6.6.06

"Senhor, que queres que eu faça?"

Enquanto me preparava para o sacerdócio, encontrei um texto que respondia a uma inquietação, para mim profunda, que trazia dentro de mim: o que quer a Igreja de mim, enquanto sacerdote? O que fazer, para ser fiel? É verdade que a graça de Deus é infinita e não permitirá que eu O abandone, mas eu, da minha parte, que tenho que fazer para não O abandonar?

E a resposta a estas inquietações encontrei-as, em parte, num texto que frequentemente uso na minha oração pessoal e no meu exame de consciência.

"É necessário que o presbítero programe a sua vida de oração de maneira a incluir:
a celebração eucarística quotidiana, com adequada preparação e acção de graças;
a confissão frequente e a direcção espiritual já praticada no seminário;
a celebração íntegra e fervorosa da liturgia das horas, à qual é quotidianamente obrigado;
O exame de consciência;
a oração mental propriamente dita;
a lectio divina;
os momentos prolongados de silêncio e de colóquio, sobretudo nos Exercícios e retiros Espirituais periódicos;
as preciosas expressões da devoção mariana como o Rosário;
a « Via Sacra »e os outros pios exercícios;
a frutuosa leitura hagiográfica."

"Cada ano, como sinal do constante desejo de fidelidade, durante a Santa Missa crismal de Quinta Feira Santa, os presbíteros renovem perante o Bispo e juntamente com ele as promessas feitas no momento da ordenação."

"O cuidado da vida espiritual deve ser considerado pelo sacerdote como um dever que infunde alegria e ainda como um direito dos fiéis que procuram nele, consciente ou in-conscientemente, o homem de Deus, o conselheiro, o mediador de paz, o amigo fiel e prudente, o guia seguro em quem as pessoas confiam nos momentos duros da vida para encontrar conforto e segurança."

Congregação para o Clero, Directório para a vida e ministério dos presbíteros, 31.01.1994

Não se trata de fazer um conjunto de coisas e magicamente se prossegue o caminho, como se fossemos seres insensíveis. Os sacerdotes somos de carne e osso, com um coração humano. Somos, como todos os outros homens, capazes do melhor e do pior.
Trata-se sim de usar os meios à nossa disposição para sermos pessoas de oração, de presença de Deus.

Não se trata de fazer, mas sim de ser. Mas essas duas dimensões, ser e fazer, são inseparáveis. Rezo para ser um homem de oração, não por mim, mas sim porque os fiéis têm direito a ver em mim um homem de Deus.