12.3.13

Bento XVI: o Papa que passou

«Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.» (Lc 4, 30)

O Papa Bento XVI foi, ao longo de toda a vida, um profundo exemplo de Jesus Cristo. E este é o aspecto fundamental de qualquer cristão e, por conseguinte, de qualquer Papa: seguir Cristo, imitá-lo na sua vida e dá-lo a conhecer, não só com os seus ensinamentos mas, sobretudo, com a própria vida.

Já muitas coisas foram ditas e escritas sobre o Papa emérito. Mas há um aspecto que sempre me tocou: Bento XVI sempre disse o que considerava ser importante sem medir as consequências, sobretudo, as consequências mediáticas, seguindo depois o seu caminho. O seu foi sempre um anúncio cristalino do Evangelho, sem nada diminuir, sem nada retirar à doutrina ensinada por Jesus Cristo e da qual se faz eco a Tradição e o Magistério. E, após esse anúncio, mesmo em circunstâncias difíceis e em temas nada fáceis, Bento XVI seguia o seu caminho, a sua agenda, sem se desviar desse roteiro que tinha traçado para o seu ministério petrino: "o de ser um pobre trabalhador na vinha do Senhor".

Foi isto que aconteceu com o discurso de Ratisbona, com o discurso que tinha preparado para a Universidade La Sapienza, em Roma, e em tantas outras ocasiões e viagens.

De certo modo, foi o que aconteceu com a sua renúncia ao ministério de Sucessor de S. Pedro: passou pelo meio de nós, e seguiu o seu caminho.

19.2.13

Muitas pessoas têm uma ideia clara do que deveria fazer o novo Papa

Mas poucas se perguntaram o que é que Deus quer que o novo Papa faça

Para aqueles que pedem uma Igreja mais democrática

"The best argument against democracy is a five-minute conversation with the average voter."
Winston Churchill

16.10.12

Nova Evangelização, por D. António Couto

Impõe-se ainda dizer, é mesmo necessário ainda dizer, em jeito de conclusão ou de introdução, que aquilo que me parece ser mais importante na expressão «nova evangelização» não é tanto a novidade de métodos, expressões ou estratégias, mas a FIDELIDADE da Igreja ao Senhor Jesus (Paulo VI, Evangelii Nuntiandi [1975], n.º 41), ao seu estilo, ao seu modo de viver, de fazer e de dizer: Dom total de si mesmo num estilo de vida pobre, humilde, despojado, feliz, apaixonado, ousado, próximo e dedicado. 

Passa por aqui sempre o caminho e o rosto da Igreja, que tem de fazer a memória do seu Senhor, configurando-se com o seu Senhor e transfigurando-se no seu Senhor. Impõe-se, portanto, uma verdadeira conversão do coração, e não apenas uma mudança de verniz. Sim, temos necessidade de anunciadores do Evangelho sem ouro, nem prata, nem cobre, nem bolsas, nem duas túnicas (Mt 19,9-10; Mc 6,6-8; Lc 9,3-4)… 

Sim, é de conversão que falo, e pergunto: por que será que os Santos se esforçaram tanto, e com tanta alegria, por ser pobres e humildes, e nós nos esforçamos tanto, e com tristeza (Mt 19,22; Mc 10,22; Lc 18,23), por ser ricos e importantes? 

15.10.12

Ano da Fé: O cerne


Por Mons. Hugo de Azevedo

O Santo Padre é muito claro quanto ao que espera do «Ano da Fé». Após a introdução da Carta Apostólica «Porta Fidei», logo no segundo número, manifesta a sua principal intenção: «Sucede muitas vezes que os cristãos sentem maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé», remetendo-se ao que já dissera aos portugueses na homilia do Terreiro do Paço: «Muitas vezes, preocupamo-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista».
E assim o repete na «Porta Fidei»: «Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ele inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas».

Então, não nos interessa recuperar ou infundir os valores cristãos na sociedade? Não só nos interessa muito, para bem das almas, mas constitui inclusivamente a missão específica dos leigos, que devem ordenar «ab intra» as estruturas sociais segundo Cristo, como várias vezes repete o Concílio. Assim procederam os primeiros cristãos, embora sem qualquer programa social ou político, impensável até ao século IV. Se a sociedade mudou radicalmente a partir de então, não foi por vitória de activistas cristãos, mas pela vida de fé autêntica da maioria dos fiéis. 

Daí o aviso que nos deu o Santo Padre na citada homilia: «Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?»

Estruturas e programas são necessários, sem dúvida. O que nos veio dizer o Santo Padre é que não há programas que valham «se o sal se torna insípido», isto é, se cada cristão não conhece bem «os conteúdos» da fé e não procura torná-los vida da sua vida; se estruturas e programas não têm eles mesmos por fim a vitalidade sobrenatural de cada fiel. O objectivo primordial do «Ano da Fé» é o objectivo primordial do cristão: a união com Deus em Cristo. Uma vida eucarística, sacramental, de incessante oração: «É preciso orar sempre, sem desfalecer». (Lc 8,1) Ou seja, uma vida de intimidade com o Espírito Santo, que conduz a Igreja e cada alma pelos caminhos do amor de Deus e do amor ao próximo.

Um dos desideratos do «Ano da Fé» é o de relermos e estudarmos o Catecismo da Igreja Católica, e alguém aconselhava a «começarmos pelo fim», ou seja, pela quarta parte: «A Oração Cristã». Queria chamar a atenção para a «causa final» de toda a doutrina: a amizade com Deus. «Não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu a ser condenado», temia S. Paulo (I Cor 9, 27) Não venha a acontecer que a nossa sabedoria se componha de palavras, que nos iluminam, mas não nos transformam.

Diríamos que não falta fé no Povo de Deus. Bastam-nos umas noções rudimentares para dizermos como S. Pedro: «Para quem iremos?» (Jo 6, 68) Que outra sabedoria se lhe pode comparar? Mas, além de nos esclarecermos, temos de lembrar-nos de que é uma sabedoria «prática» - para praticar, e não só para saber. «Repassando as páginas (do Catecismo), descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja» (PF 11), uma relação familiar que deve ser cultivada diariamente, sob pena de se esfumar em vagas ideias e sentimentos. Com razão dizia um convertido: «o maior inimigo da fé é a abstracção», transformar a fé numa ideologia filantrópica, sem outro horizonte que não seja um melhor nível de vida social. 

O Santo Padre não deixa de referir «a grande contribuição que homens e mulheres (cristãs) prestaram, com o testemunho da sua vida, para o crescimento e o progresso da comunidade» (PF 13), mas antes recordara que, «sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho dos cristãos» (PF 11).

O «Ano da Fé» é uma ocasião de graça para aumentar em nós, acima de tudo, o amor e a confiança na graça divina.

21.1.12

Bento XVI: "O verdadeiro direito é inseparável da justiça"

Cidade do Vaticano (RV) - Na manhã deste sábado, o Papa recebeu na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 150 pessoas que integram o Tribunal da Rota Romana e a elas, fez um discurso. 

Bento XVI começou lembrando que a interpretação da lei canônica deve ser feita exclusivamente pela Igreja. Os Códigos não são sujeitos à ‘criatividade jurídica’ – frisou, ressaltando ainda que no campo interpretativo, deve ser também aplicada à lei canônica a hermenêutica da renovação na continuidade. “É na verdade da fé que o direito canônico encontra seu fundamento e sentido” – explicou. 

“O verdadeiro direito é inseparável da justiça” – remarcou o Papa, acrescentando que “o princípio vale obviamente também para a lei canônica, no sentido que esta não se encerra em um sistema normativo meramente humano, mas deve ser relacionada a uma ordem justa da Igreja, na qual vige uma lei ‘superior’”. 

“Quando a obra interpretativa humana age como protagonista, estabelecendo o que é jurídico, vem a faltar o sentido do direito objetivo, que fica relegado a considerações presumivelmente teológicas ou pastorais, expostas ao risco da arbitrariedade”. 

Enfim, as reflexões sobre justiça e direito têm uma importância peculiar no âmbito das leis relativas ao ato constitutivo do matrimônio, sua consumação e a recepção da Ordem Sagrada. Assim sendo, a sintonia com o verdadeiro sentido da lei da Igreja se transforma em uma questão de incidência prática ampla e profunda na vida das pessoas e comunidades e, portanto, requer uma atenção especial. 

19.11.11

D. António Couto, novo Bispo de Lamego

Com data de hoje, o Santo Padre nomeou o Sr. D. António José da Rocha Couto como novo Bispo de Lamego, sucedendo, desta maneira, ao Sr. D. Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho que, há cerca de um ano, tinha pedido a renúncia ao cargo, por ter atingido os 75 anos de idade.

O Sr. D. António Couto nasceu a 18 de Abril de 1952, em Vila Boa do Bispo, concelho de Marco de Canaveses.

A 2 de Outubro de 1963 entrou no Seminário de Tomar, da Sociedade Portuguesa das Missões Ultramarinas, hoje Sociedade Missionária da Boa Nova. Recebeu a ordenação sacerdotal em Cucujães, em 3 de Dezembro de 1980.

Os primeiros anos de sacerdócio foram vividos no Seminário de Tomar, acompanhando os alunos do 11.º e 12.º anos. No ano lectivo de 1981-1982 foi Professor de Religião e Moral Católica na Escola de Santa Maria do Olival, em Tomar. Em 1982 fez o curso de Capelães Militares, na Academia Militar, e foi nomeado capelão militar do Batalhão de Serviço de Material, do Entroncamento, e, pouco depois, também da Escola Prática de Engenharia, de Tancos.

Transferiu-se depois para Roma, para a Pontifícia Universidade Urbaniana, onde, em 1986, obteve a licenciatura canónica em Teologia Bíblica. Na mesma Universidade obteve, em 1989, o respectivo Doutoramento, depois da permanência de cerca de um ano em Jerusalém, no Studium Biblicum Franciscanum.

No ano lectivo de 1989-1990 foi professor de Sagrada Escritura no Seminário Maior de Luanda. Regressou então a Portugal, e foi colocado no Seminário da Boa Nova, de Valadares, com o encargo da formação dos estudantes de teologia. É professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, núcleo do Porto, desde o ano lectivo de 1990-1991.

De 1996 a 2002 foi Reitor do Seminário do Seminário da Boa Nova, de Valadares. Foi também Vigário Geral da Sociedade Missionária da Boa Nova de 1999 a 2002, ano em que foi eleito Superior Geral da mesma Sociedade Missionária da Boa Nova, cargo que ocupou até à data da sua Ordenação Episcopal, em 23 de Setembro de 2007.

A SMBN é composta por sacerdotes diocesanos e leigos que se consagram à evangelização. Surgida em Portugal em 1930, dedica-se à evangelização ad gentes em Moçambique (desde 1937), Angola (desde 1970), Brasil (desde 1970), Zâmbia (desde 1980) e Japão (desde 1998).
Em 2004, João Paulo II nomeou o novo Bispo de Lamego como membro da Congregação para a Evangelização dos Povos.

D. António Couto é colaborador do Programa ECCLESIA (RTP2), da Igreja Católica, tendo colaborado regularmente desde 2003, na sua qualidade de biblista.

É autor dos seguintes livros: Até um dia (poemas) 1987; Raízes histórico-culturais da Vila Boa do Bispo (1988); A Aliança do Sinai como núcleo lógico-teológico central do Antigo Testamento (tese de doutoramento), 1990; Como uma dádiva. Caminhos de antropologia bíblica, 2002 (2.ª edição revista em 2005); Pentateuco. Caminho da vida agraciada, 2003 (2.ª edição revista, 2005). E também autor de inúmeros artigos em enciclopédias, colectâneas e revistas.

Na última Reunião Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, foi eleito Presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização.

Ao Sr. D. Jacinto Botelho, toda a Diocese está grata pelo seu incansável ministério ao longo de todos os anos em que esteve à frente dos destinos desta porção do Povo de Deus.

Damos também as boas vindas ao Sr. D. António Couto, na certeza que, desde já, rezamos pela sua pessoa e intenções.

23.10.11

Uma imitação requentada: Nota sobre o romance "O último segredo", de José Rodrigues dos Santos

 
O romance de José Rodrigues dos Santos, intitulado “O último segredo”, é formalmente uma obra literária. Nesse sentido, a discussão sobre a sua qualidade literária cabe à crítica especializada e aos leitores. Mas como este romance do autor tem a pretensão de entrar, com um tom de intolerância desabrida, numa outra área, a história da formação da Bíblia por um lado, e a fiabilidade das verdades de Fé em que os católicos acreditam por outro, pensamos que pode ser útil aos leitores exigentes (sejam eles crentes ou não) esclarecer alguns pontos de arbitrariedade em que o dito romance incorre.

1. Em relação à formação da Bíblia e ao debate em torno aos manuscritos, José Rodrigues dos Santos propõe-se, com grande estrondo, arrombar uma porta que há muito está aberta. A questão não se coloca apenas com a Bíblia, mas genericamente com toda a Literatura Antiga: não tendo sido conservados os manuscritos que saíram das mãos dos autores torna-se necessário partir da avaliação das diversas cópias e versões posteriores para reconstruir aquilo que se crê estar mais próximo do texto original. Este problema coloca-se tanto para o Livro do Profeta Isaías, por exemplo, como para os poemas de Homero ou os Diálogos de Platão. Ora, como é que se faz o confronto dos diversos manuscritos e como se decide perante as diferenças que eles apresentam entre si? Há uma ciência que se chama Crítica Textual (Critica Textus, na designação latina) que avalia a fiabilidade dos manuscritos e estabelece os critérios objetivos que nos devem levar a preferir uma variante a outra. A Crítica Textual faz mais ainda: cria as chamadas “edições críticas”, isto é, a apresentação do texto reconstruído, mas com a indicação de todas as variantes existentes e a justificação para se ter escolhido uma em lugar de outra. O grau de certeza em relação às escolhas é diversificado e as próprias dúvidas vêm também assinaladas.
Tanto do texto bíblico do Antigo como do Novo Testamento há extraordinárias edições críticas, elaboradas de forma rigorosíssima do ponto de vista científico, e é sobre essas edições que o trabalho da hermenêutica bíblica se constrói. É impensável, por exemplo, para qualquer estudioso da Bíblia atrever-se a falar dela, como José Rodrigues dos Santos o faz, recorrendo a uma simples tradução. A quantidade de incorreções produzidas em apenas três linhas, que o autor dedica a falar da tradução que usa, são esclarecedoras quanto à indigência do seu estado de arte. Confunde datas e factos, promete o que não tem, fala do que não sabe.

2. Chesterton dizia, com o seu notável humor, que o problema de quem faz da descrença profissão não é deixar de acreditar em alguma coisa, mas passar a acreditar em demasiadas. Poderíamos dizer que é esse o caso do romance de José Rodrigues dos Santos. A nota a garantir que tudo é verdade, colocada estrategicamente à entrada do livro, seria já suficientemente elucidativa. De igual modo, o apontamento final do seu romance, onde arvora o método histórico-crítico como a única chave legítima e verdadeira para entender o texto bíblico. A validade do método de análise histórico-crítica da Bíblia é amplamente reconhecida pela Igreja Católica, como se pode ver no fundamental documento “A interpretação da Bíblia na Igreja Católica” (de 1993). Aí se recomenda o seguinte: «os exegetas católicos devem levar em séria consideração o caráter histórico da revelação bíblica. Pois os dois Testamentos exprimem em palavras humanas, que levam a marca do seu tempo, a revelação histórica que Deus fez… Consequentemente, os exegetas devem servir-se do método histórico-crítico». Mas o método histórico-crítico é insuficiente, como aliás todos os métodos, chamados a operar em complementaridade. Isso ficou dito, no século XX,  por pensadores da dimensão de Paul Ricoeur ou Gadamer. José Rodrigues dos Santos parece não saber o que é um teólogo, e dir-se-ia mesmo que desconhece a natureza hipotética (e nesse sentido científica) do trabalho teológico. O positivismo serôdio que levanta como bandeira fá-lo, por exemplo, chamar  “historiadores” aos teólogos que pretende promover, e apelide apressadamente de “obras apologéticas” as que o contrariam. 

3. A nota final de José Rodrigues dos Santos esconde, porém, a chave do seu caso. Nela aparecem (mal) citados uma série de teólogos, mas o mais abundantemente referido, e o que efetivamente conta, é Bart D. Ehrman. Rodrigues dos Santos faz de Bart D.Ehrman o seu teleponto, a sua revelação. Comparar o seu  “Misquoting Jesus. The Story Behind who Changed the Bible and Why” com o “O Último segredo” é tarefa com resultados tão previsíveis que chega a ser deprimente. Ehrman é um dos coordenadores do Departamento de Estudos da Religião, da Universidade da Carolina do Norte, e um investigador de erudição inegável. Contudo, nos últimos anos, tem orientado as suas publicações a partir de uma tese radical, claramente ideológica, longe de ser reconhecida credível. Ehrman reduz o cristianismo das origens a uma imensa batalha pelo poder, que acaba por ser tomado, como seria de esperar, pela tendência mais forte e intolerante. E em nome desse combate pelo poder vale tudo: manobras políticas intermináveis, perseguições, fabricação de textos falsos… Essa luta é transportada para o interior do texto bíblico que, no dizer de Ehrman, está texto repleto de manipulações. O que os seus pares universitários perguntam a Ehrman, com perplexidade, é em que fontes textuais ele assenta as hipóteses extremadas que defende.

4. Resumindo: é lamentável que José Rodrigues dos Santos interrogue (e se interrogue) tão pouco. É lamentável que escreva centenas de páginas sobre um assunto tão complexo sem fazer ideia do que fala. O resultado é bastante penoso e desinteressante, como só podia ser: uma imitação requentada,  superficial e  maçuda. O que a verdadeira literatura faz é agredir a imitação para repropor a inteligência. O que José Rodrigues dos Santos faz é agredir a inteligência para que triunfe o pastiche. E assim vamos.

29.9.11

Na festa dos Santos Arcanjos, Stetit Angelus, de Palestrina



A liturgia da Igreja celebra hoje os Arcanjos S. Miguel, S. Rafael e S. Gabriel.

27.9.11

"É preciso mudar!"

Foi esta a expressão que Bento XVI usou num Discurso aos Bispos Portugueses quando estes se dirigiram a Roma para a última visita ad limina: É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado, tendo em conta que todos somos um, desde quando fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja."

Com base nestas declarações do Santo Padre, alguns apressaram-se a apontar o dedo a estruturas e a pessoas, pensando que a mudança reside nos outros, e não em nós.
Por seu lado, a Conferência Episcopal começou um processo, que chamou de Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal, que tem sido o pretexto para reuniões, encontros, para a produção de textos... É um processo que ainda não terminou, pelo que, ainda é cedo, para haver frutos.

O Santo Padre, na sua recente visita à Alemanha, deu a entender o que entende por mudança. É verdade que o contexto é outro, no entanto, as perguntas são as mesmas: "Assistimos, há decénios, a uma diminuição da prática religiosa, constatamos o crescente afastamento duma parte notável de baptizados da vida da Igreja. Surge a pergunta: Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?"

E o Papa continua: "Uma vez alguém instou a Beata Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua reposta foi: tu e eu!

Este pequeno episódio evidencia-nos duas coisas: por um lado, a Religiosa pretendeu dizer ao seu interlocutor que a Igreja não são apenas os outros, não é apenas a hierarquia, o Papa e os Bispos; a Igreja somos nós todos, os baptizados. Por outro lado, Madre Teresa parte efectivamente do pressuposto de que há motivos para uma mudança. Há uma necessidade de mudança. Cada cristão e a comunidade dos crentes no seu todo são chamados a uma contínua conversão."

A mudança que a Igreja precisa está, em primeiro lugar, em nós próprios, na nossa própria conversão a uma vida mais unida a Cristo, de mais amor à Igreja e de aumentarmos a nossa preocupação pela salvação das almas. As estruturas, as reuniões, as tácticas e estratégias pastorais ou têm essa finalidade, ou então tornam-se uma perda de tempo e de energias.

24.9.11

Outra vez

A viagem de S. S. o Papa Bento XVI à Alemanha foi antecedida, como de costume, por artigos polémicos, acusações infundadas e uma contestação mediática. E, outra vez, o Papa chegou, viu e venceu. E venceu não pela aniquilação dos adversários, mas sim pela sua imperturbável lucidez, clarividência e amor a Deus, à Igreja e às almas. 

Aquela capacidade que ele tem de explicar coisas complexas e profundas de uma maneira simples é tocante. A sua comoção perante a injustiça e a miséria que, por desgraça, alguns causaram a vítimas inocentes, é tocante. 

A sua amabilidade em escutar, a paciência com que se deixa guiar para cumprimentar as pessoas e estar perto daqueles que o procuram é um exemplo a seguir. 

Mas, o que mais me impressiona, é a sua capacidade em falar de Deus, em insistir, uma e outra vez, que o homem só pode ser feliz se acolher verdadeiramente a Cristo e se viver unido a Ele e que é na Igreja que todos podemos encontrar o caminho seguro para esse encontro com o Mestre. 

Por tudo isto e muito mais, obrigado, bom Deus, pelo Papa que, como Sucessor de S. Pedro, guia a Igreja.

31.8.11

Diocese de Lamego: Jovens da Diocese de Lamego participam nas Jornadas Mundiais da Juventude

Sob o tema: «Enraizados e edificados n’Ele... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7), realizaram-se, em Madrid, capital de Espanha, as XXVI Jornadas Mundiais da Juventude. A Diocese de Lamego respondeu ao convite do Santo Padre e, em conjunto com o Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo da Diocese, e do Sr. Vigário Geral, Mons. Joaquim Dias Rebelo, marcou presença com 140 jovens, acompanhados por seis sacerdotes.

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1.7.11

Só para lembrar aos distraídos

"O facto de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial, mostra claramente que a não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito"

"A presença e o papel da mulher na vida e na missão da Igreja, mesmo não estando ligados ao sacerdócio ministerial, permanecem, no entanto, absolutamente necessários e insubstituíveis."

"É à santidade dos fiéis que está totalmente ordenada a estrutura hierárquica da Igreja. Por isso, lembra a Declaração Inter Insigniores, "o único carisma superior, a que se pode e deve aspirar, é a caridade (cfr 1 Cor 12-13). Os maiores no Reino dos céus não são os ministros, mas os santos".

"Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal.

Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja."

João Paulo II, Carta Apostólica Ordinatio sacerdotalis, 22/05/1994


Definitivo: que define; terminante; que se apresenta na sua versão final; ultimado; que não volta a repetir-se; final (in Dicionário Porto Editora)

10.5.11

Um coração novo para uma sociedade nova

 Um ano depois da vinda do Papa, Bispos e Padres reflectem sobre o desafio da solidariedade perante a actual crise social baseada numa renovação espiritual.

Realizou-se esta Segunda-feira dia 9 de Maio na Quinta de Enxomil (Arcozelo, Vila Nova de Gaia) a XV JORNADA SOBRE QUESTÕES PASTORAIS, com a presença de perto de uma centena de sacerdotes de várias dioceses do Norte e Centro do país.

O tema desta Jornada esteve inspirado na coincidência de dois desafios que Bento XVI lançou aos cristãos: que os próximos sete anos sejam uma preparação para a celebração do Centenário das Aparições de Fátima, e o desafio da solidariedade cristã nos próximos (sete?) anos de “vacas magras” na economia.

Se, como dizia S. Josemaria Escrivá há já muitos anos «estas crises mundiais são crises de santos», Bento XVI propôs em Fátima o caminho da solução: «Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-Se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu».

Assim, o Sr. D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa e Presidente da Comissão Episcopal para a Pastoral Social falou sobre o modo de, como Pastores, ajudar os cristãos neste desafio, conhecendo e pondo em prática a Doutrina social da Igreja.

Da parte da tarde o Sr. Pe. Armindo Janeiro (actualmente Reitor do Seminário de Leiria-Fátima) ajudou a entender o plano de preparação para o Centenário, concretamente o tema deste ano, centrado na abertura à intimidade do Amor de Deus.

E para contactar com uma resposta não meramente “economicista” para a crise, houve a oportunidade de ver uma breve apresentação de um Programa de Defesa do Património espiritual levado a cabo pela Associação Portuguesa para a Cultura e o Desenvolvimento (APCD). É esta instituição leva a cabo em vários pontos do país iniciativas de formação profissional precisamente na área do apoio social, entre elas a Escola de Formação Profissional Arcomira, responsável pelo atendimento da Casa de Convívios e Retiros de Enxomil onde se realizou esta Jornada Pastoral.

Se na história Bíblica do Patriarca José, esses sete anos de vacas magras foram antecedidos (e aproveitados) de sete anos de vacas gordas, entre nós tal não aconteceu. Assim, em vez dos celeiros do Faraó cheios pela sabia previdência de José, estamos na bancarrota. Mas se tivermos em conta que estas crises são muito mais que meros erros técnicos, mas apontam para uma crise ética e espiritual, podemos transformar estes anos em anos de “vacas gordas” se soubermos mudar o nosso coração, abrindo-o à Mensagem que a Senhora de Branco deixou em Fátima, através do exemplo e do testemunho dos Pastorinhos.

Via P. Martinez

16.4.11

Parabéns, Santo Padre!

"Tendes de saber em que credes. Tendes de conhecer a vossa fé como um espcialista em tecnologia domina o sistema funcional de um computador. Tendes de a compreender como um bom músico entende uma partitura. Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação. Precisais da ajuda divina para que a vossa fé não seque como uma gota de orvalho ao sol."

Bento XVI, Carta do Santo Padre Bento XVI aos Jovens, in Youcat

9.4.11

Jornadas Mundiais da Juventude de 2017, em Fátima?

Este ano, as Jornadas Mundiais da Juventude ocorrem em Madrid, na vizinha Espanha. Se a tradição continuar a ser o que era, as Jornadas Mundiais da Juventude em 2014 serão fora da Europa, o que significa que, em 2017, voltarão a ser em território europeu. Coincidindo com o centenário das Aparições, será que Portugal se candidata à organização?

2.4.11

Há seis anos no Céu

Bem haja, Santo Padre!

31.3.11

A sede onde se prepara, em Madrid, as JMJ

Igreja recebe os divorciados à imagem de Cristo, "com misericórdia"

O responsável do Pontifício Conselho para a Família, o Card. Ennio Antonnelli, afirmou ontem que "a Igreja Católica abraça aqueles que se divorciaram e voltar a casar civilmente 'com verdade e misericórdia'"

30.3.11

Jesus era legalista

"Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus."

Mt 5, 17-19

(para os mais distraídos, o título do post é puramente irónico)

28.3.11

Perdão

O perdão àqueles que nos ofendem, sobretudo quando a ofensa é a calúnia e a injustiça, é, humanamente falando, quase impossível.

Mas é, precisamente, no perdão dado gratuitamente, dado porque o Pai do Céu também nos perdoa sem nós merecermos, que se manifesta a heroicidade do ser cristão.

É verdade que quem ofende está obrigado à justa reparação. No entanto, o perdão não está dependente dessa reparação, mas sim do perdão que Deus concede às nossas próprias faltas quando, com humildade e sinceridade. Nos confessamos no Sacramento da Misericórdia.

A falta de um perdão livremente oferecido a quem nos ofendeu cria o ressentimento e o ressentimento leva-nos à vitimização. Mas, quando nos ofendem, a vítima não somos nós (que, pelos nossos pecados, também pertencemos à classe dos que ofendem). A vítima é Aquele que, em nós, é ofendido, porque Ele não merece ser ofendido.

O ressentimento leva-nos, também, à solidão, não tanto como ausência dos outros na nossa vida, mas sim como ausência de Deus, pois os outros podem não conhecer os sentimentos do nosso coração, mas Ele conhece. Como deve custar a Deus conceder-nos o perdão que, por vezes, nós, com o nosso ressentimento, não conseguimos dar aos outros...

2.3.11

Sobre a absolvição colectiva

4. À luz e no âmbito das normas precedentes, deve ser entendida e rectamente aplicada a absolvição simultânea de vários penitentes sem prévia confissão individual, prevista no cân. 961 do Código de Direito Canónico. Aquela, com efeito, «reveste-se de carácter excepcional» e «não pode dar-se de modo geral, a não ser que:

1º) seja iminente o perigo de morte, e não haja tempo para um ou mais sacerdotes poderem ouvir a confissão de cada um dos penitentes;

2º) haja grave necessidade, isto é, quando, dado o número de penitentes, não houver sacerdotes suficientes para, dentro de tempo razoável, ouvirem devidamente as confissões de cada um, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, fossem obrigados a permanecer durante muito tempo privados da graça sacramental e da sagrada comunhão; não se considera existir necessidade suficiente quando não possam estar presentes confessores bastantes somente por motivo de grande afluência de penitentes, como pode suceder nalguma grande festividade ou peregrinação».

A respeito do caso de grave necessidade, especifica-se o seguinte:

a) Trata-se de situações objectivamente excepcionais, como as que se podem verificar nos territórios de missão ou em comunidades de fiéis isolados, onde o sacerdote só pode passar uma ou poucas vezes ao ano, ou quando as condições de guerra, meteorológicas ou outras circunstâncias semelhantes o consintam.

b) As duas condições estabelecidas no cânone para configurar uma grave necessidade são inseparáveis, de modo que nunca é suficiente a mera impossibilidade de confessar «devidamente» cada um dos indivíduos «dentro de tempo razoável» devido à escassez de sacerdotes; mas a tal impossibilidade deve associar-se o facto de que, caso contrário, os penitentes ver-se-iam obrigados a permanecer «durante muito tempo», sem culpa própria, privados da graça sacramental. Deve-se, por isso, ter presente o conjunto das circunstâncias dos penitentes e da diocese, quando se atende à sua organização pastoral e à possibilidade de acesso dos fiéis ao sacramento da Penitência.

c) A primeira condição — a impossibilidade de ouvir «devidamente» as confissões «dentro de um tempo razoável» — refere-se só ao tempo normalmente requerido para a essencial administração válida e digna do sacramento, não sendo relevante a este respeito um colóquio pastoral mais amplo, que pode ser adiado para circunstâncias mais favoráveis. Este tempo razoavelmente oportuno para nele se ouvir as confissões, dependerá das possibilidades reais do confessor ou confessores e dos mesmos penitentes.

d) Quanto à segunda condição, caberá avaliar com um juízo prudencial qual seja a extensão do tempo de privação da graça sacramental a fim de que haja verdadeira impossibilidade conforme o cân. 960, sempre que não se esteja perante iminente perigo de morte. Tal juízo não é prudencial, se se desvirtua o sentido da impossibilidade física ou moral como no caso, por exemplo, de considerar que um período inferior a um mês implicaria permanecer «durante muito tempo» em tal privação.

e) Não é admissível criar ou permitir que se criem situações de aparente grave necessidade, derivadas da omissão da administração ordinária do sacramento pelo não cumprimento das normas acima indicadas(20) e, muito menos, da opção dos penitentes pela absolvição geral, como se se tratasse de uma possibilidade normal e equivalente às duas formas ordinárias descritas no Ritual.

f) Não constitui suficiente necessidade, a mera grande afluência de penitentes, não só em ocasiões de uma festa solene ou de uma peregrinação, mas nem mesmo por turismo ou outras razões semelhantes devidas à crescente mobilidade das pessoas.

5. Não cabe ao confessor julgar se se verificam as condições requeridas pelo cân. 961-§1, 2º, mas «ao Bispo diocesano, o qual, atendendo aos critérios fixados por acordo com os restantes membros da Conferência Episcopal, pode determinar os casos em que se verifique tal necessidade». Estes critérios pastorais deverão ser expressão do esforço de total fidelidade, nas circunstâncias dos respectivos territórios, aos critérios de fundo definidos pela disciplina universal da Igreja, que se apoiam aliás nas exigências derivadas do mesmo sacramento da Penitência na sua divina instituição.

Sobre a confissão

De acordo com a antiquíssima tradição da Igreja romana, não é lícito unir o Sacramento da Penitência com a Santa Missa e fazer assim uma única acção litúrgica.

Significa que não é lícito interromper a Eucaristia para se proceder com as confissões. Este ilícito refere-se apenas à Santa Missa, e não a um Rito Penitencial que seja celebrado segundo o Ritual da Penitência.

O mesmo número continua:

Isto não impede que alguns sacerdotes, independentemente dos que celebram ou concelebram a Missa, escutem às confissões dos fiéis que assim não desejem, mesmo estando no mesmo lugar, de participar da Missa, para atender as necessidades dos fiéis. Para isso, faça-se de maneira adequada.

Abre-se a possibilidade a que, um sacerdote (ou alguns sacerdotes), enquanto se celebra a Eucaristia, possam estar, em confessionários ou noutro local visível da Igreja, a confessar os fiéis. No entanto, ressalva-se que esses sacerdotes não estejam a celebrar ou a concelebrar a Eucaristia e mantém-se o que está dito na primeira parte: "não é lícito unir o Sacramento da Penitência com a Santa Missa".

Peregrinação à Terra Santa

Durante uns dias, enquanto estiver pela Terra Santa, posso ser lido AQUI

12.2.11

Peregrinação à Terra Santa



Eu e outro amigo sacerdote, estamos a organizar uma peregrinação à Terra Santa, de 03 a 10 de Março de 2011. A viagem prevê passarmos por Cesareia Marítima, Haifa (Monte Carmelo), Nazaré, Mar Morto, Caná da Galileia, Monte das Bem aventuranças, Cafarnaum, Mar da Galileia, Monte Tabor, Jerusalém, Belém, Emaús, etc.

Se alguém estiver interessado em acompanhar-nos, pode entrar em contacto comigo através dos meus contactos>>



Na foto: Basílica da Anunciação, em Nazaré

Uma questão de fé ou falta dela

"Nunca fui uma pessoa particularmente ligada à igreja ou à religião. Baptizada, filha de católicos mais ou menos praticantes, fui para a catequese por vontade própria. Mais para estar com os meus amigos do que para estar perto de Deus, confessemos. No início era giro, era novidade, depois veio a rotina, a chatice, a obrigação. Primeira comunhão, profissão de fé, idas ocasionais e cada vez mais espaçadas à missa de domingo, e pronto. Era isso. Depois foi piorando. Fui-me afastando cada vez mais. Por alguma descrença, por incompatibilidades pessoais com a minha própria fé e por não conseguir dizer ámen a tudo o que a Igreja profetizava. Até que me casei. Mesmo estando tão afastada, sabia que tinha de ser pela Igreja. Fazia-me mais sentido assim, sabia que queria e que precisava daquele reconforto de alma. Mas depois de casada, depois de voltar da lua-de-mel, dei por mim a pensar que não podia ser só aquilo. Que não era só dizer em frente a toda a gente, no altar, que me comprometia com Deus, e depois virar costas novamente. E voltar a desligar-me por mais não sei quantos mil anos. Recomecei a ir à missa, muito por causa do padre que me casou (Arsénio Isidoro) que, claramente, sabe como cativar e aproximar. Porque não acha que cai o Carmo e a Trindade se disser uma piada, se contar uma anedota (no meu casamento disse qualquer coisa como “isto de casar só custam os primeiros 50 anos, depois é fácil”), se usar uma linguagem acessível que toca a todos."

Continuar a ler>>

8.2.11

Quem nos separará do amor de Cristo? (Rom 8, 35)



Um dos principais desafios que é colocado a toda a Igreja é o atendimento e acompanhamento àqueles que pertencem a esse grande universo de pessoas que fazem parte de famílias separadas, divorciadas, recasadas ou em união de facto.

Uma iniciativa interessante, surgiu muito recentemente em duas dioceses do norte de Itália, Pistoia e Pescia, que propõe a todas as pessoas que se encontram nessas situações um acompanhamento, ao longo de três anos, que consiste em encontros mensais para rezar, partilhar experiências e onde a dimensão formativa tem lugar central: serão abordados temas sobre a família, a oração, o perdão, a educação dos filhos, para além de aspectos biblico-teológicos e jurídicos. Os encontros realizam-se num sábado de cada mês, com início pelas 16h e terminam com o jantar em comum.

O tema de fundo é a passagem de S. Paulo aos Romanos, que consiste no título deste post.

No vídeo, música "Ci si separerà?", de Marco Frisina

3.2.11

Eis que a preparação para a confissão chega ao iPad

"Confession: a Roman Catholic App" é um programa para iPhone, iPad e iPod Touch que serve de ajuda para a preparação para a confissão. Aos poucos, a Igreja começa a usar os instrumentos que a técnica põe à sua disposição. Não passa disso: um instrumento, mas que se pode revelar muito útil.

Esta aplicação, contém um exame de consciência bastante completo, com a possibilidade de a própria pessoa incluir questões personalizadas.

Além disso, a aplicação tem um guia que ajuda a pessoa a confessar-se, com a explicação das várias partes da confissão.

Por fim, tem as orações do penitente (acto de contrição), e um conjunto de orações que são as mais usadas na penitência imposta pelo confessor (avé-Maria, Pai nosso, Lembrai-vos, a Salvé Rainha e outras).

5.1.11

O Papa está certo quando critica os anos 70


«Nos anos Setenta, teorizou-se sobre a pedofilia como sendo algo totalmente consentâneo ao homem e também à criança. Mas isto fazia parte duma perversão fundamental do conceito de vida moral. Defendia-se – mesmo no âmbito da teologia católica – que o mal em si e o bem em si não existiriam. Haveria apenas um «melhor que» e um «pior que». Nada seria em si mesmo bem ou mal; tudo dependeria das circunstâncias e do fim pretendido. Segundo os fins e as circunstâncias, tudo poderia ser bem ou então mal. A moral é substituída por um cálculo das consequências, e assim deixa de existir. Os efeitos de tais teorias são, hoje, evidentes.»

As palavras do Papa são confirmadas por um artigo que o Der Spiegel (que, para os mais distraídos, é um jornal bastante liberal de costumes) que, no passado mês de Julho publicou um artigo com o título: The Sexual Revolution and Children, How the Left Took Things Too Far.

Neste artigo, explica-se como na Alemanha, a seguir à revolução de 68, houve um movimento que procurou legalizar a pedofilia, defendendo que era totalmente consentânea com o modernismo. Hoje vivemos os frutos desse tempo. E o Papa está certo: a situação actual tem as suas raízes nesses quase longínquos anos 70.

Um Papa tímido e sem medo

Por P. António Rego

Será exagero, ou talvez não. A entrevista que Bento XVI concedeu ao jornalista Peter Seewald diz mais sobre a sua visão do mundo, da história e do hoje, que o conjunto dos seus discursos. Exprime melhor a sua fé que os seus tratados de teologia. Define melhor o homem, o padre, o cidadão e o Papa que as imagens televisivas mais próximas dos momentos solenes do Sumo Pontífice. Porquê? Porque abre o coração de Joseph Ratzinger a um olhar íntimo, não esquematizado por ele mas pelas observações e perguntas que o jornalista lhe lança, envolvendo-o sempre na sua história pessoal e não na esfinge a que muitas vezes a imagem pública o condena.

Sabendo embora que são muitas horas de diálogo, que o Papa não deixa escapar qualquer resposta impensada, que o texto foi revisto para aperfeiçoamento de algumas referências factuais, sobressai em toda a conversa um homem que nunca separa o seu pensamento da sua história pessoal. Nada parte dum laboratório irreal mas duma reflexão experimentada da vida, da Igreja, de Deus, do homem, de Jesus Cristo, da história do mundo e dele próprio. Aprofunda o que pensa, deixa soltar algumas dúvidas sobre a forma de agir, exprime a sua concepção de poder enquadrado na sua actuação como Papa, pratica a colegialidade "como trabalho de equipa", mostra a importância e a limitação da Cadeira de Pedro, conversa com todo o rigor teológico e sentido pragmático. Sucede não a soberanos mas ao Pescador. Manifesta de forma luminosa a paixão de harmonizar razão e fé, não esconde alguma timidez sem qualquer tipo de medo em afirmar a verdade como obsessão. É um tímido sem medo de ninguém que até gosta dos adversários. Conhece o sofrimento e sabe que é este que tempera a alma e a desprende do relativo.

Mas diz também que não é um homem de gabinete, que conhece e acompanha o mundo, não volta a cara aos sinais dos tempos, não se conforma com a cultura que quer viver sem Deus. Propõe vigorosamente a urgência da conversão, sem qualquer azedume para com a modernidade. E, sem qualquer tom catastrófico, admite que a Terra corre verdadeiro risco de sobrevivência sem dar por isso.

Mais afeito às análises que às sínteses consegue derramar, nas poucas palavras que profere, todos os seus compêndios, numa espécie de oceano lógico, teológico e humano que o habita. Não diz tudo o que pensa, mas dá a impressão que nada do que pensa fica por dizer. E deixa - outro recato - o espaço aberto a quem dele discorda em qualquer matéria. Com a coragem de dizer que não é infalível.

Fascinante este horizonte de homem, crente, cristão e Papa no abrir dum novo ano. Onde se não devem esconder os medos e perturbações. Mas onde prevalece a serenidade e a esperança. De quem reconhece a medida do tempo e o afronta com a eternidade.

3.1.11

Um milhão... e um silêncio ensurdecedor

Ontem, 3 de Janeiro de 2011, na Praça Colon, em Madrid, foi celebrada uma Missa, na qual participaram, segundo os meios de informação espanhóis, um milhão de pessoas. A iniciativa, que se repete pela quarta vez, teve como tema A família cristã, esperança para a Europa, e foi promovida pela Diocese de Madrid.

Repito: participaram um milhão de pessoas! (E isto, usando como fonte um jornal nada católico como o El País).

E, no entanto, nos meios de comunicação social cá do burgo, nem uma referência, nem uma palavra. Se fosse um concerto de música, ou um jogo de futebol (o último jogo entre Barcelona e Real Madrid teve apenas 90 mil espectadores ao vivo), teríamos tido direito a directos, várias reportagens ao longo de mais de um dia.

2.1.11

Humildade

«No final, o que falta é a humildade autêntica, que sabe submeter-se ao que é maior, mas também a coragem genuína, que leva a crer naquilo que é verdadeiramente grande, mesmo que se manifeste num Menino inerme. Falta a capacidade evangélica de ser criança no coração, de se admirar e de sair de si mesmo para seguir o caminho indicado pela estrela, o caminho de Deus. Porém, o Senhor tem o poder de nos tornar capazes de ver e de nos salvarmos. Então, queremos pedir-lhe que nos dê um coração sábio e inocente, que nos permita ver a estrela da sua misericórdia e seguir o seu caminho, para O encontrar e ser inundados pela grande luz e pela verdadeira alegria que Ele trouxe a este mundo.»

Bento XVI, Homilia, 2010.01.06

1.1.11

Transparência

«Exorto-vos a examinar a vossa consciência, a assumir a vossa responsabilidade dos pecados que cometestes e a expressar com humildade o vosso pesar. O arrependimento sincero abre a porta ao perdão de Deus e à graça do verdadeiro emendamento. Oferecendo orações e penitências por quantos ofendestes, deveis procurar reparar pessoalmente as vossas acções. O sacrifício redentor de Cristo tem o poder de perdoar até o pecado mais grave e de obter o bem até do mais terrível dos males. Ao mesmo tempo, a justiça de Deus exige que prestemos contas das nossas acções sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos às exigências da justiça, mas não desespereis da misericórdia de Deus.»
Bento XVI, Carta, 2010.03.19

Transparência é uma das palavras que melhor define as muitas intervenções do Papa Bento XVI no ano de 2010, nos mais variados temas. O «motu proprio» para a prevenção de actividades ilegais em assuntos financeiros e monetários é mais um exemplo.

26.12.10

Votos de um Santo Natal

«Há um caminho para todos. Para todos, o Senhor estabelece sinais adequados a cada um. Chama-nos a todos, para que nos seja possível também dizer: Levantemo-nos, «atravessemos», vamos a Belém, até junto d’Aquele Deus que veio ao nosso encontro. Sim, Deus encaminhou-Se para nós. Sozinhos, não poderíamos chegar até Ele. O caminho supera as nossas forças. Mas Deus desceu. Vem ao nosso encontro. Percorreu a parte mais longa do caminho.»

Bento XVI, Homilia, 2009.12.24

25.10.10

Presidente do Conselho Pontifício da Cultura preside a missa na igreja de Santo António dos Portugueses

A missa do dia da Padroeira de Portugal, Imaculada Conceição, que se celebra na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, vai ser presidida pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, D. Gianfranco Ravasi, refere o jornal Voz Portucalense.

D. Gianfranco Ravasi, que vai ser nomeado cardeal por Bento XVI a 20 de novembro, tinha estado na igreja de Santo António dos Portugueses a 7 de dezembro de 2008 para a bênção do novo órgão.

Na homilia que proferiu durante a missa, o prelado começou por afirmar que Lisboa "constitui certamente um dos grandes símbolos da beleza e do fascínio europeu".

"Num mundo marcado e dominado por tanta brutalidade, cheio de superficialidade e de ruído, procuramos encontrar a harmonia exterior do belo e, ao mesmo tempo, a harmonia interior que na música atinge o seu vértice", disse.

"A música – salientou – é o sinal da harmonia humana e da presença de Deus no meio de nós", pelo que "as harmonias que saírem deste novo órgão" falarão da "beleza humana e, ao mesmo tempo, da de Deus, ou seja, da beleza transcendente."

In http://www.snpcultura.org/breves_index.html

20.10.10

Colégio Cardinalício: notas históricas

O Colégio de Cardeais é uma instituição eclesiástica. Na sua origem, está o grupo de Diáconos, Presbíteros e Bispos que, durante grande parte do primeiro milénio, sob vários títulos, eram os colaboradores do Papa no governo da Diocese de Roma.

Os Diáconos, originariamente, eram sete, a cada qual correspondia uma das sete regiões eclesiásticas nas quais estava dividida a cidade de Roma, e assumiam funções litúrgicas, administrativas e de assistência social.

Os Presbíteros, que começaram por ser 25 e depois passaram a 28, assumiam o serviço nas Basílicas Maiores e noutras Igrejas de Roma, das quais estavam encarregues (incardinados: daqui nasce o nome cardeal).

Os Bispos, regiam as sete Dioceses à volta da cidade de Roma, que se chamavam suburbicárias; a partir do séc. V, a estes Bispos foram confiadas as funções litúrgicas na Basílica de S. João de Latrão, em Roma, passando, por conseguinte, a estar incardinados em Roma.

A partir de 1059, os Cardeais assumem a função exclusiva da eleição do Sumo Pontífice.

Desde 1150, os Cardeais passam a formar um Colégio, com um Decano (Cardeal-Bispo titular da Diocese de Óstia), e um Cardeal Camerlengo, que assume a função da administração dos bens. A partir desta altura, passa a haver Cardeais que residem fora da cidade de Roma.

Ao longo do tempo, o número dos Cardeais foi variando, entre os trinta e os setenta. Doi o Papa Sisto V que, em 1586, determina que os Cardeais deverão ser 70: 6 da ordem dos Cardeais-Bispos; 50 da ordem dos Cardeais-Presbíteros; 14 dos Cardeais-Diáconos.

Este número foi-se mantendo ao longo dos séculos, até que, em 1958, o Papa João XXIII alterou essa regra, abrindo a possibilidade que fossem nomeados mais do 70 Cardeais. Além disso, o mesmo João XXIII, estabeleceu, em 1962, com o Motu proprio Cum gravíssima, estabeleceu que todos os Cardeais deveriam estar revestidos da dignidade episcopal.

Paulo VI também estabeleceu algumas regras relacionadas com o Colégio Cardinalício:
a) decidiu que os Patriarcas Orientais também deveriam fazer parte do Colégio (Motu proprio Ad Purpuratorum Patrum, de 11 de Fevereiro de 1965);

b) decidiu que, ao chegar so 80 anos, os Cardeais cessam de ser Membros dos Dicastérios da Cúria Romana e de todos os Organismos Permanentes da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano;

c) decidiu que, ao atingir os 80 anos, os Cardeais perdem o direito de eleger o Sumo Pontífice
e, portanto, também o direito de participar no Conclave (Motu próprio Ingravescentem aetatem, a 21 de Novembro 1970);

d) estabeleceu que o número máximo de Cardeais eleitores será de 120 (Concistório de 1973).

O Papa João Paulo II confirmou, na Const. Apostólica Universi Dominici gregis de 22 de Fevereiro de 1996, as disposições do seu predecessor Paulo VI, dispensando, no entanto, da obrigação da eleição do Sumo Pontífice pela maioria de dois terços dos votos no caso de, após um certo número de votações, ainda não ter sido possível ter êxito nas votações.

O Santo Padre Bento XVI, a 11 de Junho de 2007, com o Motu proprio "De aliquibus mutationibus in normis de electione Romani Pontificis", confirmou as decisões dos seus Predecessores, excepto na questão da votação, voltando a impor a necessidade que o Sumo Pontífice seja eleito por dois terços dos votos em qualquer dos casos.

Também publicado AQUI

18.10.10

Quem quer tornar-se sacerdote...

Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo.

Bento XVI, Carta aos seminaristas, 2010.10.18

13.10.10

13 de Outubro



Senhora, nós Vos louvamos, P. Manuel Faria, interpretado pelo Grupo Ançã-ble, na Igreja de S. António dos Portugueses, em Roma

5.10.10

Artigo do Prof. Gabriel Magalhães

Columpios Republicanos, por Prof. Gabriel Magalhães

Columpios republicanos

2.10.10

Abertura de Ano lectivo do Instituto Superior de Teologia

Apesar de haver menos padres em Portugal, "há mais leigos conscientes", que podem assumir tarefas pastorais defende o bispo de Viseu

“A Igreja não são os padres. Há que apostar numa intercomunhão entre os elementos diversos da Igreja: padres, leigos, religiosos. Todos os batizados são Igreja”, defendeu Ilídio Leandro. O prelado falava à margem da sessão de abertura do novo ano lectivo no Instituto Superior de Teologia de Viseu.

Ali estudam 34 alunos de quatro dioceses: 10 de Viseu, cinco de Bragança, sete da Guarda e 12 de Lamego.Um número que é “muito diminuto para as necessidades”, disse à Lusa. Também o número de seminaristas é menor, e “proporcional ao que se passa na sociedade”.

No futuro, “não haverá tantos padres para irem realizar uma missão, que até agora estava quase ligada aos padres, mas há muitos leigos que são cristãos”, afirmou. O trabalho com os leigos pode proporcionar uma vivência cristã de modo a que os jovens possam sentir o apelo sacerdotal. 

16.9.10

Bento XVI e o que fazer para tornar a Igreja mais atractiva

No vôo que levou Bento XVI para o Reino Unido, foi-lhe feita a seguinte pergunta:
Pode fazer-se alguma coisa para tornar a Igreja, enquanto instituição, mais credível e atractiva para todos?

Resposta do Papa:

«Eu diria que uma Igreja que procura, acima de tudo, ser atractiva estaria a percorrer um caminho errado. Porque a Igreja não se busca a si própria, não trabalha para aumentar os próprios números, ou o próprio poder. A Igreja está ao serviço do Outro, serve, não para si própria, para ser um corpo forte, mas para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades, as grandes forças do amor, da reconciliação que se tornaram visíveis nesta figura e que dimanam da presença de Jesus Cristo.

Neste sentido, a Igreja não procura a própria atractividade, mas deve transparecer Jesus Cristo. E, na medida em que não existe para si própria, como corpo forte e poderoso no mundo, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência pela qual passa a grande figura de Cristo e as grandes verdades que Ele trouxe à humanidade: a força do amor.

A Igreja não devia pensar em si mesma, mas levar a ver o Outro, e ela própria ver e falar de Deus.»

Papa Bento XVI, Declarações feitas no avião entre Roma e Edimburgo, 2010.09.16

In Il Giornale


Tradução minha

Palace of Holyroodhouse, Meeting with state authorities, 16 September 2010, Benedict XVI

Na saudação que dirigiu à Rainha e demais autoridades civis, à sua chegada a Inglaterra, disse o Santo Padre:

"The Christian message has been an integral part of the language, thought and culture of the peoples of these islands for more than a thousand years. Your forefathers’ respect for truth and justice, for mercy and charity come to you from a faith that remains a mighty force for good in your kingdom, to the great benefit of Christians and non-Christians alike."

Palace of Holyroodhouse, Meeting with state authorities, 16 September 2010, Benedict XVI

15.9.10

Sobre a "renovada evangelização"

"Evangelizar é participar na urgência de Jesus Cristo em anunciar o Reino de Deus, expressão do seu amor salvífico. Cristo continua a ser o primeiro e o principal evangelizador5, missão que Ele continua a realizar através dos seus discípulos, que participam da sua Paixão pelo anúncio do Reino de Deus. É por isso que Paulo exclama: “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor, 9,16). Para o cristão, evangelizar é expressão do seu amor a Jesus Cristo. Ela é sempre uma expressão de amor, porque só o amor converte e brota da relação com Jesus Cristo numa comunhão de amor. Evangelizar é sempre anunciar o amor de Deus, em Jesus Cristo."

(...)

"Isto exige que todos os evangelizadores busquem a santidade, na fidelidade a Jesus Cristo, manifestada no concreto das suas vidas, do seu estado, da sua vocação concreta, das circunstâncias em que vivem. A formação que a Igreja deve proporcionar a estes evangelizadores deve procurar, sobretudo, esta busca da fidelidade cristã e não apenas uma preparação técnica e cultural para a missão evangelizadora. A “nova evangelização” exige um grande movimento de espiritualidade."

Card. D. José Policarpo, Carta Pastoral «Nova Evangelização», 2010.09.14

"Et portae inferi non praevalebunt..." (Mt 16, 18)

" E as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

Ao longo destes dias que precedem a visita do Santo Padre Bento XVI ao Reino Unido, tenho-me lembrado especialmente destas palavras. A preparação da viagem tem sido uma aventura emocionante. Os protestos que se elevam são um desafio para os crentes, pois estão a obrigar os católicos ingleses a saírem do seu comodismo e a defenderem o Papa, a Igreja, a sua fé e, no fim de contas, o próprio modo de encarar a vida e a eternidade.

O Reino Unido, pelas suas raízes e pelo seu importantíssimo papel ao longo da história, é uma nação fascinante, e com uma visibilidade acima da média. Talvez isso explique, em parte, a acesa troca de argumentos que, desde o anúncio da visita do Papa, tem acontecido. Independentemente do número de pessoas que venha a estar directamente com Bento XVI, e muito para além dos episódios concretos (venda de bilhetes, folhetos sobre a Santa Missa, etc.), a primeira batalha já está ganha: há muito mais pessoas hoje com vontade de ouvir o que o Papa vai dizer do que há algumas semanas atrás. Num país cuja indiferença para com a religião atinge máximos históricos, a barreira do indiferentismo está a ser largamente ultrapassada.

Esta viagem será histórica: por ser a primeira visita de estado de um Papa ao Reino Unido; pelos locais onde Bento XVI proferirá as suas homilias e discursos; pelo número de profissionais da comunicação social envolvidos; mas, sobretudo, porque nunca, como hoje, o Papa teve uma tão grande ressonância. Quase parece que, quanto mais o atacam, mas atenção lhe prestam.

14.9.10

Deus maiúsculo ou jornalismo minúsculo

Por P. Gonçalo Portocarrero de Almada

(...)

Se a descrença do jornalista justifica o uso da minúscula no santo nome de Deus, é óbvio que se o dito não acreditar no Butão, nem no Burkina Faso, países que suponho que nunca terá visto, como nunca viu Deus, também deverá escrever com minúsculas as iniciais desses países, não menos abstractos para o seu entendimento do que a sua muito abstracta noção de Deus.

Se pega a moda de uma escrita personalizada à medida dos caprichos do freguês, os monárquicos deverão escrever em minúsculas as iniciais dos nomes dos presidentes da República; os ateus deverão fazer o mesmo com os nomes dos santos; etc., o que permitirá a milagrosa multiplicação da nossa língua: português-republicano, português-monárquico, português-cristão, português-pagão, português-comunista, português-fascista, etc.

13.9.10

Visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido

O Papa Bento XVI vai, em visita oficial, ao Reino Unido, de 16 a 19 de Setembro.

Muitos de nós não estaremos presentes. Mas podemos rezar pelos bons frutos da viagem. Aqui deixo uma oração que está a ser utilizada por muitos ingleses para a visita do Papa.

Papal Visit Prayer

11.9.10

D. Jacinto Botelho celebra hoje 75 anos

O Sr. D. Jacinto celebra hoje o seu aniversário natalício.

Impressiona-me a sua piedade mariana, a veneração com que trata a Santíssima Eucaristia e o seu delicado amor ao Magistério da Igreja e dos Sucessores de S. Pedro. Ao mesmo tempo, toca-me a sua disponibilidade em receber todos aqueles que o procuram, sejam eles sacerdotes, religiosos ou leigos.

Obrigado, Sr. Bispo, pelo seu exemplo de fidelidade e muitos parabéns.

>>Diocese de Lamego

10.9.10

Custos

Um dos aspectos com mais relevo na comunicação social sobre as visitas do Papa (onde quer que seja), tem a ver com os custos que essas viagens acarretam para os contribuintes. Mas há uma dimensão que, habitualmente, fica esquecida: esses custos trazem consigo uma receita. 

Na próxima visita papal, a questão dos custos da viagem para o contribuinte tem sido abordada muito frequentemente. Torna-se, portanto, necessário recordar que as próprias autoridades civis inglesas têm sublinhado o facto de a visita do Papa Bento XVI ser uma ocasião de atrair mais visitantes às localidades por onde ele vai passar (saíram dois artigos sobre este assunto: um sobre Birmingham, e outro sobre Edimburgo), pelo que as receitas serão largamente superiores às despesas, tornando a visita, de um ponto de vista económico, um bom investimento.

Há um outro assunto que também costuma aparecer nos meios de comunicação social, que é custo das operações de segurança que envolve a visita do Papa (hoje o Diário de Notícias faz uma breve referência a esse tema). As autoridades de segurança inglesas afirmaram ontem que a operação de segurança é de uma escala muito inferior ao Carnaval de Notting Hill, que se realiza todos os anos.

9.9.10

Bento XVI no Reino Unido

O Papa Bento XVI vai ser o primeiro sucessor de S. Pedro a ir, em visita oficial, ao Reino Unido, de 16 a 19 de Setembro. O Papa João Paulo II tinha feito, em 1982, uma visita pastoral.

Desde que foi feito o anúncio oficial, no final do ano passado, que um conjunto de personalidades e entidades começou uma campanha anti-visita muito acesa. Pelo meio, a resposta, seja por parte da Conferência Episcopal, seja por parte dos leigos católicos tem sido muito interessante. Talvez a iniciativa de maior realce, seja a Catholic Voices, que é uma associação de leigos que se dispôs a formar-se sobre o Papa e sobre a doutrina católica e a estar disponível a ir falar a todos os meios de comunicação que desejassem abordar o tema da visita papal. A iniciativa tem tido bastante sucesso, pois os cerca de 50 elementos que fazem parte da Associação têm aparecido em inúmeras ocasiões, seja na rádio, seja na televisão, não só do Reino Unido, mas também em outros países.

A campanha contra a visita papal tem usado vários argumentos: os casos de pedofilia cometido por clérigos, os custos da viagem, ataques dirigidos directamente à pessoa do Papa. No entanto, essa campanha tem trazido ao de cima um conjunto de artigos muito interessantes, de defesa do Papa e da Igreja, escritos até por não católicos. É o caso do artigo escrito no Daily Mail por Stephen Glover (que não é católico, como abertamente o diz no artigo), com o título: "Os verdadeiros intolerantes são aqueles que se opõem ao Papa". E não deixa de ter razão.

25.8.10

Conferência Episcopal Portuguesa decreta que Misericórdias são associações públicas de fiéis

Na última edição da Revista Lumen, vem publicado um Decreto Geral da Conferência Episcopal Portuguesa, com o qual são especificadas os preceitos canónicos aos quais estão sujeitas as Misericórdias portuguesas.

O Decreto começa por lembrar que "a natureza eclesial das Misericórdias Portuguesas jamais foi posta em dúvida". Por conseguinte, e uma vez que as Misericórdias se distinguem pela prática da caridade e pelo culto, o Decreto lembra: "Com a promulgação do Código de Direito Canónico em 1983, foram levantadas dúvidas quanto à natureza jurídica de algumas associações de fiéis, entre as quais as Misericórdias, dada a nova distinção entre associações públicas e associações privadas. Nesta conformidade e tendo em conta que a Autoridade Eclesiástica interveio, habitualmente, na existência e acção das Irmandades da Misericórdia através de actos jurídicos; que as Misericórdias têm, na sua maior parte, erecção canónica e Estatutos aprovados pelo Ordinário diocesano; que mantêm culto público em igrejas e capelas próprias com capelão nomeado; que continuam a dedicar-se a actividades de pastoral social de grande alcance; a Conferência Episcopal Portuguesa, considerou através de uma Declaração, em 15 de Novembro de 1989, as Misericórdias Portuguesas Associações Públicas de Fiéis."

Retomando, portanto, estas premissas, o Decreto especifica quais os preceitos jurídico-canónicos aos quais são obrigadas as Misericórdias enquanto Associações Públicas de Fiéis.

O Decreto Geral foi publicado com a recognitio da Congregação para os Bispos, Dicastério da Santa Sé competente para o efeito.