20.10.06

Ainda sobre o aborto...

Deus perdoa sempre...
O homem perdoa às vezes...
A natureza, nunca perdoa...

Sobre o aborto...

E, duas legislaturas depois, somos empurrados novamente a debater o tema do aborto.
O Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, em comunicado, esclarece as suas recentes declarações sobre este tema. Como o comunicado não vai ter nenhum direito de antena nos meios de comunicação, pode ser lido aqui.
A Conferência Episcopal Portuguesa, por seu lado, emitiu uma Nota Pastoral, que já tinha sido votada na última assembleia plenária, sobre este tema. Pode ser lida aqui.

16.10.06

Uma cultura de morte

A atracção pela morte é um dos sinais da decadência. Portugal deveria estar, neste momento, a discutir o quê? Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população.

Um país velho é um país mais doente. Um país mais pessimista. Um país menos alegre. Um país menos produtivo. Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos dos que trabalham.

Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater. E a tentar resolver.

Como?

Obviamente, promovendo os nascimentos. Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas.

Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários.

Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.

Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo.

Um sinal de saúde.

Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.

Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).

Debate-se a eutanásia.

Promove-se uma cultura da morte.

Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.

Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.

Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.

O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.

Tal como há uma parada do ‘orgulho gay’, os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar.

Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?

Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má.

Que deixa traumas para toda a vida.

E que, sendo assim, deve ser evitada a todo o custo.

A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a oposta.

Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta.

O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.

Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é o futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente.

Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte?

Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?

No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro?

Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos?

J. A. Saraiva, Sol, 14.10.2006

5.10.06

Amar a Igreja

Custa-me e dói-me que tantos cristãos, filhos desta Mãe, que é a Santa Igreja, em vez de a defenderem, permitam e até pactuem com pessoas que atacam os seus pastores.

Quando criticas alguém, rezaste e mortificaste-te para que ele fosse melhor?

4.10.06

Sequestro de avião não foi protesto contra a visita do Santo Padre à Turquia

As autoridades civis italianas desmentiram que o avião turco que ontem foi desviado para Itália tivesse sido sequestrado para protestar contra a visita do Santo Padre à Turquia.

Esta versão foi posta a circular por Candan Karlitekin, Presidente da Direcção da Turkish Airlines e foi reproduzida por muitos meios de comunicação nacionais e internacionais. No entanto, Candan Karlitekin não teve nenhum contacto com o sequestrador nem com a tripulação do avião sequestrado.

O avião foi sequestrado por uma única pessoa, Hakan Ekinci, que afirma ser católico. Em Agosto passado, tinha escrito uma carta ao Santo Padre a pedir ajuda, pois queria evitar o serviço militar na Turquia.

Créditos:
Aciprensa
Repubblica

3.10.06

Re inícios

À medida que se aproxima o momento de tomar posse de novos encargos apostólicos, procuro, humanamente, preparar tudo o melhor possível. Mas o planeamento, as actividades e tudo o resto só terá eficácia e, no fundo, valor de vida eterna, se for preparado na oração, no diálogo com o Senhor. A pergunta certa não é: "O que é que eu quero fazer?", mas sim: "Senhor, que queres que eu faça?"

E fico em grande paz. Pois, no fundo, é Ele que fará tudo. Eu serei apenas instrumento.

Ao entrar nas paróquias que o Senhor acaba de me confiar, não vou com riqueza, nem com grande sabedoria e, muito menos, com soluções mágicas. Vou, Senhor, contigo no coração e nos lábios, sabendo que és tu quem moves os corações.

Da minha parte, a miséria de fraco instrumento. Da Tua, a graça que nos salva.