29.4.06

Direcção estratégica da Comunição na Igreja

Este é o título do Congresso da Faculdade de Comunicação Social da Pontifícia Universidade da Santa Cruz.

Reúne especialistas da comunicação social que se dedicam a trabalhar nos meios de informação ligados à Igreja, exercendo a função de porta voz de dioceses e de outras entidades eclesiásticas (como santuários, associações, etc.), ou trabalhando em publicações ligadas à Igreja.

Ao longo dos últimos dois dias reflectiram acerca dos novos desafios que se põem à Igreja no âmbito da comunicação com o mundo: desafios de linguagem, de modos de passar a mensagem.

26.4.06

Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Vós.

Santo Agostinho, Confissões, 1, 1, 1

25.4.06

Citação

Este ano, ao contrário dos anos anteriores, o Santo Padre não escreveu uma Carta aos Sacerdotes. Mesmo assim, as suas homilias sobre o sacerdócio foram profundas e de uma beleza extraordinária.
Deixo um excerto da homilia que nos fez na Quinta Feira Santa, na Missa Crismal, na Basilica de S. Pedro:

Um dia, como os primeiros discípulos, também nós encontrámos o Senhor e ouvimos a sua palavra: “Segue-me!”

Se calhar, ao início, seguimo-Lo um pouco à distância, olhando para trás de vez em quando, e perguntando-nos a nós próprios se aquela era verdadeiramente a nossa estrada. A um determinado momento, no caminho, fizemos, se calhar, a mesma experiência de Pedro depois da pesca milagrosa, e ficámos assustados pela Sua grandeza, a grandeza da tarefa e a insuficiência da nossa pobre pessoa, a tal ponto de querermos desistir e voltar atrás: “Senhor, afasta-te de mim que sou um pobre pecador!” (Lc 5, 8)

Mas, depois, Ele, com grande bondade, pegou nas nossas mãos, aproximou-nos d’Ele, e disse: “Não tenhas medo! Eu estou contigo. Não te deixarei. Tu, não me abandones!”

E mais do que uma vez, a cada um de nós aconteceu a mesma coisa que a Pedro quando, caminhando sobre as águas ao encontro do Senhor, de repente deu-se conta que a água não o podia segurar e começou a afundar-se. E, como Pedro, gritámos: “Senhor, salva-me!” (Mt 14, 30). Vendo a violência da natureza, como poderíamos passar o fragor das águas do século e do milénio passados? Mas, novamente, olhámos para Ele… e Ele pegou nas nossas mãos e deu-nos um novo “peso específico”: um peso leve que provém da fé e nos leva para o alto. E depois dá-nos a mão, que nos segura e nos leva. Ele ampara-nos! Fixemos sempre de novo o nosso olhar n’Ele e elevemos para Ele as nossas mãos. Deixemos que a sua mão nos segure, e então não nos afogaremos, mas serviremos a vida que é mais forte do que a morte, e o amor que é mais forte do que o ódio.

A fé em Jesus, Filho do Deus vivo, é o meio graças ao qual agarramos a mão de Jesus e mediante o qual Ele segura as nossas mãos e nos guia.

Uma das minhas orações preferidas é o pedido que a liturgia nos põe nos lábios antes da comunhão: “não permitais que me separe de Vós”.Peçamos ao Senhor de nunca sair da comunhão com o seu Corpo, com o próprio Cristo, de nunca nos afastarmos do mistério eucarístico. Peçamos que Ele nunca largue a nossa mão.

Bento XVI, Homilia da Missa Crismal de Quinta feira santa, 13.04.2006

24.4.06

Saciedade

Quem se alimenta de migalhas, nunca se sacia

Recomeçar



Na semana passada fiz o meu curso de retiro. Decorreu no CIAM, Centro Internacional de Animação Missionária, que fica localizado dentro do campus da Pontifícia Universidade da Santa Cruz.
O pregador de serviço foi o Prof. José Tomas Martin de Agar e estivemos cerca de 30 sacerdotes.
Do CIAM tinha-se esta perspectiva magnífica sobre a Praça de S. Pedro.

19.4.06

10 conselhos de S.S. Bento XVI aos jovens

Aqui aparecem 10 conselhos que o Santo Padre dá aos jovens. Queria realçar sobretudo dois:
Não desconfiar de Cristo

“Queridos jovens, a felicidade que buscais, a felicidade que tendes o direito de saborear, tem um nome, um rosto: o de Jesus de Nazaré, oculto na Eucaristia. Só ele dá plenitude de vida à humanidade. Dizei, com Maria, o vosso "sim" ao Deus que quer entregar-se a vós. Repito-vos hoje o que disse no princípio de meu pontificado: ’Quem deixa entrar Cristo na sua vida não perde nada, nada, absolutamente nada do que faz a vida livre, bela e grande. ¡Não! Só com esta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só com esta amizade experimentamos o que é belo e o que nos liberta’. Estai plenamente convencidos: Cristo não tira nada do que há de formoso e grande em vós, mas leva tudo à perfeição para a glória de Deus, a felicidade dos homens e a salvação do mundo”.

Deus: tema de conversa com os amigos

“São tantos os nossos companheiros que ainda não conhecem o amor de Deus, ou procuram encher o coração com sucedâneos insignificantes. Portanto, é urgente ser testemunhos do amor contemplado em Cristo. Queridos jovens, a Igreja necessita autênticos testemunhos para a nova evangelização: homens e mulheres cuja vida tenha sido transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar esta experiência aos outros”.

18.4.06

As leis

Cristo Senhor de modo algum destruiu, mas, antes, deu pleno cumprimento (cf. Mt 5,17) à riquíssima herança da Lei e dos Profetas, formada paulatinamente pela história e experiência do Povo de Deus no Antigo Testamento.

Dessa forma, ela se incorporou, de modo novo e mais elevado, a herança do Novo Testamento. Embora São Paulo, ao falar sobre o mistério pascal, ensine que a justificação não se realiza pelas obras da lei, mas por meio da fé (cf. Rom 3,28; cf. Gal 2,16), não exclui, contudo, a obrigatoriedade do Decálogo (cf. Rom 13, 8-10; cf. Gál 5, 13-25; 6,2), nem nega a importância da disciplina na Igreja de Deus (cf. 1 Cor 5-6).

Os escritos do Novo Testamento permitem-nos, assim, perceber mais claramente essa importância da disciplina e entender melhor os laços que a ligam mais estreitamente à índole salvífica da própria Boa Nova do Evangelho.

João Paulo II,
Sacrae disciplinae leges
Ao reler estas palavras, vem-me à memória todo o ambiente anti jurisdicista, que muitos chamariam pastoralista, que sempre houve na Igreja, mas que depois do Concílio Vaticano II se tornou mais forte e mais palpável.
Só a pouco e pouco se vai diluindo essa ilusão que a Igreja não só não precisa, como também não devia ter leis.
Mesmo que, do ponto de vista teórico se aceite a necessidade que a Igreja tenha as suas próprias leis, muitas vezes, na prática, não se conhecem e não se respeitam.
Formação precisa-se.

Confundido

"Sinto-me confundido, Senhor:
Por ser pecador e perdoar,
Ser fraco e ajudar,
Ser pobre e espalhar felicidade;

Por ter dúvidas e ensinar certezas,
Ter tentações e santificar,
Viver numa encruzilhada e guiar;

Por ter chagas e guiar
Ter lágrimas amargas e consolar
Ter espinhos e espalhar suavidade;

Por sentir contradições e ensinar a verdade
Sentir o mundo e defender o espírito
Viver a solidão e congregar à minha volta
Por tudo isto, minha alma vos louva, Senhor"

Autor conhecido (eu é que não sei quem é)

15.4.06

O Evangelho de Judas...

O que é?
É um código* do séc. IV, bastante incompleto e fragmentado, pois das 62 páginas que originalmente compunham este manuscrito, só nos chegaram 26.

História
Este código é a tradução em copto** de um precedente original grego, muito provavelmente do séc. II, que se perdeu, escrito por uma das muitas correntes gnósticas existentes nos primeiros séculos depois de Cristo.

Esse original grego deste Evangelho já era do conhecimento de S. Ireneu que lhe faz referência no seu Adversus haereses (XXXI-1, c. 180):

Esses (os gnósticos) declaram que só Judas, o traidor, conhecia, como ninguém, a Verdade e que, por isso, realizou o mistério da traição, a seguir ao qual tudo, na terra e no céu, ficou transtornado.
Esses, portanto, escreveram uma história fundada sobre estas bases e chamaram-lhe Evangelho de Judas.


O texto agora publicado é a versão copta, do séc. IV, versão muito provavelmente redigida no Egipto e que ficou guardada durante 1600 anos.

No início dos anos 70, o código foi descoberto perto de El Minya, no Egipto, e passou por várias mãos até chegar a Long Island, nos Estados Unidos.

Em Abril do ano 2000, Frieda Nussberger-Thacos, que negoceia em antiquarias, comprou o código e, para proceder à conservação e à tradução, cedeu-o à Maecenas Foundation for Ancient Art, que tem a sua sede em Basel, na Suiça. Ao documento foi dado o nome de Código Thacos.

A Maecenas Foundation, para proceder à tradução, pediu a colaboração de várias entidades, entre as quais se encontra a National Geografic, que adquiriu a exclusividade dos direitos de imagem. A tradução, iniciada em 2001 por Rodolphe Kaser, especialista em copto, ficou pronta em Janeiro de 2006 e acaba de ser publicada.

Depois de traduzido, o documento será cedido no Museu Copto do Cairo, no Egipto.

Conteúdo
Das 62 páginas que o código original tinha, só foram encontradas 26. Estas páginas que foram encontradas, não constituem um todo, mas são páginas soltas, e, muitas delas, nem sequer estão completas, só existindo fragmentos.
O documento começa por narrar as revelações secretas que Jesus terá feito a Judas Iscariotes.
Judas é descrito como o Apóstolo mais íntimo de Jesus, e aquele que compreendia mais profundamente o Mestre.
A parte central do código (ou da parte que chegou até nós) é que Judas teria traído Jesus por ordem deste, para que o espírito presente no corpo terreno de Jesus se libertasse finalmente da carne (sendo esta uma das principais doutrinas gnósticas).

Análise
Em primeiro lugar, o texto que agora é traduzido para inglês, ainda que possa ser interessante do ponto de vista histórico e filológico, do ponto de vista doutrinal não traz grandes novidades pois o conteúdo já era conhecido (chegou até nós através de S. Ireneu).

Em segundo lugar, o Evangelho de Judas pertence à corrente gnóstica. Esta corrente, a partir da qual surgiram muitos movimentos e associações diferentes tem, pelo menos, dois pontos em comum: defende que a salvação nos vem pelo conhecimento, pelo que se salva quem possui a sabedoria (e não quem acredita que Jesus Cristo é o Salvador que nos salva dos nossos pecados); defende ainda que esse conhecimento e, por conseguinte, a salvação não é para todos, mas sim só para alguns. Este aspecto é muito evidente no próprio texto que nos chegou. E isto é contrário à doutrina que Jesus e os Apóstolos pregaram desde o início: que somos salvos pela fé em Jesus, pelo cumprimento dos mandamentos, sobretudo pelo mandamento do Amor e pela frequência aos sacramentos, onde está presente o próprio Jesus; e que a salvação é para todos, e não só para alguns.

Em terceiro lugar, os vários dados presentes neste Evangelho de Judas contradizem aquilo que dizem os Evangelhos que fazem parte do Novo Testamento: aquele que é apresentado como o discípulo amado é João, autor do quarto Evangelho; os discípulos mais próximos parecem sempre ser Pedro e Tiago, para além de João.

Em quarto lugar, foi a própria comunidade cristã dos primeiros séculos que escolheu os Evangelhos que aparecem no Novo Testamento como mais fiéis à verdade dos factos. Foi um processo lento, que demorou alguns séculos, mas foi a própria comunidade dos primeiros séculos, cronologicamente mais perto dos factos, a escolher, para a liturgia e para a propagação da fé os textos mais coerentes com aquilo que aconteceu e a afastar outros, como o Evangelho de Judas.

* O código é um conjunto de folhas de papiro, manuscritas. O papiro mantêm-se em boas condições só num clima muito seco e quente, o que explica porque é que, os papiros que chegaram aos nossos dias, provêm praticamente todos do Egipto, que possui esse tipo de clima.

** O copto é um alfabeto decalcado no alfabeto grego, ao qual se adicionaram mais 4 sinais,

Referências:
- National Geografic
- Wikipedia
- Wind Rose Hotel
- Wind Rose Hotel

13.4.06

Missa Crismal




Hoje tive a oportunidade de celebrar a Santa Missa na Basilica de S. Pedro.

A primeira foto refere-se à Procissão de entrada, e a segunda à chegada do Santo Padre ao altar.

Estávamos a concelebrar muitos sacerdotes. Estavam também presentes muitos dos Cardeais e Bispos que trabalham na Curia Romana.

11.4.06

Algumas fotos da Cidade Eterna


A Sandra, o Carlos e o Nuno na Cúpula da Basilica de São Pedro

Uma vista da Praça de S. Pedro

Fim de semana de visitas

Tudo começou com um mail: "Queremos ir a Roma e precisávamos de alojamento".

E assim começou um fim de semana que voou. Houve tempo para passear, ouvir e contar histórias, e até para comer gelados.

O Carlos, o Nuno e a Sandra andaram a descobrir Roma. Entretanto, chegou também o André para se juntar à festa.

6.4.06

Site Ética e Política

Está disponível online um novo site sobre Ética e Política que vários docentes do âmbito da Filosofia e da Teologia decidiram construir.
No mesmo site, está disponível um curso de moral fundamental.
Pode ser consultado aqui.

1.4.06

A um ano da morte de João Paulo II

Ao longo dos últimos anos de vida do Papa João Paulo II, várias vezes ouvi este comentário: "Coitado do Papa que sucederá ao Santo Padre João Paulo II".
O ritmo de trabalho que ele imprimiu ao seu Pontificado foi impressionante. As estatísticas demonstram-no.
O Papa, além da intensa vida de oração que tinha, era dotado de uma capacidade enorme de trabalho, o que o tornou a sua produção de escritos um verdadeiro fenómeno.
O seu Sucessor tem um estilo reconhecidamente diferente. A agenda publica tornou-se muito menos carregada, mas isso não significa que o actual Papa trabalhe menos. Significa, sim, que tem outro estilo e, dentro da preocupação fundamental de guiar a Igreja, tem as suas próprias prioridades. As suas homilias têm sido excepcionais, de uma clareza absolutamente limpida.
Seria difícil imaginar um melhor sucessor para o grande João Paulo II.

Um ano depois


Túmulo de João Paulo II na Cripta da Basílica de S. Pedro, Roma

Há um ano atrás, o mundo comovia-se com a morte do Santo Padre João Paulo II.
Hoje de manhã tive a grande graça de poder celebrar na Capela Clementina, a Capela que fica mais perto do túmulo de S. Pedro. Terminada a Santa Missa, dirigi-me ao túmulo de João Paulo II. A confusão era bastante grande, pois, apesar de ser cedo, já havia muitas pessoas a passarem pelo túmulo e muitas outras a rezar.
Nos breves momentos de oração, pedi pelo seu sucessor, pelo meu Bispo, pelos meus irmãos sacerdotes e não esqueci aqueles que, no ano passado, foram às Jornadas Mundiais da Juventude.