25.4.06

Citação

Este ano, ao contrário dos anos anteriores, o Santo Padre não escreveu uma Carta aos Sacerdotes. Mesmo assim, as suas homilias sobre o sacerdócio foram profundas e de uma beleza extraordinária.
Deixo um excerto da homilia que nos fez na Quinta Feira Santa, na Missa Crismal, na Basilica de S. Pedro:

Um dia, como os primeiros discípulos, também nós encontrámos o Senhor e ouvimos a sua palavra: “Segue-me!”

Se calhar, ao início, seguimo-Lo um pouco à distância, olhando para trás de vez em quando, e perguntando-nos a nós próprios se aquela era verdadeiramente a nossa estrada. A um determinado momento, no caminho, fizemos, se calhar, a mesma experiência de Pedro depois da pesca milagrosa, e ficámos assustados pela Sua grandeza, a grandeza da tarefa e a insuficiência da nossa pobre pessoa, a tal ponto de querermos desistir e voltar atrás: “Senhor, afasta-te de mim que sou um pobre pecador!” (Lc 5, 8)

Mas, depois, Ele, com grande bondade, pegou nas nossas mãos, aproximou-nos d’Ele, e disse: “Não tenhas medo! Eu estou contigo. Não te deixarei. Tu, não me abandones!”

E mais do que uma vez, a cada um de nós aconteceu a mesma coisa que a Pedro quando, caminhando sobre as águas ao encontro do Senhor, de repente deu-se conta que a água não o podia segurar e começou a afundar-se. E, como Pedro, gritámos: “Senhor, salva-me!” (Mt 14, 30). Vendo a violência da natureza, como poderíamos passar o fragor das águas do século e do milénio passados? Mas, novamente, olhámos para Ele… e Ele pegou nas nossas mãos e deu-nos um novo “peso específico”: um peso leve que provém da fé e nos leva para o alto. E depois dá-nos a mão, que nos segura e nos leva. Ele ampara-nos! Fixemos sempre de novo o nosso olhar n’Ele e elevemos para Ele as nossas mãos. Deixemos que a sua mão nos segure, e então não nos afogaremos, mas serviremos a vida que é mais forte do que a morte, e o amor que é mais forte do que o ódio.

A fé em Jesus, Filho do Deus vivo, é o meio graças ao qual agarramos a mão de Jesus e mediante o qual Ele segura as nossas mãos e nos guia.

Uma das minhas orações preferidas é o pedido que a liturgia nos põe nos lábios antes da comunhão: “não permitais que me separe de Vós”.Peçamos ao Senhor de nunca sair da comunhão com o seu Corpo, com o próprio Cristo, de nunca nos afastarmos do mistério eucarístico. Peçamos que Ele nunca largue a nossa mão.

Bento XVI, Homilia da Missa Crismal de Quinta feira santa, 13.04.2006