas vidas com sinais mais do que suficientes, mas existe o perigo de que não o reconheçamos. Faz-se presente na doença ou na tribulação, que nos purificam se sabemos aceitá-las e amá-las; está – de modo oculto mas real – naqueles que trabalham na mesma tarefa que nós e que precisam de ajuda, ou naqueles que participam do calor do nosso próprio lar, naqueles que encontramos diariamente por motivos tão diversos... Está por trás dessa boa notícia que espera que saibamos agradecer para nos conceder outras novas. São muitas as ocasiões em que sai ao nosso encontro... Que pena se não soubermos reconhecê-lo por estarmos excessivamente preocupados, distraídos, ou por faltar-nos piedade, presença de Deus!
Francisco Fernandez Carvajal, Falar com Deus

24.10.07

Fidelidade


A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».
(Lc 12, 48)

“Cada homem, cada mulher é como um soldado que Deus destaca para velar por uma parte da fortaleza do Universo. Uns estão nas muralhas e outros no interior do castelo, mas todos devem ser fiéis ao seu posto de sentinela e não abandoná-lo nunca; caso contrário, o castelo ficará exposto aos assaltos do inferno”.
(Autor desconhecido)

23.10.07

Aniversário

Hoje, este PESCADOR faz anos de ordenação sacerdotal.

Muitos parabéns!

Vigilância


«Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes.»
(Lc 12, 37)

“Vigiar é próprio do amor. Quando se ama uma pessoa, o coração está sempre vigilante, esperando-a, e cada minuto que passa sem ela é em função dela e transcorre em vigilância [...].
Jesus pede amor. Por isso solicita vigilância”
Chiara Lubich, Meditações

22.10.07

Avareza


«Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».
(Lc 12, 15)

"Assim, pois, o ter mais, tanto para as nações como para as pessoas, não é o fim último. Todo o crescimento tem dois sentidos bem diferentes. Se é necessário para permitir que o homem seja mais homem, por outro lado encerra-o numa prisão se se converte em bem supremo, que impede de olhar mais além. Então os corações se endurecem e os espíritos se fecham; os homens já não se unem pela amizade, mas pelo interesse, que em breve os faz opor-se uns aos outros e desunir-se. A busca exclusiva da posse dos bens converte-se num obstáculo para o crescimento do ser, e opõe-se à sua verdadeira grandeza. Tanto para as nações como para as pessoas, a avareza é a forma mais evidente de um subdesenvolvimento moral”
(Paulo VI, Populorum progressio, 26.03.1967, n. 19)

18.10.07

Hábito eclesiástico


Muitas vezes me perguntam porque ando vestido de sacerdote. A resposta normal é "porque me apetece". Mas, por trás deste motivo pessoal está o desejo de cumprir o que pede a Igreja aos seus sacerdotes.
Frequentemente, mesmo em conversa com colegas sacerdotes, vem ao de cima este tema. E, algumas vezes, as razões apontadas para não se andar vestido de sacerdote prendem-se com o ambiente, com o medo a ser-se criticado, com uma falsa humildade entendida como "querer passar despercebido".
Conheço sacerdotes muito mais doutos, santos, piedosos e apostólicos do que eu que não usam o hábito eclesiástico. Mas, ao mesmo tempo, não encontro em nenhum sítio onde esteja estipulado pela Igreja a possibilidade dos sacerdotes não andarem "normalmente" vestidos como sacerdotes.
E a experiência com os leigos confirma que, o uso habitual do traje eclesiástico não só não é um obstáculo, mas sim uma ajuda no ministério sacerdotal.
Deixo alguns textos:

Código de Direito Canónico, cân. 284
"Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais."


Conferência Episcopal Portuguesa:
"Em conformidade com o cân. 284, a Conferência Episcopal Portuguesa determina:
1. Usem os sacerdotes um trajo digno e simples, de acordo com a sua missão;
2. Esse trajo deve identificá-los sempre como sacerdotes, permanentemente disponíveis para o serviço do povo de Deus.
3. Esta identificação far-se-á, normalmente, pelo uso:
a) da batina;
b) ou do fato preto ou de cor discreta com cabeção.

Directório para a Vida e Ministério dos Presbíteros, 66:
Numa sociedade secularizada e de tendência materialista, onde também os sinais externos das realidades sagradas e sobrenaturais tendem a desaparecer, sente-se particularmente a necessidade de que o presbítero — homem de Deus, dispensador dos seus mistérios — seja reconhecível pela comunidade, também pelo hábito que traz, como sinal inequívoco da sua dedicação e da sua identidade de detentor dum ministério público.(211) O presbítero deve ser reconhecido antes de tudo pelo seu comportamento, mas também pelo vestir de maneira a ser imediatamente perceptível por cada fiel, melhor ainda por cada homem, a sua identidade e pertença a Deus e à Igreja.
Por este motivo,o clérigo deve trazer um hábito eclesiástico decoroso, segundo as normas emanadas pela Conferência Episcopal e segundo os legítimos costumes locais. Isto significa que tal hábito, quando não è o talar, deve ser diverso da maneira de vestir dos leigos e conforme à dignidade e à sacralidade do ministério. O feitio e a cor devem ser estabelecidos pela Conferência dos Bispos, sempre de harmonia com as disposições do direito universal.
Pela sua incoerência com o espírito de tal disciplina, as praxes contrárias não se podem considerar legítimas e devem ser removidas pela autoridade eclesiástica competente.
Salvas excepções completamente excepcionais, o não uso do hábito eclesiástico por parte do clérigo pode manifestar uma consciência débil da sua identidade de pastor inteiramente dedicado ao serviço da Igreja.

Pontifício Conselho para a interpretação dos textos legislativos, "Esclarecimentos sobre o valor vinculativo do art. 66 do Directório para a vida e ministério dos presbíteros":
1.O Directório para o ministério e a vida dos presbíteros, publicado pela Congregação para o Clero por encargo e com a aprovação do Santo Padre João Paulo II, está, sem dúvida, impregnado, na sua totalidade, de um profundo espírito pastoral. No entanto, isso não elimina o valor normativo de muitos dos seus artigos, os quais não têm somente um caracter exortativo, mas são juridicamente vinculativos.
2.Esta obrigatoriedade jurídica e disciplinar refere-se seja às normas do Directório que se referem simplesmente a normas idênticas contidas no Código de Direito Canónico (como por ex. o art. 16, §6), seja a outras normas que determinam o modo concreto de execução das leis universais da Igreja, tornando claras as suas razões doutrinais e encorajando a sua fiel observância (como, por ex., os art. 62-64).
3.As normas deste último tipo, que pertencem à categoria dos Decretos Gerais executórios e “obrigam todos aqueles que devem cumprir as próprias leis” (Código de Direito Canónico, cân. 32), são, geralmente, publicadas pela Santa Sé em Directórios, como está previsto pelo Código de Direito Canónico (cân. 33, §1).
4.No que se refere, concretamente, ao art. 66 do “Directório para o ministério e a vida dos presbíteros”, este artigo contém uma normativa geral, complementar ao cân. 284 do Código de Direito Canónico, com as características próprias dos Decretos Gerais executórios (cfr. Cân. 31). Trata-se, portanto, de uma norma à qual se desejou atribuir, explicitamente, uma exigência jurídica, como se pode deduzir do próprio conteúdo do texto e do sítio no qual foi incluído: sob o título “A obediência”.
5.De facto, o já citado art. 66:
a.Lembra, citando recentes ensinamentos do Magistério pontifício sobre este tema, o fundamento doutrinal e as razões pastorais do uso do hábito eclesiástico por parte dos ministros sagrados, como prescrito no cân. 284;
b.Determina, mais concretamente, o modo de pôr em prática a lei universal sobre o uso do hábito eclesiástico, e, portanto, “tal hábito, quando não è o talar, deve ser diverso da maneira de vestir dos leigos e conforme à dignidade e à sacralidade do ministério. O feitio e a cor devem ser estabelecidos pela Conferência dos Bispos, sempre de harmonia com as disposições do direito universal.”
c.Pede, com uma declaração categórica, a observância e a recta aplicação da normativa sobre o hábito eclesiástico: “Pela sua incoerência com o espírito de tal disciplina, as praxes contrárias não se podem considerar legítimas e devem ser removidas pela autoridade eclesiástica competente.”É à luz destas precisações, aprovadas pela mesma Suprema Autoridade que promulgou o Código de Direito Canónico, que devem ser interpretados também os Decretos gerais elaborados pelas Conferências Episcopais como normativa complementar à lei universal contida no cân. 284.
6.Segundo quanto prescrito no cân. 32, estas disposições do art. 66 do “Directório para o ministério e a vida dos presbíteros” obrigam todos aqueles que estão incluídos na lei universal do cân. 284, ou seja, os Bispos e os presbíteros, excluindo-se, portanto, os diáconos permanentes (cfr. Cân. 288). Os Bispos Diocesanos, além disso, são a autoridade competente para solicitar a obediência a esta disciplina que acima se expôs e para remover os eventuais costumes contrários ao uso do hábito eclesiástico (cfr. Cân. 392, §2). Às Conferências Episcopais corresponde facilitar o cumprimento das obrigações de cada um dos Bispos diocesanos.

Roma, 22 de Outubro de 1994

Vincenzo Fagiolo, Presidente
Julián Herranz, Secretário
(cf. Communicationes, 27 [1995] 192-194)

A imensidão da seara


«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.»
(Lc 10, 3)

“– O Senhor chamou-nos, a nós católicos, para que O seguíssemos de perto; e, nesse Texto Santo, encontras a Vida de Jesus; mas, além disso, deves encontrar a tua própria vida.
Aprenderás a perguntar tu também, como o Apóstolo, cheio de amor: «Senhor, que queres que eu faça?...» A Vontade de Deus!, ouvirás na tua alma de modo terminante.
Pois bem, pega no Evangelho diariamente, e lê-o e vive-o como norma concreta. – Assim procederam os santos”
S. Josemaria Escrivá, Sulco, 764

17.10.07

Fátima

No rescaldo das celebrações dos 90 anos de Fátima, ficaram-me algumas notas:
1. Nossa Senhora falou a 3 pastorinhos e, 90 anos depois, foram cerca de 200 mil aquelas que quiseram estar presentes nas celebrações. Os frutos da graça de Deus não são, no entanto, quantificáveis. Os milhares, talvez milhões, de pessoas a quem já tocou a Mensagem que Nossa Senhora fazem-nos pensar: e se os Pastorinhos não tivessem sido fiéis aos pedidos de Maria? E se tivessem cedido à pressão da família, das autoridades civis para desmentirem o que tinham visto e ouvido?
2. O Congresso realizado pela ocasião destes 90 anos das aparições demonstraram que que a Mensagem de Fátima não perdeu a sua actualidade. Vale a pena conhecê-la e dá-la a conhecer.
3. É verdade que a Basílica teve os seus custos, a arte que a preenche é de beleza e qualidade discutível. É verdade que esse dinheiro podia ser usado para obras de fins caritativos. Vêm-me, no entanto, à memória as palavras de Nosso Senhor: "Pobres sempre os tereis" (Jo 12, 8). A necessidade de promover as confissões num espaço digno, de melhorar as condições onde os peregrinos possam rezar justificam o investimento. Investimento externo (no edifício e no que o constitui) para um investimento na vida interior dos peregrinos. Ainda que só se celebrasse uma Santa Missa ou só uma pessoa se abeirasse do Sacramento da Penitência, teria valido a pena o investimento.
4. O Santuário de Fátima, precisamente pela importância mediática que foi ganhando, tem também a responsabilidade de ser exemplar na liturgia. Se, na parte musical, o comportamento foi de excepção, há outros aspectos (acólitos, tempos de silêncio, ministros extraordinários da comunhão, entre outros) que podiam ser melhorados.

Hipocrisia

«Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e das saudações na praça pública! Ai de vós, porque sois como sepulcros disfarçados, sobre os quais passamos sem o saber!».
(Lc 11, 43-44)

Não nos deve admirar que os fariseus fossem como são descritos no Evangelho. No entanto, nós, que fomos considerados dignos de ser templo do Espírito Santo, nos convertêssemos em sepulcros que só encerram podridão, cairíamos na maior das desgraças.
S. João Crisóstomo,in Matthaeum hom. 74

16.10.07

Esmola


«Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e perversidade. Insensatos! Quem fez o interior não fez também o exterior? Dai antes de esmola o que está dentro e tudo para vós ficará limpo».
(Lc 11, 40-41)

"Esmola, palavra grega, significa etimologicamente compaixão e misericórdia. Circunstâncias diversas e influxos de uma mentalidade restritiva alteraram e profanaram de certo modo o seu significado primigénio, reduzindo-o talvez a um acto sem espírito e sem amor. Mas a esmola, em si mesma, entende-se essencialmente como atitude do homem que adverte a necessidade dos outros, que quer tornar participantes os outros do próprio bem. Quem diria que não haverá sempre outro que tenha necessidade de ajuda, antes de mais espiritual, de apoio, de consolação, de fraternidade, de amor? O mundo está sempre muito pobre de amor"
(João Paulo II, Alocução aos jovens, 28-III-1979).

15.10.07

Juízo


"No juízo final, os homens de Nínive levantar-se-ão com esta geração e hão-de condená-la, porque fizeram penitência ao ouvir a pregação de Jonas; e aqui está quem é maior do que Jonas»."
(Lc 11, 31-32)

"A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo. O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé.
Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre."
Catecismo da Igreja Católica, 1021-1022.

12.10.07

Opções


"Quem não está comigo está contra Mim e quem não junta comigo dispersa."
Lc 11, 23

"Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo."
Bento XVI, Deus caritas est, 1

11.10.07

Oração


Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Lc 11, 9-10)

"A oração é um dom da graça, mas pressupõe sempre uma resposta decidida da nossa parte, porque o que reza combate contra si mesmo, contra o ambiente e sobretudo contra o Tentador, que faz tudo para retirá-lo da oração. O combate da oração é inseparável do progresso da vida espiritual. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza."
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 572

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9.10.07

Marta e Maria


«Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».Lc 10, 42

"Marta ocupava-se em muitas coisas, dispondo e preparando a refeição do Senhor. Pelo contrário, Maria preferiu alimentar-se do que dizia o Senhor. Não reparou de certo modo na agitação contínua de sua irmã e sentou-se aos pés de Jesus, sem fazer outra coisa senão escutar as Suas palavras. Tinha compreendido de forma fidelíssima o que diz o Salmo: 'Descansai e vede que Eu sou o Senhor' (Ps 46,11). Marta consumia-se, Maria alimentava-se; aquela abarcava muitas coisas, esta só atendia a uma. Ambas as coisas são boas"
Santo Agostinho, Sermão 103

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A assistência religiosa nos hospitais

"Para nós, os demónios, é um autentico desastre que os homens estejam continuamente a lembrar-se da morte. O ideal é que morram em clínicas caras, rodeados de médicos que mentem, de enfermeiras que mentem, de amigos que mentem, todos eles prometendo-lhes a vida, omitindo a menor referência a um sacerdote..."
C. S. Lewis, Cartas do Diabo ao seu sobrinho

Tudo o que, recentemente, se tem escrito sobre a assistência espiritual e religiosa nos hospitais fez-me lembrar estas palavras de C. S. Lewis.
Apesar da complexidade da questão, é possível que, só o diálogo, não chegue para que os doentes não se vejam privados de assistência espiritual. Oração precisa-se...

6.10.07

Ecos do primeiro dia de caça

Pároco: Então, Sr, Agostinho, a caça correu bem?
Sr. Agostinho: Muito bem, Sr. Abade. Graças a Deus, ninguém se magoou... nem sequer os coelhos!

5.10.07

Dureza de coração


"Quem vos escuta, escuta-Me a Mim; e quem vos rejeita, rejeita-Me a Mim. Mas quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou»." (Lc 10, 15-16)


“Não é a bondade de Deus que tem a culpa de que a fé não nasça em todos os homens, mas a disposição insuficiente dos que recebem a pregação da palavra” (São Gregório Nazianzeno, Oratio catechetica magna, 31)

4.10.07

S. Francisco de Assis


«Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. (Mt 11,25)

A fé não procura coisas extraordinárias, mas esforça-se por se tornar útil, servindo os irmãos na perspectiva do Reino. A sua grandeza está na humildade: «Somos servos inúteis...». Uma fé humilde é uma fé autêntica. E uma fé autêntica, ainda que seja tão pequena «quanto uma semente de mostarda», pode realizar coisas extraordinárias.
João Paulo II, Homilia, 1998.10.04

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3.10.07

Desprendimento


Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos iam a caminho de Jerusalém, quando alguém Lhe disse: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça».(Lc 9, 57-58)

«Jesus pede aos seus discípulos, a todos, um desprendimento habitual: a atitude firme de estar por cima das coisas que necessariamente se têm de usar. Para nós, que fomos chamados a seguir o Senhor sem sair do mundo, manter o coração desprendido dos bens materiais, sem deixar de usar o necessário, requer uma atenção constante, sobretudo numa época em que parece imperar o desejo de possuir e saborear tudo o que agrada aos sentidos e em que, para muitos – dá essa impressão –, esse é o principal fim da vida2. Viver a pobreza que Cristo nos pede requer uma grande delicadeza interior: nos desejos, no pensamento, na imaginação; exige que se viva com o mesmo espírito do Senhor.»
Francisco Fernandez Carvajal, in Falar com Deus

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2.10.07

Uma questão de valores

"Rui Pereira, ministro da Administração Interna, defendeu esta semana, numa intervenção realizada na Escola Superior de Educação de Leiria, que o ensino dos valores de cidadania nas aulas de Educação Cívica é essencial para "a mudança de mentalidades e a construção de um Portugal melhor". Rui Pereira pressupõe que a transmissão de valores deve ser uma função do Estado. Mas, dado que a sociedade portuguesa é pluralista, essa função deve ser questionada. Se o Estado vai transmitir valores, vai transmitir os valores de quem? E se numa sociedade pluralista coexistem valores contraditórios, que valores é que o Estado deve transmitir?

Pode-se argumentar que o Estado deve transmitir os valores consensuais. Mas os valores consensuais estão em todo o lado. Na televisão, em casa, nos grupos de amigos e nas empresas. Os valores consensuais são absorvidos por todos os cidadãos desde a infância. A transmissão de valores consensuais através do ensino público é um desperdício de tempo e de recursos.

Pode-se argumentar que o Estado deve transmitir os valores da maioria. Mas esse é um caminho perigoso. As minorias têm tanta legitimidade para exigir que o Estado transmita os seus valores quanto a maioria. Vivemos numa sociedade aberta e plural em que a liberdade de pensamento, de expressão e de ensino é reconhecida a todos sem excepção. O Estado deve respeitar esse pluralismo abstendo-se de promover determinados valores em detrimento de outros. Na sua intervenção, Rui Pereira destacou os valores da liberdade, responsabilidade, igualdade, solidariedade e segurança. Ou seja, aqueles valores que dividem qualquer sociedade. O debate político em Portugal é precisamente sobre qual deve ser o equilíbrio óptimo entre liberdade, responsabilidade, igualdade, solidariedade e segurança.

Pode-se argumentar que os governantes sabem melhor do que os cidadãos quais são os valores mais adequados para a sociedade. Mas este argumento constitui uma inversão da relação entre governantes e cidadãos. Numa democracia, são os cidadãos que escolhem os valores que devem orientar o Governo. Não são os governantes que definem que valores os cidadãos devem ter. Por outro lado, só a brincar é que alguém atribuiria a políticos o papel de definir os valores sob os quais a sociedade deve viver. Somos governados por um primeiro-ministro que mentiu para ganhar as eleições, por uma ministra da Educação que diz que não se arrepende de violar a Constituição e por um ministro da Administração Interna que acha normal que um juiz do Tribunal Constitucional interrompa o seu mandato para servir o seu partido como ministro. Se os governantes não têm uma vida ética, porque é que haveriam de ser eles a definir os valores que devem reger a sociedade?"

João Miranda, in Diário de Notícias

Festa dos Santos Anjos da Guarda


"Quem acolher em meu nome uma criança como esta acolhe-Me a Mim. Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem continuamente o rosto de meu Pai que está nos Céus». (Mt 18, 10)

"O Senhor chama pequenos, não às crianças, mas sim àqueles que muitos consideram pequenos: refiro-me aos pobres, aos miseráveis, aos vulgares. Chama, pois, assim, aos que, para a opinião pública, são pequenos. Assim como fugir daqueles que são perversos traz consigo um grande bem, assim igualmente, honrar os bons. É por isso uma dupla utilidade: afastarmo-nos de amizades que escandalizam; outra, honrar e reverenciar os santos." (S. João Crisostomo, In Math., 59)

1.10.07

Exposição: "A Palavra e o Espírito"



Foi, anteontem, inaugurada uma exposição de Arte Sacra, que reúne peças, sobretudo, dos concelhos de Lamego e de Tarouca.
É o resultado de um trabalho que envolveu várias parcerias e que se deve ao tenaz trabalho do Pe. Hermínio Lopes e à perícia do Dr. Nuno Resende. Deixo uma palavra de muitos parabéns aos dois.