18.4.06

As leis

Cristo Senhor de modo algum destruiu, mas, antes, deu pleno cumprimento (cf. Mt 5,17) à riquíssima herança da Lei e dos Profetas, formada paulatinamente pela história e experiência do Povo de Deus no Antigo Testamento.

Dessa forma, ela se incorporou, de modo novo e mais elevado, a herança do Novo Testamento. Embora São Paulo, ao falar sobre o mistério pascal, ensine que a justificação não se realiza pelas obras da lei, mas por meio da fé (cf. Rom 3,28; cf. Gal 2,16), não exclui, contudo, a obrigatoriedade do Decálogo (cf. Rom 13, 8-10; cf. Gál 5, 13-25; 6,2), nem nega a importância da disciplina na Igreja de Deus (cf. 1 Cor 5-6).

Os escritos do Novo Testamento permitem-nos, assim, perceber mais claramente essa importância da disciplina e entender melhor os laços que a ligam mais estreitamente à índole salvífica da própria Boa Nova do Evangelho.

João Paulo II,
Sacrae disciplinae leges
Ao reler estas palavras, vem-me à memória todo o ambiente anti jurisdicista, que muitos chamariam pastoralista, que sempre houve na Igreja, mas que depois do Concílio Vaticano II se tornou mais forte e mais palpável.
Só a pouco e pouco se vai diluindo essa ilusão que a Igreja não só não precisa, como também não devia ter leis.
Mesmo que, do ponto de vista teórico se aceite a necessidade que a Igreja tenha as suas próprias leis, muitas vezes, na prática, não se conhecem e não se respeitam.
Formação precisa-se.