Foi hoje publicada a Constituição Apostólica "Anglicanorum coetibus", com as normas relativas à admissão, na Igreja Católica, das comunidades anglicanas que desejarem entrar em plena comunhão com o Sucessor de S. Pedro.
Esta constituição não é o fim, mas sim o início de um percurso de fé e de esperança; é o culminar de um processo de conversações, mas é o princípio de um caminho que trará de volta a casa um elevado número de fiéis que reconhecem, na Igreja católica, a sua verdadeira casa.
Além da constituição, foram também publicadas umas Normas complementares sobre o funcionamento dos Ordinariatos pessoais, que são a figura jurídica escolhida pelo Santo Padre para acolher aqueles que desejam voltar à comunhão com a Igreja Católica.
Constituição Apostólica sobre Grupos Anglicanos
Santa Sé abre a porta a anglicanos
Nos últimos anos, grupos de fiéis anglicanos, descontentes com a evolução doutrinal da sua igreja, têm-se aproximado do catolicismo. Respondendo aos seus pedidos, a Santa Sé anunciou a criação de novas estruturas eclesiásticas nas quais poderão integrar-se colectivamente os que desejam ser católicos, conservando o seu património espiritual específico e com clero próprio.
O anúncio foi feito em conferência de imprensa pelo cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e pelo arcebispo Augustine di Noia, secretário da Congregação para o Culto Divino. A moldura jurídica deste plano será exposta numa Constituição Apostólica que Bento XVI publicará em breve.
Segundo a nota informativa publicada pelo Vaticano, nesta Constituição o Papa cria a estrutura canónica de "Ordinariatos pessoais, que permitirão aos fiéis que tenham sido anglicanos entrar em plena comunhão com a Igreja católica, conservando ao mesmo tempo elementos do património espiritual e litúrgico característicos dos anglicanos". As suas estruturas serão de "algum modo semelhantes às dos Ordinariatos militares, que foram erigidos em tantos países para o atendimento pastoral dos membros das forças armadas e das suas famílias".
Trata-se, pois, de estruturas equivalentes a dioceses não territoriais, para integrar grupo de fiéis ex-anglicanos que partilham algumas tradições litúrgicas e espirituais e que desejam uma "comunhão plena e visível com o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro", segundo explicou Levada.
À frente de cada Ordinariato haverá um bispo, que "normalmente será nomeado entre o clero que tenha sido anglicano". Os fiéis do Ordinariato dependerão do seu prelado e não do bispo diocesano.
No actual Código do Direito Canónico prevê-se outro tipo de entidade não territorial, as prelaturas pessoais, existindo actualmente só uma: o Opus Dei. Mas neste caso, os seus fiéis dependem do bispo do lugar do mesmo modo que os outros fiéis, e só dependem do seu Prelado para os fins apostólicos peculiares da Prelatura.
Poderá haver padres casados
O plano prevê a possibilidade de os padres casados provenientes do anglicanismo serem ordenados como sacerdotes católicos. Esta dispensa do celibato já se aplicou em outras ocasiões para os ex-pastores anglicanos, assim como também existem sacerdotes casados entre católicos de ritos orientais. Contudo, o bispo que esteja à frente de um destes Ordinariatos não poderá ser casado. Segundo explica a nota, "razões históricas e ecuménicas não permitem a ordenação como bispos de homens casados nem na Igreja Católica nem na Ortodoxa".
Para conseguir um equilíbrio entre a conservação do património anglicano e a incorporação destes grupos na Igreja católica, prevê-se que os seminaristas do Ordinariato sejam formados junto com os outros seminaristas católicos, se bem que possa ser aberto um centro de formação que responda às suas necessidades de formação específica.
A Constituição Apostólica que será publicada em breve prevê para receber estes antigos fiéis anglicanos "um único modelo canónico para a Igreja universal, adaptável às situações locais". A nota diz que os ordinariatos serão criados onde forem necessários, consultando os bispos locais.
A pedido de muitos anglicanos
O cardeal Levada quis deixar claro que a criação destas novas estruturas responde ao pedido de vários grupos de anglicanos provenientes de diferentes partes do mundo. "Eles declararam que partilham a fé católica comum, tal como vem no Catecismo da Igreja Católica, e que aceitam o ministério petrino como um elemento querido por Cristo para a Igreja. Para eles chegou o tempo de exprimir tal união implícita numa forma visível de plena comunhão".
A nota recorda que nos últimos tempos algumas igrejas anglicanas romperam com as tradições cristãs comuns ordenando mulheres, mudando o ensino bíblico sobre a sexualidade, ordenado padres declaradamente homossexuais e abençoando as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Ao mesmo tempo, muitos anglicanos entraram na Igreja católica, individualmente e às vezes em grupo, conservando certa estrutura corporativa. A Igreja católica não podia deixar sem resposta estes pedidos.
O diálogo ecuménico vai continuar
Para reafirmar que esta decisão do Vaticano é compatível com a manutenção do diálogo ecuménico com os anglicanos, o arcebispo católico de Westmister, Vicent Nichols, e o arcebispo anglicano de Canterbury, Rowan Williams, assinaram uma declaração comum. Neste gesto pouco habitual explicam que com esta medida se põe fim a um período de incertezas para os anglicanos que queriam abraçar a fé católica. Consideram que a anunciada Constituição Apostólica "é um posterior reconhecimento da coincidência fundamental em fé, doutrina e espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição anglicana". A nota afirma também que este passo teria sido impossível sem o diálogo ecuménico desenvolvido nos últimos quarenta anos, diálogo que vai continuar.
Veremos agora o que se passará com os grupos de anglicanos que, descontentes com a evolução doutrinal dos seus correligionários, se separaram deles. Nos Estados Unidos os episcopalianos tradicionais criaram uma igreja paralela. E em 2008 ocorreu de facto um cisma na Comunhão Anglicana, com a criação da Fellowship of Confessing Anglicans que representa metade da comunhão anglicana (uns 36 milhões de fiéis) e um terço dos bispos, que querem defender a doutrina tradicional.
In Aceprensa
Deixai falar o pobre Saramago
In Combustões (com a devida vénia ao Autor do texto)
Uma nova missão
A partir de hoje, assumo a paroquialidade de Cujó, no concelho de Castro Daire. Agradeço a Deus mais este dom e ao meu Bispo a confiança que deposita em mim.
A Nossa Senhora da Conceição confio o trabalho ministerial que hoje inicio, implorando ao Seu Filho todas as graças necessárias ao desempenho desta missão.
Comunicação institucional
Por vários motivos, tenho andado a ler artigos sobre a comunicação institucional na Igreja.
Quase por acaso, encontrei uma comunicação do Card. John Foley, Presidente emérito do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, num Congresso organizado pela Pontificia Universidade da Santa Cruz, em Roma.
Na sua intervenção, o Card. Foley afirma que "o primeiro princípio de qualquer comunicação, mas sobretudo da comunicação na Igreja, é nunca, nunca, nunca dizer uma falsidade". E continua: "quando se diz a verdade, não é necessário depois esconder-se; não é necessário de inventar mais mentiras que sejam compatíveis com a anterior. De facto, a verdade torna-nos livres".
A Igreja, continua o Prelado, "tem o dever de ter a certeza que aquilo que diz corresponde à verdade, e de formular os nossos discursos de modo a reflectir com precisão a verdade, evitando a tentação de transmitir rumores ou meras opiniões".
E termina, dizendo, que "o hábito de dizer a verdade é libertador. Quando uma pessoa possui a reputação de dizer a verdade, toda a verdade, e não apenas aquela que lhe convém, quando lhe convém e do modo que convém, cria-se uma maravilhosa atmosfera de confiança, e as pessoas tornam-se mais disponíveis para ouvir o que se lhe comunica, porque têm a certeza que não serão enganadas".
Ordenações diaconais
Hoje, a Igreja fica enriquecida com mais 5 diáconos, que se incardinam na Diocese de Lamego.
Ao André Pereira, ao António Giroto, ao Bernardo Magalhães, ao José Filipe Pereira e ao Tiago Cardoso desejo as maiores felicidades.
Festa de S. Francisco
Hoje a Igreja celebra a Festa de S. Francisco de Assis
São Francisco de Assis, nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, no ano de 1182, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone, gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Sonhou com as glórias militares, procurando desta maneira alcançar o "status" que sua condição exigia, e aos vinte anos, alistou-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo, e em 1206 , aos 24 anos de idade para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa.
Já inteiramente mudado de coração, e a ponto de mudar de vida, passou um dia pela igreja de São Damião, abandonada e quase em ruínas. Levado pelo Espírito, entrou para rezar e se ajoelhou devotamente diante do crucifixo. Tocado por uma sensação insólita, sentiu-se todo transformado. Pouco depois, coisa inaudita, a imagem do Crucificado mexeu os lábios e falou com ele. Chamando-o pelo nome, disse: "Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está em ruinas".
Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos, cuja ordem foi aprovada pelo Papa Inocêncio III. Santa Clara, sua dilecta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Em 1221, sob a inspiração de seu estilo de vida nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados. Neste capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, frequentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de Paz e Bem. Em 1220, voltou a Assis após ter-se aventurado a viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egipto, redigindo a segunda Regra, aprovada pelo Papa Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de setembro de 1224.
In EvangelhoQuotidiano.org
Anjos da Guarda
A Igreja, hoje, celebra a Festa dos Anjos da Guarda.
Os Anjos são antes de tudo os mediadores das mensagens da verdade Divina, iluminam o espírito com a luz interior da palavra. São também guardiões das almas dos homens, sugerindo-lhes as directivas Divinas; invisíveis testemunhas dos seus pensamentos mais escondidos e das suas acções boas ou más, claras ou ocultas, assistem os homens para o bem e para a salvação. São Grégorio Magno diz, que quase cada página da Revelação escrita, atesta a existência dos Anjos. No Novo Testamento aparecem no Evangelho da infância, na narração das tentações do deserto e da consolação de Cristo no Getsemani. São testemunhas da Ressurreição, assistem a Igreja que nasce, ajudam os Apóstolos e transmitem a vontade Divina. Os Anjos preparam o juízo final e executarão a sentença, separando os bons dos maus e formarão uma coroa ao Cristo triunfante. Eles os Anjos,são mencionados mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. Além de todas essas referências bíblicas, que por si só justificam o culto especial que os cristãos reservam aos anjos desde os primeiros tempos, é a natureza destes "espíritos puros" que estimula nossa admiração e nossa devoção.
Dizia Bozzuet : "Os Anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer diante de Deus os nossos pensamentos... Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos." Fundamentando a verdade de fé, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do baptismo, é confiado ao seu próprio Anjo, que tem a incumbência de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirando bons sentimentos, proporcionando a livre escolha que tem como meta Deus, Supremo Bem. A liturgia do dia 29 de setembro, que celebramos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, lembra ao mesmo tempo todos os coros angélicos: os Anjos, os arcanjos, os Tronos, as Dominações que adoram, as Potestades que tremem de respeito diante da Majestade Divina, os céus, as virtudes, os bem-aventurados serafins e os querubins.
In EvangelhoQuotidiano.org
S. Jerónimo
Hoje, a Igreja celebra a memória litúrgica de S. Jerónimo.
Nasceu em Estridon (Dalmácia) cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi baptizado. Tendo abraçado a vida ascética, partiu para o Oriente e foi ordenado sacerdote. Regressou a Roma e foi secretário do papa Dâmaso. Nesta época começou a revisão das traduções latinas da Sagrada Escritura e promoveu a vida monástica. Mais tarde estabeleceu-se em Belém, onde continuou a tomar parte muito activa nos problemas e necessidades da Igreja. Escreveu muitas obras, principalmente comentários à Sagrada Escritura. Morreu em Belém no ano 420.
In Ecclesia.pt
Festa dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael

Entre «os puros espíritos que também são denominados Anjos» (Credo do Povo de Deus), sobressaem três, que têm sido especialmente honrados, através do séculos e a Liturgia une na mesma celebração. Além das funções próprias de todos os Anjos, eles aparecem-nos, na Escritura Sagrada, incumbidos de missão especial.
S. Miguel (= «Quem como Deus»?) é o príncipe dos Anjos, identificado, por vezes, como o Anjo do turíbulo de ouro de que fala o Apocalipse. É o Anjo dos supremos combates. É o melhor guia do cristão, na hora da viagem para a eternidade. É o protector da Igreja de Deus (Apoc. 12-19).
S. Gabriel (= «Deus é a minha força») é o mensageiro da Incarnação (Dan. 9, 21-22). É o enviado das grandes embaixadas divinas: anuncia a Zacarias o nascimento do Precursor e revela a Maria o mistério da divina Maternidade. Pio XII, em 12 de Janeiro de 1951, declarou este Arcanjo patrono das telecomunicações.
S. Rafael (= «Medicina de Deus») manifesta-se na Bíblia como diligente e eficaz protector duma família, que se debate para não sucumbir às provações. É conselheiro, companheiro de viagem, defensor e médico. Honrando os Anjos, cuja existência nos é abundantemente testemunhada pela Sagrada Escritura, nós exaltamos o poder de Deus, Criador do mundo visível e invisível.
In Liturgia.pt
Site de Direito Canónico
A ideia é proporcionar um conjunto de textos (a começar pelo do Código de Direito Canónico, em português, versão da CEP), que seja útil aos fiéis na formação neste importante saber da vida da Igreja.
O site pode ser consultado em www.direito-canonico.info
Comunhão de joelhos e na boca
O Cardeal de Lima, no Perú, animou os fiéis que frequentam a Sé Catedral daquela cidade a receber a Sagrada Eucaristia de joelhos e na boca.
"O modo de receber a Eucaristia com mais respeito é de joelhos e na boca. É necessário recuperar o respeito e a reverência que merece a Eucaristia, porque o amor a Jesus é o centro da nossa vida cristã", disse o Cardeal Juan Luis Cipriani na homilia de ontem, domingo, 20 de Setembro, na sua Catedral.
No actual momento, este gesto é contrário à tendência de um grande número de sacerdotes que promovem que os fiéis comunguem na mão. O próprio exemplo do Santo Padre é muito esclarecedor, já que também ele pede aos fiéis a quem distribui a comunhão que se ajoelhem e comunguem na boca.
Será que em Roma e em Lima não há Gripe A?
Nota pessoal: ao longo de 15 dias procurei estar mais atento na distribuição da comunhão para contabilizar com que frequência, ao distribuir o Sagrado Corpo de Nosso Senhor, tocava nas mãos ou na língua dos fiéis. Cheguei à conclusão que, com muito mais frequência, toco nas mãos das pessoas que, com toda a liberdade, recebem a Sagrada Comunhão na mão. Pelo contrário, procurando dar a comunhão com calma e em clima de adoração, é muito raro tocar com os dedos na língua dos fiéis.
Ora, sabendo que o vírus se propaga quando as mãos entram em contacto com superfícies onde pessoas infectadas tocaram (daí a preocupação em procurar que as pessoas lavem as mãos muitas vezes), e sabendo que, as mãos são o principal meio com que tocamos e pegamos nas coisas, não seria mais prudente promover a comunhão na boca (e não na mão)?
Pessoalmente, procuro que os fiéis que me estão confiados escolham com toda a liberdade o modo de comungar. Quando toco estes temas (em homilias ou no contacto com as pessoas) procuro formar e deixar que cada um proceda segundo o que achar mais correcto, dentro das possibilidades que a Igreja prevê para a distribuição da Sagrada Comunhão.
A liturgia celeste
"As nossas liturgias terrenas, inteiramente voltadas a celebrar este único acto da história, nunca alcançarão exprimir totalmente a sua infinita densidade. A Beleza dos ritos não será nunca demasiado investigada, ou demasiado cuidada, demasiado elaborada,já que nada é demasiado belo para Deus, que é a Beleza infinita... as liturgias terrestres não poderão ser mais do que um pálido reflexo da Liturgia, que se celebra na Jerusalém celeste, ponto de chegada da nossa peregrinação sobre a terra; é preciso realizar todo o esforço para nos aproximarmos o mais possível da liturgia celeste e fazê-la saborear".
Bento XVI, 2008.09.12, em Paris
Sínodo de Bispos do Médio Oriente
O Santo Padre Bento XVI acaba de convocar um Sínodo de Bispos do Médio Oriente, que se realizará de 10 a 24 de Outubro de 2010.
In Avvenire
Dever cívico
A Igreja Católica incentiva os fiéis a cumprir o seu dever cívico de eleitores, mas recorda-lhes os valores cristãos para que o "voto seja exercido em liberdade esclarecida", numa "atitude inspiradora e não paternalista".
"Votar com esclarecimento não é dirigismo: pedimos aos cristãos que se esclareçam sobre as questões, que vejam se os princípios defendidos estão de acordo com a fé, com o Evangelho", sublinhou à Lusa o padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Na altura de votar, "o cristão não pode contrariar a sua fé, no Evangelho", acrescentou, fazendo uma analogia desportiva: "se sou do Sporting não posso ir para os jogos do meu clube gritar pela equipa adversária".
In Público, 2009.09.18
Bento XVI: os padres devem permanecer afastados de um envolvimento pessoal na política
é necessário evitar a *secularização dos sacerdotes* e a *clericalização
dos leigos*.
Nessa perspectiva, portanto, os fiéis leigos devem empenhar-se em exprimir
na realidade, inclusive através do empenho político, a visão antropológica
cristã e a doutrina social da Igreja.
Diversamente, *os sacerdotes devem permanecer afastados de um envolvimento
pessoal na política*, a fim de favorecerem a unidade e a comunhão de todos
os fiéis e assim poderem ser uma referência para todos.
É importante fazer crescer esta consciência nos sacerdotes, religiosos e
fiéis leigos, encorajando e vigiando para que cada um possa sentir-se
motivado a agir segundo o seu próprio estado.
O aprofundamento harmónico, correcto e claro da relação entre sacerdócio
comum e ministerial constitui actualmente um dos pontos mais delicados do
ser e da vida da Igreja.
É que o número exíguo de presbíteros poderia levar as comunidades a
resignarem-se a esta carência, talvez consolando-se com o facto de a mesma
evidenciar melhor o papel dos fiéis leigos. Mas, não é a falta de
presbíteros que justifica uma participação mais activa e numerosa dos leigos.
Na realidade, quanto mais os fiéis se tornam conscientes das suas
responsabilidades na Igreja, tanto mais sobressaem a identidade específica e
o papel insubstituível do sacerdote como pastor do conjunto da comunidade,
como testemunha da autenticidade da fé e dispensador, em nome de
Cristo-Cabeça, dos mistérios da salvação. (...)
Por isso, a função do presbítero é essencial e insubstituível para o anúncio
da Palavra e a celebração dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia, memorial
do Sacrifício supremo de Cristo, que dá o seu Corpo e o seu Sangue. Por isso
urge pedir ao Senhor que envie operários à sua Messe; além disso, é preciso
que os sacerdotes manifestem a alegria da fidelidade à própria identidade
com o entusiasmo da missão.
Bento XVI aos bispos brasileiros - 17 de Setembro de 2009
Fonte:
http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/24338.php?index=24338〈=po
Através do Carteiro
Memória de Nossa Senhora das Dores
Nota Histórica
Presente junto da Cruz, Maria vive e sente os sofrimentos de Seu filho. Por isso a liturgia lhe dedica hoje especial atenção, depois de ter celebrado ontem a Exaltação da Santa Cruz. As dores da Virgem, unidas aos sofrimentos de Cristo foram redentoras, indicando-nos o caminho da nossa dor.
Evangelho segundo S. João (19,25-27)
Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena.
Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!»
Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.
Comentário
A FESTA DE HOJE convida-nos a aceitar os sofrimentos e contrariedades da vida para purificarmos o coração e corredimirmos com Cristo. A Virgem ensina-nos a não nos queixarmos dos nossos males, pois Ela nunca o fez; anima-nos a uni-los à Cruz redentora do seu Filho e a convertê-los num bem para a nossa família, para a Igreja, para toda a humanidade.
A dor que teremos de santificar consistirá freqüentemente numa soma de pequenas contrariedades diárias: esperas que se prolongam, mudanças de planos, projetos que não se realizam... Noutras ocasiões, apresentar-se-á sob a forma de pobreza, de perda progressiva do nível de vida a que se estava acostumado, e quantas vezes até de falta do necessário. E essa pobreza será um grande meio para nos unirmos mais a Cristo, para imitá-lo no seu desprendimento absoluto das coisas, mesmo das mais imprescindíveis. Olharemos então para a Virgem no Calvário, no momento em que despojam o seu Filho daquela túnica que Ela tecera com as suas mãos, e acharemos consolo e forças para prosseguirmos a nossa caminhada com paz e serenidade.
Pode sobrevir-nos também a doença, e pediremos a graça de aceitá-la como um tesouro, como uma carícia de Deus, e de mostrar-nos agradecidos pelo tempo em que talvez não tenhamos sabido apreciar plenamente o dom da saúde. A doença, em qualquer das suas formas – mesmo psíquica –, pode ser a “pedra de toque” que comprove a solidez do nosso amor ao Senhor e da nossa confiança nEle. Enquanto estamos doentes, podemos crescer mais rapidamente nas virtudes, principalmente nas teologais: na fé, pois aprendemos a ver nesse estado a mão providente do nosso Pai-Deus; na esperança, pois sempre estamos nas mãos do Senhor, especialmente quando nos sentimos mais fracos e necessitados; na caridade, oferecendo a dor, sendo exemplares na alegria com que amamos essa situação que Deus quer ou permite para nosso bem.
Freqüentemente, o lado mais difícil da doença é a forma em que se apresenta: “a sua inusitada duração, a impotência a que nos reduz, a dependência a que nos obriga, o mal-estar que provém da solidão, a impossibilidade de cumprirmos os deveres de estado... Todas essas situações são duras e angustiantes para a nossa natureza. Apesar de tudo, e depois de termos empregado todos os meios que a prudência aconselha para recuperarmos a saúde, temos de repetir com os santos: «Ó meu Deus! Aceito todas essas modalidades: o que quiseres, quando quiseres e como quiseres»”. Pediremos a Deus mais amor e dir-lhe-emos devagar, com um completo abandono: “Tu o queres, Senhor?... Eu também o quero!”
Sempre que o fardo nos pareça excessivamente pesado para as nossas poucas forças, recorreremos a Santa Maria pedindo-lhe auxílio e consolo, “pois Ela continua a ser a amorosa consoladora de tantas dores físicas ou morais que afligem e atormentam a humanidade. Ela conhece bem as nossas dores e as nossas penas, pois também sofreu desde Belém até o Calvário: uma espada trespassará o teu coração. Maria é a nossa Mãe espiritual, e uma mãe sempre compreende os seus filhos e os consola nas suas necessidades.
“Por outro lado, Ela recebeu de Jesus na Cruz a missão específica de amar-nos, de só e sempre amar-nos para nos salvar. Maria consola-nos sobretudo mostrando-nos o crucifixo e o paraíso [...].
“Ó Mãe Consoladora, consolai-nos, fazei que todos compreendamos que a chave da felicidade está na bondade e no seguimento fiel do vosso Filho Jesus”.
In Liturgia.pt, Evangelhoquotidiano.org e Franciscofcarvajal.org
Exaltação da Santa Cruz
Hoje a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz.
Objecto de desprezo, patíbulo de infâmia, até ao momento em que Jesus «obediente até à morte» nela foi suspenso, a Cruz tornou-se, desde então, motivo de glória, pólo de atracção para todos os homens.
Ao celebrarmos esta festa, nós queremos proclamar que é da cruz, «sinal do amor universal de Deus, fonte de toda a graça» (N.A., 4) que deriva toda a vida de Igreja. Queremos também manifestar o nosso desejo de colaborar com Cristo na salvação dos homens, aceitando a Cruz, que a carne e o mundo fizeram pesar sobre nós (G.S. 38).
Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto,
a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna.
De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.
No Credo proclamamos, a propósito do caminho de Cristo: «Desceu à mansão dos mortos». [...] A liturgia aplica à descida de Jesus à noite da morte as palavras do salmo 24 (23): «Ó portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos!» A porta da morte está fechada: ninguém pode passar através dela. Não há chave para essa porta de ferro. No entanto, Cristo tem a chave. A Sua cruz abre de par em par todas as portas invioláveis da morte, que deixaram de ser inexpugnáveis. A Sua cruz, a radicalidade do Seu amor, é a chave que abre essa porta. O amor Daquele que, sendo Deus, Se fez homem para poder morrer tem força para abrir a porta. É um amor mais forte do que a morte.
Os ícones pascais da Igreja do Oriente mostram como Cristo entra no mundo dos mortos. As Suas vestes são luminosas, porque Deus é luz. «A noite seria, para Ti, brilhante como o dia» (Sl 139 (138), 12). Jesus entra no mundo dos mortos com os estigmas; as Suas chagas, os Seus sofrimentos tornaram-se poderosos: são amor capaz de vencer a morte. Jesus encontra Adão e todos os homens que esperam nas sombras da morte. Vendo-os, quase podemos ouvir a oração de Jonas: «Clamei a Ti do meio da morada dos mortos e Tu ouviste a minha voz» (Jn 2, 3).
Pela encarnação, o Filho de Deus fez-Se um com os seres humanos, com Adão. Mas só quando realizou o supremo acto de amor, descendo da noite da morte, levou a bom termo o caminho da encarnação. Pela Sua morte, tomou pela mão Adão e toda a humanidade expectante e guiou-os para a luz.
Papa Bento XVI, in Homilia para a Vigília pascal, 07/04/2007
In Evangelhoquotidiano.org e liturgia.pt
Jornadas das Comunicações Sociais, em Fátima
Prelúdio das Jornadas, foi a conferência de imprensa concedida por Pe. Federico Lombardi aos jornalistas que iam participar no Encontro. Neste encontro com os jornalistas, o porta voz do Gabinete de Imprensa da Santa Sé foi muito afável, extremamente claro e, além dos aspectos positivos que referiu, não escondeu as dificuldades que a Igreja ainda tem em comunicar.
Os trabalhos podem ser seguidos pela reportagem ao minuto feita pela Agência Ecclesia. Gostaria de destacar duas ideias fundamentais:
1) Os problemas de comunicação (em concreto, as dificuldades da Igreja em comunicar) não se resolvem com truques tecnológicos. Resolvem-se procurando ter, com quem tem a missão de comunicar (jornalistas, etc.) uma relação humana, leal e honesta, procurando evitar as meias verdades. O silêncio, na maioria das vezes, não é a melhor maneira de enfrentar uma crise ou um problema.
2) A criação de um Gabinete de Imprensa, que esteja disponível para os jornalistas, que seja profissional no seu modo de trabalhar, que seja capaz de usar os meios técnicos adequados é, cada vez mais, para a Igreja, uma necessidade. Refiro-me à Igreja enquanto realidade presente no país e nas Dioceses. A Igreja tem uma mensagem a difundir, ou melhor, tem A mensagem, que é uma Pessoa, Jesus Cristo. Hoje não e possível transmitir quem é Jesus Cristo, (seja na transmissão do Evangelho, seja numa outra dimensão que é a comunicação institucional) prescindindo do profissionalismo dos jornalistas. E, nesse aspecto, um Gabinete de Imprensa diocesano pode ser um instrumento útil.
A Igreja e a política
Sempre que nos aproximamos de eleições, levantam-se vozes (sobretudo dentro da Igreja), pedindo que a hierarquia eclesiástica tome posição sobre a situação política do país.
A esse propósito, o seguinte texto do Concílio Vaticano II é muito esclarecedor:
«O Concílio exorta os cristãos, cidadãos de ambas as cidades, a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que vamos em demanda da futura (13), pensam que podem por isso descuidar os seus deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé ainda os obriga mais a cumpri-los, segundo a vocação própria de cada um (14). Mas não menos erram os que, pelo contrário, opinam poder entregar-se às ocupações terrenas, como se estas fossem inteiramente alheias à vida religiosa, a qual pensam consistir apenas no cumprimento dos actos de culto e de certos deveres morais. Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo. Já no Antigo Testamento os profetas denunciam este escândalo (15); no Novo, Cristo ameaçou-o ainda mais veementemente com graves castigos (...)
As tarefas e actividades seculares competem como próprias, embora não exclusivamente, aos leigos. Por esta razão, sempre que, sós ou associados, actuam como cidadãos do mundo, não só devem respeitar as leis próprias de cada domínio, mas procurarão alcançar neles uma real competência. Cooperarão de boa vontade com os homens que prosseguem os mesmos fins. Reconhecendo quais são as exigências da fé, e por ela robustecidos, não hesitem, quando for oportuno, em idear novas iniciativas e levá-las a realização. Compete à sua consciência prèviamente bem formada, imprimir a lei divina na vida da cidade terrestre. Dos sacerdotes, esperem os leigos a luz e força espiritual.
Mas não pensem que os seus pastores estão sempre de tal modo preparados que tenham uma solução pronta para qualquer questão, mesmo grave, que surja, ou que tal é a sua missão. Antes, esclarecidos pela sabedoria cristã, e atendendo à doutrina do magistério (17), tomem por si mesmos as próprias responsabilidades.
Muitas vezes, a concepção cristã da vida incliná-los-á para determinada solução, em certas circunstâncias concretas. Outros fiéis, porém, com não menos sinceridade, pensarão diferentemente acerca do mesmo assunto, como tantas vezes acontece, e legitimamente. Embora as soluções propostas por uma e outra parte, mesmo independentemente da sua intenção, sejam por muitos fàcilmente vinculadas à mensagem evangélica, devem, no entanto, lembrar-se de que a ninguém é permitido, em tais casos, invocar exclusivamente a favor da própria opinião a autoridade da Igreja. Mas procurem sempre esclarecer-se mutuamente, num diálogo sincero, salvaguardando a caridade recíproca e atendendo, antes de mais, ao bem comum.
Os leigos, que devem tomar parte activa em toda a vida da Igreja, não devem apenas impregnar o mundo com o espírito cristão, mas são também chamados a serem testemunhas de Cristo, em todas as circunstâncias, no seio da comunidade humana.
Const. Gaudium et spes, n. 43
Conclusões do VI Simpósio do Clero
1.- O clero de Portugal deu uma resposta muito positiva ao convite para participar no VI Simpósio do clero. Mais de 800 inscrições são o melhor testemunho de uma forte adesão, alegre e agradecida, também por coincidir em pleno Ano Sacerdotal e sob o olhar da figura exemplar de sacerdote que foi São João Maria Vianey.
2.- Conferencistas prestigiados e de renome internacional garantiram a elevada qualidade da reflexão e a pertinência dos desafios lançados.
3.- O Simpósio foi, em si mesmo, um belo exercício de fraternidade e de comunhão entre bispos, sacerdotes, diáconos e seminaristas.
4.- Todos os oradores glosaram, em registos vários, mas consonantes, o tema-lema do Simpósio: «Reaviva o dom que há em ti».
5.- Anselmo Grün e Amadeo Cencini, com a sua autoridade de psicólogos, recordaram-nos que a espiritualidade não é redutível à psicologia, mas que uma espiritualidade não assente em correctas bases psicológicas, facilmente se transforma em moralismo vazio e autoritário.
6.- As pessoas não se seduzem nem se cativam verdadeiramente com a acomodação do Evangelho aos seus desejos e gostos pessoais. Só quando o sacerdote se deixou, primeiro, seduzir no encontro pessoal com Cristo, poderá falar de tal maneira que as pessoas o descobrem possuído de uma luz e beleza que ele mesmo desconhece. Como Moisés, depois de falar com Deus.
7.- O sacerdote não é um anjo. Junto com qualidades e luzes, tem defeitos e sombras. Só reconhecendo humildemente também as sombras se poderá abrir ao Amor que o plenifica, transforma e transfigura.
8.- A formação sacerdotal ou é permanente ou não é verdadeira formação sacerdotal.
O Senhor é fiel. Ao chamar sempre aquele que escolheu, não pára de o chamar todos os dias da sua vida. A Formação Permanente é a experiência de vocação permanente, como resposta agradecida e repleta de fidelidade ao Deus que ama e chama.
9.- Esta autêntica mudança de paradigma na concepção de formação permanente implica que se crie uma cultura de formação permanente na Igreja, pois ainda não existe.
A nossa vida, ou é formação permanente, ou é frustração permanente, repetitividade, desleixo geral, inércia, apatia, perda de credibilidade, ineficácia apostólica.
10.- A Formação Permanente é essencialmente psicológico-espiritual; um processo de conformação-assimilação aos sentimentos do Filho obediente, do Servo sofredor, do Cordeiro inocente.
11.- Não se trata tanto de criar novas estruturas, mas de uma nova mentalidade, uma cultura de Formação Permanente.
12.-A Formação Permanente é a disponibilidade contínua e inteligente, activa e passiva, para aprender da vida, durante toda a vida. Até ao último dia.
13.- Como nos disse o cardeal Cláudio Hummes: «a espiritualidade do presbítero deve ser nutrida cada dia. Os grandes meios são: manter um contacto assíduo com a Palavra de Deus; amar a Deus e deixar-se amar por Ele; viver uma vida de oração autêntica que inclui a Liturgia das Horas e a devoção mariana; celebrar diariamente a Eucaristia, como centro da vida ministerial; recorrer regularmente ao Sacramento da Confissão; viver a comunhão eclesial, principalmente com o Papa, o bispo e o presbitério; doar-se total e incansavelmente ao ministério pastoral, ao empenho missionário e evangelizador; ser o homem da caridade, da fraternidade e da bondade, do perdão, da misericórdia para com todos; ser solidário com os pobres, sendo seu defensor e amigo, vendo neles os preferidos de Deus».
14.- Uma atenção cuidada aos vários programas de formação dos seminários levar-nos-á à opção pelo modelo de integração, polarizado no dinamismo da Cruz como ícone do Mistério Pascal, onde o amor entregado nos convida incessantemente, iluminando-nos e aquecendo-nos, a recebermos agradecidos o dom que a vida sacerdotal é, e a oferecermo-la alegremente como dom.
15.- Este Modelo de Integração fará que nos sintamos abençoados por Deus e ajudar-nos-á a tornarmo-nos uma feliz bênção para os outros.
Uma vida espiritual intensa, iluminada pelo guia fiável que é o Vaticano II, permitirá ao sacerdote entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias, mesmo difíceis e obscuras. (SC, 89)
16.- Os caminhos a percorrer para a Igreja responder aos novos desafios do mundo de hoje não estão ainda bem definidos e traçados. Temos de utilizar a lucidez na análise do que se apresenta, e a paciência misericordiosa para enfrentar as incompreensões.
17.- Foi bom ouvir que a Igreja ama os seus sacerdotes, os admira e reconhece a sua insubstituível e incansável participação pastoral na missão e na vida eclesiais.
18.- E que, à semelhança de São Francisco, encontrando no caminho um sacerdote e um anjo, saudaria primeiro o sacerdote, mesmo se fosse grande pecador, porque o sacerdote é quem nos dá o pão eucarístico.
19.- O Santo Cura D’Ars reconforta-nos ainda mais ao afirmar: «Deus obedece-lhes. Depois de Deus, o sacerdote é tudo».
Ser padre é viver todos os dias a Consagração: consagrando as espécies eucarísticas e consagrando-se aos irmãos, outra forma de dizer, já há mais de 150 anos, a urgência do que hoje chamamos Formação Permanente.
20.- Os padres das várias dioceses reuniram com os seus bispos e manifestaram a alegria de participar no Simpósio, mutuamente se incentivando para encontrar formas de cultivo da fraternidade nos presbitérios.
21.- Como bem recorda Bento XVI: «É preciso sempre partir de Cristo. Mas isso supõe tê-lo encontrado, ter-se deixado por Ele transformar inteiramente, ou seja, ter-se tornado seu discípulo fiel. Tudo começa ali. Encontrar-se com Cristo e deixar-se por ele transformar»
Só assim reavivaremos continuamente o dom que há em nós, e responderemos gozosamente ao desafio incessantemente renovado de o oferecer aos outros, porque do povo de Deus vimos e só para o servir existimos.
Fátima, 4 de Setembro de 2009
In Paróquias.org
Oração pelos Sacerdotes
O que os jovens procuram
Nos decênios sucessivos ao Concílio Vaticano II, alguns interpretaram a abertura ao mundo, não como uma exigência do ardor missionário do Coração de Cristo, mas como uma passagem à secularização, vislumbrando nesta alguns valores de grande densidade cristã como igualdade, liberdade, solidariedade, mostrando-se disponíveis a fazer concessões e descobrir campos de cooperação. Assistiu-se assim a intervenções de alguns responsáveis eclesiais em debates éticos, correspondendo às expectativas da opinião pública, mas deixou-se de falar de certas verdades fundamentais da fé, como do pecado, da graça, da vida teologal e dos novíssimos. Insensivelmente caiu-se na auto-secularização de muitas comunidades eclesiais; estas, esperando agradar aos que não vinham, viram partir, defraudados e desiludidos, muitos daqueles que tinham: os nossos contemporâneos, quando vêm ter conosco, querem ver aquilo que não vêem em parte alguma, ou seja, a alegria e a esperança que brotam do fato de estarmos com o Senhor ressuscitado.
Atualmente há uma nova geração já nascida neste ambiente eclesial secularizado que, em vez de registrar abertura e consensos, vê na sociedade o fosso das diferenças e contraposições ao Magistério da Igreja, sobretudo em campo ético, alargar-se cada vez mais. Neste deserto de Deus, a nova geração sente uma grande sede de transcendência.
São os jovens desta nova geração que batem hoje à porta do Seminário e que necessitam encontrar formadores que sejam verdadeiros homens de Deus, sacerdotes totalmente dedicados à formação, que testemunhem o dom de si à Igreja, através do celibato e da vida austera, segundo o modelo do Cristo Bom Pastor. Assim esses jovens aprenderão a ser sensíveis ao encontro com o Senhor, na participação diária da Eucaristia, amando o silêncio e a oração, procurando, em primeiro lugar, a glória de Deus e a salvação das almas.
Bento XVI, Discurso aos Bispos do Brasil em visita ad limina, 2009.09.07
Preparação para o Matrimónio
MatrimónioA preparação para o Matrimónio é, nos dias de hoje, uma necessidade incontornável para aqueles que seguem esse caminho divino e humano.
No entanto, torna-se, por vezes, complexo e difícil ter orientações claras sobre o que dizer aos noivos que se preparam para o casamento.
ESTE documento do Pontifício Conselho da Família pode ser útil para todos aqueles que empreendem a árdua tarefa de preparar o Matrimónio.
A educação sexual e D. Afonso Henriques
Por Pe. Doutor Gonçalo Portocarrero de Almada
A questão pode parecer peregrina, mas não é. Com efeito, foi precisamente neste ano, em que se festejam os novecentos anos do primeiro rei de Portugal, que se implementou no nosso país a educação sexual obrigatória. Uma tão feliz coincidência não pode ser mero acaso, pelo que parece ser pertinente questionar a relação entre aquela efeméride e esta nova vertente da educação em Portugal.
É certo e sabido que D. Afonso Henriques não teve qualquer tipo de educação sexual, muito embora uma tal carência não tenha significado para o nosso primeiro monarca nenhuma especial inaptidão, pois não só foi pai da nação como, também, de onze filhos! Mais ainda: todos os seus contemporâneos que geraram descendentes, fossem eles nobres, burgueses ou filhos do povo, todos, sem excepção, fizeram-no sem que lhes tivesse sido dada nenhuma educação sexual. É incrível, mas é verdade.
E, não obstante esta ignorância sexual generalizada, o país não se extinguiu! É caso para dizer: milagre! Era de esperar que os portugueses tivessem desaparecido do mapa, por desconhecimento da ciência da reprodução, acintosamente omitida pela Igreja e pelo Estado, nos seus respectivos estabelecimentos de ensino. Mas não! De forma absolutamente prodigiosa, os portugueses, sabe-se lá a que custo, lograram trazer filhos ao mundo! Filhos das trevas e da falta da educação sexual! Filhos da iliteracia sexual que o nosso país sofreu durante oito séculos!
Temo que seja esta a ancestral razão pela qual muito se gaba, e com razão, a proverbial capacidade lusitana de improvisar: não havia aulas, os homens e as mulheres não sabiam educação sexual e, contudo, apareciam filhos, tantos filhos que se espalharam pelas sete partidas do mundo! Se a ignorância sexual foi tão prolífica para Portugal, será que a educação sexual esterilizará o nosso país? Será que o que se pretende, com a nova disciplina curricular, é que os portugueses mirrem e se extingam, em vez de se expandirem e multiplicarem?!
Seja como for, a verdade é que o Governo entendeu por bem pôr termo a esta atávica falta de educação sexual nacional. Mas, se pega a moda do Estado pretender ensinar o que é óbvio e natural, em vez do que é elevado e racional, é de esperar que a reforma educativa não se fique pela sexualidade. Falta, por exemplo, uma disciplina de educação respiratória, porque há quem não saiba inspirar e expirar em condições. O mesmo se diga da educação digestiva e de todas as outras expressões das mais básicas necessidades do nosso organismo. Em suma: a introdução da educação sexual não é uma simples alteração cosmética da política educativa, mas o início de uma nova era, a vanguarda de uma autêntica revolução. Abaixo o Português e a Matemática e viva a Educação Sexual! Abaixo a cultura e viva a educação animal! Abaixo a educação humanista e viva a educação "bestial"!
A propósito, não será por falta de educação sexual que o lince-ibérico está em vias de se extinção?! Se os homens, que em princípio são animais racionais, têm necessidade, no sábio e prudente entendimento dos nossos governantes, de uma aprendizagem que assegure a sua reprodução, com mais razão os animais irracionais precisam de uma formação específica que os ensine a procriar. Crie-se, pois, sem mais demora, a Escola C+S da Malcata e imponha-se aos linces a frequência obrigatória das respectivas aulas de educação sexual: é a única solução capaz de impedir o seu dramático desaparecimento. Licenciado em Direito e doutorado em Filosofia. Vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF).
In Publico, 2009.08.30
Funcionalismo
O Prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes, afirmou esta manhã (4 de Setembro) em Fátima que alguns padres fizeram um encontro "insuficiente e superficial" com Jesus Cristo e converteram o ministério ordenado recebido "numa espécie de profissão eclesiástica, que desenvolvem como funcionários que aprenderam a fazer a função"
In Agência Ecclesia
Para servir, servir
Este texto que o Sr. D. José Policarpo proferiu em Fátima é impressionante.
«Esta total disponibilidade para o serviço define o ministério sacerdotal. O sacerdote é chamado a pôr-se totalmente ao serviço da edificação da Igreja, com tudo o que é e tudo o que tem. Esta radicalidade do serviço é a mais bela realização da liberdade; é a dimensão em que o sacerdote se humaniza, exercendo o seu ministério, porque viver a vida como um dom, a Deus e aos irmãos, é a mais perfeita realização do ideal humano, num mundo retalhado de egoísmos e busca dos próprios interesses.
Olhando para os padres de hoje, este desafio do serviço é a chave da nossa fidelidade e autenticidade. Temos de procurar a sua radicalidade e o seu sentido profundo, a sua autenticidade. Antes de mais a sua radicalidade: pôr ao serviço tudo o que somos, sabemos e temos.»
Card. D. José Policarpo, Conferência no Simpósio do Clero, 2009.09.02
Obediência
«O homem de Igreja - prossegue de Lubac - não só é obediente como ama a obediência. Toda a actividade que merece o nome de cristã desenrola-se necessariamente sobre um fundo de passividade. Porque o Espírito donde procede é um Espírito recebido de Deus. É Deus quem Se nos dá primeiro para que possamos darmo-nos a Ele».
H. de Lubac, através do Sr. Pe. João António
Exorcismo
O telemóvel tocou. Uma voz aflita do outro lado: "Sr. Padre, o João está muito mal. Podia vir vê-lo".
O sacerdote já conhecia o caso. Aquele rapaz tinha feito todos os exames possíveis exames: epilepsia, convulsões, tacs... De vez em quando, assim que a avó começava a rezar o terço, ele sentia-se mal e saía. Já tinha sido acólito. Uns dias antes, a avó tinha contado o caso ao sacerdote, que se aconselhou com outro sacerdote mais velho e com mais experiência.
Naquele dia, o rapaz gritava e nada nem ninguém o conseguia acalmar. Quando o sacerdote chegou, tremia de nervoso. Abriu o ritual dos exorcismos, e começou a rezar. O João gritava ainda mais alto. Depois da litânia dos santos, o sacerdote impôs-lhe as mãos. A pouco e pouco, à medida que ia recitando as orações de exorcismo, o João foi acalmando.
Depois de terminar, o sacerdote esperou um pouco. O João não se lembra de nada. Sente-se cansado. Pede ao sacerdote para conversarem um pouco. Os outros saem.
Ainda foi preciso repetir o exorcismo várias vezes. O João voltou a ir à Missa, a rezar o terço com a avó.
Há quem tenha mais medo dos exorcismos do que do demónio. Já houve tempos em que tinha dúvidas sobre estas coisas. À semelhança daquele cura de aldeia, a constatação directa destas realidades levou-me a mudar de opinião. O demónio existe mesmo e Jesus Cristo é o único que salva. Não são os méritos (ou desméritos, no meu caso) do sacerdote que contam. A oração de libertação resulta quando se tem fé. Resulta mesmo.
Presidente da República não promulga Lei sobre as uniões de facto
Na manhã de hoje, ficou-se a saber que o Presidente da República não promulgou a Lei sobre as uniões de facto.
Na Mensagem enviada à Assembleia da República, o PR afirma que existem dois modelos sobre as uniões de facto: o primeiro, que tende a equiparar as uniões de facto ao casamento; o segundo, que considera as uniões de facto "como uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento, sem prejuízo da extensão pontual de direitos e deveres imposta pelo princípio constitucional da igualdade."
Para o PR, este diploma do Governo segue o primeiro modelo, ou seja, aproxima as uniões de facto do regime do casamento. E essa aproximação faz-se da perspectiva dos direitos (e não dos deveres entre as partes). Ora, se as pessoas que vivem em união de facto não se querem casar, por que motivo se devem aproximar os dois regimes jurídicos?
Os motivos que o PR apresenta para não promulgar a Lei são que não houve, na sociedade portuguesa, um debate alargado sobre este tema e o facto de estarmos em final de legislatura.
Via Público e site da PR
A preocupação do Santo Padre pela Liturgia
O modo de celebrar a liturgia é uma das principais preocupações do actual Papa. Este artigo é mais uma prova disso.
Não é por falta de indicações que a liturgia é mal celebrada. O problema começa pela necessidade de se evitar o "achismo" (Eu acho que é assim, eu acho que é assado). E isso implica ter tempo para ler, para estudar, para ir aos documentos. Tudo o que se pode fazer de mal na liturgia está documentado e tem antídoto certo. Basta ler (e uma leitura deste documento torna-se obrigatória).
O segundo factor a evitar é a sensação que, quem celebra, é dono da liturgia. Não somos donos, mas sim administradores. E quem administra, deveria administrar segundo as regras de quem decide. É verdade que o administrador tem sempre um âmbito de decisão bastante grande. Mas dentro das balizas que, quem decide, determina.
Por fim, celebrar bem exige sempre esforço: é necessário preparar, prevenir, dedicar tempo a ler as rubricas, a formar quem vem participar. Mas isso só faz sentido quando se faz por amor: por amor a Deus e por amor à Igreja.
Por isso, razão tem Andrea Tornielli: o Papa deseja que as mudanças na liturgia comecem na base. Isso só será possível se houver mudanças na formação dos candidatos ao sacerdócio, melhorando o seu conhecimento e amor à liturgia. E esse amor não se aprende nos livros. Aprende-se vivendo.
Virgem Santa Maria, Rainha
Hoje a Igreja celebra a Festa da Coroação da Virgem Santa Maria.
A festa de hoje foi instituída por Pio XII, em 1955. Antecedida pela festa da Assunção de Nossa Senhora, celebramos hoje aquela que é a Mãe de Jesus, Cabeça da Igreja, e nossa Mãe.
Pio XII assim fala de Nossa Senhora Rainha:
"Procurem, pois, acercar-se agora com maior confiança do que antes, todos quantos recorrem ao trono de graça e de misericórdia da Rainha e Mãe Nossa, para implorar auxílio nas adversidades, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto ... Há, em muitos países da terra, pessoas injustamente perseguidas por causa da sua profissão cristã, e privadas dos direitos humanos e divinos da liberdade ... A estes filhos atormentados e inocentes, volva os seus olhos misericordiosos, cuja luz serena as tempestades e dissipa as nuvens, a poderosa Senhora das coisas e dos tempos, que sabe aplacar as violências com o seu pé virginal; e à todos conceda que em breve possam gozar da merecida liberdade ... Todo aquele, pois, que honra a Senhora dos celestes e dos mortais, invoque-a como Rainha sempre presente, Medianeira de paz".
Tirado daqui >>
Debate sobre a liturgia
O Concílio Vaticano II promoveu várias alterações na vida da Igreja. Uma das mais importantes (e talvez das mais consensuais) foi a reforma litúrgica.
Uma leitura serena da Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium traz-nos uma visão muito bela da liturgia. No entanto, a aplicação desta Constituição e o modo de celebrar a liturgia que se assistiu em muitos sítios ao longo dos últimos 40 anos sempre foi um campo de intenso debate em vários sectores da Igreja.
O Motu próprio Summorum Pontificum do Santo Padre Bento XVI, além do seu modo de celebrar renovaram esse intenso debate, que vai acontecendo em blogs, encontros, jornais e revistas da especialidade.
Um aspecto importante deste debate, aspecto esse que ganha maior importância devido à Gripe H1N1, tem a ver com o modo de distribuir a comunhão.
A esse respeito, vale a pena uma leitura da Introdução Geral ao Missal Romano.
Nomeações
Os momentos que precedem e sucedem às nomeações por parte do Sr. Bispo, trazem, frequentemente, notícias destas. Houve casos mais ou menos semelhantes, em anos passados, um pouco por todo o país. O mesmo acontece lá fora.
A Igreja é um dos locais onde mais se fala de obediência. É fácil, humanamente falando, apegarmo-nos às pessoas e às instituições. Difícil é mostrarmos a essas pessoas que não nos devem seguir a nós, mas sim a Jesus.
É fácil, quando nos pedem para mudar, mostrar publicamente a nossa resistência. Difícil é sair sem fazer ondas, sem mostrar preferências, sobretudo quando as mesmas são em sentido contrário à indicação que nos dão.
É fácil olhar para um pedido de mudança com olhos de conspiração. Difícil é obedecer sem apontar culpas, sem lamentos e sem olhar para trás já tendo a mão no arado.
Não ponho em causa o trabalho meritório do sacerdote em questão. Refiro-me à facilidade de serem criadas situações destas que não ajudam nem as pessoas, nem a autoridade eclesiástica nem a salvação das almas. E é esse o trabalho sacerdotal: salvar almas e não alimentar o nosso ego.
Faleceu a mãe do Sr. D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro
Ao início da noite de ontem, faleceu a Sra. D. Donzelina dos Santos, mãe do Sr. António Francisco, Bispo de Aveiro.
As exèquias solenes celebram-se amanhã, sexta feira, na Sé. Catedral de Lamego, pelas 11h. O seu funeral realiza-se em Tendais, concelho de Cinfães, pelas 17h.
Ao D. António Francisco deixo os meus sinceros pêsames e a cereza das minhas orações.
S. João Maria Vianney
Na Carta com que convocou o Ano Sacerdotal, o Santo Padre Bento XVI colocou S. João Maria Vianney como modelo para os sacerdotes.
O seu amor pelos pobres e mais carenciados, o seu amor pela Eucaristia, a disponibilidade para atender as pessoas, a sua intensa vida de oração e o seu espírito de penitência continuam a ser, ainda hoje, o caminho privilegiado para a santidade dos sacerdotes.
O virus da Gripe A é anticlerical
Por Pe. Gonçalo Portocarrero Almada (Via Pe. João António, Mansidão)
A nota pastoral relativa aos cuidados a ter nas celebrações litúrgicas, por causa do vírus da gripe A, deu-me que pensar. Não sendo um documento de natureza científica, nunca supus que pudesse revelar a natureza do terrível vírus H1N1, mas a verdade é que esse texto esclarece definitivamente a sua maléfica estirpe.
É significativo que não se desaconselham determinados comportamentos em geral, mas apenas nas celebrações litúrgicas. Tendo em conta que a moderna concepção da caridade cristã pugna sobretudo pela imunidade pessoal e, só depois, pelo amor ao próximo, era de esperar que os pais católicos fossem impedidos de beijar os seus filhos, mas nenhum zeloso pastor veio ainda proibir que os imprudentes progenitores osculem a sua extremosa prole, a não ser que o façam na Missa.
Também seria de supor que os noivos fossem impedidos de se beijarem, mas também não consta que nenhum pároco tenha, até à data, imposto este higiénico impedimento matrimonial, excepto durante a Eucaristia. Mesmo em lugares muito frequentados, como pode ser o caso das estâncias balneares, das discotecas ou dos centros comerciais, os católicos, ao que parece, não correm qualquer perigo de contágio pois, em caso contrário, tais ambientes teriam sido desaconselhados pela sua ASAE confessional.
Estes exemplos bastam para que se possa retirar uma importante conclusão científica: o vírus da gripe A só exerce a sua perniciosa acção nas igrejas. Ou seja, é um vírus tipicamente anticlerical: daí o A que o distingue de todas as outras gripes, que são menos beatas, na medida em que também frequentam ambientes laicais; mais ecuménicas, porque também atacam fiéis de outras crenças; e até mesmo mais politicamente correctas porque, contagiando também ateus e agnósticos, provam que não discriminam as suas vítimas por razões religiosas.
Assim sendo, temo que o vírus H1N1 não seja apenas anticlerical, mas demoníaco, talvez até a expressão viral do Anticristo (que, por estranha coincidência, também tem por inicial a primeira letra do alfabeto…). De facto, este vírus não incomoda os cristãos que não se benzem com água benta, nem os que não dão o abraço da paz aos seus irmãos, nem comungam, mas apenas aqueles que, por serem mais piedosos e caridosos, humedecem os dedos com que fazem o sinal da Cruz, expressam com o ósculo a autenticidade da sua caridade e, porque estão na graça de Deus, estão aptos para receberem a sagrada comunhão. Portanto, não só é um vírus que age nas igrejas como preferencialmente atinge os fiéis que mais rezam e frequentam os sacramentos! Se isto não é diabólico, confesso que não sei o que é!
Sendo esta a natureza do nefando vírus, há que concluir que o princípio activo susceptível de o debelar não é nenhum Tamiflu farmacêutico, mas um exorcismo, que é a resposta eclesial contra as investidas do maligno. Sendo pastoral a nota que o anatematiza, era de esperar que se recomendassem meios espirituais e não apenas medidas da mais prosaica higiene, em que a Igreja Católica não parece particularmente competente, visto que já o seu Mestre não só foi acusado pelos seus contemporâneos de omitir as abluções rituais que os fariseus, pelo contrário, não dispensavam, como também tocava em leprosos e outros doentes, sem depois proceder à conveniente desinfecção.
Importa ainda expressar a mais profunda indignação pelo facto do Papa Bento XVI, não satisfeito com a sua gritante insensibilidade na questão do preservativo, insistir em promover comportamentos de risco, pois, como é sabido, só dá a comunhão aos fiéis que, ajoelhados, a recebam na boca. É caso para lamentar que a Santa Sé não esteja sujeita à pastoral da saúde da nossa terrinha. Mentes mais afoitas na teoria da conspiração, talvez não desdenhem a hipótese de algum acordo secreto entre o Vaticano e as funerárias, pois só assim se explicaria a inconsciência de um tão criminoso procedimento litúrgico que, como é óbvio, atenta contra a vida e a saúde de milhões de fiéis.
Gonçalo Portocarrero de Almada
200 por 1

Faz hoje 4 anos que fui ordenado sacerdote. Um dom imenso de Deus!
Obrigado, Senhor, porque não fui eu que te escolhi: foste Tu que me escolheste, apesar das minhas misérias e pecados.
Ao longo da minha vida, já recebi 200 por 1. E novamente Te repito: "Vultum tuum, Domine, requiram", o Teu rosto, Senhor, eu procuro.
150 anos do nascimento do Pe. Cruz

Faz hoje 150 anos que nasceu o Rev. Sr. Pe. Cruz.
«Francisco Rodigues da Cruz, quarto filho de Manuel da Cruz e de D. Catarina de Oliveira Cruz, nasceu em Alcochete, no dia 29 de Julho de 1859, dia em que a liturgia festeja Santa Marta, que Francisco imitará no zelo incansável da sua vida activa ao serviço do Senhor, embora imite também Maria, na vida de amor e união com Deus. O Pe. Francisco Cruz nasceu uma semana antes da morte de S. João Maria Vianney, falecido a 4 de Agosto mas que fica de cama a 29 de Julho precisamente.
Deus não quis apagar uma luz sem deixar outra acesa.
Se S. João Maria Vianney foi portador de luz no pós revolução francêsa, o Pe. Cruz foi portador de luz nos tempos conturbados da perseguição repúblicana em Portugal.
Se S. João Maria Vianney prepara a França para as aparições de Nossa Senhora de Lourdes, o Pe. Cruz prepara e «confirma» as aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Dois sacerdotes apaixonados por Jesus, com profundo amor aos pobres, aos mais pequenos, incansaveis na pregação, zelosos na salvação das almas, em continua oração. Em cujas vidas a graça de Deus toca cada coração com quem se encontram.
Se em França milhares de peregrinos vão até Ars, paróquia de S. João Maria Vianney, em Portugal o Pe. Cruz vai ao encontro de milhares de pessoas fazendo-se peregrino.»
(Recebido por mail)
A Igreja e a Gripe A
A Pastoral da Saúde dirigiu a todos os sacerdotes um ofício com Orientações para as Comunidades Cristãs. O ofício, com recomendações específicas, não só em matéria de higiene, mas também em matéria litúrgica, tem uma versão original (datada de 15 de Julho), à qual foi acrescentado uma Nota.
Esta Nota que foi acrescentada deve-se ao comunicado contundente do Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa, publicado a 17 de Julho, no site do Patriarcado e, posteriormente, reproduzido na Agência Ecclesia e demais órgãos de informação.
O que está em causa não é quem é a autoridade competente para dar normas litúrgicas, mas sim que todos devemos colaborar para que a gripe A, já de per si, altamente contagiosa, não assuma proporções maiores do que aquelas que inevitavelmente vai ter.
É, por outro lado, necessário ter em conta que, a Pastoral da Saúde emite as Orientações dentro de um contexto muito diferente daquele que vive o interior. Em Lisboa, a realidade da Gripe A aparece muito mais dramática do que no interior. Por isso, em concreto nos meios rurais, não se torna imperativo pedir às pessoas que comunguem na mão, ou abolir o rito da paz (algo que, vários sacerdotes, até já faziam antes deste surto de gripe).
Se a comunhão é dada sem pressas, com dignidade e com o cuidado necessário (usando, por exemplo, hóstias um pouco maiores), não há um maior risco de contágio se a comunhão for dada na mão ou na boca. Aliás, o exemplo do Papa, que dá a comunhão aos fiéis estando estes de joelhos leva a que a comunhão seja dada com menos pressa e numa posição mais cómoda ao celebrante.
Além disso, torna-se necessário referir que, as assembleias de culto são locais muito menos perigosos do que outros tipos de reunião de pessoas (como possam ser as festas populares, eventos desportivos, etc.) para a propagação da doença. Pelo que, é consequente que, quem apoia estas orientações da Pastoral da Saúde também recomende aos namorados e casados que não se beijem, aos jovens que tenham uma conduta de respeito pela virtude da pureza e que sejam evitados todos os comportamentos de infidelidade conjugal.
Justiça e caridade
«Ubi societas, ibi ius: cada sociedade elabora um sistema próprio de justiça. A caridade supera a justiça, porque amar é dar, oferecer ao outro do que é « meu »; mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro o que é « dele », o que lhe pertence em razão do seu ser e do seu agir. Não posso « dar » ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça. Quem ama os outros com caridade é, antes de mais nada, justo para com eles. A justiça não só não é alheia à caridade, não só não é um caminho alternativo ou paralelo à caridade, mas é « inseparável da caridade »[1], é-lhe intrínseca. A justiça é o primeiro caminho da caridade ou, como chegou a dizer Paulo VI, « a medida mínima » dela[2], parte integrante daquele amor « por acções e em verdade » (1 Jo 3, 18) a que nos exorta o apóstolo João. Por um lado, a caridade exige a justiça: o reconhecimento e o respeito dos legítimos direitos dos indivíduos e dos povos. Aquela empenha-se na construção da « cidade do homem » segundo o direito e a justiça. Por outro, a caridade supera a justiça e completa-a com a lógica do dom e do perdão[3]. A « cidade do homem » não se move apenas por relações feitas de direitos e de deveres, mas antes e sobretudo por relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. A caridade manifesta sempre, mesmo nas relações humanas, o amor de Deus; dá valor teologal e salvífico a todo o empenho de justiça no mundo.»
Bento XVI, Caritas in veritate, 2009.06.29, n. 6
Pe. Manuel Rodrigues Linda nomeado Bispo Auxiliar de Braga

É tornada hoje pública a nomeação do Rev. Sr. Pe. Manuel Rodrigues Linda para Bispo auxiliar da Arquidiocese de Braga. Actualmente, é Reitor do Seminário Maior de Vila Real.
«O sacerdote tem 53 anos de idade e é natural de Paus, freguesia do concelho de Resende, distrito de Viseu e diocese de Lamego. É padre desde 1981. Estudou na Faculdade de Filosofia de Braga, onde terminou a Licenciatura em Humanidades, e também em Roma e Madrid, onde recebeu o grau de Doutor em Teologia Moral. Desde 1982 faz parte do Conselho Presbiteral da diocese de Vila Real. Em 2001 foi nomeado Vigário Episcopal para a Cultura e membro do Colégio de Consultores, cargos que ainda ocupa.»
In Diário do Minho
Ao novo Bispo desejo as maiores felicidades no novo ministério que lhe é confiado.
Duas qualidades importantes
Por Huston Smith
"Aqueles que primeiro ouviram os discípulos de Jesus proclamar a Boa Nova [da sua Ressurreição] ficaram impressionados tanto por aquilo que viam como por aquilo que ouviam. Viram vidas transformadas - homens e mulheres vulgares, excepto no facto de que pareciam ter encontrado o segredo de viver. Emanavam uma tranquilidade, simplicidade e alegria nunca vistas. Aqui estavam pessoas que tinham sucesso numa empresa na qual todos gostariam de ter sucesso - a da própria vida.
Especificamente, duas qualidades pareciam abundar nelas. A primeira era o respeito mútuo. Uma das primeiras observações acerca dos cristão registada por um observador independente foi "Vejam como estes cristãos se amam mutuamente". Como parte deste respeito mútuo, existia uma ausência total de barreiras sociais entre eles; era "uma comunidade de iguais", como escreveu um estudioso do Novo Testamento. Aqui estavam homens e mulheres que não apenas diziam que todos eram iguais aos olhos de Deus, como viviam de acordo com o que diziam. As barreiras convencionais de raça, género, e estatuto não significavam nada para eles, porque em Cristo não havia nem judeu nem gentio, masculino ou feminino, escravo ou homem livre. Em consequencia, a despeito de diferenças nas funções ou posições sociais, a sua união era caracterizada por um sentimento de genuína igualdade."
In The World´s Religions, S. Francisco: Harper, 1961, pp. 331-332
Via Pedro Arroja, in Portugal Contemporâneo
Eu, pecador, me confesso...

Ao longo do ano, há momentos litúrgicos fortes que levam um sacerdote a convidar com mais intensidade os fiéis a aproximarem-se do Sacramento da Reconciliação.
Admiro sinceramente os meus irmãos no sacerdócio: a sua coragem, tenacidade, generosidade. Entre os sacerdotes, há verdadeiros heróis, que consomem todas as suas forças para anunciarem o Evangelho, para estarem ao lado dos mais pobres e marginalizados, pela disponibilidade que demonstram para acolherem a todos, com os quais têm uma palavra amiga, de compreensão.
No entanto, é muito cómodo olhar a Confissão e pensar que só serve para os outros, que um sacerdote só precisa de longe a longe. Pessoalmente, olho para a minha vida e, ao lado de umas poucas coisas boas, vejo tantas misérias, tantas faltas de generosidade e de correspondência... Por isso, não tenho qualquer repugnância em dizer que todas as semanas me confesso. A confissão semanal ajuda-me a ser mais misericordioso com as faltas dos outros; ajuda-me a manter viva a minha luta pessoal por não voltar a ofender mais a Nosso Senhor, por procurar que a minha vida seja o mais transparente possível para que os outros, em mim, possam ver a luz de Cristo. Sei que voltarei a pecar, que O voltarei a ofender, não por maldade, mas por miséria e fraqueza. No entanto, desde há vários anos, que me servem de lição as palavras do Santo Cura d'Ars, referidas pelo Santo Padre Bento XVI na última carta que dirigiu aos sacerdotes: «O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e todavia perdoa-vos. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até ao ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!»
Não pretendo dar lições a quem quer que seja. Mas, se neste Ano Sacerdotal, nós, sacerdotes, redescobríssemos o valor da Confissão também para nós, estaríamos em melhores condições para ajudar todos os fiéis a amar mais a Jesus Cristo.
"Eu assumo"
1. Peço que me desculpem os leitores mais conservadores, a quem esta minha confissão pública possa chocar.
Peço que se acolha esta minha declaração com tolerância, que é a virtude cívica que se define como indiferença ante o bem e o mal, e que, por isso, proíbe terminantemente qualquer imposição ou condenação em termos morais.
Peço para mim e para todos os que sentem na pele o estigma de uma excepção que nos foi imposta pela natureza, à revelia da nossa vontade, uma plena integração social, pondo assim termo à injusta discriminação a que fomos expostos e que continuamos a padecer.
Peço e exijo que, em nome da igualdade, se nos aceite como somos: iguais na diferença e diferentes na igualdade.
2. Desde que tive consciência desta minha particularidade de género, experimentei a segregação a que todos os que partilhamos esta condição somos, por regra, expostos. Com efeito, qualquer tímida manifestação desta nossa anormalidade – que o é, convenhamos, em termos estatísticos – é logo censurada por severos olhares que, não obstante a sua mudez, nos gritam o drama da nossa reprimida singularidade genética.
Mas hoje, finalmente, graças à abertura e compreensão dos nossos governantes, que parecem não ter outra preocupação que não seja a de pôr termo a estas injustiças atávicas, tomei a decisão de me assumir publicamente: sim, sou canhoto! Afirmo-o pela primeira vez sem complexos, diria que com orgulho até, disposto mesmo a desfilar numa triunfal canhotos’ pride parade!
3. Cônscio de que a democracia está incompleta enquanto não nos forem dados os mesmos direitos que já usufruem os dextros, não posso deixar de fazer algumas reivindicações. A saber:
Exijo que o Estado financie as operações de mudanças de braços e mãos, pernas e pés, de todos os canhotos que queiram mudar de género!
Exijo que todas as cadeiras dos anfiteatros tenham igualmente amplos os apoios dos dois braços, e não apenas o direito, como pretende a maioria fascizante dos dextros!
Exijo que nós, os canhotos, tenhamos direito a carros com o travão de mão à esquerda e os pedais invertidos (com perdão!), pondo assim termo à imposição, por parte da indústria automóvel, de um único modelo comportamental!
Exijo que as autarquias reconheçam o nosso inalienável direito a circular pela esquerda, criando um itinerário alternativo canhoto (IAC)!
Exijo que seja despenalizada, para os canhotos, a condução em contra-mão e que sejam imediatamente amnistiados todos os esquerdinos que, por este motivo, já foram hipocritamente condenados por tribunais dominados pelos dextros!
Exijo que o trecho bíblico que coloca à esquerda de Deus os condenados e à sua direita os bem-aventurados, seja alterado, de modo que se não possa associar aos esquerdinos nenhuma humilhante inferioridade de género.
Exijo que a expressão «cruzes, canhoto!» e outras análogas sejam criminalizadas, pelo seu evidente cunho canhotofóbico.
E, claro, exijo também o direito à adopção de crianças dextras por casais esquerdinos!
4. Graças ao carácter fracturante desta minha proposta, que suponho também assumida por todos os outros cidadãos da mesma condição, quero crer que será acolhida favoravelmente por todos os partidos políticos que têm pugnado pela igualdade de género. Afinal de contas nós, os canhotos, também somos de esquerda, não é?
P. Gonçalo Portocarrero de Almada, in Jornal Voz da Verdade
Indulgências para o Ano Sacerdotal

A Congregação para o Clero emitiu uma Nota com a concessão de especiais indulgências para o Ano Sacerdotal, não só para os Sacerdotes mas também para todos os outros fiéis.
Peregrinação ao Santuário da Lapa
Desde há uns anos a esta parte que, no dia 10 de Junho, muitas Paróquias da Diocese rumam ao Santuário de Nossa Senhora da Lapa, em Quintela da Lapa, concelho de Sernancelhe. É um dos Santuários mais antigos do país dedicado a Nossa Senhora.
Neste dia, a partir das 10h00, as cruzes paroquiais vão em procissão desde o cruzeiro até ao Santuário, enquanto se reza ou canta a Ladaínha de todos os Santos, ou outras orações.
Hoje não foi excepção. A Santa Missa, presidida pelo Sr. Bispo, está marcada para o meio dia. Apesar de uma chuva insistente e de um vento frio, impressiona a quantidade de pessoas que hoje veio à Lapa. Impressiona-me a piedade sincera e o modo filial de recorrerem à Santa Mãe do Céu.
E, com o pensamento nas actividades paroquiais do Verão, pela pessoa e intenções do Santo Padre e do nosso Bispo, pelos nossos Seminários, também eu rezo: Senhora da Lapa, rogai por nós!
Correspondência de João Paulo II
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Há várias semanas que ecoam, em vários meios de comunicação, informações que o processo de beatificação de João Paulo II está a ser mais moroso devido à publicação da correspondência que o Pontífice manteve com a Sra. Wanda Poltawska, psiquiatra polaca. Os próprios títulos das notícias deixam uma certa dúvida sobre os factos.
No entanto, depois de ser possível aceder a todas as informações, torna-se claro que não há nada nesse epistolário que seja menos positivo de João Paulo II. Pelo contrário, nessas cartas manifesta-se uma amizade pura e muito sacerdotal por parte do Santo Padre.
Esta publicação mereceu alguns reparos por parte do antigo Secretário pessoal de João Paulo II, Card. Stanislaw Dziwisz, não pelo seu conteúdo, mas sim porque, no parecer do actual Cardeal de Cracóvia, é correspondência particular que não deveria ser publicada sem o consentimento mútuo de ambas as partes.
O problema para o processo de beatificação está no facto de a Dra. Poltawska recomendar ao Santo Padre que não nomeasse como Bispos alguns sacerdotes que ela, como psiquiatra, sabia terem problemas não resolvidos (na esfera afectiva e sexual). Alguns desses nomes foram propostos ao Santo Padre para serem nomeados como Bispos de várias dioceses da Polónia.
Como se constata, por vezes os títulos sensacionalistas podem induzir o leitor em erro.
Congregação para o Clero com novas faculdades
Informações pouco precisas
Ao longo dos últimos dias, várias agências informativas referem que o Santo Padre concedeu à Congregação para o Clero novas faculdades para agilizar a concessão da dispensa das obrigações sacerdotais e do celibato a sacerdotes que tenham abandonado o ministério sacerdotal.
No entanto, as informações vindas a público são um pouco confusas. Além de não ser possível, até à data, ter acesso ao documento original com o qual o Santo Padre concede as novas faculdades à Congregação, os vários órgãos de informação referem a possibilidade dos Bispos e a Congregação concederem tal dispensa administrativamente, sem um processo judicial (tal como está previsto no Código).
O tema é sensível. Em primeiro lugar, pela importância do Sacramento da Ordem. O carácter que imprime, à semelhança do Baptismo, é indelével. O sacerdote, depois de ordenado, é sacerdote para a eternidade.
Em segundo lugar, ninguém tem a perseverança assegurada. Ao lado de uma imensa maioria de sacerdotes fiéis, há um pequeno número que abandonou o ministério pelos mais variados motivos. Neste segundo grupo, há sacerdotes que constituíram família e criaram laços de justiça que são permanentemente impeditivos de regressarem ao exercício do ministério. E é, precisamente, para tomar decisões em relação a estes sacerdotes que a Congregação tem novas competências.
As novas faculdades da Congregação
Hoje, Mons. Mauro Piacenza, Secretário da Congregação do Clero, explica quais são, em concreto, as novas faculdades da Congregação para o Clero.
Em primeiro lugar, afirma que as novas faculdades da Congregação foram concedidas expressamente pelo Santo Padre no passado dia 30 de Janeiro.
Em segundo lugar, o princípio fundamental que guia a concessão destas faculdades por parte do Santo Padre é a salus animarum, a salvação das almas.
Em terceiro lugar, as novas faculdades da Congregação para o Clero, são:
a) a faculdade de proceder à demissão do estado clerical in penam, ou seja, dispensando das obrigações derivadas da ordenação sacerdotal dos clérigos que tenham realizado casamento civil. Se, depois de admoestados, continuarem com uma conduta irregular à luz da lei da Igreja, os sacerdotes culpados de graves pecados externos contra o sexto mandamento, terão, como pena, a demissão do estado clerical.
b)a possibilidade de proceder à demissão do estado clerical em casos gravíssimos e cujo escândalo cause grave dano às almas, não por via judicial (como actualmente prevê o Código), mas sim por via administrativa, salvaguardando o direito de defesa, que deve ser sempre assegurado (mesmo procedendo por via administrativa).
c) a faculdade de declarar a perda do estado clerical daqueles sacerdotes que tenham abandonado o ministério há cinco anos consecutivos e que persistam na ausência voluntária e ilícita do ministério.
Fonte: Radio Vaticana
Clero da Diocese de Lamego peregrina ao Santuário de Fátima
No próximo dia 6 de Julho, os sacerdotes da Diocese de Lamego estão convidados a peregrinar ao Santuário de Fátima.
A iniciativa, organizada pelos Srs. Padres António Ferreira, Leontino Alves e José Rebelo, contará com a presença do Sr. Bispo, D. Jacinto Botelho, e insere-se no Ano Sacerdotal, convocado pelo Santo Padre e que terá início no próximo dia 19 de Junho.
Nota da Comissão Episcopal para a Educação Cristã
Há 5 anos, a Santa Sé e o Estado português assinaram uma Concordata, que pretende regular as relações entre ambos os Estados. A Igreja Católica em Portugal tem, portanto, um instrumento jurídico que funciona como quadro legal nas suas relações com o Estado português.
Relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque passaram por Lamego
As relíquias dos Santos não são objectos do passado. São lembrança do desafio que nos é lançado no presente: a busca da santidade pessoal.
«Não há católicos progressistas... Há católicos.»

Cada vez que surge um tema fracturante na sociedade (aborto, eutanásia, utilização de meios contraceptivos, educação sexual, casamento homossexuais, etc.) surgem logo na praça pública uma série de católicos auto-intitulados de “progressistas”, julgando e contraditando as opiniões dos bafientos católicos conservadores. As ideias por si defendidas − objectivamente contrárias à doutrina da Igreja – surgem com uma áurea de atractivo modernismo, criando uma imagem (falsa) progressista dos seus protagonistas.
A comunicação social, sedenta de controvérsia e de alvoroço, oferece habitualmente uma enorme projecção mediática a este tipo de declarações. É frequente ouvirem-se tolices como: “Eu sou católico, mas sou a favor da despenalização do aborto”. “ Eu sou católica, mas entendo que o casamento até ao fim da vida é coisa do passado”. “ A Igreja católica tem de mudar as suas posições relativamente à homossexualidade, caso contrário não consegue captar os mais jovens”. Os exemplos seriam infindáveis. Infelizmente, na maioria dos casos, os protagonistas destas declarações são figuras públicas, respeitadas e ouvidas pelos seus doutos conhecimentos em outras áreas do saber, o que torna mais grave o seu comportamento.
Vivemos em democracia, por conseguinte, todos são livres de dizer o que pensam (ainda que sejam disparates). Mas afinal quais são as consequências destas declarações públicas? Confusão. As pessoas ficam confundidas sobre estas matérias, achando que se trata de uma questão de teimosia, de uma atitude retrógrada e que o pensamento moderno obriga a que a Igreja adopte novas ideias, mais consentâneas com a realidade actual. Deste modo, a doutrina da Igreja é reduzida a um conjunto de pensamentos voláteis, passíveis de serem contraditados, negando-se que neles exista a Verdade de Deus.
Em síntese, é preciso afirmar com clareza de que não há católicos conservadores e católicos progressistas, há católicos. E esses católicos devem não apenas respeitar, como procurar ser coerentes com a doutrina da Igreja. De outro modo, é inadequado e abusivo auto-intitularem-se como “católicos”, gerando confusão nas pessoas menos esclarecidas.
Miguel Alvim, in O Inimputável (texto completo aqui>>)
Ano sacerdotal

A 19 de Junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, tem início o Ano Sacerdotal, convocado pelo Santo Padre.
Haverá, por toda a parte, um conjunto de iniciativas relativas ao sacerdócio, comum e ministerial.
Seminário: apontamentos canónico-jurídicos
O Seminário “é a casa própria para a formação dos candidatos ao sacerdócio.” (Pastores dabo vobis, 60).
O Código de Direito Canónico, na fidelidade ao conteúdo dos textos do Concílio Vaticano II, trata do Seminário no título relativo à formação dos candidatos ao sacerdócio. (cc. 232-264). Destes, o c. 237 §1 é aquele que mais directamente tem a ver com o assunto que me proponho tratar: “Onde for possível e oportuno, haja em cada Diocese um Seminário maior; caso contrário, os alunos que se preparam para o ministério sagrado sejam confiados a outro seminário, ou então seja fundado um seminário interdiocesano.” (c. 237 §1).
Como se pode constatar, o Supremo Legislador oferece três possibilidades: a) que cada diocese tenha o seu próprio Seminário; b) que os seminaristas sejam confiados a outro seminário; c) que o Bispo da Diocese, juntamente com outros Bispos, funde um Seminário Interdiocesano (que, neste caso, deve ser autorizado pela Santa Sé).
O Seminário na Diocese
O texto do cânone acima citado, refere que, “haja em cada Diocese o seminário maior”. Esta não é uma obrigação taxativa, pois o próprio texto acrescenta: “ubi id fieri possit atque expediat”. O verbo expedire, usado naquele tempo verbal, indica, sobretudo conveniência. Por conseguinte, a tradução mais exacta do cânone, em português, seria: “haja, em cada Diocese, um Seminário maior, onde tal seja possível e conveniente”.
Ninguém pode menosprezar a importância que um Seminário tem na Diocese. A proximidade do Seminário à comunidade na qual está inserido é muito enriquecedora, não só para os candidatos ao sacerdócio, mas também para a própria comunidade.
Uma leitura integral da legislação
No entanto, o Supremo Legislador condiciona a presença do Seminário na Diocese a dois factores: que essa presença seja possível e e que seja oportuno / conveniente.
Que conveniência é esta, referida pelo c. 237 §1? Pode encontrar-se uma possível resposta na leitura dos cânones seguintes, que falam sobre a formação que os candidatos ao sacerdócio têm o direito-dever de receber: formação espiritual e preparação doutrinal (cf. c. 244), espírito missionário e virtudes humanas (cf c. 245 §1), cultura geral e conhecimento sólido das ciências sagradas (cf. c. 248), formação filosófica (cf. c. 251) e teológica, nas vertentes da Sagrada Escritura, dogmática, moral, etc., (cf. c. 252), preparação pastoral, catequética e homilética (cf. c. 255-256).
A solução para a localização do Seminário na diocese ou fora dela tem a ver com a resposta a esta pergunta: onde é que se pode proporcionar uma melhor formação aos seminaristas? No caso concreto, pode a Diocese proporcionar uma formação adequada e completa aos seus candidatos ao sacerdócio? É aqui que se põe a questão da conveniência: à luz dos requisitos para a formação dos candidatos ao sacerdócio, é conveniente que a formação seja dada na Diocese ou noutro lugar mais oportuno?
Outras possibilidades
No caso de não ser possível nem conveniente que a formação seja dada no Seminário da própria Diocese, o Código prevê duas possibilidades: a) que os seminaristas sejam enviados para um Seminário de outra Diocese; b) que seja erigido um Seminário interdiocesano para várias Dioceses.
Envio dos candidatos ao sacerdócio para outro Seminário
Foi esta a figura usada nos últimos anos na nossa Diocese de Lamego: os seminaristas frequentam os últimos anos de estudo no Seminário da Diocese de Viseu (e, desde o presente ano lectivo, os alunos do último ano vão, um dia por semana, a Braga).
Criação de um Seminário Interdiocesano
Segundo a legislação canónica (Pastor bonus, 113, 3º), compete à Congregação para a Educação Católica a erecção de um Seminário Interdiocesano.
Para que tal aconteça, é necessário que os Bispos interessados façam o pedido, por escrito, àquele Dicastério da Cúria Romana, enviando os Estatutos do Seminário Interdiocesano. Depois de analisado o pedido e os Estatutos, a Congregação pode pedir que estes sejam alterados antes de conceder o Decreto de erecção.
A erecção deste tipo de Seminários também pode ser feita por iniciativa da Santa Sé.
Conclusões
1. Como se pode constatar, qualquer solução que seja decidida para o futuro do Seminário da Diocese de Lamego é juridicamente possível (quer o Seminário se mantenha na Diocese; quer os seminaristas sejam enviados para outro Seminário; quer seja erigido um Seminário Interdiocesano com outras Dioceses);
2. O critério fundamental para a escolha de uma solução deve ser a qualidade da formação dos candidatos ao sacerdócio. Essa qualidade há-de ser integral: humana, doutrinal, espiritual, académica, litúrgica, pastoral, etc.
Jornadas Diocesanas da Juventude
Decorrem, durante o dia de hoje, as Jornadas Diocesanas da Juventude da Diocese de Lamego.
Depois de vários meses de preparação, hoje, a partir das 9h começaram a chegar ao Santuário mariano de Cárquere, no Concelho de Resende, jovens de todos os cantos da Diocese.
Estas Jornadas, subordinadas ao tema "Ele amou-me e entregou-Se por mim" (Gal 2, 20) e inseridas no Plano Pastoral da Diocese que, neste ano paulino procura focar os Sacramentos do Matrimónio e da Ordem, teve o seu ponto alto na celebração eucarística, presidida pelo Sr. Bispo, D. Jacinto Botelho. Nela concelebraram mais de duas dezenas de sacerdotes.
Na homilia, o Sr. D. Jacinto falou aos jovens sobre a beleza da vida matrimonial e a necessidade que cada família seja uma Igreja doméstica. Lançou ainda aos jovens o apelo a responderem afirmativamente à vocação que Jesus Cristo faz a cada um, seja ela à vida matrimonial, seja à vida sacerdotal ou religiosa. "A nossa alegria será completa quando a nossa resposta ao chamamento de Cristo for sincera, responsável e consciente", afirmou o Sr. D. Jacinto.
Da parte da tarde, vários grupos apresentarão encenações, pequenos teatros e canções de mensagem.
É impressionante a quantidade de pessoas ligadas à organização deste evento. Por isso, deixo os meus parabéns ao Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil da Diocese de Lamego pelo infatigável trabalho que, desde há vários anos, culmina nas Jornadas. Apesar de muitas pessoas fazerem parte do Secretariado, deixo uma palavra de estímulo ao Pe. Bráulio Carvalho e ao Pe. Diamantino Duarte que dinamizam as actidades deste Secretariado.
Bento XVI em Jerusalém

O ruído à volta da visita que o Santo Padre está a realizar à Terra Santa é tanto que corremos o risco de não conseguir ouvir o que o Papa tem dito.
Uma leitura atenta dos discursos e homilias do Papa consegue fazer-nos admirar este Sucessor de S. Pedro. Bento XVI não se limita aos lugares comuns (a paz, o holocausto, o diálogo entre religiões e culturas). Nas várias etapas desta sua peregrinação tem apontado caminhos concretos, tem anunciado o Evangelho e, sem esquecer as dificuldades, tem falado de esperança.
O coro de críticas continuará, concerteza. Mas se a comunicação social desse mais importância àquilo que o Santo Padre tem dito, seria muito mais fiel à sua missão de informar.
Visita do Santo Padre à Terra Santa
A histórica viagem do Santo Padre à Terra Santa pode ser acompanhada aqui: http://papaterrasanta.blogspot.com
5º aniversário da Concordata

No dia 18 de Maio será o 5º aniversário da assinatura da Concordata entre o Estado português e a Santa Sé.
Integrada no ciclo de conferência «Relações Igreja-Estado», o Instituto Superior de Direito Canónico realizará um colóquio sobre «Uma Concordata, para quê? - Portugal, 2004, Brasil, 2008», no âmbito do 5º aniversário da assinatura da Concordata entre Portugal e a Santa Sé.
Esta iniciativa será no próximo dia 27 de Maio, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), e terá como orador Paulo Manuel Pulido Adragão professor da Faculdade de Direito - Universidade do Porto. Esta sessão será presidida pelo Reitor da UCP, Manuel Braga da Cruz.
In Agência Ecclesia
O jardim da nossa alma
Ele não podia deixar escapar esta oportunidade. Finalmente tinha encontrado o que procurara com tanto empenho. O preço era fantástico e a casa estava em boas condições. O jardim abandonado fê-lo sonhar com um trabalho que muito o repousava. Tinha aprendido, desde pequeno, que cuidar das plantas era o mesmo que descansar. Sempre desejara viver numa casa com jardim, por muito pequeno que ele fosse. Logo que pôde, começou a trabalhar. Transformou aquele monte de mato, de pedras e de espinhos num pequeno “oásis”. Que gosto lhe deu esse trabalho! É verdade que tinha demorado o seu tempo. Mas também é verdade que tudo o que vale a pena nesta vida só se consegue com uma generosa dedicação de esforço e de tempo.
Certo dia, enquanto trabalhava na manutenção do seu jardim, passou pela rua uma senhora. Parou e pôs-se a olhar atentamente para as diversas plantas. Enquanto olhava, saiu-lhe um comentário como um suspiro: «Que maravilha! Que coisas tão bonitas faz Deus!». Ao ouvir isto, o “jardineiro” não conteve uma observação que, naquele momento, lhe pareceu muito oportuna: «A senhora devia ter visto o aspecto do jardim quando era Ele quem cuidava disto sozinho».
É verdade que Deus faz coisas maravilhosas na nossa vida. Mas também é verdade que Ele conta com a nossa colaboração. Ele deseja que o jardim da nossa alma esteja sempre belo e limpo, e dá-nos todas as ajudas necessárias para que isso seja possível. Mas se nós não colaborarmos, respeita a nossa decisão. Se fizesse o contrário, passaria por cima de um dom que foi Ele próprio quem nos deu: a liberdade. Por isso, se o jardim da nossa alma está sujo e desleixado, não podemos dizer que a culpa é de Deus. Nem podemos dizer que, ao contrário das outras pessoas, nós não temos jeito para cuidar dele.
Nos dias de hoje, existe um paradoxo muito grande em relação ao modo como se entende a liberdade. Por um lado, exalta-se este dom como se fosse algo absoluto e sem limites. Algo que permite ao homem fazer tudo aquilo que lhe apetece sem que ninguém o possa limitar. Por outro lado, custa a muitas pessoas aceitar a verdade evidente de que, porque somos livres, somos também responsáveis. Somos donos do nosso destino, tanto para o bem como para o mal. É verdade que a liberdade não é absoluta e está condicionada por muitos factores. Mas também é verdade que ela continua a ser uma liberdade real.
Por isso, negar a existência de dois destinos eternos diferentes – em nome da Bondade infinita de Deus – é, na prática, negar a existência da liberdade. É verdade que Deus quer que todos os homens se salvem – mas Deus criou o homem livre e responsável. Portanto, é o próprio homem quem, com plena autonomia, se exclui voluntariamente da salvação de Deus. Se persistir assim até ao fim, Deus respeitará a sua decisão.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria
Jornadas sobre questões pastorais em Enxomil
No dia de hoje, realizaram-se as XIII Jornadas sobre questões pastorais, no Centro de Convívios de Enxomil, em Arcozelo, Vila Nova de Gaia, sobre o tema: "A expressão social da fé cristã".
O primeiro orador foi o Sr. D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que proferiu uma brilhante conferência cujo tema era: “Relações Igreja-Estado: Lições do passado e desafios do presente”. Começando pelos fundamentos bíblicos da atitude dos cristãos perante as autoridades civis, D. Manuel Clemente frisou as ideias chaves das relações Igreja Estado ao longo da bimilenar história da Igreja.Na parte da tarde, a segunda conferência esteve a cargo do Dr. Raul Diniz, Presidente da AESE, que falou sobre "Cristãos na sociedade". Fazendo referências à actual crise financeira, o conferencista referiu-se à iminente encíclica sobre temas sociais que o Santa Padre Bento XVI irá publicar. Foi ainda muito marcante ouvir como a doutrina social da Igreja, sem indicar soluções concretas para a actual crise económica, pode ajudar a formar as pessoas para aquela ética que é necessária nas relações económicas e sociais.
No Centro de Convívios de Enxomil realizam-se há mais de 50 anos, sob a orientação espiritual da Prelatura do Opus Dei, convívios, retiros e encontros pastorais para todo o tipo de pessoas. Estas Jornadas de Questões Pastorais oferecem aos sacerdotes uma oportunidade de convívio e diálogo interdiocesano para confronto e enriquecimento das próprias experiências
Nota da Conferência Episcopal Portuguesa sobre as próximas eleições
Em todas as eleições, como na acção política normal, o critério fundamental deve ser a pessoa humana concreta, servida e respeitada na sua dignidade e direitos. Assim poderá satisfazer também os seus deveres. É este respeito e cuidado que permite realizar a humanização da sociedade.
Ninguém deve esperar que um programa político seja uma espécie de catecismo do seu credo, mas um modo de compromisso para a solução dos problemas do país. Neste sentido, enumeramos alguns critérios que consideramos importantes para escolher quem possa melhor contribuir para a dignificação da pessoa e a realização do bem comum:
– promoção dos Direitos Humanos;
– defesa e protecção da instituição familiar, fundada na complementaridade homem mulher;
– respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas e a protecção dos mais débeis;
– procura de solução para as situações sociais mais graves: direito ao trabalho, protecção dos desempregados, futuro dos jovens, igualdade de direitos e melhor acesso aos mesmos por parte das zonas mais depauperadas do interior, segurança das pessoas e bens, situação dos imigrantes e das minorias;
– combate à corrupção, ao inquinamento de pessoas e ambientes, por via de alguma comunicação social;
– atenção às carências no campo da saúde e ao exercício da justiça;
– respeito pelo princípio da subsidiariedade e apreço pela iniciativa pessoal e privada e pelo trabalho das instituições emanadas da sociedade civil, nomeadamente quando actuam no campo da educação e da solidariedade…
O eleitor cristão não pode trair a sua consciência no acto de votar. Os valores morais radicados na fé não podem separar se da vida familiar, social e política, mas devem encarnar se em todas as dimensões da vida humana. As opções políticas dos católicos devem ser tomadas de harmonia com os valores do Evangelho, sendo coerentes com a sua fé vivida na comunidade da Igreja, tanto quando elegem como quando são eleitos.
Conferência Episcopal Portuguesa, 2009.04.23
Texto completo aqui>>
Os Leigos (II)
«Os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e activa naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra (112). Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7).
Além deste apostolado, que diz respeito a todos os fiéis, os leigos podem ainda ser chamados, por diversos modos, a uma colaboração mais imediata no apostolado da Hierarquia 3, à semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o apóstolo Paulo no Evangelho, trabalhando muito no Senhor (cfr. Fil. 4,3; Rom. 16,3 ss.). Têm ainda a capacidade de ser chamados pela Hierarquia a exercer certos cargos eclesiásticos, com finalidade espiritual.»
Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, n. 33
É interessante notar que o texto do Concílio, ao referir-se aos leigos, diz, em primeiro lugar, que eles têm como missão serem evangelizadores naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles a Igreja pode ser sal da terra.
Por isso, a primeira e principal missão de todos os leigos não é serem leitores, acólitos ou diáconos permanentes. A missão de todos é santificarem o mundo do trabalho, das relações sociais, da família e do lazer com o seu testemunho de vida coerente.
Além disso, alguns leigos terão, concerteza, apetência, gosto e o carisma de colaborarem em tarefas eminentemente eclesiais: na administração das paróquias, das dioceses, de outros entes eclesiais; no assumir tarefas litúrgicas e de condução de comunidades, etc.
Os Leigos
As últimas Jornadas promovidas pelo Instituto Superior de Direito Canónico tiveram como tema: "Os leigos e a corresponsabilidade na Igreja".
Houve conferências realmente interessantes. Entre os dados mais salientes, destaca-se a conclusão que já há muitos leigos a colaborar em Tribunais Eclesiásticos, seja como oficiais do Tribunal (Juízes, Defensores do Vínculo, Promotores de Justiça e Notários), seja como advogados.
Além disso, foi muito enriquecedor constatar o interesse de tantos leigos pelas temáticas do Direito Canónico.
Parabéns ao Instituto Superior de Direito Canónico por mais esta iniciativa.
"O fiel-cristão leigo...
... é o homem da Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja".
(Autor brasileiro do qual desconheço o nome)
Jornadas de Direito Canónico
De hoje a sábado decorrem, na Casa de N. S. das Dores, em Fátima, mais umas Jornadas de Direito Canónico, prmovidas pelo Instituto Superior de Direito Canónico da Universidade Católica Portuguesa.
As Jornadas deste ano têm, como tema, "Os leigos e a corresponsabilidade na Igreja". Entre os conferencistas, destacam-se o D. António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro, que fará a conferência de abertura, e o Prof. Doutor João César das Neves, que tratará o tema "A intervenção cultural e social dos leigos em Portugal".
Vencedores do VI Festival Jovem Diocesano da Canção Religiosa
A Associação de Guias e Escuteiros da Europa, da qual fazem parte os escuteiros e as guias de Pendilhe, ganhou o primeiro lugar no VI Festival Jovem Diocesano da Canção Religiosa, que se realizou no sábado passado em Lamego, no Teatro Ribeiro da Conceição.
A música vencedora tinha letra de Dulce Santos e música de Marcos Mendes, e o título: "Quando acreditares".
Além do primeiro prémio, também ganharam o prémio para a melhor música.
Parabéns à Associação!
Imagem gentilmente enviada por Dulce Santos
Pontificado de Bento XVI

Na sua primeira mensagem aos Cardeais que o elegeram, o Papa Bento XVI referia: "A Igreja de hoje deve reavivar em si mesma a consciência da tarefa de repropor ao mundo a voz d'Aquele que disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8, 12). Ao empreender o seu ministério o novo Papa sabe que a sua tarefa é fazer resplandecer aos olhos dos homens e das mulheres de hoje a luz de Cristo: não a sua, mas a verdadeira luz do próprio Cristo." (Aqui>>)
Ao longo destes quatro anos, tem sido essa a sua constante. Penso que um dos aspectos mais eloquentes deste Pontificado sejam as homilias. O Papa, à maneira dos Padres da Igreja, tem a enorme capacidade de explicar as realidades mais profundas com palavras simples.
A comunicação social, ao longo do dia de hoje, não consegue sair dos temas do costume, e não conseguem, nem descobrir, nem mostrar, a grande riqueza deste Pontificado. O Papa é a grande prova que a eficácia não provém da notoriedade, mas sim da fidelidade a Cristo.
S. Nuno de Santa Maria

Aproxima-se a canonização do Santo Condestável. A sua é uma vida heróica e é reconhecida pela extensão da sua intercessão a toda a Igreja.
O grupo contestatário do costume fez ouvir a sua voz, amplificada por uma parte da comunicação social, ridicularizando o milagre, empobrecendo a figura do Santo e ofendendo a Igreja.
D. Carlos Azevedo responde a essas críticas num jornal de hoje. O artigo pode encontrar-se AQUI>>
Legalismos & Companhia
Um dos aspectos mais marcantes na vida de Jesus Cristo é a sua obediência: "obedecendo até à morte e morte de cruz" (Fil 2, 8).
Mas a que obedeceu Cristo: a uma lei? Não, a uma Pessoa: ao Pai.
O próprio Jesus Cristo, sendo Deus, quis submeter-se à obediência dos homens: "Tudo o que ligares na terra, será ligado no Céu e tudo o que desligares na terra, sera desligado no Céu." (Mt 16, 19).
Por isso, a nossa obediência, como membros da Igreja, não é a uma lei, mas sim a uma autoridade, à autoridade que promulga uma certa lei.
Um exemplo concreto é o Código de Direito Canónico: a autoridade que o promulgou foi o Santo Padre, com um acto solene: "Confiando, pois, no auxílio da graça divina, sustentados pela autoridade dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, com plena
ciência e acolhendo os votos dos Bispos de todo o mundo, que com afecto colegial nos prestaram colaboração, com a suprema autoridade de que estamos revestidos, por esta constituição a vigorar para o futuro, promulgamos o presente Código..." (João Paulo II, Sacrae disciplinae legis, 1983.01.25).
O legalismo é um perigo, um extremo, no qual qualquer um pode cair e que deve ser evitado a todo o custo. A obediência, ou é por amor, ou é inútil e nociva. Mas tem-se tornado um hábito rotular alguém como legalista só porque segue as indicações do magistério e procura ser fiel àquilo que a Igreja pede aos seus membros.
O perigo oposto ao legalismo, é o arbítrio. Numa sociedade onde não há leis e onde se torna frequente a crítica, o desrespeito e a ignorância das leis que a regulam, torna-se lei o arbítrio. Quando se ignora a lei estabelecida, o administrador corre o risco de se tornar também legislador.
É verdade que não é a lei que nos salva: é a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos chega através dos sacramentos. Mas se foi o próprio Jesus Cristo que quis obedecer aos homens, torna-se ainda mais urgente pensar porque é que os homens não obedecem a Deus.
Solidão

«O Papa não é secretário-geral ou presidente de um partido e, muito menos, um inspirador de facção. Ratzinger não foi propriamente escolhido para "agradar" ao mundo. Como Jesus, ao Papa compete pregar o óbvio, isto é, a Palavra do Ressuscitado: «tende confiança, eu venci o mundo.»
Ninguém esteve tão sozinho no dia da Paixão - naquela sexta-feira em que se consumou o escândalo da Cruz - como o Filho do Homem. Ninguém foi tão desprezado e humilhado publicamente e ninguém, como Ele, uniu, naquele inexplicável momento de dor e redenção, a sua esperança desesperada ao desespero da humanidade vazia.»
João Gonçalves, in Portugal dos Pequeninos, 2009.10.04
Cristo ressuscitou

O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Cristo está vivo e pode ser encontrado na sua Igreja, na Eucaristia, na caridade dos cristãos.
O sepulcro está vazio para sempre. Cristo ressuscitou.
"Pusemos a nossa esperança no Deus vivo" (1 Tim 4, 10)
Este é o título da Mensagem que o Santo Padre escreveu aos jovens por ocasião da Jornada Mundial da Juventude deste ano.
Texto completo>>
O Papa e a Sida

Grande clamor provocaram as palavras de Bento XVI sobre o preservativo e a sida. Já seria de esperar. Uma resposta a um jornalista tem mais destaque do que vários discursos que contêm o que da sua mensagem é mais relevante. Mas desta vez não são apenas os jornais a criticar o Papa, são ministros de governos europeus, que o acusam de insensibilidade perante o flagelo da difusão dessa doença.
Uma acusação profundamente injusta, porém.
O Papa não ignora os males da difusão da sida. Apontou um remédio (disso não falam os jornais) não só moralmente mais correcto, mas mais eficaz. A educação e alteração de comportamentos, a abstinência e a fidelidade, são caminhos que ninguém pode contestar como mais eficazes de combate a essa difusão. O preservativo não garante uma eficácia absoluta e as campanhas que o promovem como se fosse um “salvo-conduto” que torna inofensiva a promiscuidade criam uma segurança ilusória e contraproducente. A experiência do Uganda, o país africano com mais sucesso neste âmbito, que optou por campanhas que privilegiam a alteração de comportamentos, demonstra-o. Também me recordo de ter ouvido uma vez uma religiosa moçambicana dizer que, apesar de promoção do uso de preservativos chegar a todos os cantos do seu país (a ponto de não saber o que seria possível fazer mais no sentido dessa promoção), a difusão da doença não deixa de aumentar.
Parece-me muito pouco respeitoso – direi até ofensivo – para os povos em questão dizer que não é realista apelar à abstinência e fidelidade da população e juventude africanas em geral. Como se os africanos tivessem uma menor capacidade de dominar os seus instintos, capacidade que nos define como pessoas. Também neste aspecto a experiência do Uganda revela o contrário.
E se há grupos da população indiferentes a esse apelo do Papa, também esses grupos serão certamente indiferentes ao juízo moral que o Papa possa fazer sobre o uso do preservativo.
A Igreja Católica é a instituição que, à escala mundial, mais se tem dedicado à assistência às vítimas da sida. Em África tem-se destacado, entre muitas outras, a acção da Comunidade de Santo Egídio (o movimento a cujos esforços diplomáticos se ficou a dever o fim da guerra civil em Moçambique), que procura tornar tratamentos antiretrovirais acessíveis a todos os doentes.
Governos tão reticentes a “abrir as mãos à bolsa” quando se trata de apoiar o desenvolvimento de África (mesmo contra compromissos já assumidos) talvez não tenham muita autoridade para criticar a Igreja, que, com menos recursos, talvez faça mais do que qualquer deles pela promoção da saúde neste continente.
Pedro Vaz Patto
Dizer a verdade
"Esta faceta de dizer a verdade e seguir impassível em frente, perante os agravos, os protestos e os insultos da multidão, é típica do Papa Bento XVI e é uma das características da sua personalidade que eu mais aprecio, em parte porque faz lembrar Cristo. Ele não está cá para agradar à multidão. Ele está cá para dizer a verdade, esperando que um dia a multidão reconheça a verdade. Aquilo que ele nunca irá fazer é deixar de dizer a verdade só para agradar à multidão."
Pedro Arroja, in Portugal Contemporâneo
Viagem do Santo Padre a África

Na viagem de Itália para os Camarões, na habitual conversa com os jornalistas, foi feita uma pergunta ao Papa sobre os métodos de combate à Sida. O Santo Padre responde:
"Penso que a realidade mais eficiente, mais presente, mais forte na luta contra a SIDA seja justamente a Igreja Católica, com os seus movimentos, com as suas diversas realidades. Penso na Comunidade de Santo Egídio, que faz muito – visivelmente e também invisivelmente – na luta contra a SIDA, nos Camilianos, em todas as freiras que estão à disposição dos doentes…
Diria que não se pode superar este problema da SIDA somente com o dinheiro. Ele é necessário, mas se não há alma que o saiba aplicar, não ajuda; não se pode superar com a distribuição de preservativos: pelo contrário, aumentam o problema.
A solução é dúplice: a primeira, uma humanização da sexualidade, ou seja, uma renovação espiritual e humana que traga consigo um novo modo de comportar-se um com o outro; a segunda, uma verdadeira amizade, sobretudo, com as pessoas sofredoras, uma disponibilidade, também com sacrifícios, com renúncias pessoais, para estar com os sofredores. E estes são os factores que ajudam e que trazem consigo verdadeiros e visíveis progressos.
Por isso, diria que esta nossa dúplice força de renovar o homem interiormente, de dar-lhe força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os sofredores, de permanecer presente nas situações de prova. Parece-me a resposta justa, e a Igreja faz isso e, assim, oferece uma grande e importante contribuição. Agradecemos a todos aqueles que o fazem."
Bento XVI
A comunicação social pegou numa parte das palavras do Papa e distorceu-as. Houve as mais variadas reacções contrárias às reacções do Santo Padre.
No entanto, houve também muita gente a apoiar o Papa. Gostava de salientar duas:
"O mais preocupante é ver a insuspeita quantidade de especialistas em teologia e história eclesial que logo se ergue nas rádios e nos jornais, como se fossem católicos de ir à missa e se importassem muito com os pobres que morrem de sida. O ideal, para estes cavalheiros, seria um Papa que defendesse o aborto, o sexo com animais e a distribuição de preservativos nas escolas. Isso sim, seria moderno, fracturante e capaz de chamar fiéis. Fiéis – não se sabe a quê."
Francisco José Viegas, aqui>>
"Claro que o preservativo não é uma solução eficaz para lidar com o problema da sida, e só o agrava. A única solução eficaz é a abstinência sexual envolvendo pessoas com sida, ou suspeitas de a ter. Não existe outra. O preservativo pode evitar o contágio numa relação sexual - e o Papa não nega isso -, mas encorajando e promovendo uma cultura de promiscuidade sexual, a prazo vai contribuir para aumentar a sida, não para a diminuir.
Pedro Arroja, aqui>>
Discurso do Santo Padre aos Bispos dos Camarões

In Radio Vaticana
No longo discurso dirigido aos bispos dos Camarões, na manhàa desta quarta feira, Bento XVI deixou um forte encorajamento ao empenho missionário, à comunhão apostólica, à formação doutrinal e espiritual dos padres, catequistas, das famílias e dos leigos em geral. Recomendou também que o tom justamente festivo das celebrações litúrgicas não seja nunca em detrimento da comunhão e do diálogo com Deus. O Papa evocou ainda a importância da doutrina social da Igreja e da atenção concreta aos mais desfavorecidos.
Discurso do Santo Padre à chegada aos Camarões

Por Santo Padre Bento XVI
Diante da dor ou da violência, da pobreza ou da fome, da corrupção ou do abuso de poder, um cristão nunca pode ficar calado. A mensagem salvífica do Evangelho exige ser proclamada, com força e clareza, de tal modo que a luz de Cristo possa brilhar na escuridão da vida das pessoas. Aqui na África, como em tantas outras partes do mundo, inumeráveis homens e mulheres anseiam por ouvir uma palavra de esperança e conforto. Conflitos locais deixam milhares de desalojados e necessitados, de órfãos e viúvas. Num continente que no passado viu muitos de seus habitantes cruelmente raptados e levados para além-mar a fim de trabalhar como escravos, o tráfico de seres humanos, especialmente de inermes mulheres e crianças, tornou-se uma moderna forma de escravatura. Num tempo de global escassez alimentar, de confusão financeira, de modelos causadores de alterações climáticas, a África sofre desconformemente: um número crescente de seus habitantes acaba prisioneiro da fome, da pobreza e da doença. Estes clamam por reconciliação, justiça e paz; e isto é precisamente o que a Igreja lhes oferece. Não novas formas de opressão económica ou política, mas a liberdade gloriosa dos filhos de Deus (cf. Rom 8, 21). Não a imposição de modelos cultuais que ignoram o direitos à vida dos nascituros, mas a pura água salvífica do Evangelho da vida. Não amargas rivalidades inter-étnicas ou inter-religiosas, mas a rectidão, a paz e a alegria do Reino de Deus, descrito de modo muito apropriado pelo Papa Paulo VI como «civilização do amor» (cf. Alocução ao Regina caeli, Pentecostes de 1970)
Santo Padre chega aos Camarões
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In Agência Ecclesia
"Bento XVI chegou esta Terça-feira aos Camarões, etapa inicial da sua primeira viagem ao continente africano, sendo acolhido em clima de festa aeroporto Internacional Nsimalen, de Yaoundé.
Na sua intervenção inicial, o Papa apontou como preocupações da sua viagem temas como a violência, pobreza, tráfico humano, opressão económica ou política. Nesse sentido, defendeu que “diante da dor ou da violência, da pobreza ou da fome, da corrupção ou do abuso de poder, um cristão não pode permanecer calado”.
Santo Padre inicia visita ao continente africano

O Santo Padre partiu esta manhã para a sua primeira visita, como Sucessor de S. Pedro, a terras africanas.
"A história do cristianismo africano durante os primeiros séculos é uma fonte de grandes alegrias, mas também de profundas angústias e amargas lições. O cristianismo floresceu na África do Norte, tendo como centros Alexandria e Cartago. A África produziu excelentes teólogos, intelectuais, santos e mártires, tanto homens como mulheres. O cristianismo difundiu-se na Etiópia e na Núbia, no coração do continente. A África produziu pelo menos três papas durante este período e introduziu na Igreja a vida monástica, que depressa se estendeu a leste e a ocidente. De facto, durante os primeiros séculos, a África contribuiu grandemente para o crescimento da doutrina e da moral cristãs." (in Agência Ecclesia).
Cerne do problema

Por Andrea Tornielli, Vaticanista, in "Il Giornale"
"Pensar que o cerne do problema sejam apenas as poltronas da Secretaria de Estado – aonde no entanto existem inegáveis maus funcionamentos – ou o estudo de estratégias de comunicação mais eficazes, ou ainda a divisão segundo a lógica política entre conservadores e progressistas, significa, uma vez mais, reduzir a profundidade da lição papal à lógica do poder mundano."
Tradução gentilmente enviada por JPR. Texto completo AQUI>>
Eutanásia. O que pensa a Igreja?

In Catecismo da Igreja Católica
2276. Aqueles que têm uma vida deficiente ou enfraquecida reclamam um respeito especial. As pessoas doentes ou deficientes devem ser amparadas, para que possam levar uma vida tão normal quanto possível.
2277. Quaisquer que sejam os motivos e os meios, a eutanásia directa consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inaceitável.
Assim, uma acção ou uma omissão que, de per si ou na intenção, cause a morte com o fim de suprimir o sofrimento, constitui um assassínio gravemente contrário à dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus vivo, seu Criador. O erro de juízo, em que se pode ter caído de boa fé, não muda a natureza do acto homicida, o qual deve sempre ser condenado e posto de parte (58).
2278. A cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do «encarniçamento terapêutico». Não que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o facto de a não poder impedir. As decisões devem ser tomadas pelo paciente se para isso tiver competência e capacidade; de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a vontade razoável e os interesses legítimos do paciente.
2279. Mesmo que a morte seja considerada iminente, os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos. O uso dos analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, mesmo correndo-se o risco de abreviar os seus dias, pode ser moralmente conforme com a dignidade humana, se a morte não for querida, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem uma forma excepcional da caridade desinteressada; a esse título, devem ser encorajados.
Votações...
Por mero acaso, encontrei um blog que está a proceder a uma votação para escolher o Bispo que se evidencie pela sua fidelidade ao Magistério do Santo Padre. Foi com imenso agrado que descobri que o Sr. D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego, está entre as 5 personalidades em quem se pode votar.
O post do blog pode ser consultado AQUI>>
Carta do Santo Padre

"O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais."
Na sequência do levantamento da excomunhão aos Bispos ordenados por Mons. Lefèbvre, e das consequentes críticas de que foi alvo, o Santo Padre resolveu escrever uma impressionante carta a todos os Bispos a explicar a decisão.
É uma carta na qual se denota todo o amor que o Papa tem à Igreja e a Cristo. Basta lê-la para perceber como são infundadas as notícias que Bento XVI é uma pessoa fria e afastada da realidade.
Texto integral da Carta>>
Na bagagem
A Terra Santa marca pela sua austeridade. É um oásis que nasce no meio de um deserto.
Ficam na retina os locais onde Jesus passou, as paisagens que Ele mesmo contemplou. A leitura do Evangelho ganha novas cores e outro enquadramento.
Casamento homossexual
1. No espaço de um mês, os dois Cardeais Portugueses foram ao Casino da Figueira. E, parte daquilo que disseram, veio amplamente reproduzido na comunicação social. Nos debates que começa a haver sobre temas como inter religiosidade, casamento, família a responsabilidade social, é importante a constatação que há figuras da Igreja cujas declarações têm muito eco na sociedade civil.
2. A comunicação social e o lobby homossexual usam uma estratégia muito simples e, por isso mesmo, muito enganadora: quem é contra a homossexualidade, é xenófobo. Este princípio é uma falácia. A posição da Igreja sempre foi muito clara: respeito pelas pessoas e condenação do erro. A Igreja é contra a homossexualidade, mas respeita a dignidade das pessoas homossexuais. Condena o erro, mas não a pessoa. Mal comparado, pode dizer-se que todos somos contra o cancro, mas não estamos contra as pessoas cancerosas.
3. No entanto, torna-se difícil fazer-se passar essa mensagem de um modo positivo. A Igreja não é contra a homossexualidade pelo facto do Santo Padre assim o decidir por decreto, mas sim porque a homossexualidade é contrária à natureza humana, tal como foi criada por Deus. Como referia o Sr. Cardeal José Saraiva Martins, isso acarreta problemas para a geração e criação de filhos.
Faleceu o Pe. Carlos Silva

O Pe. Carlos Silva, sacerdote da Diocese de Leiria-Fátima, faleceu na passada segunda feira. O seu funeral realiza-se hoje de manhã.
Autor de inúmeros cânticos usados na liturgia, tinha especial tendência e talento para compor cânticos de comunhão (Eu sou o pão vivo, Oh verdadeiro Corpo do Senhor são apenas dois exemplos).
Tive o privilégio de ser aluno dele durante dois anos. Apesar do seu difícil temperamento, muito do que hoje sei de música devo-o a este mestre.
Hoje, ao rezar pela sua alma, presto-lhe este respeitoso tributo na firme esperança que ele, no Céu, já celebre a liturgia celeste.
O Papa e o Holocausto

Por Nuno Rogeiro
"Falar neste lugar de horror, neste sítio onde se cometeram crimes indizíveis contra Deus e contra o Homem, é quase impossível. E é especialmente difícil e perturbante para um cristão, ainda mais Papa vindo da Alemanha".
Pouco mais de um ano depois do fumo branco que, em Roma, o anunciara nas sandálias de Pedro, o sucessor de João Paulo II falava assim, de mãos e rosto cerrados, no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.
Bento XVI foi sempre claro sobre o assunto do genocídio. Referiu, no seu profundo discurso de Auschwitz, a intenção nazi de, ao exterminar os judeus, eliminar a origem do monoteísmo, e recriar o mundo, numa paródia demoníaca da religião. Encimou o preito de dor com uma reflexão pessoal: "isto não nos produz ódio; mostra-nos antes o terrível efeito do ódio".
Parece, pelo menos, injusto, alegar agora, a propósito de declarações soltas de prelados imprudentes, que o Vaticano mudou. E que mudou, sobretudo, de posição face à destruição sistemática de inocentes e civis, em nome da raça, ou de uma ideia política. Como aconteceu nos consulados totalitários, "comunistas" ou "nacionalistas", a Leste e Oeste, na Europa ou na Ásia, na África ou algures, durante o século XX.
A polémica, que recorda a peça de teatro de Rolf Hochtruth, "O representante", de 1963, coloca outra vez em primeiro plano a atitude do Vaticano face ao Holocausto da Segunda Guerra Mundial.
Foi nessa altura que se criou a imagem de um Pio XII silencioso, senão cúmplice, com o extermínio de milhões. Mas personalidades esclarecidas, como o jesuíta Robert Graham, entre muitos outros, há vários anos que restauraram o equilíbrio na revisitação histórica.
Não se pode esquecer, na verdade, o enorme esforço de resgate, salvamento, intercessão ou protecção de judeus, um pouco por toda a Europa, por obra da igreja católica. Não se pode esquecer a rede do Padre Weber e do cardeal Pacelli, a actividade da Organização S. Rafael, a intervenção junto da Eslováquia, em 1941, contra a aprovação do "Código Judeu". Nem a actividade do bispo Preysing, em Berlim, de monsenhor Rotta, na Hungria, de Monsenhor Cassulo, na Roménia.
Não se pode esquecer a pastoral corajosa do arcebispo Saliege, de Toulouse, em 1942, denunciando "os factos terríveis" nos campos de Noe e Recebedom, afirmando que "os judeus são nossos irmãos".
Não se pode esquecer o arriscado apoio do Vaticano à organização judaica DELASEM, de Génova. Não se pode esquecer a Encíclica Summi Pontificatus, de 1939, poderosa denúncia das doutrinas de "pureza rácica".
Não se pode esquecer que, onde pôde mudar as coisas, ou influenciá-las, o Vaticano sempre falou. E que, onde se calou (como o fez o Comité da Cruz Vermelha, ou o Conselho Mundial das Igrejas), executou muitas vezes custosas e arriscadas operações, clandestinas, de auxílio e transporte.
Não se pode esquecer, por fim, que uma coisa é a denúncia antes da guerra (quantos o fizeram?), e outra é falar sobre a ocupação, onde o que importa é resgatar vidas, e não pregar sermões exemplares, que, como na Holanda, só aumentaram a repressão.
Não se pode esquecer, ainda, que pelo menos 3000 padres católicos foram executados pelo Reich, só na área do agora Benelux.
E não se pode esquecer que, numa altura de trevas, em que a intolerância surge até das dificuldades da "luta contra o terrorismo", tem sido a Santa Sé uma das vozes qualificadas, em nome da decência e da Humanidade.
Contra todos os holocaustos, alertando antes.
Para que não se repitam.
In JN, 2009.02.06
Casar ou juntar-se?

Perguntei-lhes se alguma vez tinham pensado em casar-se. Olharam para mim admirados. Então ele, com um sorriso de quem perdoa uma pergunta tão ingénua, tomou a iniciativa de responder. «Casar-se? Para quê? Já nos amamos e isso é o importante. Que sentido tem uma cerimónia exterior que não acrescentará nada ao nosso amor? Queremos um amor genuíno! Queremos um amor livre! Queremos um amor sem nenhum tipo de coacção! Este modo de actuar parece-nos muito mais sincero. Não necessitamos de nenhum tipo de ataduras. Ataduras que cortariam as asas da nossa liberdade». Ela concordava com a cabeça. Todo o raciocínio do namorado parecia lógico. Estava de acordo com ele. Não havia fissuras na sua argumentação.
À primeira vista, parece que o casamento significa uma perda de liberdade. Se uma pessoa decide casar-se, perde a capacidade de voltar a fazê-lo no futuro. Se a liberdade se entende somente como capacidade de escolha, sem dúvida que o casamento significa a perda dessa capacidade. Mas será que a liberdade é somente isso?
Hoje em dia, o casamento é muitas vezes visto como uma realidade oficial, formal e sem muito valor. Um convencionalismo antiquado. Uma instituição que “acorrenta” com elementos objectivos e escravizantes uma relação subjectiva e livre. A liberdade fica “atada”. A liberdade fica “obrigada” no futuro. Não parece sensato introduzir elementos “coactivos” numa relação livre. Introduzir elementos objectivos numa relação subjectiva.
É uma visão simplista. Assim como a noz não é somente a sua casca, o casamento não é somente a sua cerimónia exterior. O casamento é um vínculo que se cria a partir da livre vontade daqueles que se casam. O “sim” que pronunciam transforma-os. É um “sim” que compromete. A partir desse “sim”, o futuro fica determinado pelo “tu”. Quem ama de verdade não deseja ser nem viver sem aquele que ama. Não deseja um futuro sem o outro. Seria um futuro sem sentido. Sem sentido também para a liberdade do “eu”.
Quem ama de verdade deseja a fusão. Deseja um “nós” em lugar do “eu” e do “tu”. Deseja o compromisso que é o que dá origem ao “nós”. Um compromisso que não somente não tira a liberdade, mas liberta. Liberta o “nós” dos perigos do egoísmo e do orgulho. A eternidade no amor não pode vir da mera atracção mútua. Nem do simples enamoramento afectivo. Nem dos sentimentos românticos, por muito sinceros que eles sejam. A eternidade no amor só pode vir da liberdade que não teme comprometer-se sem condições.
Por isso, “juntar-se” não é a mesma coisa que casar-se. “Juntar-se” não muda o “eu”. Só muda as circunstâncias em que o “eu” vive. Pelo contrário, casar-se (comprometer-se de verdade), transforma o “eu”. Surge o “nós”. Um “nós” que será capaz de gerar vida e que cuidará dessa vida. Um “nós” que resistirá às intempéries, porque está protegido pela liberdade responsável daqueles que se amam de verdade.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria
A verdade do Matrimónio

Por Cón. José António Marques
Estão na ordem do dia as reformas legislativas em matéria de direito matrimonial, em diversos países, pela introdução de sistemas profundamente divorcistas e abortistas, pela regulamentação das manipulações de embriões em ordem às mais diversas formas de fecundidade medicamente assistida, e as manifestações multitudinárias para exigir do Estado um enquadramento jurídico das uniões de homossexuais como verdadeiros matrimónios e famílias.
Tudo isto se torna possível – perante o espanto e estranheza de quantos se habituaram a uma visão totalmente diversa do matrimónio e da família – porque vai ganhando certa firmeza a opinião pública de que o matrimónio e a família são instituições meramente humanas e por isso susceptíveis de modificação pela simples força dos votos democraticamente manifestada.
Neste contexto, torna-se absolutamente necessário mostrar por todos os meios aos homens do nosso tempo a «verdade do matrimónio», embora tal expressão, no dizer de Bento XVI, perca «relevância existencial num contexto cultural marcado pelo relativismo e pelo positivismo jurídico», como é o do nosso mundo ocidental. Na verdade, tanto o relativismo como o positivismo jurídico «consideram o matrimónio como mera formalidade social dos vínculos afectivos». Portanto, para tal mentalidade e contexto cultural, o matrimónio torna-se não só «contingente como podem ser os sentimentos humanos», mas também se apresenta «como uma superstrutura legal que a vontade humana poderia manipular a bel-prazer, privando-o até da sua índole heterossexual» [1].
Também alguns grupos de católicos se encontram à margem da «verdade do matrimónio». Na verdade, diz o Papa: «Esta crise de sentido do matrimónio faz-se sentir também pelo modo de pensar de não poucos fiéis» [2]. Em relação com a atitude perante os ensinamentos do Vaticano II, a propósito do matrimónio e da família, para alguns católicos parece que a doutrina conciliar sobre o matrimónio, e concretamente a descrição do matrimónio como «íntima comunidade de vida e de amor» [3], deva levar a negar a existência de um vínculo conjugal indissolúvel, porque se trataria de um «ideal» ao qual não podem ser «obrigados» os «cristãos normais». «De facto, difundiu-se também em certos ambientes eclesiais a convicção segundo a qual o bem pastoral das pessoas em situação matrimonial irregular exigiria uma espécie da sua regularização canónica, independentemente da validade ou nulidade do seu matrimónio, ou seja, prescindindo da “verdade” acerca da sua condição pessoal. Com efeito, a via da declaração de nulidade matrimonial é considerada um instrumento jurídico para alcançar tal objectivo, segundo uma lógica em que o direito se torna a formalização das pretensões subjectivas. A propósito, seja realçado antes de tudo que o Concílio descreve certamente o matrimónio como uma intima communitas vitae et amoris, mas tal comunidade é determinada, seguindo a tradição da Igreja, por um conjunto de princípios de direito divino, que fixam o seu verdadeiro sentido antropológico permanente» [4].
A verdade do matrimónio, in Revista Celebração Litúrgica, n. 1 (2009).
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Semana de Oração pela unidade dos cristãos

Na busca da unidade de todos os cristãos, o principal factor é o desejo de Jesus Cristo: ut unum sint! Ele é Aquele que mais deseja a unidade que os pecados dos homens não permitem.
A unidade não significa uniformidade. A unidade só é possível quando vários elementos, diferentes entre si, se unem. Por isso, dentro da barca da Igreja Católica é possível uma tão grande variedade de ritos, situações jurídicas...
Os últimos decénios fizeram perceber que o caminho da busca da unidade de todos os Cristãos deve ter, pelo menos, três características: fidelidade à doutrina que Jesus transmitiu aos seus Apóstolos; profundo conhecimento das posições defendidas pelas comunidades eclesiais; uma sincera amizade entre aqueles que têm o dever de dialogar para buscar a unidade.
Quem sabe?...
«Quem sabe realmente o que se passa na Palestina? Ao enviesamento ideológico que divide as simpatias mundiais, deve somar-se, também, a influência dos meios utilizados por cada uma das parte envolvidas, por forma a apresentar os factos do modo que lhe seja mais favorável, no que se inclui, nomeadamente, videoblogs e redes sociais.»
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In Aceprensa






