6.12.06

Exame de consciência

"Sempre me tocou aprender do modo mais dificil, à força de pancadas. Apesar dos directores do seminário e dos teólogos de ascética, tive que descobrir por mim mesmo que, ou meditamos, ou perecemos. Mais tempo levei ainda a admitir a necessidade do exame de consciência.
Considerava-o privativo das freiras e dos seminaristas, deslocado da vida de um sacerdote cheio de afazeres. Pouco a pouco, no entanto, fui percebendo que a meditação, por si só, não é suficiente. As boas resoluções esquecem-se depressa. Às sete da manhã parecia-me que flutuava noutro mundo, mas, às sete da tarde, sentia-me muito preso a este. Era evidente que os meus esforços espirituais tinham o mesmo defeito do meu futebol: falta de fôlego."

Leo Trese, Vaso de argila, Exame particular, p.73