11.6.06

Eu e Tu

Não sou modelo para ninguém. Nunca o fui.

Há pessoas muito mais trabalhadoras, inteligentes, santas, cuja oração é muito mais eficaz do que a minha e cujo apostolado é muito mais fecundo.

Todos os dias toco de perto a minha miséria, os meus defeitos. Sei o que deveria fazer, mas muitas vezes escondo-me no meu mundo. Devia amar-Te acima de tudo, amar os outros como tu amas, não só os meus amigos, mas também aquelas pessoas que me incomodam, que tantas vezes se aproximam de mim, na esperança de ver um raio da Tua luz, e acabam por tocar as trevas da minha indiferença.

É ao contemplar o Teu Amor e o meu egoísmo, a Tua misericórdia e o meu juizo, tantas vezes precipitado sobre as situações e as pessoas, que não preciso de nenhuma lei que me mande confessar.

Não me confesso por sentir a necessidade de me sentir perdoado. Confesso-me pois toco o meu pecado constantemente. Na confissão, apesar de todas as partes serem importantes, procuro renovar sempre o arrependimento, para não cair no perigo da rotina. Confesso-me porque foste Tu a pedir a todos, e não só a alguns, que nos convertessemos, que acolhessemos o vinho novo do Teu amor em odres novos.

Por isso, não preciso de nenhuma lei que me mande confessar regularmente. Basta olhar para a minha vida de pobre pecador e contemplar o Teu infinito amor.